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23 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Manejo de Spodoptera frugiperda no Milho: Desafios da Resistência x Futuro das Novas Tecnologias – MAIS SOJA

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A cultura do milho é considerada um alicerce da agricultura, participando do grupo de cereais mais produzidos no país. Na safra de 2025/26, o cultivo ocupou 22,68 milhões de hectares do território nacional, com uma produtividade média de 6,11 t/ha e produção total estimada em 138,58 milhões de toneladas (CONAB, 2026). No entanto, a produtividade é constantemente ameaçada pelo ataque de pragas. Nesse contexto, a Spodoptera frugiperda pode ocasionar danos que comprometam a produção em aproximadamente 40%, devido às injúrias ocasionadas na planta durante todo o seu ciclo, que vão desde a redução do estande inicial, a desfolha durante o estágio vegetativo e até a degradação da espiga (CONTINI et al., 2019).

A S. frugiperda é amplamente conhecida no cenário agrícola brasileiro como “lagarta-do-cartucho” ou “lagarta-militar”, pertencente à ordem Lepidoptera e à família Noctuidae, sendo considerada uma das principais pragas da cultura do milho (Zea mays). Seu desenvolvimento é do tipo holometabólico, ou seja, o inseto passa por metamorfose completa, compreendendo as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Visualmente, a espécie apresenta variações distintas em cada etapa: os ovos possuem coloração verde-clara, as larvas (lagartas) são inicialmente claras e evoluem para pardo-escuro até ficarem quase pretas, as pupas são avermelhadas e o adulto (fase de mariposa) é caracterizado por asas anteriores pardo-escuras e posteriores branco-acinzentadas. Ademais, as lagartas apresentam um “Y” invertido na cabeça (Figura 1), o que corresponde à principal característica de identificação da espécie (SARMENTO et al., 2002).

Figura 1: Visualização do “Y” invertido na cápsula cefálica, detalhe característico da espécie.
Fonte: Pioneer® (2025)

 A ampla dispersão desta espécie no território nacional é atribuída, primordialmente, ao seu hábito polífago, isto é, característica que permite ao inseto se alimentar e desenvolver-se em uma vasta diversidade de plantas hospedeiras de diferentes famílias botânicas. Essa praga possui a capacidade de atacar mais de uma centena de espécies vegetais, abrangendo desde grandes commodities, como milho, soja, arroz e algodão, até plantas daninhas, como o capim-pé-de-galinha e o sorgo selvagem (GALLO et al., 2002).  Essa plasticidade alimentar é o fator determinante para a manutenção da “ponte verde”, ou seja, presença de plantas hospedeiras nos agroecossistemas tropicais, no qual o sistema produtivo permite a sucessão de até três safras anuais, o que, somado à polifagia, garante a oferta ininterrupta de alimento e a persistência do inseto na área durante todo o ano (KOGAN, 1998). Assim, a dinâmica de cultivos múltiplos no Brasil potencializa o comportamento biológico da praga, transformando uma característica adaptativa em um desafio contínuo para o manejo integrado e a sustentabilidade das lavouras.

No campo, um aspecto agravante no controle da S. frugiperda está associado à velocidade com que a evolução da resistência à tecnologia Bt, plantas geneticamente modificadas com genes específicos da bactéria de solo Bacillus thuringiensis, vem ocorrendo. Segundo Contini et al. (2019), com pouco mais de dez anos de utilização dessa tecnologia, apenas uma das cinco proteínas Bt disponíveis no mercado ainda não apresentou indícios de perda de eficácia. Somado a isso, conforme os mesmos autores, um desafio extra no manejo reside no hábito da lagarta de permanecer protegida dentro do cartucho da planta, dificultando a assertividade do alvo. Consequentemente, os produtores tendem a elevar o número de aplicações com inseticidas químicos, o que encarece o custo de produção e, se feito de forma indiscriminada, elimina inimigos naturais. Esse desequilíbrio ambiental pode favorecer o surgimento de pragas secundárias, agravando ainda mais os danos nas áreas de produção.

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Para contornar os desafios impostos pela lagarta-do-cartucho no milho, existem vários métodos de controle, com destaque para inseticidas químicos, microbiológicos e utilização de cultivares com a tecnologia Bt. No entanto, quando utilizados de maneira isolada, nem sempre apresentam resultados satisfatórios. Dessa forma, a adoção de estratégias integradas torna-se a única via para manter a eficácia das tecnologias disponíveis no mercado (DAY et al., 2017).  O Manejo Integrado de Pragas (MIP) inclui estratégias de determinação do nível de dano econômico e monitoramento da praga-alvo, visando à tomada de decisão quanto à necessidade de seu controle e possibilitando a intervenção no momento biológico ideal (CRESPO et al., 2021).

Além disso, estão sendo feitas pesquisas com a utilização de métodos alternativos, incluindo biodefensivos à base de óleos essenciais e extratos vegetais, nematoides entomopatogênicos, vírus (Baculovírus), fungos e parasitoides (CRESPO et al., 2021). Por exemplo, estudos desenvolvidos pela Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), com o baculovírus (Spodoptera frugiperda multiple nucleopolyhedrovirus – SfMNPV) demonstram que a associação desse bioinseticida com os inimigos naturais eleva a mortalidade total das lagartas a índices superiores a 80% em condições de campo, reduzindo a população da praga de forma eficiente (VALICENTE; TUELHER, 2009). Além do uso de entomopatógenos, o emprego de insetos benéficos também se destaca, a exemplo da liberação inundativa do parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum. Esta tática de controle biológico preconiza a liberação média de 100.000 indivíduos por hectare divididos em cartelas distribuídas na lavoura, cuja inserção pode ser feita diretamente na bainha das plantas logo após a constatação dos primeiros adultos ou ovos da praga (CRUZ; MONTEIRO, 2004). Entretanto, ainda é necessária a continuidade das pesquisas, abrangendo testes em diferentes regiões e a verificação da adaptação à produção comercial.

Em suma, para um controle eficiente da S. frugiperda no milho, é fundamental uma visão sistêmica que integre o conhecimento técnico à prática no campo. Diante da crescente resistência às tecnologias Bt e aos defensivos químicos, a atuação estratégica de produtores e profissionais da área torna-se indispensável. A opção de controle mais adequada é o manejo integrado de pragas (MIP), uma vez que combina métodos de controle capazes de garantir a intensificação sustentável da produção agrícola e a viabilidade econômica (FAO, 2017). Aliado a isso, o contínuo avanço das pesquisas promissoras sobre métodos alternativos de controle permitirá a renovação das ferramentas de manejo, assegurando que o setor produtivo brasileiro permaneça resiliente e produtivo frente às constantes adaptações desta praga.

Referências:

CONAB. Acompanhamento da Safra Brasileira – Safra 2025/26 – Grãos – 1º Levantamento. Brasília, DF: Conab, 2026. E-book. Disponível em: < https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/safra-de-graos/boletim-da-safra-de-graos/1o-levantamento-safra-2025-26/e-book_boletim-de-safras-1o-levantamento_2025.pdf >. Acesso em: 26 fev. 2026.

CONTINI, E. et al. Milho – Caracterização e Desafios Tecnológicos. Brasília, DF: Embrapa, 2019. 45 p. (Série Desafios do Agronegócio Brasileiro, NT2). Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/195075/1/Milho-caracterizacao.pdf >. Acesso em: 28 fev. 2026.

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CRESPO, A. M. et al. Manejo da lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda): panorama geral das atualizações no controle alternativo. Alegre, ES: Ifes, 2021. 36 p. (Boletim Técnico, 6). Disponível em: < https://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/bitstream/123456789/4192/1/Boletim-Tecnico-N6.pdf > . Acesso em: 26 fev. 2026.

CRUZ, I.; MONTEIRO, M. A. R. Controle biológico da lagarta do cartucho do milho, Spodoptera frugiperda, utilizando o parasitóide de ovos Trichogramma pretiosum. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2004. 4 p. (Comunicado Técnico, 98). Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/488640/1/Com98.pdf >. Acesso em: 19 jul. 2026.

GALLO, D. et al. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920 p. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/868570967/Gallo-Et-Al-2002-Entomologia-Agricola >. Acesso em: 20 abr. 2026.

KOGAN, M. Integrated pest management: historical perspectives and contemporary developments. Annual Review of Entomology, Palo Alto, v. 43, n. 1, p. 243-270, 1998. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9444752/ >. Acesso em: 20 abr. 2026.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A ALIMENTAÇÃO E A AGRICULTURA. Integrated pest management of major pests and diseases: in eastern Europe and the Caucasus. Budapest: FAO, 2017. 110 p. Disponível em: https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/6d4a75d0-fe82-4822-8767-127ca75e998f/content#:~:text=FAO%20Principles%20on%20Integrated%20Pest%20Management%20(IPM),the%20intensive%20use%20of%20pesticides.&text=…search%20for%20symptoms%20according,the%20phenology%20of%20the%20crop. Acesso em: 28 fev. 2026.

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PIONEER®. Boas práticas para o manejo da lagarta-do-cartucho na cultura do milho. 2025. Disponível em: < https://www.pioneer.com/br/blog/artigos/Boas-praticas-para-o-manejo-da-lagarta-do-cartucho-na-cultura-do-milho.html >. Acesso em: 21 abr. 2026.

SARMENTO, R. A. et al. Revisão da Biologia, Ocorrência e Controle de Spodoptera frugiperda (Lepidoptera, Noctuidae) em Milho no Brasil. Bioscience Journal, 2006. v.18, n.2, p. 41-48. Disponível em: < https://seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/view/6418 >. Acesso em: 27 fev. 2026.

VALICENTE, F. H.; TUELHER, E. de S. Controle biológico da lagarta do cartucho, Spodoptera frugiperda, com baculovírus. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2009. 14 p. (Circular Técnico, 114). Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1344498/2767891/controle-biologico-da-lagarta-do-cartucho-com-baculovirus.pdf/2e536084-d40f-4e6f-8145-b6880c1487a5 >. Acesso em: 19 jul. 2026.

Autores:

Raíssa Salvadori Reckziegel

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Acadêmica do 7º semestre de Agronomia

Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Bolsista grupo PET Agronomia

Email: raissareckziegel@gmail.com

Coautores:

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Fábio Joel Kochem Mallmann

Elisa Franchin Parcianello

João Francisco Fornari Viana

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Sustentabilidade

Trigo/RS: Colheita chega a 19% marcada por perdas de qualidade e clima adverso – MAIS SOJA

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A cultura se aproxima do final do ciclo. A maioria das lavouras está em enchimento de grãos (35%) e em maturação (45%). A colheita ganhou celeridade em algumas regiões devido ao tempo seco entre 16 e 18/10 e alcançou 19% da área semeada.

Nas áreas colhidas, são observadas produtividades satisfatórias e qualidade de grãos abaixo das expectativas iniciais em parte das regiões, com redução do Peso Hectolitro (PH),
além de grãos avariados e chochos. Em parte das lavouras, foi realizada a dessecação para
uniformizar a maturação e preservar a qualidade dos grãos.

O excesso de umidade e a baixa disponibilidade de radiação solar durante importantes fases do ciclo diminuíram o potencial produtivo e aumentaram a pressão de doenças, especialmente giberela e brusone. Os temporais nas semanas anteriores também provocaram danos localizados, agravando perdas em lavouras próximas da colheita.

Conforme a reestimativa da Safra 2026, realizada pela Emater/RS-Ascar com dados da primeira quinzena de outubro, a área cultivada de trigo no Estado totaliza 763.121 hectares, o que representa redução de 34,56% em relação a 1.166.163 hectares cultivados em 2025 (IBGE). A produtividade projetada no início do plantio era de 2.701 kg/ha, e o cenário atual aponta 2.833 kg/ha, sendo 4,88% superior à estimada no momento do plantio, mas ainda dependente do desempenho até o final do ciclo. Em relação à produtividade da safra anterior, a projeção atual apresenta retração de 5,55% em relação aos 2.968 kg/ha obtidos no ano anterior (IBGE). A estimativa de produção é de 2.161.922 toneladas do cereal, o que representa queda de 37,48% em relação a 3.458.083 toneladas colhidas em 2025 (IBGE).

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Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita continuou lentamente em função das chuvas e da elevada umidade dos grãos. Em São Gabriel, nas lavouras em fase final de enchimento, há incidência de lagartas, com necessidade de controle. Em Manoel Viana, os produtores realizam a dessecação para uniformizar a maturação. Na Campanha, os períodos sem chuva favoreceram os cultivos, predominantemente aqueles em estágio de enchimento de grãos. Em Caçapava do Sul, foram registradas as primeiras áreas colhidas na região.

Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão em floração, mas sob condições favoráveis à incidência de doenças da espiga. Persistem as dificuldades para a realização dos tratamentos preventivos em razão da elevada umidade do solo. Na de Frederico Westphalen, 20% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 50% em maturação e 30% colhidos. O rendimento obtido está próximo a 2.500 kg/ha. Na de Ijuí, o ciclo da cultura se aproxima do fim com redução do potencial produtivo.

A colheita alcança aproximadamente 10% da área, e a umidade da massa de grãos está próxima de 20%. Na Região Celeiro, em Tenente Portela, cerca de 30% da área foi colhida, com produtividade média inferior a 1.800 kg/ha e PH abaixo de 74. Em Santo Augusto, aproximadamente 15% foram colhidos, com rendimentos entre 1.560 e 2.400 kg/ha e PH entre 72 e 74. No Alto Jacuí, em Ibirubá, a colheita não se iniciou, e as expectativas de rendimento e qualidade foram revisadas para baixo.

Na de Passo Fundo, cerca de 90% das lavouras estão em enchimento de grãos, e 10% em maturação fisiológica. A colheita deverá se concentrar entre final de outubro e os primeiros dias de novembro.

Na de Pelotas, predominam cultivos em enchimento de grãos (82%); 16% estão em floração; e 2%, em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, as chuvas e a baixa radiação solar têm prejudicado o desenvolvimento e a formação dos grãos.

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Na de Santa Rosa, 10% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 53% maduros e 38% colhidos. As lavouras colhidas apresentam produtividade geralmente entre 1.500 e 1.800 kg/ha, abaixo das expectativas. Há grande variabilidade na qualidade, com PH entre 72 e 78 em diferentes lotes e ocorrência de grãos avariados, chochos e esbranquiçados. Em Cândido Godói, a produtividade média observada na semana foi de 2.160 kg/ha. Em Garruchos, foram registrados grãos com umidade superior a 23%, e nas lavouras maduras segue intensa a debulha pré-colheita.

Na de Soledade, 30% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 55% em maturação, 10% maduras por colher e 5% colhidas. Muitas áreas foram dessecadas para a uniformização e antecipação da colheita. O padrão produtivo é considerado satisfatório em
aproximadamente 75% das áreas, embora haja grande diferença entre lavouras conforme o nível de manejo.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,63%, passando de R$ 74,15 para R$ 73,69 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 82,00 para produto disponível.

Fonte: Emater/RS



 

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Sustentabilidade

Apesar dos danos climáticos, produção de canola no RS deve crescer mais de 78% – MAIS SOJA

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Canola: As lavouras estão predominantemente em maturação e colheita. O excesso de chuvas, o granizo e os ventos fortes durante o ciclo reduziram o potencial produtivo, especialmente no Noroeste.

A abertura de síliquas, a debulha natural e os danos mecânicos provocados pelos temporais ampliaram as perdas nas áreas mais atingidas. A colheita vem sendo realizada, em alguns locais, com umidade acima da ideal. A ocorrência de escurecimento de síliquas e de grãos mofados aumenta nas áreas que permanecem a campo.

Apesar das condições climatológicas prejudiciais à cultura, a canola é a de maior dinamismo na Safra 2026, pois, de acordo com a reestimativa realizada pela Emater/RS-Ascar, a área efetivamente cultivada no Estado totalizou 379.887 hectares, representando elevação de 117,83% em relação a 174.394 hectares plantados em 2025 (IBGE). A revisão aponta produtividade de 1.340 kg/ha, representando redução de 17,23% em relação a 1.619 kg/ha projetados antes do início do plantio. A estimativa atual de produção é de 508.863 toneladas, apresentando elevação de 78,25% em relação a 285.481 toneladas colhidas em 2025 (IBGE).

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em Maçambará, as primeiras lavouras colhidas apresentaram produtividades entre 700 e 1.100 kg/ha. A redução se deve ao excesso de chuva na fase de maturação, ao granizo e à debulha.

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Na de Frederico Westphalen, cerca de 20% da área se encontra em fase de maturação, e 80% estão colhidos. Na de Ijuí, a colheita foi intensificada a partir de 16/10, com grãos acima da umidade ideal. Em Ibirubá, os rendimentos ficaram entre 480 e 1.500 kg/ha, com desuniformidade de tamanho e coloração; em Jóia, em torno de 1.200 kg/ha; e em Santo Augusto, pouco superiores a 1.400 kg/ha.

Na de Passo Fundo, os cultivos estão distribuídos nas fases de formação de síliquas e enchimento de grãos (5%), maturação de colheita (25%) e colhidas (70%). Na de Santa Maria, em Tupanciretã, está a maior extensão regional da cultura (29.000 hectares), e cerca de 50% das lavouras foram colhidas. A produtividade estimada no município é de aproximadamente 1.400 kg/ha, abaixo da expectativa inicial.

Na de Santa Rosa, 2% estão em enchimento de grãos, 34% maduras e 64% colhidas. Os produtores aceleraram a colheita a partir da metade da semana. Nas regiões com menores danos por vendaval e granizo, a produtividade varia de 1.200 a 1.680 kg/ha. Nas áreas com danos mais intensos, a produtividade não alcançou 120 kg/ha, havendo dificuldades para o manejo da palha da cultura, já que a colheita mecanizada é praticamente inviável economicamente. Na maior parte das áreas, foi necessário o acionamento de seguro para cobertura de perdas, e os relatos são satisfatórios quanto ao tempo de espera pelos peritos para a liberação das lavouras para a colheita. Em função da recorrência de chuvas, observou-se o início do escurecimento das síliquas e alguma presença de grãos mofados, situação que poderá se agravar, caso as condições climáticas não favoreçam a colheita.

Na de Soledade, no final do período, devido ao tempo firme e ao sol, observou-se intensa atividade de colheita em toda a região. O grão colhido apresenta ótima qualidade. As fases da cultura estão distribuídas em maturação fisiológica (5%), maturação de colheita (30%) e colhida (65%).

Comercialização (saca de 60 quilos)

O preço médio praticado na região de Bagé é de R$ 143,00 (Dom Pedrito); na região de Ijuí, é de R$ 141,00; e em Santa Rosa, de R$ 144,53.

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Fonte: Emater/RS



 

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Sustentabilidade

Semeadura do milho atinge 78% no RS em ritmo desigual entre as regiões – MAIS SOJA

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A semeadura de milho avança em ritmo desigual. Há áreas próximas da conclusão e outras, especialmente de autoconsumo, ainda em início de implantação. Na média estadual, o índice alcança 78%. Nas lavouras estabelecidas, predomina o estágio de desenvolvimento vegetativo (98%), com boa resposta após a melhora temporária da disponibilidade de radiação solar em parte do período. A fase reprodutiva teve início em 2% das áreas, que já se encontram em floração.

As temperaturas amenas e a nebulosidade ainda retardam o crescimento em algumas regiões, especialmente nas áreas implantadas mais cedo. A umidade do solo tem permitido a realização da adubação nitrogenada em cobertura. As plantas apresentaram crescimento mais vigoroso, folhas verde-escuras, colmos espessos e bom enraizamento.

Os temporais com granizo ocorridos no final de setembro provocaram falhas de estande e danos foliares em algumas regiões e comprometimento irreversível do potencial produtivo nos talhões mais danificados. Porém, houve recuperação satisfatória das áreas menos atingidas.

A incidência de cigarrinhas continua baixa em diversas áreas, e o manejo fitossanitário se concentra no controle do inseto e de percevejos, além de doenças fúngicas. A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 896.401 hectares e produtividade projetada de 7.711 kg/ha.

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Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a semeadura avançou para leste, na Campanha e nos municípios limítrofes da Fronteira Oeste. As lavouras estabelecidas ainda apresentam limitação de crescimento em função das baixas temperaturas e da reduzida incidência de sol. Prosseguem as aplicações de adubação nitrogenada, de herbicidas, de inseticidas e de fungicidas.

Na de Caxias do Sul, a semeadura apresentou avanço limitado pela elevada umidade do solo. As baixas temperaturas e a nebulosidade persistente restringiram a radiação, retardando o desenvolvimento inicial.

Na de Frederico Westphalen, cerca de 95% da área foi semeada, e as lavouras estão integralmente em estádio vegetativo. A melhora da radiação favoreceu o desenvolvimento, que vinha sendo limitado pelo excesso de chuva e pela baixa luminosidade. O estado fitossanitário está bom, e há baixa infestação de percevejos e cigarrinhas. Na de Ijuí, a área semeada segue em 92% da projetada. As plantas estão bem desenvolvidas e vigorosas. Nas áreas mais precoces, algumas lavouras atingem as fases de V10 a V12, e mais de 5% se encontram próximas da formação do pendão.

Na de Passo Fundo, a semeadura atingiu 90% da área prevista. Os cultivos estão em germinação e em início do desenvolvimento vegetativo, e as mais precoces recebem adubação nitrogenada.

Na de Pelotas, apenas 9% da área prevista foi semeada. As lavouras implantadas estão integralmente em desenvolvimento vegetativo, com crescimento lento em razão das temperaturas mais baixas.

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Na de Santa Rosa, cerca de 90% da área foi semeada. Estão 97% dos cultivos em desenvolvimento vegetativo e 3% em fase reprodutiva. As áreas atingidas por granizo e ventos apresentam diferentes níveis de recuperação, com perdas irreversíveis nos talhões mais danificados. A incidência de cigarrinha continua baixa.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,57%, passando de R$ 62,95 para R$ 62,59. Bolsa de Cereais de Cruz Alta R$ 75,00 para produto disponível.

Fonte: Emater/RS



 

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