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Conab fará coletiva sobre leilões de milho e safra 2026/2027

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza nesta terça-feira (22), às 10h, uma coletiva de imprensa em Brasília para apresentar os resultados dos recentes leilões públicos de compra de milho. Segundo a estatal, a medida está relacionada à prevenção de possíveis impactos do El Niño no abastecimento de grãos e à oferta do produto pelo Programa de Vendas em Balcão (ProVB).
Durante o encontro, a Conab também vai detalhar o cenário atual dos preços da cesta básica nas capitais do país e apresentar as projeções para a agropecuária na safra 2026/2027.
A coletiva contará com a presença do presidente da Conab, Silvio Porto, e da ministra do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.
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O evento será realizado na matriz da Conab, localizada no SGAS 901, Lote 69, em Brasília (DF), às 10h, no horário de Brasília. A agenda reúne temas ligados ao mercado de milho, à política de abastecimento e às estimativas para o próximo ciclo agropecuário.
A apresentação desta terça-feira (22) concentrará os dados dos leilões públicos de milho, o comportamento dos preços da cesta básica e as projeções da Conab para a safra 2026/2027.
Fonte: gov.br
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IA e robôs desenvolvem plantas resilientes nos Países Baixos

Identificar quais plantas conseguem sobreviver melhor à seca, às altas temperaturas e a outras condições ambientais extremas, compreender os fatores que explicam essa resistência e utilizar os resultados no desenvolvimento de novas variedades agrícolas. Esse é um dos objetivos das pesquisas realizadas no Centro Neerlandês de Ecofenotipagem de Plantas (NPEC, na sigla em inglês), nos Países Baixos.
Operado conjuntamente pelas universidades de Wageningen e Utrecht, o centro utiliza robôs, sensores, câmeras tridimensionais e inteligência artificial (IA) para acompanhar o desenvolvimento de milhares de plantas e identificar características associadas à produtividade e à resistência a condições adversas.
A infraestrutura conta com um sistema automatizado de cultivo capaz de controlar e fornecer quantidades precisas de água e nutrientes conforme as necessidades dos experimentos.
Em estufas envidraçadas, espécies como alface, batata e tomate são monitoradas continuamente. As informações coletadas permitem aos pesquisadores analisar o crescimento das plantas e suas respostas a diferentes condições ambientais, substituindo parte das avaliações visuais por medições automatizadas e análises preditivas.
O objetivo é acelerar a identificação de variedades com maior potencial produtivo e capacidade de adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para o desenvolvimento de uma agricultura mais eficiente e sustentável.
Como funciona a tecnologia
O NPEC utiliza uma abordagem conhecida como ecofenotipagem, que consiste na medição quantitativa e automatizada das características e do desempenho das plantas, tanto acima quanto abaixo do solo, em ambientes controlados ou em condições de campo.
Para isso, a infraestrutura reúne esteiras automatizadas, balanças, sensores, câmeras, equipamentos de escaneamento 3D e sistemas de inteligência artificial.
Essas tecnologias permitem registrar informações sobre crescimento, desenvolvimento das raízes, consumo de água e respostas das plantas a diferentes estímulos ambientais.
Os experimentos avaliam fatores como temperatura, luminosidade, umidade, concentração de gás carbônico e características do solo, além de interações com microrganismos, competição entre plantas e resistência a doenças.
A partir dessas medições, os cientistas conseguem relacionar características físicas e fisiológicas das plantas, chamadas de fenótipos, às informações genéticas, identificando quais genótipos apresentam melhor desempenho em determinadas condições.
Segundo Rick van de Zedde, gerente de programas da Universidade de Wageningen, a principal contribuição do centro está na capacidade de acompanhar o desenvolvimento de um grande número de plantas simultaneamente, com menor necessidade de intervenções humanas.
“Não fazemos genômica, edição ou melhoramento genético. Nosso foco é medir o desempenho da planta ao longo do tempo, sob diferentes condições ambientais, fornecendo ferramentas para ajudar a estudar o máximo de plantas possível em um único experimento, sem muitos humanos envolvidos”, explicou.
Pesquisa pode acelerar o desenvolvimento de novas variedades
Uma das principais aplicações da tecnologia está no melhoramento vegetal. Ao identificar características relacionadas à tolerância à seca, à salinidade e a doenças, os pesquisadores podem fornecer informações para a seleção de genótipos mais adaptados às condições de cultivo.
O monitoramento contínuo também permite observar como diferentes variedades reagem ao estresse ambiental ao longo do desenvolvimento, em vez de avaliar apenas o resultado final do crescimento.
Com essas informações, os programas de melhoramento podem selecionar antecipadamente materiais com maior potencial de adaptação, reduzindo a necessidade de testar um número elevado de variedades nas etapas seguintes.
A expectativa é que o uso combinado da automação e da inteligência artificial contribua para reduzir o tempo necessário ao desenvolvimento de novas cultivares, embora a validação em condições reais de campo continue sendo necessária.
“Focamos principalmente em medir o desempenho da planta ao longo do tempo”, ressaltou Van de Zedde.
De pequenas mudas a lavouras inteiras
Para realizar experimentos em diferentes escalas, o NPEC está organizado em seis módulos tecnológicos integrados, que permitem acompanhar desde pequenas mudas até plantas cultivadas em áreas agrícolas.
Nas câmaras climáticas multiambiente, os pesquisadores conseguem reproduzir situações de estresse, como seca e temperaturas extremas, para avaliar a resposta das espécies.
O centro também conta com salas de crescimento de alta performance, preparadas para analisar simultaneamente milhares de plantas em condições rigorosamente controladas.
Nas estufas, o transporte automatizado por esteiras permite que as plantas sejam encaminhadas aos equipamentos de medição, incluindo sensores de visão computacional e scanners tridimensionais.
Já os experimentos em campo utilizam plataformas móveis, robôs terrestres e drones equipados com câmeras térmicas e hiperespectrais.
Esses equipamentos permitem coletar informações em condições reais de cultivo, complementando os resultados obtidos nos laboratórios e nas estufas.
“Vamos aos campos com equipamentos, drones ou com um rover para medir as plantas e ajudar os agrônomos a coletar dados e descobrir quais genótipos crescem melhor sob certas condições”, explicou Van de Zedde.
Pesquisadores brasileiros já utilizam a tecnologia
A infraestrutura do NPEC também está disponível para pesquisadores de outros países, incluindo o Brasil.
Segundo Van de Zedde, o centro já desenvolve cooperações científicas com instituições brasileiras, entre elas o Centro de Melhoramento Molecular de Plantas (CeM²P), ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Uma das pesquisas realizadas em colaboração com cientistas brasileiros envolve a análise da interação entre bactérias e gramíneas, utilizando o sistema automatizado de fenotipagem de raízes.
“Tivemos a satisfação de receber pesquisadores do Brasil para estudar a interação entre bactérias e gramíneas, por exemplo, utilizando nosso sistema automatizado de fenotipagem radicular. Estamos de portas abertas para receber novos professores, doutorandos e projetos de pesquisa em parceria com cientistas brasileiros”, afirmou.
A estrutura também recebeu uma delegação brasileira durante a Fapesp Week Países Baixos, iniciativa de cooperação científica internacional.
O NPEC recebeu um novo aporte de € 5,4 milhões do Conselho de Pesquisa dos Países Baixos (NWO) para modernizar sua infraestrutura e ampliar a capacidade de processamento e interpretação dos dados coletados.
O investimento faz parte do projeto NPEC 2.0, com duração prevista de cinco anos e cofinanciamento das universidades de Wageningen e Utrecht, além do Jan IngenHousz Institute.
Entre as aquisições previstas estão equipamentos para coleta de amostras profundas de solo, drones de nova geração e câmeras de fluorescência de raios X capazes de analisar a distribuição de elementos químicos em plantas vivas.
Outra prioridade é ampliar a equipe de especialistas em ciência de dados e inteligência artificial.
De acordo com Van de Zedde, um dos desafios enfrentados pelos pesquisadores é lidar com o volume de informações produzido pelos equipamentos, que inclui milhares de imagens e terabytes de dados.
“Nos últimos anos de operação, percebemos que os pesquisadores de biologia vegetal enfrentavam dificuldades para lidar com os terabytes de dados e milhares de imagens que geramos. No NPEC 2.0, estamos contratando cientistas de dados e especialistas em IA para desenvolver pipelines automatizados de análise, facilitando o uso das informações e entregando aos cientistas todos os insights necessários para a tomada de decisão”, afirmou.
Com a ampliação da capacidade de análise, o centro pretende facilitar a utilização dos resultados por cientistas e programas de melhoramento vegetal, contribuindo para identificar variedades mais produtivas, resistentes e adaptadas aos desafios climáticos da agricultura.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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PI AgSciences nomeia Jonas Cuzzi para comandar operação no Brasil

A PI AgSciences nomeou Jonas Cuzzi como Country Head, responsável pela operação da companhia no Brasil. A empresa, que atua com biológicos e defensivos agrícolas e integra o grupo indiano PI Industries, informou que o executivo já comandava a operação brasileira de forma interina desde fevereiro. A nomeação ocorre em meio aos planos de expansão da companhia no país e ao desenvolvimento de novas soluções para o agronegócio.
Antes da nomeação, Cuzzi ocupava o cargo de diretor de Marketing da PI AgSciences. Segundo a companhia, ele passa a liderar a operação brasileira com foco em ampliar a atuação da empresa no mercado nacional e fortalecer o relacionamento com produtores rurais.
No comunicado, o executivo afirmou que a prioridade será expandir o trabalho de campo e ampliar o alcance das tecnologias da empresa. “Nosso compromisso é ampliar o trabalho de campo, valorizar as pessoas e fazer com que nossas tecnologias cheguem a mais produtores, gerando resultados concretos no campo”, disse.
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Cuzzi tem mais de 20 anos de experiência no setor. Antes da PI AgSciences, foi diretor de Marketing da Nitro Agro entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2026. De 2020 a 2024, atuou na gestão estratégica global de herbicidas da Adama. Também teve passagens por Syngenta, FMC e Monsanto.
O novo Country Head é engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e possui MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
A nomeação de Jonas Cuzzi reforça o comando da PI AgSciences no Brasil em um momento em que a empresa declara expansão no país e avanço no desenvolvimento de soluções voltadas ao agronegócio.
Fonte: Estadão Conteúdo
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estoques em queda e risco de escassez no Brasil

Os estoques de fertilizantes fosfatados no Brasil podem estar cerca de 50% menores que há um ano. A redução da produção nacional, pressionada pelo encarecimento do enxofre, e a menor disponibilidade do produto no mercado internacional acendem um alerta para o abastecimento no próximo ciclo agrícola. Ainda não há falta efetiva, mas a retomada da demanda pode encontrar uma oferta mais restrita e provocar novos aumentos de preços.
O cenário reúne fatores econômicos e geopolíticos. De um lado, o crédito mais caro e o endividamento dos produtores reduziram o consumo de fertilizantes. De outro, os conflitos internacionais e as interrupções logísticas no Estreito de Ormuz elevaram o custo de matérias-primas utilizadas na fabricação dos insumos.
A pressão é especialmente forte sobre o enxofre, subproduto do refino do petróleo e matéria-prima essencial para a produção de fosfatados. Antes do conflito entre Estados Unidos e Irã, a tonelada custava aproximadamente US$ 400. Com as restrições no fluxo comercial, chegou a US$ 1,2 mil.
Para produzir uma tonelada de fertilizante fosfatado de alta concentração são necessários cerca de 400 quilos de enxofre. Como a elevação dos custos não foi acompanhada na mesma proporção pelo preço dos fertilizantes, fabricantes de diferentes países reduziram suas operações. No Brasil, a Mosaic também paralisou temporariamente a produção.
“Em nenhum momento aqui a gente se defrontou com falta real ainda. Não significa que nos próximos meses a gente não possa se defrontar com isso”, afirma Eduardo Monteiro, líder da Mosaic no Brasil e Paraguai, em entrevista ao Estúdio Rural.
Oferta menor e pressão sobre os preços
A preocupação aumenta diante da perspectiva de retomada da demanda. Neste ano, o consumo de fertilizantes foi menor, influenciado pelo crédito mais caro, pelo endividamento dos produtores e pela elevação dos custos de produção. A redução da procura foi acompanhada por uma diminuição da oferta, o que evitou uma falta mais evidente de produto no mercado.
Para o próximo ciclo, entretanto, o cenário pode ser diferente. A estimativa da empresa é que os estoques brasileiros de fosfatados estejam aproximadamente 50% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado. Monteiro ressalta que o percentual é uma projeção, já que não existem dados oficiais sobre esse volume.
A redução da adubação já aparece nos números de consumo. De acordo com o executivo, a aplicação de fósforo pelos agricultores brasileiros está entre 25% e 30% menor em relação ao ano passado. Nos nitrogenados, a retração foi de aproximadamente 10%, enquanto o consumo de potássio apresentou pouca alteração.
A diminuição da aplicação, porém, pode trazer consequências para a produtividade. Embora a agricultura de precisão permita otimizar o uso de nutrientes, há limites para os cortes sem comprometer o desenvolvimento das lavouras.
“Isso pode representar até 5% de redução em produtividade”, alerta Monteiro durante entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso, ao avaliar os efeitos dos cortes na aplicação de fósforo em áreas onde a redução dos nutrientes compromete o desenvolvimento das lavouras.
Outro fator que dificulta uma previsão para os preços é a mudança no mercado internacional de enxofre. Além dos conflitos geopolíticos, a demanda da indústria de baterias para veículos elétricos ampliou a disputa pela matéria-prima. Atualmente, entre 8% e 10% da produção mundial de enxofre é destinada, direta ou indiretamente, à fabricação de componentes utilizados nessas baterias.
O produto chegou a recuar para a faixa de US$ 880 a US$ 900 por tonelada, mas ainda não alcançou um patamar considerado viável pela empresa para retomar a produção nas condições atuais. Conforme Monteiro, US$ 500 por tonelada seria um valor mais adequado para viabilizar as operações, considerando os preços atuais dos fertilizantes.
Dependência externa expõe vulnerabilidade
A situação também recoloca em discussão a dependência brasileira de fertilizantes importados. O país compra no exterior cerca de 85% do volume que consome, percentual que, segundo a estimativa do executivo, deve chegar a 90% neste ano. No caso do enxofre, as importações brasileiras caíram aproximadamente 50% no período.
Para Monteiro, alcançar a autossuficiência em fertilizantes é um desafio diante das condições de competitividade da mineração nacional. Entre os entraves estão o custo financeiro, a carga tributária, as despesas trabalhistas e a demora nos processos de licenciamento ambiental.
A abertura de novas minas exige investimentos bilionários e projetos de longo prazo. O executivo cita como exemplo um empreendimento de potássio na Amazônia, cujo processo de licenciamento levou nove anos para ser concluído. Na avaliação dele, essas condições dificultam a concorrência com países que possuem estruturas de produção mais competitivas.
“Dizer que nós seremos autossuficientes, com algumas desvantagens competitivas dessa dimensão, é uma ousadia muito grande. Agora, não significa que a gente não deva fazer nada. É importante a gente reduzir essa dependência”, afirma.
A defesa é de que a ampliação da produção nacional seja tratada como política de Estado, com incentivos e regras que tenham continuidade independentemente das mudanças de governo. A segurança no abastecimento é estratégica para o país, considerando o peso do agronegócio na economia e na balança comercial brasileira.
Bioinsumos ganham espaço
Enquanto os fertilizantes convencionais enfrentam pressão de custos e oferta, os bioinsumos aparecem como alternativa para melhorar a eficiência nutricional das lavouras. Monteiro avalia que o segmento deve ser o único entre os principais setores de insumos agrícolas a registrar crescimento neste ano.
A tecnologia, porém, não substitui os fertilizantes minerais. Seu papel é complementar a nutrição das plantas e melhorar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo, especialmente em um cenário de redução da adubação.
“Ele não resolve o problema dos fertilizantes, não substitui, mas minimiza”, explica o executivo, ao destacar o potencial dos produtos biológicos para aumentar a eficiência da absorção de nutrientes pelas plantas.
A Mosaic também pretende ampliar sua atuação nesse mercado. A expectativa da companhia é dobrar, mundialmente, o resultado da divisão de biológicos em relação ao ano passado, com participação importante das demandas brasileiras e chinesas.
Um dos obstáculos para o avanço do setor no Brasil é a regulamentação dos biofertilizantes. Segundo Monteiro, a definição das responsabilidades de fiscalização entre órgãos do governo mantém a discussão parada no Ministério da Agricultura, apesar da aprovação do marco regulatório dos bioinsumos pelo Congresso Nacional.
A demora impede o lançamento de novas tecnologias no mercado brasileiro. Como exemplo, o executivo cita um produto desenvolvido pela própria Mosaic, lançado no Paraguai após aprovação do registro em julho deste ano. No Brasil, a empresa ainda não conseguiu avançar com a mesma tecnologia por falta de definição regulatória.
“Esse projeto, que deveria já ter sido regularizado o ano passado, está há dois anos aí parado no Ministério da Agricultura”, afirma Monteiro. Para ele, a regulamentação precisa avançar para permitir que os agricultores tenham acesso a novas tecnologias, sem abrir mão da fiscalização e da proteção da propriedade intelectual.
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