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29 de outubro de 2026

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‘O agro, de tão grande, se torna invisível’, diz presidente da ABMRA

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Ricardo Nicodemos, presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro, durante o Radar Rural

O agronegócio brasileiro passou as últimas décadas investindo em tecnologia, ciência, produtividade e sustentabilidade. Mas, na avaliação de Ricardo Nicodemos, presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), deixou de lado uma frente que hoje se tornou estratégica: a comunicação.

“O agro nunca se comunicou, ele nunca construiu um projeto de comunicação”, afirmou durante o novo episódio do Radar Rural, videocast do Canal Rural. O programa foi ao ar na última sexta-feira (11), primeiro no Youtube. Assista:

Para o especialista, isso criou uma situação curiosa. O setor fala bastante, mas, em grande parte, conversa com ele mesmo. “O agro se comunica muito bem, mas para ele mesmo”, resumiu.

A consequência é uma distância entre o que acontece no campo e o que chega à população urbana. E, nesse espaço, segundo Nicodemos, surgem mitos, estereótipos e informações distorcidas.

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O problema de viver em uma bolha

Nicodemos avalia que parte do setor ainda enxerga sua relação com a sociedade a partir de uma lógica de confronto. Quando surge uma crítica, uma informação considerada falsa ou uma declaração contra o agro, a reação costuma aparecer em forma de resposta ou carta de repúdio.

O problema, segundo ele, é que reputação não se constrói apenas quando existe uma crise.

“O agro tem que sair da posição reativa para efetivamente uma comunicação efetiva”, disse.

A estratégia deveria ser permanente: mostrar o que o setor faz, como produz, quais tecnologias utiliza e também quais são as histórias de quem está no campo.

“Quando eu crio essa conexão, quando eu tenho a opinião pública ao meu lado, fica muito mais difícil de um mito, de uma informação irreal pegar”, afirmou.

Para ele, a lógica é simples: quanto mais a sociedade conhecer o setor, menor será o espaço para que outras pessoas contem essa história por ele.

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O agro pode ser invisível justamente por estar em todo lugar

Um dos principais insights apresentados no programa foi justamente o paradoxo da presença do agro no cotidiano.

“O agro, de tão grande, ele se torna invisível”, afirmou Nicodemos.

O setor está presente na alimentação, na economia, na cultura e em diferentes hábitos da população, mas essa relação nem sempre é percebida. O especialista citou, por exemplo, a força da música sertaneja no país como uma manifestação cultural ligada às origens do campo que hoje faz parte da vida urbana.

O mesmo ocorre com os alimentos. Durante a pesquisa sobre a percepção do agro, entrevistados foram questionados sobre produtos consumidos diariamente e sobre a forma como são produzidos. Segundo Nicodemos, houve casos de pessoas que não sabiam sequer como o tomate é cultivado.

Para ele, esse desconhecimento é um problema de comunicação.

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“Se você não conta, não mostra para o brasileiro, alguém vai contar da forma que ele acha mais conveniente.”

As histórias do campo ainda são pouco contadas

Outro ponto destacado no Radar Rural foi a dificuldade do próprio produtor em falar sobre suas conquistas.

Nicodemos considera que o agro acumulou histórias de superação nas últimas décadas, mas muitas delas permanecem restritas ao ambiente rural. O setor avançou em produtividade e tecnologia, mas não transformou esses resultados em histórias capazes de aproximar quem está fora da porteira.

“Nos últimos 50 anos, o agro coleciona diariamente histórias de superação, de conquistas”, afirmou.

Ele lembrou que o Brasil passou de um país que precisava importar alimentos para uma das principais potências agropecuárias do mundo. Essa transformação, porém, não é necessariamente conhecida pela população.

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O desafio, portanto, não seria criar uma narrativa artificial para defender o setor, mas mostrar a realidade de quem produz.

“Eu não posso me comunicar só quando alguém faz algum tipo de declaração irreal, cria-se mitos e outras coisas mais.”

Do Jeca Tatu ao produtor conectado

A imagem do produtor rural também foi discutida no programa. Para Nicodemos, personagens históricos ajudaram a consolidar uma representação do homem do campo associada ao atraso e à falta de conhecimento.

Esse estereótipo, segundo ele, ainda aparece em situações cotidianas e não corresponde ao perfil do produtor atual.

O campo exige cada vez mais conhecimento, gestão, tecnologia e capacidade de tomar decisões diante de riscos climáticos e de mercado. Ainda assim, essa realidade nem sempre chega à população urbana.

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Na visão do especialista, mudar essa percepção depende de uma comunicação que mostre o produtor como ele realmente é, e não apenas como uma figura associada às dificuldades do campo.

“O produtor é um herói”, afirmou.

Jovens são o principal desafio

Se o agro precisa construir uma relação mais próxima com a sociedade, a atenção aos jovens é estratégica. Nicodemos destacou que parte do público mais resistente ao setor está concentrada nessa faixa etária e que esse grupo tem forte presença nas redes sociais.

Isso cria um desafio adicional: opiniões e informações podem ganhar escala rapidamente no ambiente digital.

Para o especialista, o caminho não é tentar impedir a circulação de críticas, mas construir uma relação suficientemente forte com a sociedade para que informações falsas ou distorcidas tenham menos espaço.

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Nesse processo, ele defende que o setor não abandone os meios tradicionais em favor exclusivamente das redes sociais.

O papel da mídia especializada

Nicodemos também destacou a importância de combinar diferentes canais de comunicação. Segundo ele, veículos especializados continuam tendo papel relevante na construção de marcas e, principalmente, na tarefa de mostrar para o público como funciona a produção rural.

A comunicação, na avaliação dele, precisa reunir televisão, rádio, revistas, mídia especializada e plataformas digitais.

“O digital, na verdade, é terra de ninguém. Você posta o que você quiser, dá a opinião que você quiser, fala o que você acha que é e não o que é de verdade”, afirmou.

Para o especialista, os veículos tradicionais ajudam a dar contexto e credibilidade às histórias que precisam chegar à população.

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Mais do que responder às críticas, portanto, a tarefa do agro seria ocupar o espaço da comunicação antes que ele seja preenchido por outros.

“Precisamos trabalhar em conjunto”, disse Nicodemos. “Se nós unirmos todos esses tijolinhos, conseguiremos construir uma grande ponte” entre o campo e a cidade.

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Agricultura regenerativa precisa sair do discurso e entrar nos indicadores, diz especialista

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A agricultura regenerativa está nas discussões sobre produtividade, clima, financiamento, cadeias de fornecimento e futuro da agricultura. “Ela ganhou um espaço que dificilmente perderá”, diz a CEO da Vitalforce, Sheilla Albuquerque.

Segundo ela, o desafio agora é mostrar, na prática, o que está sendo regenerado e quais resultados essa mudança produz dentro da fazenda. “Tenho acompanhado de perto essa discussão e acredito que um dos desafios seja definir com clareza o que, de fato, caracteriza uma agricultura regenerativa.”

A executiva salienta que práticas como plantio direto, rotação de culturas, cobertura do solo, integração de sistemas, aplicação de bioinsumos e conservação da água podem contribuir para esse processo, mas a adoção destas ferramentas, por si só, não comprova que uma área esteja se regenerando.

“A pergunta que precisamos fazer é mais objetiva: o sistema está melhor do que estava há alguns anos? Responder exige medir e, na agricultura, isso começa pelo diagnóstico”, pontua.

Sheilla diz que antes de discutir qual tecnologia adotar, é preciso entender qual problema se está tentando resolver. “Parece básico, mas um bom diagnóstico muda a qualidade da decisão e permite direcionar melhor o manejo e os investimentos”, diz. “Quando começamos pela tecnologia e só depois procuramos o problema que ela poderia resolver, corremos o risco de investir sem atacar a principal limitação da área.”

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De acordo com a executiva, a agricultura regenerativa não é um conjunto fechado de práticas, mas uma estratégia de evolução do sistema produtivo a partir das necessidades de cada área. “E o solo deixa isso muito claro. Uma análise química pode indicar bons níveis de fertilidade e, ainda assim, haver compactação, baixa infiltração de água ou restrições ao desenvolvimento das raízes”, exemplifica.

De mesma forma, Sheilla salienta que uma área com boa cobertura vegetal pode apresentar desequilíbrios nutricionais ou baixa atividade biológica. “Se olharmos apenas para um indicador, podemos ter uma leitura incompleta do que está acontecendo naquela área.”

Influência do clima

A capacidade analítica do solo é ainda mais importante diante da irregularidade climática. Conforme a especialista, em períodos prolongados sem chuva, por exemplo, a diferença entre dois solos pode aparecer de maneira muito clara. Isso porque estrutura, profundidade das raízes, cobertura e capacidade de armazenar água interferem diretamente na forma como a planta atravessa o estresse.

“Não conseguimos controlar o clima, mas podemos atuar sobre algumas das condições que determinam como o sistema produtivo responderá a períodos de seca, calor excessivo ou chuvas intensas. E, principalmente, podemos medir se as decisões tomadas estão tornando aquela lavoura menos vulnerável ao longo do tempo.”

Sheilla ressalta que é nesse acompanhamento que a agricultura regenerativa ganha consistência, uma vez que não basta registrar quais práticas foram adotadas. “Precisamos entender o que mudou no solo, na eficiência do uso de recursos, na resposta das plantas e na estabilidade da produção”, completa.

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A especialista acredita que a agricultura regenerativa somente amadurecerá quando o agro conseguir tratá-la menos como uma classificação da propriedade e mais como uma trajetória que pode ser acompanhada. “No fim, regenerar uma área precisa fazer sentido também para quem assume o risco de produzir nela”, finaliza.

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Chuvas e frio adiam tosquia no RS; produção de lã tem previsão de 8 milhões de quilos

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As chuvas e as baixas temperaturas atrasam a tosquia em algumas propriedades do Rio Grande do Sul, enquanto a produção estadual deve chegar a 8 milhões de quilos nesta safra. Apesar da preocupação com a qualidade da fibra, os prejuízos provocados pelo excesso de umidade ficaram abaixo do esperado, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco).

De acordo com o coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, Sérgio Muñoz, produtores têm aguardado condições climáticas mais favoráveis para retomar a atividade. Em Herval, no Rio Grande do Sul, uma equipe de tosquia está parada enquanto produtores esperam a elevação das temperaturas para retirar a lã dos rebanhos.

Problemas

O atraso também pode aumentar a exposição da fibra a plantas contaminantes, como a flechilha, que aparece com maior frequência em novembro e compromete a qualidade do produto. A flechilha é um capim cuja semente parece uma pequena flecha afiada. Quando ovelhas pastam em campos cheios desse capim, essas sementes se soltam e grudam intensamente na lã.

O excesso de chuva registrado em agosto também gerou preocupação com a qualidade da lã, especialmente em relação à coloração e à ocorrência de fungos. Muñoz avalia, no entanto, que os prejuízos foram menores do que se previa, mesmo em regiões onde o volume acumulado chegou a 600 ou 700 milímetros.

Estimativa

A Arco calcula que a produção total de lã no Rio Grande do Sul alcance cerca de 8 milhões de quilos nesta safra. Desse volume, a projeção é de 2 milhões a 3 milhões de quilos de lã com bom valor têxtil, embora a entidade reconheça dificuldade para dimensionar essa parcela.

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O motivo principal foi a redução da qualidade de parte de rebanhos que foram cruzados com raças destinadas à produção de carne após a queda dos preços da lã durante a pandemia e nos anos seguintes.

Trabalho executado

Atualmente, há 12 equipes cadastradas no site da Arco, mas nem todas devem atuar com certificação durante toda a temporada. Algumas também tosquiam rebanhos cujos produtores não aderiram ao programa, enquanto equipes do Uruguai participam dos trabalhos, principalmente na Fronteira Oeste. A quantidade de lã que será certificada ao final da safra ainda não está definida.

Mercado internacional

Apesar dos desafios na produção, Muñoz afirma que o cenário internacional para a lã é favorável, impulsionado pela redução dos rebanhos e da oferta mundial da fibra. Em encontro recente no Uruguai, com representantes de compradores e da indústria internacional, o coordenador observou que a demanda por lã certificada mantém exigências rigorosas de qualidade.

Sérgio Muñoz afirma que o mercado de lã certificada mantém exigências rigorosas de qualidade. Por isso, orienta os produtores a certificar a lã e seguir os procedimentos adequados de acondicionamento, de modo a atender às exigências dos compradores e agregar valor ao produto.

No mercado interno, as aquisições de lã certificada pela indústria brasileira ainda avançam lentamente, mas a expectativa é de que as compras acompanhem as exigências do mercado.

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Indea inicia campanha de atualização de rebanhos em MT neste domingo

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Mato Grosso inicia neste domingo (1º de novembro) mais uma campanha de atualização de rebanhos, procedimento que reúne informações sobre os animais criados no estado. A declaração deve ser feita pelos produtores rurais até 10 de dezembro, conforme o calendário do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).

Na última campanha, realizada em maio, o levantamento alcançou 106 mil estabelecimentos rurais e contabilizou 31,1 milhões de bovinos. O volume manteve Mato Grosso na liderança nacional em número de animais dessa espécie.

A atualização também contempla bubalinos, ovinos, caprinos, equídeos, suínos, aves, peixes e abelhas. Os criadores devem informar os dados dos animais e das propriedades, por meio do Módulo do Produtor, pela internet, ou presencialmente em uma das unidades do Indea-MT.

Quem ainda não possui acesso à plataforma precisa solicitar o cadastro em uma unidade do instituto e assinar o Termo de Compromisso de Utilização do Sistema Informatizado. O documento pode ser encontrado no site do órgão, na seção Sanidade Animal, em Atendimento não Presencial.

Pendências podem restringir emissão de guia

Os produtores de bovinos, bubalinos, suínos criados em sistemas tecnificados e aves comerciais precisam observar também o prazo de 9 de novembro. A partir dessa data, quem não tiver atualizado as informações ficará impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), com exceção dos casos de transporte para abate.

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A GTA é utilizada para acompanhar o deslocamento de animais e integra os controles sanitários da produção. A restrição pode, portanto, interferir na movimentação dos rebanhos das categorias abrangidas pela medida.

Já o descumprimento da obrigação de declarar o estoque até o fim da campanha sujeita o produtor a multa única, calculada proporcionalmente à quantidade de animais mantida na propriedade.

As declarações são realizadas duas vezes por ano. As orientações para regularização e acesso ao sistema estão disponíveis no site do Indea.


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