Business
‘Futuro em Campo’ aproxima estudantes de Alto Garças da realidade do agronegócio

Estudantes da Escola Municipal José David Dias Campos, em Alto Garças, participaram na manhã desta quinta-feira (24) de uma experiência prática sobre a importância do agronegócio mato-grossense. A atividade faz parte do projeto Futuro em Campo, desenvolvido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) para aproximar crianças e adolescentes da realidade do campo.
Durante a programação, os alunos conheceram diferentes etapas e atividades relacionadas à produção rural. O delegado do núcleo da Aprosoja MT no município, Alexandre Gasparello, participou da ação e explicou como funcionam as máquinas utilizadas no campo e o processo de armazenagem dos grãos.
Segundo Gasparello, apresentar essas informações aos estudantes ajuda a ampliar a percepção sobre o campo e mostrar a importância das atividades desenvolvidas nas propriedades rurais. A proposta também é explicar o caminho percorrido pelos alimentos desde a produção até chegar à mesa das famílias.
A diretora da Escola Municipal José David Dias Campos, Cláudia Barbosa Cardoso, destacou que a iniciativa complementa os conteúdos trabalhados em sala de aula e permite que os próprios alunos compartilhem os conhecimentos adquiridos com seus familiares.
Para os estudantes, a atividade também trouxe descobertas sobre a presença da soja e do milho em produtos utilizados diariamente. A aluna Ana Luiza Rodrigues de Jesus, de 10 anos, contou que ficou surpresa ao descobrir a utilidade da commodity. “Eu aprendi muito sobre a soja e o milho e descobri que eles estão presentes em várias coisas do nosso dia a dia. Eu não sabia, por exemplo, que a soja podia estar presente em pneus, produtos para a pele, xampu e sabonete. Foi muito legal descobrir tudo isso”, disse.
Além das informações sobre a produção agrícola, o projeto apresentou aos alunos diferentes profissões relacionadas ao agronegócio e mostrou como diversas atividades estão ligadas ao campo.
A iniciativa também foi destacada pela direção da escola como uma oportunidade de aproximar os estudantes de uma atividade que faz parte da realidade econômica e social de Alto Garças, município cercado por propriedades rurais.
Business
Investidores profissionais concentram mais de 70% dos recursos do Fiagro

Cinco anos após a criação, o Fundo de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) reúne hoje uma base pulverizada, formada por mais de 1,2 milhão de contas de cotistas, e uma frente institucional que concentra a maior parte dos recursos.
Levantamento realizado pela Oliveira Trust a partir de dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostra que o segmento alcançou R$ 65,8 bilhões em patrimônio líquido em julho de 2026.
As classes destinadas ao público geral concentravam 92,4% das contas, mas respondiam por 28,9% do patrimônio identificado. Na outra ponta, os veículos voltados a investidores qualificados e profissionais reuniam apenas 7,6% das contas e 71,1% dos recursos. Os números do estudo se referem a contas de cotistas, não a investidores únicos.
Para a empresa, esse retrato indica que a trajetória do Fiagro não pode ser explicada apenas pela entrada das pessoas físicas no financiamento do agronegócio. Isso porque em paralelo à expansão dos fundos negociados em bolsa, o mercado desenvolveu estruturas voltadas a investidores de maior porte, com operações mais específicas e diferentes combinações de ativos, garantias, originadores e fluxos financeiros.
“Os primeiros anos do Fiagro mostraram que existe demanda para aproximar o mercado de capitais do agronegócio. Agora, os números revelam um segmento mais diverso do que a imagem construída em torno dos fundos de varejo. A próxima etapa dependerá da capacidade de sustentar estruturas com perfis e necessidades muito diferentes, sem abrir mão de governança, transparência e controle”, afirma o CEO da Oliveira Trust, José Alexandre Freitas.
Ambientes de negociação
A diferença também aparece nos ambientes de negociação. As classes negociadas em bolsa concentram 69,7% das contas, mas representam 33% do patrimônio. Já os veículos negociados em balcão organizado ou não organizado respondem, juntos, por 67% dos recursos e 30,3% das contas. Para Freitas, esse contraste reforça a coexistência de uma frente mais pulverizada e de outra formada majoritariamente por operações institucionais.
Entre as classes destinadas ao público geral, 62,4% dos recursos investidos estavam alocados em títulos de securitização, categoria que inclui os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).
Outros 21,3% estavam aplicados em cotas de fundos. Imóveis rurais representavam 7,6% do total, enquanto títulos de crédito do agronegócio, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs), correspondiam a 2,8%.
Em 2026, os Fiagros registraram captação líquida de R$ 755 milhões em julho e acumularam entradas de R$ 6,2 bilhões nos sete primeiros meses do ano, conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O resultado ocorreu em um mês no qual a indústria brasileira de fundos apresentou resgate líquido de R$ 25,3 bilhões. Fiagros, FIPs e ETFs foram as únicas categorias que mantiveram fluxo positivo no período.
Entre as medidas defendidas pela Anbima estão o aumento da base de investidores em ativos ligados ao agronegócio, a atração de capital estrangeiro, o aprimoramento do registro das garantias mobiliárias e o fortalecimento da governança, da transparência e dos processos internos das empresas e dos produtores financiados.
Para a Oliveira Trust, os dados mostram que a próxima fase do Fiagro será definida não apenas pelo volume captado ou pelo número de contas, mas pela capacidade do mercado de oferecer estruturas adequadas a diferentes perfis de investidores e tomadores de recursos.
No entanto, a empresa ressalta que a consolidação desse modelo dependerá de regras claras, informações comparáveis e uma infraestrutura preparada para dar escala às operações.
Agro Mato Grosso
Algodão: custos pressionam rentabilidade em Mato Grosso

Preço médio de R$ 129,67/@ cobre custos operacional efetivo e total, mas mantém margem do produtor apertada
A rentabilidade do algodão em Mato Grosso segue pressionada pelos custos de produção, apesar da valorização dos preços nos últimos meses. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Custo Operacional Efetivo (COE) da safra 2026/27 foi estimado em R$ 15.250,61 por hectare em agosto, enquanto o Custo Operacional Total (COT) alcançou R$ 16.264,37/ha.
O custeio da temporada foi estimado em R$ 10.617,82/ha, recuo de 0,11% em relação a julho. Já o COE apresentou alta mensal de 0,13%, influenciado principalmente pelo aumento de 4,72% nas despesas com arrendamento. O Custo Total (CT) ficou projetado em R$ 18.709,02/ha, avanço de 0,21% no mês.
Considerando a produtividade média dos últimos três anos, de 126,86 arrobas de pluma por hectare, o produtor precisa obter pelo menos R$ 120,06/@ para cobrir o COE. Para alcançar o COT, o preço mínimo sobe para R$ 128,20/@, enquanto a cobertura do CT exige R$ 147,47/@.
Até agosto, o preço médio ponderado de comercialização da safra 2026/27 estava em R$ 129,67/@. Com esse valor, segundo o Imea, é possível cobrir o COE e o COT, mas a margem permanece apertada. O instituto destaca que, mesmo diante das altas recentes nos preços, a rentabilidade do cotonicultor continua pressionada, reforçando a importância de uma gestão eficiente no planejamento da próxima temporada.
Área deve crescer em Mato Grosso
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta aumento de 3,38% na área cultivada com algodão em Mato Grosso na safra 2026/27. Por ser o principal produtor nacional, o estado deve registrar, em termos absolutos, o maior incremento de área entre as unidades da federação.
No cenário nacional, a área cultivada deve alcançar 2,09 milhões de hectares, alta de 3,68% em relação à safra 2025/26. Os maiores crescimentos percentuais são esperados em Rondônia, de 28,79%, Maranhão, de 9,48%, e Piauí, de 8,29%.
A produtividade brasileira, por outro lado, deve recuar 3,23% na comparação com a projeção para a temporada 2025/26. De acordo com o Imea, a estimativa considera as incertezas relacionadas aos possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño sobre as lavouras.
Mesmo com a redução esperada no rendimento, a expansão da área deve contribuir para sustentar a produção nacional. A Conab projeta 10,05 milhões de toneladas de algodão em caroço na safra 2026/27, aumento de 0,33% ante a estimativa para o ciclo anterior.
Mercado
No mercado cambial, o dólar corrente avançou 1,15% na semana, em meio ao aumento da aversão ao risco global e às incertezas fiscais e institucionais no Brasil.
A cotação do caroço de algodão recuou 4,35% no período. Segundo o Imea, o movimento está relacionado ao avanço do beneficiamento e à consequente maior disponibilidade do coproduto no mercado.
Já a paridade de exportação para o contrato de julho de 2027 caiu 2,85% na semana, acompanhando a desvalorização do contrato correspondente na Bolsa de Nova York.
Agro Mato Grosso
Produtor de Mato Grosso calcula cada hectare antes de plantar a soja

O plantio da soja em Mato Grosso começou, mas o avanço das máquinas ainda depende de uma combinação de chuva, condição do solo e custo de produção. Em diferentes regiões, produtores avaliam o momento de entrar com as plantadeiras para reduzir o risco de falhas na implantação da lavoura e de prejuízos ao longo da safra.
Em Ipiranga do Norte, parte dos agricultores aproveitou as chuvas recentes para iniciar a semeadura. O presidente do Sindicato Rural do município, Eder Ferreira Bueno, conta que a janela foi aberta em 7 de setembro e que alguns produtores começaram no próprio dia, principalmente aqueles com áreas irrigadas.
A estratégia, no entanto, não é acelerar todo o plantio de uma vez. O agricultor Valcir Batista Gheno pretende cultivar 4,7 mil hectares de soja nesta temporada, sendo 1,2 mil hectares irrigados por pivô. Cerca de 20% da área de sequeiro já foi plantada após acumulados de 110 a 120 milímetros em alguns talhões.
A estrutura de irrigação permite aproveitar melhor os momentos em que há umidade para avançar com a semeadura. “A gente faz a parte da gente. Choveu, tem umidade para nascer, a gente planta, para germinar, e essa ferramenta que a gente tem do pivô é para esses momentos, para a gente deslanchar um pouco mais essa janela do plantio de soja”, conta Gheno ao Patrulheiro Agro.
Em Mato Grosso, a semeadura da safra 2026/27 já alcançou 1,15% da área estimada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço está 0,60 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período da safra passada. Ainda assim, a condição encontrada em cada propriedade determina o ritmo do trabalho.
Além da chuva, o produtor precisa colocar na conta o aumento das despesas para formar a lavoura. Gheno estima custos entre 15% e 25% maiores, considerando gastos com insumos, fertilizantes, combustível e operações.
O cenário também é acompanhado pelo Sindicato Rural de Ipiranga do Norte. Segundo Bueno, além da preocupação com o El Niño, produtores estão atentos aos juros e ao custo de produção, fatores que influenciam as decisões de investimento para a nova safra.
Para Gheno, o desafio será buscar produtividade suficiente para compensar as despesas. “Nós vamos fazer o plantio com um custo mais elevado, então talvez o desafio seja esse e o fator climático a gente fica preocupado”, avalia.
A preocupação aumenta diante da possibilidade de problemas depois que a semente já estiver no solo. O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Gilson Antunes de Melo, destaca que o cenário atual deixa pouco espaço para erros durante a implantação da lavoura.
“Nós não temos margem para erros, nossos custos estão muito alto e commodities barata. Então, assim, se tiver um replantio, se tiver uma lavoura mal implantada é certeza já de prejuízo lá na frente”, observa.
Por isso, a recomendação é que o produtor não antecipe o plantio apenas para aproveitar a abertura da janela. A condição de umidade precisa ser suficiente para favorecer a germinação e o estabelecimento inicial da cultura.
Produtor testa semente antes de colocar na terra
A preocupação com uma boa implantação começa antes mesmo da entrada das plantadeiras. Em Vera, o agricultor Valcir Strapasson utiliza um canteiro para avaliar a qualidade da semente antes de levá-la para a lavoura.
No teste apresentado pelo produtor, 100 sementes foram plantadas e 90 germinaram. Além do percentual de germinação, ele observa o desenvolvimento das plantas para identificar possíveis sinais de doenças.
“Por mais que ela venha com garantia, a gente faz o teste para ver se confirma o que está em cima do bag”, explica Strapasson. De acordo com ele, a avaliação permite verificar se a semente está em condições de ser utilizada quando houver chuva suficiente para o plantio.
O produtor lembra que já houve situações em que o teste indicou problema e o lote precisou ser substituído antes de chegar à lavoura. A preocupação é evitar que uma falha de germinação seja descoberta somente depois da semeadura.
A cautela também está relacionada ao histórico de chuva observado na propriedade. Strapasson conta que recebeu 93 milímetros em uma das precipitações recentes, mas acompanha a sequência das chuvas antes de decidir pelo plantio.
“Choveu, nós plantamos, aí planta sem trégua. Mas, por enquanto, vamos ter que esperar, é mais seguro a semente no barracão do que na lavoura”, destaca ao Canal Rural Mato Grosso.
Janela precisa considerar também o algodão
A distribuição do plantio ao longo da janela é outra estratégia adotada para reduzir a exposição ao risco climático. Gheno explica que evita concentrar toda a área em poucos dias, justamente para não comprometer toda a safra caso ocorra uma interrupção das chuvas.
“Não vai concentrar todo em um período só, em uma semana ou em quinze dias. Vai dando um pouco mais de espaço. Já contando, se der algum atrapalho, você não comprometeu toda a safra”, comenta.
O planejamento também precisa considerar as culturas que vêm depois da soja. O produtor destaca que o algodão possui uma janela mais curta e, por isso, o calendário da oleaginosa precisa ser conduzido de forma a preservar espaço para a cultura.
A possibilidade de El Niño é acompanhada pelos agricultores. Gheno diz que a expectativa é de que, caso o fenômeno se confirme, não venha com intensidade agressiva a ponto de prejudicar o planejamento.
Enquanto alguns produtores já avançaram, outros ainda aguardam. O meteorologista Arthur Muller, do Canal Rural, diferencia as áreas que receberam volumes elevados de chuva daquelas que ainda precisam de mais precipitações. Para quem já recebeu mais de 100 milímetros e tem boa palhada, a condição pode permitir o avanço. Já quem ainda espera por uma chuva mais consistente deve ter cautela neste início da semeadura.
“A tendência é dessa chuva começar a firmar a partir da segunda quinzena de outubro”, aponta Muller.
Chuva também influencia o milho segunda safra
A avaliação climática não termina com a implantação da soja. O comportamento das chuvas nos próximos meses também será importante para o planejamento do milho segunda safra em Mato Grosso.
Conforme Muller, a tendência é de que dezembro e janeiro sejam meses muito chuvosos no estado. Nesse cenário, o desafio estará em conciliar a colheita da soja com a implantação do milho.
“O maior problema no período vai ser de colher a soja e implementar esse milho segunda safra”, avalia o meteorologista.
Ao mesmo tempo, ele considera que um eventual atraso no plantio do milho não representa, neste momento, um problema necessariamente grave, já que as condições climáticas de longo prazo não indicam uma interrupção antecipada das chuvas.
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