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24 de junho de 2026

Sustentabilidade

Rastreabilidade de agrotóxicos no Brasil: oportunidade ou custo extra? – MAIS SOJA

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Por Roberto Araújo é membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), engenheiro agrônomo, mestre em agronegócios pela EESP/FGV-SP. Atuou na indústria por 34 anos, professor MBA no Instituto Futurum e consultor

No início de junho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 805/2025, instituindo o Programa Nacional de Rastreabilidade de Produtos Agrotóxicos e Afins (PNRA). A iniciativa gerou desconfortos no agro, não pelo conceito da rastreabilidade — reconhecida como instrumento de transparência e segurança —, mas pela forma atropelada com que o Mapa conduziu o processo, em desacordo com princípios de boa governança regulatória, participação social e razoabilidade econômica. Essa condução motivou três Projetos de Decreto Legislativo no Congresso Nacional, que visam suspender a medida.

A rastreabilidade é capaz de ampliar a segurança, otimizar a logística, gerar confiança nos mercados e elevar padrões de sustentabilidade. Contudo, seu sucesso depende de conhecimento técnico, análise econômica e amplo diálogo para engajar os atores envolvidos, o que, até aqui, não se verifica no PNRA.

É preciso perguntar: faltam mecanismos no Brasil para controlar agrotóxicos e proteger a saúde pública, o meio ambiente e o consumidor? A resposta é não. O país possui leis rigorosas sobre fabricação, distribuição, comercialização, uso e destinação das embalagens de agrotóxicos. A aquisição desses produtos só ocorre mediante receita agronômica assinada por profissional habilitado e acompanhada de nota fiscal. Há ainda programas consolidados, como o PARA (Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos), da Anvisa, e o PNCRC/Vegetal, do próprio Mapa.

Esses programas indicam que os alimentos consumidos no Brasil são seguros e apresentam níveis de resíduos abaixo dos limites estabelecidos. Segundo a Embrapa, a agropecuária brasileira abastece cerca de 800 milhões de pessoas, ou 10% da população mundial. Além de atender o mercado interno, o país exporta seus excedentes para mais de 200 países, sem restrições que coloquem em dúvida a qualidade dos produtos brasileiros.

No caso da água potável, o monitoramento é realizado pelo Sisagua, do Ministério da Saúde. Os dados mostram que, na quase totalidade das amostras coletadas semestralmente nos municípios, os resíduos de agrotóxicos permanecem abaixo dos valores máximos permitidos, assegurando a qualidade da água para consumo humano.

Outro exemplo é a destinação das embalagens dos agrotóxicos. O Brasil lidera o recolhimento mundial, com índice de 94%. Desde 2002, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) já retirou mais de 820 mil toneladas de embalagens da natureza. Em 2024, foram mais de 68 mil toneladas destinadas de forma ambientalmente correta. Importante destacar que o instituto faz a rastreabilidade em toda a sua cadeia de custódia, promovendo a economia circular.

Isso mostra que o Brasil dispõe de bons instrumentos regulatórios e mecanismos eficazes para garantir segurança do alimento, proteção ambiental e saúde pública. Ainda assim, há espaço para aprimorar processos, sobretudo com a digitalização e o avanço tecnológico.

Se for bem implementada, a rastreabilidade agregará valor ao agro, elevando os padrões de segurança e sustentabilidade, facilitando recalls, otimizando a logística e promovendo a imagem do Brasil nos mercados internacionais. Países como Argentina, Estados Unidos, França, Holanda e Turquia já desenvolvem projetos de rastreabilidade de pesticidas, baseados nos padrões da GS1, entidade global que define códigos e sistemas de identificação e rastreabilidade em cadeias de suprimento.

Entretanto, o Brasil possui características próprias, como suas dimensões continentais, importa a maior parte dos agrotóxicos que utiliza e tem uma agricultura tropical e diversificada. Hoje, existem mais de 3.400 distribuidores e 1.200 cooperativas agrícolas, espalhados por cerca de 1.400 municípios, atendendo a mais de 2 milhões de estabelecimentos agropecuários. Implantar um sistema que registre a movimentação física e o fluxo de informações de agrotóxicos exigirá investimentos elevados, infraestrutura robusta e plena integração entre União, estados, empresas e agricultores.

A solução proposta pelo Mapa para o PNRA, baseada no Brasil-ID/Rastro-ID e no uso de RFID (Identificação por Radiofrequência), é tecnológica, mas também onerosa. O RFID tem vantagens inegáveis, sobretudo na leitura rápida e simultânea de grandes volumes, sem necessidade de contato visual direto. Porém, para embalagens unitárias de agrotóxicos, tecnologias como Data Matrix ou QR Code são muito mais econômicas, atendem a necessidade e podem ser facilmente lidas por fiscais e operadores logísticos. O RFID pode custar até 40 vezes mais que códigos bidimensionais, o que pode inviabilizar sua adoção em larga escala no agro.

Além do custo das etiquetas, há toda a infraestrutura tecnológica e adaptações nas linhas de envase, importadores e em outros pontos de captura e registro de eventos. Para o PNRA funcionar, será necessário um sistema de TI capaz de processar centenas de milhões de registros, integrar-se com outros sistemas governamentais, além de garantir segurança cibernética e respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Esses investimentos podem facilmente ultrapassar dezenas de milhões de reais, sem contar custos anuais de manutenção e treinamento de equipes — valores elevados para um governo que já enfrenta restrições orçamentárias, especialmente na Secretaria de Defesa Agropecuária e nos estados.

A dificuldade em regulamentar a Lei nº 14.785, sancionada em dezembro de 2023, expõe essas limitações do Mapa, que até o momento não desenvolveu o Sistema Unificado de Cadastro e Utilização de Agrotóxicos, destinado a integrar dados de receituários agronômicos, produtores, importadores, exportadores e órgãos de fiscalização. A nova lei estabeleceu prazo de até dezembro de 2024 para a implementação do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), que irá conectar Mapa, Anvisa e Ibama. Até o momento, os sistemas não têm previsão para lançamento.

Embora a rastreabilidade seja desejável e possa gerar ganhos reais para a sustentabilidade do agro, a forma como o governo está conduzindo o PNRA preocupa. Avançar na rastreabilidade é positivo, mas não pode significar custos desnecessários ou sobreposição de exigências que onerem a cadeia produtiva.

O agro brasileiro tem compromisso com a modernização. Mas, para que o PNRA seja bem-sucedido, precisa ser fruto de um compromisso setorial e planejamento realista. Implementar rastreabilidade em um país com a complexidade do Brasil é uma jornada longa, que pode levar mais de uma década. Se não for bem conduzido, corremos o risco de transformar a oportunidade de aumentar a competitividade do agro em mais um fator de insegurança regulatória, burocracia e custo extra para o setor produtivo.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo (SP), com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, por sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. Não podemos deixar de lembrar que a evolução da civilização só foi possível devido à agricultura. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa, assim como a larga experiência dos agricultores, seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: Link. Acompanhe também o CCAS nas redes sociais: Facebook,  Instagram, LinkedIn

Fonte: Assessoria de Imprensa CCAS



 



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Trapoeraba: características, desafios de controle e estratégias de manejo. – MAIS SOJA

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Em função de suas características morfológicas e fisiológicas, a trapoeraba (Commelina benghalensis) tem se destacado como uma das plantas daninhas de maior complexidade nos sistemas de produção agrícola. A expansão das áreas infestadas, associada às características reprodutivas da espécie, tem dificultado o controle eficiente, favorecendo a persistência e a manutenção das populações em áreas agrícolas.

Até o momento, não há relatos de resistência de Commelina benghalensis a herbicidas no Brasil (Heap, 2026). Entretanto, em algumas regiões, observa-se tolerância da espécie a determinados herbicidas, reduzindo a eficiência do controle químico e aumentando os desafios no manejo. Originária do Sul e Sudeste Asiático, a trapoeraba apresenta ampla distribuição mundial, estando presente em diferentes ambientes agrícolas e competindo com diversas culturas (Figura 1).

Figura 1. Distribuição de países com infestações de Commelina benghalensis.
Fonte: GBIF (2026)

Dentre as características mais marcantes da trapoeraba, destaca-se a produção de sementes da parte aérea e sementes subterrâneas, que contribuem significativamente para a sobrevivência da espécie e manutenção das populações daninhas, além disso, a planta ainda pode se reproduzir por meio do caule. A maior parte das sementes provém da parte aérea, onde de 73 a 79% são consideradas pequenas, 19 a 22% são consideradas sementes grandes, e as sementes subterrâneas representam de 1 a 3% do total (Borion et al., 2026).

Figura 2. Sistema radicular da trapoeraba com sementes subterrâneas.
Foto: Eric Prostko, University of Georgiam

Além de dificultar o controle eficiente da espécie, essa característica contribui para a ampliação dos fluxos de emergência da trapoeraba. Como consequência, tem sido cada vez mais frequente a ocorrência de áreas infestadas ao final do ciclo de culturas como milho e/ou soja safrinha, comprometendo o estabelecimento e o desenvolvimento da cultura sucessora.

Nesse contexto, o manejo da trapoeraba ao final do ciclo das culturas agrícolas torna-se uma prática essencial para reduzir a pressão de infestação nas áreas de cultivo, mesmo quando realizado no período outonal. Nessa estratégia, o controle de plantas jovens após o rebrote (preferencialmente com até quatro folhas), associado ao uso de misturas de herbicidas em vez da aplicação de moléculas isoladas, constitui uma das principais ferramentas para limitar a expansão da espécie nos sistemas agrícolas.



Além disso, a utilização de herbicidas com ação sistêmica, associada ao emprego de herbicidas pré-emergentes, é fundamental para reduzir a sobrevivência de plantas remanescentes e minimizar novos fluxos de emergência da trapoeraba. A ausência de um manejo integrado, preventivo e eficiente pode resultar em perdas expressivas de produtividade nas culturas subsequentes, com reduções estimadas entre 20% e 80% na soja (Supra Pesquisa, s.d.).

Conforme observado por Bianchi; Sturmer; Somavilla (2018), no manejo químico pós-emergente da trapoeraba, aplicações sequenciais de herbicidas apresentam maior eficiência de controle. Os autores verificaram que estratégias envolvendo uma primeira aplicação com glifosato + 2,4-D, seguida por uma segunda aplicação com glufosinato de amônio ou diquat, apresentam potencial para reduzir significativamente as infestações da espécie, constituindo uma alternativa tecnicamente consistente para o manejo da planta daninha.

Referências:

BIANCHI, M. A.; STURMER, H.; SOMAVILLA, J. C. ESTRATÉGIAS DE CONTROLE PARA TRAPOERABA. CCGL. Boletim Técnica, n. 65, 2018. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/boletim_t%C3%A9cnico_65.pdf >, acesso em: 23/06/2026.

BORION, J. H. R. et al. Commelina benghalensis: ASPECTOS DE BIOLOGIA E MANEJO. Revista Caderno Pedagógico, 2026. Disponível em: < https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/22965/12756 >, acesso em: 23/06/2026.

GBIF. Commelina benghalensis L. GBIF, 2026. Disponível em: < https://www.gbif.org/taxon/5ZSD4#map >, acesso em: 23/06/2026.

HEAP, I.  THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2026. Disponível em: < https://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 23/06/2026.

SUPRA PESQUISA. Supra Pesquisa. Instagram, [s.d.]. Disponível em: https://www.instagram.com/suprapesquisa/. Acesso em: 23/06/2026.



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A nova geração do agro e o verdadeiro foco do investimento em biotecnologia – MAIS SOJA

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O agronegócio é a principal locomotiva econômica do Brasil e já provou sua capacidade de produzir em escala, ocupar mercados globais e transformar tecnologia em produtividade. Mas o próximo salto do setor não virá da abertura de novas áreas. Esse ciclo encontrou limites ecológicos, legais e de mercado. A disputa agora está em outro lugar: produzir mais, com mais eficiência, no mesmo hectare. E, para isso, não basta avançar da porteira para dentro; é preciso enfrentar a vulnerabilidade que ainda pesa sobre a base produtiva do país.

A maior delas é a dependência extrema de insumos importados. O Brasil compra no exterior cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Isso significa que uma parte relevante do custo da lavoura está exposta ao câmbio, ao frete internacional, a crises geopolíticas e a decisões tomadas longe da realidade do produtor brasileiro. Na prática, o custo de produção fica refém de produtos dolarizados, o que comprime severamente a relação de troca e reduz a previsibilidade agrícola. A resposta para diminuir essa fragilidade econômica já é tratada pelo governo como uma questão de soberania nacional e exige um investimento robusto em biotecnologia.

Mas reconhecer a biotecnologia como resposta não basta. O desafio é transformá-la em escala. Hoje, mesmo se todas as empresas nacionais do setor operassem em capacidade máxima, a indústria brasileira conseguiria atender a apenas cerca de 15% da demanda atual. Esse dado mostra que a autonomia do país nessa área ainda depende de um avanço decisivo: ampliar a capacidade de transformar conhecimento científico em produção industrial viável.

Quando se fala em ciência biológica no agro, o senso comum ainda aponta para a bioprospecção, ou seja, o isolamento de microrganismos na natureza. Esse trabalho é fundamental e pode levar anos até a identificação de um ativo com potencial agronômico. Mas, para quem quer competir nesse mercado, ele já se tornou ponto de partida. A partir daí, o foco da pesquisa precisa avançar para a etapa seguinte: processos mais eficientes, produtos mais estáveis, custos menores e escala para chegar ao campo.

O diferencial que sustenta a competitividade hoje é o investimento em pesquisas para a otimização de processos. Trabalhar em tecnologias de fermentação capazes de reduzir ciclos de dias para apenas algumas horas é a verdadeira linha de corte. Essa inteligência permite multiplicar a capacidade produtiva usando a mesma estrutura, sem elevar os custos operacionais. É essa eficiência industrial contínua que viabiliza economicamente a tecnologia e faz a inovação chegar de forma acessível ao campo. z

Essa mesma eficiência de fábrica é o que tangibiliza a nova economia verde. Nos processos biotecnológicos de ponta, a pesquisa permite enriquecer formulações e aproveitar integralmente os compostos gerados na produção, reduzindo desperdícios e eliminando descartes. Nesse contexto, sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a ser eficiência produtiva, com impacto direto em rentabilidade, competitividade e atração de capital.

Reduzir a dependência do agronegócio brasileiro no longo prazo exige confiança e investimento contínuo em pesquisa aplicada. A biotecnologia escalável não serve apenas para substituir gradativamente parte dos insumos convencionais, mas para construir um modelo produtivo mais independente, eficiente e competitivo. Quando a ciência sai do laboratório, ganha escala industrial e chega à lavoura, ela deixa de ser promessa e passa a ser estratégia para o futuro do agro brasileiro.

Sobre o autor: William Marcusso, engenheiro agrônomo e diretor de Projetos e Inovação da Síntese Agro Science

 

Fonte: Assessoria de imprensa


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Escudo biológico blinda a produtividade da soja contra mudanças climáticas e falta de chuva – MAIS SOJA

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As crescentes anomalias climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño têm acendido o alerta máximo nos principais cinturões agrícolas do país. O impacto do clima severo vai além da simples escassez de chuva: a falta de água desregula o metabolismo da soja em sua fase crítica de formação, desencadeando veranicos intensos que historicamente prejudicam as lavouras. Para combater esse cenário, pesquisadores da Síntese Agro Science, empresa brasileira de biotecnologia aplicada ao agronegócio, desenvolveram uma solução biológica inovadora capaz de atuar preventivamente na fisiologia vegetal, criando uma espécie de “escudo bioquímico” que protege o potencial produtivo das plantas.

A eficácia da tecnologia foi chancelada pela comunidade científica internacional e publicada na prestigiada revista científica Journal of Crop Science and Biotechnology em maio de 2026. O estudo mapeou os efeitos práticos da aplicação foliar do Domínio®, um bioestimulante organomineral formulado a partir do extrato da alga marinha Ascophyllum nodosum. Aplicado estrategicamente no estádio fenológico V4, fase inicial de crescimento e desenvolvimento vegetativo da cultura, o produto provou ser um divisor de águas na capacidade de resiliência da planta.

Os testes laboratoriais e de estufa revelaram respostas fisiológicas positivas sob condições de restrição hídrica induzida. Apenas sete dias após o tratamento, as plantas que receberam o bioestimulante apresentaram um aumento expressivo de 60% na concentração de clorofila total em comparação ao grupo-controle. Essa resposta otimiza a capacidade fotossintética da soja, mesmo em cenários de alta radiação e escassez de água.

Além disso, o uso do composto ativou fortemente o sistema enzimático de autodefesa da cultura, induzindo um incremento na atividade de enzimas antioxidantes fundamentais. A atividade da catalase saltou 17,3%, a da superóxido dismutase cresceu 33,9%, e a peroxidase registrou a maior alta, com 47,4%. “Juntas, essas enzimas neutralizam os radicais livres que destroem as células vegetais durante períodos de estresse hídrico, conferindo uma tolerância superior contra o estresse oxidativo”, afirma William Marcusso, diretor de projetos e inovação da Síntese Agro Science.

A análise foliar realizada após a aplicação demonstrou também que o produto atua diretamente como um modulador na absorção de nutrientes essenciais. Foi observado um enriquecimento significativo nos níveis de cálcio (Ca), manganês (Mn), níquel (Ni) e zinco (Zn), elementos fundamentais na estruturação da parede celular, sinalização metabólica e eficiência fotossintética.

Resultados expressivos no campo

Para testar os limites da tecnologia fora do ambiente controlado, o estudo submeteu a lavoura a um teste de campo, no qual as plantas enfrentaram um período de déficit hídrico natural de aproximadamente 15 dias, um cenário clássico e temido de veranico. Mesmo sob as limitações impostas pelo ambiente, o lote tratado manteve o vigor vegetativo de forma visível e protegeu a formação dos grãos sem abortar o desenvolvimento.

O resultado econômico e produtivo consolidou a viabilidade técnica da intervenção biológica. A área protegida pelo escudo biológico alcançou uma produtividade final de 3.387,0 kg/ha, em comparação com 3073.6 kg/ha das plantas não tratadas, resultando em um incremento direto de 10,2% na colheita final.

Os dados consolidados indicam que a utilização de bioestimulantes à base de Ascophyllum nodosum deixa de ser apenas uma alternativa complementar e passa a figurar como ferramenta estratégica indispensável para o manejo de mitigação de riscos climáticos. Diante de um clima cada vez mais imprevisível, a biotecnologia nacional entrega ao produtor uma blindagem real para assegurar a rentabilidade e a segurança alimentar do mercado de grãos. “A intervenção preventiva, feita na fase inicial de crescimento, atua fisiologicamente para criar um escudo bioquímico, garantindo que a planta suporte as janelas de seca e as altas temperaturas sem abortar o desenvolvimento”, conclui William Marcusso.


Sobre a Síntese Agro Science

Fundada em 2018, a Síntese Agro Science é uma empresa brasileira de biotecnologia aplicada no agro, com atuação nacional, dedicada ao desenvolvimento de soluções que ampliam a eficiência produtiva com menor impacto ambiental.

 A empresa desenvolve tecnologias para nutrição vegetal, bioestimulação e aplicação agrícola, transformando pesquisas em soluções práticas que aumentam a produtividade no campo com mais previsibilidade e eficiência. Suas soluções não deixam resíduos tóxicos nos grãos e nas culturas tratadas, atendendo e superando os principais protocolos internacionais de exportação na Europa, Ásia e América do Norte, alinhadas a práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) e desenvolvidas com foco na biodiversidade e na saúde humana e animal.

Com base em biotecnologia de nova geração, a Síntese Agro Science investe em pesquisa e estrutura laboratorial para desenvolver soluções a partir de microrganismos e processos biológicos controlados, antecipando, em ambiente industrial, respostas que tradicionalmente ocorreriam no campo.

A companhia tem como objetivo contribuir para a evolução do modelo produtivo do agro, integrando biotecnologia ao manejo agrícola para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e ampliar a competitividade do produtor brasileiro.

Fonte: Assessoria de imprensa

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