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Selo criado em Sorriso é reconhecido pelo Mapa e amplia visibilidade de produtores

Um projeto de certificação voltado à agricultura familiar, criado em Sorriso, foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – no Coração de Mato Grosso passou a integrar o Programa de Promoção de Boas Práticas Agrícolas da pasta do governo federal. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de julho.
Desenvolvido pela Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), o projeto acompanha 17 agricultores familiares de Sorriso, Vera e Boa Esperança do Norte. A certificação considera critérios como gestão da propriedade, regularização documental, planejamento produtivo, boas práticas agrícolas, segurança alimentar e responsabilidade ambiental.
O reconhecimento nacional ocorre após quase dois anos de execução da iniciativa. Nesse período, o projeto passou a acompanhar 164 hectares, sendo 103 hectares destinados à produção.
Para a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva, a decisão valida o trabalho desenvolvido com os agricultores. “O reconhecimento do Ministério da Agricultura representa a validação de um trabalho construído com muita seriedade, dedicação e compromisso com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar”.
Certificação avalia práticas adotadas no campo
Para receber o selo, os agricultores precisam atender a 27 critérios técnicos. A avaliação inclui documentos como o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e o Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de aspectos relacionados ao uso de insumos, gestão de riscos, higiene e preservação ambiental.
Entre as práticas avaliadas estão a separação de resíduos e a compostagem de restos da cozinha e de resíduos agrícolas. “Os critérios de responsabilidade ambiental envolvem ainda ações como separação de resíduos, compostagem doméstica (com restos da cozinha) e compostagem em leiras, que transformam resíduos agrícolas em adubo reutilizável”, explica a assistente de projetos do CAT Sorriso, Andreia Sousa.
A certificação também prevê a identificação da origem dos produtos por meio de um QR Code. O consumidor pode acessar informações sobre o agricultor, a propriedade e o sistema de produção.
O projeto é o segundo da associação reconhecido pelo Mapa. Em outubro do ano passado, o CAT Sorriso recebeu o reconhecimento pelo projeto Gente que Produz e Preserva, voltado a agricultores que produzem soja certificada pelo padrão internacional RTRS.
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Novo tarifaço dos EUA entra em vigor; estimativas apontam impacto de R$ 4,6 bi no agro

Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil.
A medida, decorrente de investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), atinge diretamente cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
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O impacto direto no setor produtivo é estimado em R$ 4,6 bilhões anuais. Embora negociações diplomáticas e setoriais tenham garantido a isenção de itens estratégicos de maior volume — como café e carnes bovina e suína —, a nova alíquota incide pesadamente sobre cadeias como as de etanol, madeira, derivados e bens manufaturados.
Nesta terça-feira (21), o governo brasileiro deu início a uma rodada de reuniões com entidades e representares dos setores afetados.
Assimetria regional e pressão sobre contratos
O alcance do ‘tarifaço’ varia expressivamente de acordo com a região e o segmento produtivo. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que até 79% das exportações gaúchas para os EUA são afetadas, evidenciando o peso da taxação sobre os estados com maior dependência de itens derivados e industrializados.
Outro entrave imediato reportado por exportadores é o fator tempo: com a medida passando a valer na data de hoje, empresas e cooperativas enfrentam prazos escassos para renegociar contratos de embarque já firmados ou ajustar margens operacionais sem repassar prejuízos.
Além da tarifa base de 25%, o setor permanece atento à investigação em curso no USTR que pode adicionar uma sobretaxa cumulativa de 12,5%, podendo elevar a taxação total para 37,5% em caso de desfecho desfavorável.
Principais focos de atenção no campo
Para conter perdas e garantir liquidez no comércio exterior, consultores e analistas de mercado ouvidos pelo Canal Rural destacam como prioridades:
- Gestão de risco e margem: Adoção imediata de travas cambiais (hedge) e revisão rigorosa das planilhas de custos de exportação.
- Readequação logística: Renegociação de rotas e contratos de frete marítimo para embarques de menor margem.
- Diversificação de destinos: Intensificação das negociações de abertura e expansão de mercado com países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.
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Cepea: Algodão tem baixa liquidez, mas preços seguem sustentados

O mercado brasileiro de algodão em pluma segue com baixa liquidez, refletindo o desacordo entre compradores e vendedores quanto aos preços e, em alguns casos, à qualidade dos lotes ofertados. Ainda assim, segundo o Cepea, a postura firme dos vendedores ativos, especialmente para lotes de melhor qualidade, e a necessidade pontual de compra de algumas indústrias sustentam as cotações.
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De acordo com pesquisadores do Cepea, os agentes acompanham o avanço da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26, processos considerados fundamentais para o cumprimento dos contratos a termo destinados aos mercados interno e externo. Pelo lado da demanda, embora o setor ainda relate ritmo moderado nas vendas de manufaturados, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sinalizam uma leve reação.
No fechamento de terça-feira (21), o Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma foi de R$ 402,37 por libra-peso, com queda de 1,42% no dia. No acumulado do mês, o indicador registra recuo de 2,41%.
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Custo do milho recua 0,61% em MT, mas preço segue abaixo do custo total

O custo total de produção do milho da safra 2026/27 em Mato Grosso recuou 0,61% em junho, para R$ 7.372,88 por hectare. A redução foi influenciada principalmente pela queda de 2,38% nos gastos com fertilizantes e corretivos, que passaram a representar R$ 1.532,66 por hectare.
Os dados fazem parte do projeto CPA-MT, estimado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar-MT. No mesmo período, o custo operacional total (COT) caiu 0,60%, para R$ 6.057,70 por hectare, enquanto o custo operacional efetivo (COE) recuou 0,63%, para R$ 5.493,40 por hectare.
A redução dos custos ocorreu em um momento de melhora na logística do Oriente Médio. A normalização do fluxo permitiu a retomada das exportações e melhorou as condições de negociação para os compradores, pressionando os preços dos fertilizantes. O atraso nas compras, no entanto, pode concentrar a demanda nos próximos meses e elevar novamente os valores.
Além dos fertilizantes e corretivos, os gastos com defensivos caíram 0,32% em junho, para R$ 913,04 por hectare. Já as sementes subiram 0,95%, chegando a R$ 848,78 por hectare.
Segundo o levantamento, a alta das sementes limitou uma redução maior do custo de custeio, estimado em R$ 3.767,37 por hectare. O indicador apresentou queda mensal de 0,84%.
Preço precisa superar R$ 47 para cobrir custo total
Considerando a produtividade estimada de 128,64 sacas por hectare na safra 2025/26, o produtor mato-grossense precisaria comercializar o milho a R$ 42,70 por saca para cobrir o COE. Para alcançar o COT, o preço necessário sobe para R$ 47,09 por saca. Com isso, o produtor precisa comercializar a saca de 60 quilos acima de tal valor para cobrir o custo total.
O preço médio mensal do milho na safra 2026/27 foi estimado em R$ 44,76 por saca. Com isso, a cotação permanece acima do ponto de equilíbrio do COE, mas abaixo do valor necessário para cobrir o custo operacional total.
O cenário mostra que, mesmo com a queda mensal dos custos, a margem do produtor continua pressionada. A diferença entre o preço médio e o custo total reforça a necessidade de atenção às despesas e ao momento de comercialização da produção.
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