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7 de novembro de 2026

Business

estoques em queda e risco de escassez no Brasil

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Os estoques de fertilizantes fosfatados no Brasil podem estar cerca de 50% menores que há um ano. A redução da produção nacional, pressionada pelo encarecimento do enxofre, e a menor disponibilidade do produto no mercado internacional acendem um alerta para o abastecimento no próximo ciclo agrícola. Ainda não há falta efetiva, mas a retomada da demanda pode encontrar uma oferta mais restrita e provocar novos aumentos de preços.

O cenário reúne fatores econômicos e geopolíticos. De um lado, o crédito mais caro e o endividamento dos produtores reduziram o consumo de fertilizantes. De outro, os conflitos internacionais e as interrupções logísticas no Estreito de Ormuz elevaram o custo de matérias-primas utilizadas na fabricação dos insumos.

A pressão é especialmente forte sobre o enxofre, subproduto do refino do petróleo e matéria-prima essencial para a produção de fosfatados. Antes do conflito entre Estados Unidos e Irã, a tonelada custava aproximadamente US$ 400. Com as restrições no fluxo comercial, chegou a US$ 1,2 mil.

Para produzir uma tonelada de fertilizante fosfatado de alta concentração são necessários cerca de 400 quilos de enxofre. Como a elevação dos custos não foi acompanhada na mesma proporção pelo preço dos fertilizantes, fabricantes de diferentes países reduziram suas operações. No Brasil, a Mosaic também paralisou temporariamente a produção.

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“Em nenhum momento aqui a gente se defrontou com falta real ainda. Não significa que nos próximos meses a gente não possa se defrontar com isso”, afirma Eduardo Monteiro, líder da Mosaic no Brasil e Paraguai, em entrevista ao Estúdio Rural.

Oferta menor e pressão sobre os preços

A preocupação aumenta diante da perspectiva de retomada da demanda. Neste ano, o consumo de fertilizantes foi menor, influenciado pelo crédito mais caro, pelo endividamento dos produtores e pela elevação dos custos de produção. A redução da procura foi acompanhada por uma diminuição da oferta, o que evitou uma falta mais evidente de produto no mercado.

Para o próximo ciclo, entretanto, o cenário pode ser diferente. A estimativa da empresa é que os estoques brasileiros de fosfatados estejam aproximadamente 50% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado. Monteiro ressalta que o percentual é uma projeção, já que não existem dados oficiais sobre esse volume.

A redução da adubação já aparece nos números de consumo. De acordo com o executivo, a aplicação de fósforo pelos agricultores brasileiros está entre 25% e 30% menor em relação ao ano passado. Nos nitrogenados, a retração foi de aproximadamente 10%, enquanto o consumo de potássio apresentou pouca alteração.

A diminuição da aplicação, porém, pode trazer consequências para a produtividade. Embora a agricultura de precisão permita otimizar o uso de nutrientes, há limites para os cortes sem comprometer o desenvolvimento das lavouras.

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“Isso pode representar até 5% de redução em produtividade”, alerta Monteiro durante entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso, ao avaliar os efeitos dos cortes na aplicação de fósforo em áreas onde a redução dos nutrientes compromete o desenvolvimento das lavouras.

Outro fator que dificulta uma previsão para os preços é a mudança no mercado internacional de enxofre. Além dos conflitos geopolíticos, a demanda da indústria de baterias para veículos elétricos ampliou a disputa pela matéria-prima. Atualmente, entre 8% e 10% da produção mundial de enxofre é destinada, direta ou indiretamente, à fabricação de componentes utilizados nessas baterias.

O produto chegou a recuar para a faixa de US$ 880 a US$ 900 por tonelada, mas ainda não alcançou um patamar considerado viável pela empresa para retomar a produção nas condições atuais. Conforme Monteiro, US$ 500 por tonelada seria um valor mais adequado para viabilizar as operações, considerando os preços atuais dos fertilizantes.

Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Dependência externa expõe vulnerabilidade

A situação também recoloca em discussão a dependência brasileira de fertilizantes importados. O país compra no exterior cerca de 85% do volume que consome, percentual que, segundo a estimativa do executivo, deve chegar a 90% neste ano. No caso do enxofre, as importações brasileiras caíram aproximadamente 50% no período.

Para Monteiro, alcançar a autossuficiência em fertilizantes é um desafio diante das condições de competitividade da mineração nacional. Entre os entraves estão o custo financeiro, a carga tributária, as despesas trabalhistas e a demora nos processos de licenciamento ambiental.

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A abertura de novas minas exige investimentos bilionários e projetos de longo prazo. O executivo cita como exemplo um empreendimento de potássio na Amazônia, cujo processo de licenciamento levou nove anos para ser concluído. Na avaliação dele, essas condições dificultam a concorrência com países que possuem estruturas de produção mais competitivas.

“Dizer que nós seremos autossuficientes, com algumas desvantagens competitivas dessa dimensão, é uma ousadia muito grande. Agora, não significa que a gente não deva fazer nada. É importante a gente reduzir essa dependência”, afirma.

A defesa é de que a ampliação da produção nacional seja tratada como política de Estado, com incentivos e regras que tenham continuidade independentemente das mudanças de governo. A segurança no abastecimento é estratégica para o país, considerando o peso do agronegócio na economia e na balança comercial brasileira.

Bioinsumos ganham espaço

Enquanto os fertilizantes convencionais enfrentam pressão de custos e oferta, os bioinsumos aparecem como alternativa para melhorar a eficiência nutricional das lavouras. Monteiro avalia que o segmento deve ser o único entre os principais setores de insumos agrícolas a registrar crescimento neste ano.

A tecnologia, porém, não substitui os fertilizantes minerais. Seu papel é complementar a nutrição das plantas e melhorar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo, especialmente em um cenário de redução da adubação.

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“Ele não resolve o problema dos fertilizantes, não substitui, mas minimiza”, explica o executivo, ao destacar o potencial dos produtos biológicos para aumentar a eficiência da absorção de nutrientes pelas plantas.

A Mosaic também pretende ampliar sua atuação nesse mercado. A expectativa da companhia é dobrar, mundialmente, o resultado da divisão de biológicos em relação ao ano passado, com participação importante das demandas brasileiras e chinesas.

Um dos obstáculos para o avanço do setor no Brasil é a regulamentação dos biofertilizantes. Segundo Monteiro, a definição das responsabilidades de fiscalização entre órgãos do governo mantém a discussão parada no Ministério da Agricultura, apesar da aprovação do marco regulatório dos bioinsumos pelo Congresso Nacional.

A demora impede o lançamento de novas tecnologias no mercado brasileiro. Como exemplo, o executivo cita um produto desenvolvido pela própria Mosaic, lançado no Paraguai após aprovação do registro em julho deste ano. No Brasil, a empresa ainda não conseguiu avançar com a mesma tecnologia por falta de definição regulatória.

“Esse projeto, que deveria já ter sido regularizado o ano passado, está há dois anos aí parado no Ministério da Agricultura”, afirma Monteiro. Para ele, a regulamentação precisa avançar para permitir que os agricultores tenham acesso a novas tecnologias, sem abrir mão da fiscalização e da proteção da propriedade intelectual.

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boi gordo e milho sobem na semana; soja recua

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O mercado agropecuário encerrou a primeira semana de novembro com valorização do boi gordo e do milho, enquanto a soja apresentou recuo no período.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram movimentos distintos entre as commodities, com o indicador do boi gordo próximo de R$ 393 por arroba e o do milho acima de R$ 66 por saca.

Boi gordo acumula alta na semana

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a sexta-feira (6) a R$ 392,70 por arroba, alta de 0,34% em relação ao dia anterior. Na comparação com o fechamento de 30 de outubro, quando estava em R$ 389,90, a valorização foi de 0,72%.

Ao longo da semana, o indicador avançou de forma consecutiva, passando de R$ 390 por arroba na terça-feira (3) para R$ 392,70 na sexta-feira. No acumulado do mês, a alta também era de 0,72% até o último dia útil considerado.

Milho avança no início de novembro

O Indicador do Milho Esalq/BM&FBovespa encerrou a sexta-feira a R$ 66,77 por saca, com alta diária de 0,26%. Em relação ao valor de R$ 65,64 registrado em 30 de outubro, o avanço foi de 1,72%.

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O movimento de alta foi registrado durante os quatro primeiros dias úteis de novembro. Na terça-feira (3), o indicador estava em R$ 66,19 por saca e chegou a R$ 66,77 na sexta-feira.

Soja recua no acumulado do mês

No mercado da soja, o Indicador Cepea/Esalq Paraná fechou a sexta-feira a R$ 152,10 por saca de 60 quilos, queda de 0,23% no dia. Apesar da recuperação registrada na quarta-feira (4), quando chegou a R$ 152,21, o indicador terminou a semana abaixo dos R$ 152,22 de 30 de outubro.

O resultado representa recuo de 0,08% no acumulado de novembro.

Já o Indicador Cepea/Esalq de Paranaguá encerrou a sexta-feira a R$ 158,52 por saca de 60 quilos, praticamente estável no dia, com queda de 0,01%. Na comparação com 30 de outubro, quando estava em R$ 158,88, a baixa foi de 0,23%.

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curso gratuito oferece 400 vagas para formação de baristas

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A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Nescafé disponibilizam 400 vagas gratuitas para um curso introdutório de barismo, com inscrições abertas até 20 de novembro. A formação é on-line, tem seis videoaulas e busca ampliar a qualificação profissional de interessados em trabalhar com cafés especiais.

Intitulado Primeiros Passos no Café Especial, o curso será ministrado por Rogério Oliveira, masterbarista da Nestlé Professional. As inscrições devem ser feitas pela plataforma BSCA Academy.

O conteúdo inclui conceitos de cafés especiais, montagem de cardápio de bebidas, manuseio da máquina de espresso, regulagem do moinho e técnicas de extração. A capacitação também apresenta orientações para o preparo de espresso e o desenvolvimento de habilidades para quem deseja atuar como barista. Ao final, os participantes recebem certificado de conclusão.

Segundo Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA, a iniciativa busca ampliar o acesso à formação no setor.

“A educação em cafés especiais tem sido um vetor de transformação dessa comunidade no Brasil e a parceria com a Nescafé ocorre exatamente nesse sentido de ampliar a entrega de capacitação de qualidade a profissionais de um setor que cresce a dois dígitos ao ano”, afirma.

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Barbara Velo, gerente de Coffee Expertise da Nestlé Brasil, destaca que o curso também pretende contribuir para a entrada de novos profissionais no mercado de trabalho.

BSCA e Nescafé apoiam Campeonato Brasileiro de Barista

Além do curso, a Nescafé apoiará o Campeonato Brasileiro de Barista, organizado pela BSCA durante a Semana Internacional do Café (SIC) 2026, em Belo Horizonte (MG), de 11 a 13 de novembro.

A competição avalia o desempenho dos participantes no preparo de cafés espressos, bebidas com leite vaporizado e criações autorais, chamadas de bebidas de assinatura.

Cada competidor tem até 15 minutos para apresentar quatro espressos, quatro bebidas com leite vaporizado e quatro bebidas de assinatura. Os juízes avaliam critérios como sabor, qualidade e persistência da crema — camada de espuma que se forma na superfície do espresso —, equilíbrio entre café e leite, criatividade e domínio dos equipamentos e ingredientes.

O vencedor será o campeão brasileiro de barista e terá a oportunidade de representar o país no World Barista Championship, campeonato mundial da categoria marcado para Tóquio, no Japão, de 28 de abril a 1º de maio de 2027. As despesas da participação serão custeadas, segundo as informações divulgadas pela organização.

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A Nescafé também terá uma representante na disputa: a barista Pamela Santiago, que conta com consultoria técnica da equipe Sabino Coffee.

*Com informações da assessoria de imprensa

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Conab instala linhas de vida móveis em unidades do RN e do PI

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) concluiu a instalação de linhas de vida móveis em dez unidades armazenadoras do Rio Grande do Norte e do Piauí. Os equipamentos foram adotados para reforçar a segurança de empregados e terceirizados em atividades executadas a mais de dois metros do solo. A medida integra a adequação da estatal à Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35), voltada ao trabalho em altura.

O sistema conecta o operador a um ponto seguro da estrutura e, em caso de desequilíbrio ou queda, atua para impedir o impacto contra o chão ou níveis inferiores. Segundo a Conab, a medida também fortalece a segurança jurídica nas relações de trabalho.

No Piauí, o investimento em seis conjuntos de linhas de vida móveis somou R$ 376 mil, por meio do Pregão Eletrônico nº 90.015/2025. As unidades de Floriano e Picos receberam um conjunto cada. Parnaíba recebeu dois equipamentos, sendo um para a unidade do município e outro para a Unidade Satélite de Vendas de Piripiri. Em Teresina, os dois conjuntos restantes foram instalados nas estruturas do 1º Distrito Industrial e do bairro Itararé.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

No Rio Grande do Norte, a aquisição contemplou as unidades de Assú, Caicó, Currais Novos, Mossoró, Umarizal e Natal Caiapós. O investimento foi de R$ 318 mil, viabilizado pelo Pregão Eletrônico nº 90.002/2026.

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De acordo com o superintendente regional da Conab no Rio Grande do Norte, Sebastião José de Arruda Júnior, a falta de um sistema adequado de ancoragem limitava a altura das pilhas de sacarias a dois metros, o que restringia o aproveitamento total do espaço nos galpões. Com a instalação dos novos equipamentos, essa limitação foi superada.

Arruda Júnior afirmou que a mudança permite elevar as pilhas com segurança e ampliar a capacidade de armazenagem de milho, cestas de alimentos e outros produtos. Ele também destacou que o modelo móvel reduz em cerca de 80% o custo da ancoragem em relação às estruturas fixas convencionais, que exigem cabos de aço em todo o galpão.

Com a instalação das linhas de vida móveis, a Conab reforça a segurança no trabalho em altura em unidades armazenadoras do Rio Grande do Norte e do Piauí e amplia o uso da capacidade operacional dos galpões.

Fonte: gov.br

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