Agro Mato Grosso
Município de MT que já foi considerado o maior do Brasil completa 275 anos

Chapada dos Guimarães chegou a ter cerca de 270 mil km² e abrangia áreas onde hoje ficam cidades do norte de Mato Grosso. Município também guarda construções do período colonial e se consolidou como um dos principais destinos turísticos do estado.
Muito antes de se tornar conhecida pelas cachoeiras, paredões, mirantes e trilhas que atraem turistas de diferentes partes do país, Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, já ocupou uma extensão territorial gigantesca. O município completa 275 anos nesta sexta-feira (31) carregando uma história que atravessa o ciclo do ouro, aldeamentos indígenas, fazendas coloniais, sucessivos desmembramentos e a transformação do turismo em uma das principais atividades.
Segundo registros históricos reunidos pela prefeitura, a ocupação da região está ligada ao avanço das bandeiras pelo território mato-grossense no início do século XVIII. Em 1718, a bandeira de Pascoal Moreira Cabral encontrou ouro no Rio Coxipó e, nos anos seguintes, a exploração avançou para outras áreas.
Em 1722, foi estabelecida a fazenda Buriti Monjolinho, apontada como a primeira fazenda de Chapada dos Guimarães, onde também surgiram algumas das primeiras roças da região.
A historiadora Ana Borges explicou que esse processo fez com que a formação de Chapada estivesse diretamente relacionada à ocupação de Cuiabá e ao desenvolvimento das atividades rurais durante o período colonial.
De acordo com a historiadora, as atividades econômicas desenvolvidas naquele período também envolveram populações negras, enquanto a chegada dos jesuítas, no século XVIII, deixou marcas na organização religiosa e social da região.
“Tem a entrada dos jesuítas nos anos de 1750, o que marca também uma prática religiosa da região. E tem a queda do ouro ao longo do século XVIII e no início do século XX, o que marca o isolamento da região envolvendo populações negras e também práticas agrárias”, explicou.
De território gigante a destino turístico
Um dos capítulos mais curiosos da trajetória de Chapada dos Guimarães está justamente no tamanho que o município já teve. Segundo Ana, Chapada chegou a possuir aproximadamente 270 mil km² de extensão territorial, dimensão que fez com que fosse considerada, naquele período, o maior município brasileiro.
“Era muito grande! A sua extensão era tão expressiva que abrangia uma parte do que hoje a gente chama de Nortão”, contou.
O território alcançava regiões onde posteriormente surgiriam municípios como Alta Floresta, Colíder e Sinop, entre outras cidades do norte de Mato Grosso. Essa configuração começou a mudar principalmente a partir da década de 1970, conforme novos municípios foram criados e áreas anteriormente pertencentes a Chapada passaram por processos de desmembramento.
Ao mesmo tempo, a identidade econômica da região também mudou ao longo dos séculos. Com o declínio da mineração de ouro, Chapada atravessou períodos de maior isolamento, preservando características rurais e elementos herdados do período colonial. Décadas depois, especialmente com a melhoria dos acessos rodoviários, o município passou a se integrar com mais intensidade ao circuito turístico estadual.
Essa transformação ganhou força com a criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em 1989, consolidando a paisagem natural como um dos principais símbolos da cidade.
“Ela passa a ser também essa cidade charmosa, voltada para a natureza, que é o que hoje ela mais consegue se manter em termos econômicos”, afirmou Ana.
De Sant’Ana de Chapada a Chapada dos Guimarães
Até chegar ao nome atual, o município acumulou diferentes denominações. Registros históricos citados pela prefeitura mostram que a localidade já foi chamada de Sant’Ana de Chapada, Chapada de Cuiabá, Sant’Ana da Chapada de Cuiabá e Sant’Ana da Chapada de Guimarães, até chegar a Chapada dos Guimarães.
O nome Guimarães está relacionado a uma determinação da Coroa Portuguesa para que povoados recebessem nomes portugueses. A localidade passou, então, a ser chamada de Lugar de Guimarães, em referência à cidade portuguesa associada à formação histórica daquele país.
Outro momento importante ocorreu em 1751, com a chegada do primeiro governador da Capitania de Mato Grosso, Dom Rolim de Moura, acompanhado pelo padre Estevão de Castro. Na região, foi estabelecida a Missão Jesuítica de Santana, que reuniu indígenas de diferentes etnias.
Uma das igrejas mais antigas de Mato Grosso
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Igreja de Santana do Santíssimo Sacramento em Chapada dos Guimarães — Foto: Portal Chapada MT
Parte dessa história permanece visível no patrimônio arquitetônico da cidade. A Igreja de Santana do Santíssimo Sacramento, localizada na região central, é considerada uma das igrejas mais antigas de Mato Grosso e conserva elementos ligados ao período colonial.
Segundo Ana Borges, as primeiras estruturas religiosas relacionadas à missão jesuítica surgiram ainda no século XVIII, na área atualmente conhecida como Aldeia Velha, inicialmente utilizando materiais como taipa, madeira e cobertura de palha.
Com as mudanças políticas ocorridas no período colonial e a expulsão dos jesuítas, uma nova construção foi erguida na área central da povoação, utilizando materiais mais resistentes e incorporando elementos arquitetônicos e decorativos ligados ao barroco, inclusive peças trazidas de Portugal.
A preservação desses elementos ao longo dos séculos ajudou a transformar a igreja em um registro material da própria formação do município.
“Hoje ela tem essa importância por ser uma das igrejas mais antigas e também por ter elementos que não sofreram alterações ou modificações tão significativas desde a sua construção”, explicou a historiadora.
A devoção a Sant’Ana também atravessou gerações. Conforme Ana, a santa, tradicionalmente reconhecida pela Igreja Católica como mãe de Maria e avó de Jesus, se tornou associada à proteção das famílias, dos idosos e à transmissão de conhecimento entre gerações.
Uma paisagem moldada há milhões de anos
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Véu de Noiva em Chapada dos Guimarães (MT) — Foto: Secom-MT
Se a história de Chapada dos Guimarães começou há 275 anos, a formação da paisagem que caracteriza o município é muito mais antiga. Localizada na borda do Planalto Central Brasileiro, a região reúne escarpas, cânions e formações de arenito vermelho moldadas por transformações geológicas ocorridas ao longo de milhões de anos. Entre os pontos turísticos mais famosos, estão a Cidade de Pedra, o mirante e o Véu de Noiva.
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Mirante em Chapada dos Guimarães (MT) — Foto: Portal Chapada MT
Segundo informações da prefeitura e de historiadores, a área já foi coberta por gelo, transformou-se em fundo do mar, passou por um período de deserto e ganhou o relevo atual há cerca de 15 milhões de anos, quando o surgimento da Cordilheira dos Andes provocou o afundamento da planície pantaneira.
Essas mudanças ficaram registradas no próprio território. O município abriga sítios arqueológicos com pinturas rupestres, além de fósseis de conchas marinhas, vestígios de antigos desertos e registros da fauna pré-histórica encontrados em diferentes pontos da região, revelando parte da evolução geológica e da ocupação humana no centro da América do Sul.
A vegetação também chama a atenção pela variedade. Em meio ao Cerrado, a região concentra áreas de mata com características que lembram tanto a Amazônia quanto a Mata Atlântica, além de espécies como ipês, jatobás, jacarandás, buritis, orquídeas e bromélias. Entre os frutos típicos estão o pequi, o araticum, a mangaba, o cajuzinho-do-cerrado e o cascudo, fruto considerado endêmico de Chapada dos Guimarães.
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Cidade de Pedra em Chapada dos Guimarães (MT) — Foto: Prefeitura de Chapada dos Guimarães
Essa diversidade se reflete na fauna. São mais de 400 espécies de aves registradas, incluindo as araras-vermelhas, símbolo do município, que fazem ninhos nos paredões de arenito e sobrevoam a cidade diariamente. A riqueza atrai observadores de aves de diferentes países, interessados em espécies como o gavião-real, o urubu-rei e diversos beija-flores do Cerrado. Entre os mamíferos encontrados na região estão tamanduá-bandeira, lobo-guará, anta, quati, macaco-da-noite, onça-parda e jupará.
O clima completa esse cenário. Com temperaturas geralmente entre 12°C e 25°C durante os períodos de friagem, o município possui duas estações bem definidas: a chuvosa, entre outubro e abril, e a seca, de maio a setembro. Nas primeiras horas da manhã, o nevoeiro que costuma cobrir as formações rochosas se tornou uma das paisagens mais marcantes da cidade, reforçando a identidade de um lugar onde natureza e história caminham lado a lado.
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Nevoeiro no mirante de Chapada dos Guimarães (MT) — Foto: Marcos Vergueiro Secom-MT
Passados 275 anos, Chapada dos Guimarães deixou para trás as dimensões territoriais que um dia fizeram dela um município gigantesco, mas preservou parte dos vestígios daquele passado que ajudam a contar a trajetória do local.
Agro Mato Grosso
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Município de Mato Grosso alcançou R$ 8,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025; Estado concentra cinco cidades entre as dez primeiras e responde por quase 18% de toda a produção nacional
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Novo lar de Sandro: conheça o 1º Santuário de Elefantes do Brasil, em MT

Localizado em Chapada dos Guimarães (MT), projeto sem fins lucrativos já resgatou 13 animais e oferece cuidados especializados sem visitação pública.
Criado para oferecer uma alternativa ao confinamento, o Santuário de Elefantes Brasil (SEB) atualmente abriga seis elefantas fêmeas e se prepara pra receber o primeiro macho, Sandro, nesta sexta- feira (18). O local não é aberto à visitação pública do turismo tradicional, para que não haja exposição dos animais ao estresse do público ou a rotinas de apresentações.
Localizado em Chapada dos Guimarães, a organização sem fins lucrativos atua na recuperação e no acolhimento de elefantes resgatados, oferecendo um ambiente com vasta vegetação, lagos e estímulos naturais para que os animais recuperem comportamentos típicos da espécie.
Segundo o presidente do SEB, Raphael Bontempi, a proposta do local é garantir proporções e condições de vida que estruturas urbanas de exposição não conseguem alcançar.
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Santuário de Elefantes, em Chapada dos Guimarães — Foto: Santuário de Elefantes/Divulgação
“A gente é uma associação, uma ONG sem fins lucrativos. O nosso objetivo é o resgate desses elefantes. A gente nasceu para poder trabalhar com os elefantes da América do Sul, que tínhamos aproximadamente 50 quando começamos o projeto. Agora tem muito menos. A gente resgatou ao redor de 13, que vieram morar aqui no santuário”, explica Raphael.
Proporção e espaço para reabilitação
Segundo Raphael, a diferença entre o ambiente do santuário e os recintos tradicionais de cativeiro é um dos pilares para a reabilitação física e psicológica dos elefantes. As áreas destinadas a cada morador contam com dezenas de hectares, permitindo caminhadas longas, exploração de terreno acidentado e contato com diferentes tipos de solo.
Para exemplificar a escala da propriedade, o presidente da instituição compara a área destinada ao mais novo morador do local, o elefante Sandro, que viveu quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros e foi transferido nesta quarta-feira (16) para o santuário, com o espaço onde o animal viveu durante anos em São Paulo.
Como funciona a rotina no santuário

Chapada dos Guimarães vai sediar o primeiro santuário de elefantes de Mato Grosso
Diferente de zoológicos, o Santuário de Elefantes Brasil não é aberto à visitação pública do turismo tradicional, garantindo que os animais não sejam expostos ao estresse do público ou a rotinas de apresentações.
A dinâmica do espaço é pautada por diretrizes técnicas rigorosas de manejo e proteção:
- Estímulo à autonomia: Os animais têm liberdade para decidir quando e onde querem caminhar, banhar-se nos lagos ou descansar, desenvolvendo rotinas próprias.
- Redução do estresse do cativeiro: A oferta contínua de estímulos visuais, olfativos e de espaço reduz comportamentos repetitivos (estereotipias) causados pelo tédio e pelo confinamento prolongado.
- Equipe multiprofissional: O acompanhamento é feito diariamente por veterinários, biólogos e tratadores especializados na reabilitação de grandes mamíferos.
- Segurança e regras de manejo: Os recintos mantêm separações técnicas por espécie e gênero, respeitando a organização social natural dos animais e cumprindo as normas ambientais de licenciamento, que proíbem a reprodução de espécies exóticas em cativeiro.
Apesar disso, o santuário foi alvo de ataques por moradores de Sorocaba no último domingo (14). Dois dias antes da transferência de Sandro ao Santuário, famílias com crianças foram ao zoológico onde ele morava para protestar contra a transferência do elefante Sandro. Os manifestantes levaram cartazes com frases como “Fica, Sandro”, “A vida do Sandro é valiosa para nós” e “Vai cuidar de quem realmente é maltratado”.
Os participantes afirmam que a transferência representa um risco para o animal e pode comprometer a saúde e o bem-estar dele. Entre os argumentos, os manifestantes citam a idade avançada de Sandro e os possíveis impactos de uma viagem longa. Eles também temem que a adaptação a um novo ambiente possa afetar o animal.
Sobre os protestos, o presidente do santuário afirmou que o local oferece aos elefantes uma oportunidade de ter uma vida com mais tranquilidade e conforto, algo que, segundo ele, muitos animais talvez nunca tivessem.
“A gente tá dando para esses animais uma vida que no zoológico nunca ia poder dar. Desde espaço, estrutura, atendimento especializado, pessoas capazes, até uma área muito maior. Para você ter ideia, a área que o Sandro vai ficar é maior do que o próprio zoológico inteiro de Sorocaba. É uma proporção que a gente não consegue nem comparar”, ressalta o presidente.
🐘 Conheça as outras elefantas do Santuário

Depois de 6 dias na estrada, elefanta Kenya chegou ao santuário em Chapada
- Baby
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Nascida em 1992, no estado da Flórida, nos Estados Unidos, Baby passou parte da vida em um circo antes de ser levada para o parque Beto Carrero World. — Foto: Santuário dos Elefantes Brasil
Nascida em 1992, no estado da Flórida, nos Estados Unidos, Baby passou parte da vida em um circo antes de ser levada para o parque Beto Carrero World, em Santa Catarina, onde se tornou uma das atrações.
A elefanta se tornou a segunda moradora mais jovem do Santuário, ficando atrás apenas de Guillermina, que possui 25 anos.
- Maia
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Maia, uma elefanta asiática de cerca de 50 anos, foi a primeira moradora do Santuário. — Foto: Santuário dos Elefantes Brasil
Maia, uma elefanta asiática de cerca de 50 anos, foi a primeira moradora do Santuário. Antes de chegar, em outubro de 2016, ela passou aproximadamente 30 anos em circos. Após ser retirada dessa situação, permaneceu por cinco anos acorrentada em uma fazenda, sem um local adequado para viver.
Conhecida pela personalidade dócil e pela energia intensa, Maia se tornou um dos símbolos do santuário. Segundo os cuidadores, ela superou os medos trazidos pelo passado em cativeiro e passou a demonstrar comportamentos mais naturais à medida que ganhou espaço para explorar.
Apaixonada por comida, especialmente mangas, a elefanta também é descrita como cooperativa e carinhosa, características que ajudaram em seu processo de adaptação e recuperação.
- Rana
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Rana, uma elefanta asiática de cerca de 65 anos, chegou ao Santuário em dezembro de 2018. — Foto: Santuário dos Elefantes Brasil
Rana, uma elefanta asiática de cerca de 65 anos, chegou ao Santuário em dezembro de 2018. Antes do resgate, ela viveu cerca de 40 anos em circos e passou os últimos anos em um zoológico no litoral brasileiro. Conhecida por sua capacidade de se adaptar aos outros elefantes, Rana é considerada pelos cuidadores uma espécie de “comitê de boas-vindas” do santuário.
Segundo a equipe do SEB, a elefanta passou por uma grande transformação após a chegada ao local. Inicialmente reservada e distante, ela se tornou uma das moradoras mais comunicativas do santuário, famosa pelas vocalizações que faz ao longo do dia. Rana também demonstrou evolução no convívio social com as demais elefantas e passou a explorar comportamentos naturais, como nadar, tomar banhos de lama e aproveitar os espaços abertos.
De acordo com os cuidadores, ela transmite sinais constantes de bem-estar e continua avançando em seu processo de recuperação após décadas em cativeiro.
- Mara
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Mara, uma elefanta asiática de cerca de 58 anos, chegou ao Santuário em maio de 2020. — Foto: Santuário dos Elefantes Brasil
Mara, uma elefanta asiática de cerca de 58 anos, chegou ao Santuário em maio de 2020. Nascida na Índia, ela foi levada ainda jovem para um zoológico na Alemanha e, posteriormente, para circos na América do Sul. Desde 1995, vivia no então Zoológico de Buenos Aires, na Argentina, onde permaneceu por mais de duas décadas até ser transferida para Mato Grosso.
Após uma vida marcada pelo confinamento, Mara chegou ao santuário com alguns problemas de saúde, incluindo lesões nas patas e no tornozelo dianteiro direito. Apesar de ter sido considerada agressiva em parte da vida, os cuidadores descrevem a elefanta como dócil, comunicativa e bastante afetuosa.
Conhecida pelas vocalizações frequentes, ela desenvolveu uma forte ligação com a elefanta Rana logo após chegar ao SEB. Segundo a equipe, Mara segue em processo de recuperação física e emocional, ganhando mais confiança e aproveitando a liberdade e os espaços amplos oferecidos pelo santuário.
- Bambi
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Bambi, uma elefanta asiática de cerca de 60 anos, chegou ao Santuário em setembro de 2020. — Foto: Santuário dos Elefantes Brasil
Bambi, uma elefanta asiática de cerca de 60 anos, chegou ao Santuário em setembro de 2020. Antes do resgate, ela passou mais de 40 anos em circos e, após ser apreendida, viveu por cerca de uma década em zoológicos no interior de São Paulo. Quando foi transferida para Mato Grosso, apresentava baixo peso, pouca massa muscular e perda da visão de um dos olhos.
Apesar das condições de saúde encontradas no momento do resgate, Bambi surpreendeu os cuidadores ao demonstrar uma personalidade ativa e curiosa. Descrita como brincalhona e facilmente empolgada, ela passou a explorar os espaços do santuário com entusiasmo e a apresentar comportamentos mais naturais. Segundo a equipe do SEB, a elefanta ganhou autonomia, cuidados individualizados e melhores condições de bem-estar, fatores que contribuíram para sua recuperação física e emocional após décadas de cativeiro.
- Guillermina
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Guillermina, uma elefanta asiática de 25 anos, nasceu no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, e passou toda a vida em cativeiro — Foto: Santuário dos Elefantes Brasil
Guillermina, uma elefanta asiática de 25 anos, nasceu no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, e passou toda a vida em cativeiro antes de ser transferida para o Santuário. Filha das elefantas Pocha e Tamy, ela cresceu em um recinto com espaço extremamente limitado, onde tinha poucas oportunidades para explorar comportamentos naturais da espécie.
Descrita pelos cuidadores como curiosa, brincalhona e dona de uma personalidade marcante, Guillermina chegou ao santuário ainda muito dependente da mãe e insegura diante das novidades. Com a adaptação ao novo ambiente, passou a descobrir gradualmente elementos que nunca havia experimentado, como áreas amplas, vegetação, lama e o convívio com outros elefantes.
Segundo a equipe do SEB, a jovem elefanta segue desenvolvendo autonomia e habilidades sociais, enquanto explora o espaço e constrói novas relações após uma vida inteira em confinamento.
Conheça o Santuário
Para conhecer o Santuário não é preciso ir lá, até porque os elefantes vivem soltos e se escondem na mata, e a intenção é justamente que eles não sejam uma atração como foram durante a vida toda nos cativeiros onde viveram.
No entanto, nas redes sociais e no portal é possível acompanhar os relatos do dia a dia destes animais, assim como assistir aos vídeos que os tratadores conseguem fazer durante o atendimento a elas.
Quem quiser ajudar de forma mais efetiva, pode participar da campanha “Adotar um Elefante”, enviando recursos especialmente para os cuidados de qualquer uma das moradoras.
Agro Mato Grosso
Rinha de galos é fechada e 90 animais são encontrados feridos em MT

Três pessoas foram conduzidas durante o flagrante em Várzea Grande; local tinha sangue, medicamentos e anabolizantes.
Uma rinha de galos que estava sendo transmitida ao vivo pela internet foi fechada durante um flagrante da Guarda Municipal, nesta quinta-feira (17), em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Mais de 90 animais foram encontrados no imóvel, sendo vários com ferimentos e quatro em estado mais grave.
A ocorrência foi registrada no bairro Jardim Marajoara, após uma denúncia recebida pelo Centro de Inteligência Municipal de Segurança 153. Segundo a Guarda Municipal, a equipe chegou ao local enquanto uma disputa entre os animais acontecia.
Durante a abordagem, várias pessoas tentaram fugir. Três foram conduzidas, sendo duas detidas no momento do flagrante e uma terceira localizada posteriormente. De acordo com o comandante da Guarda Municipal, Juliano Lemos, o homem se apresentou como proprietário do imóvel e teria admitido que criava animais para rinhas também em sua residência.
No local, os agentes encontraram uma estrutura montada para as disputas, com grades sujas de sangue, medicamentos e anabolizantes. Segundo a fiscalização ambiental, alguns galos apresentavam cortes profundos, ferimentos e sinais de lesões antigas. Quatro animais estavam em situação mais grave.
O fiscal ambiental Daniel Vieira de Miranda afirmou que a estrutura e as condições dos animais indicam que as rinhas poderiam ocorrer com frequência. Segundo ele, os medicamentos encontrados serão analisados para identificar a finalidade e o possível uso durante as disputas.
Três celulares também foram apreendidos. Conforme a Guarda Municipal e a fiscalização ambiental, há informações de que a rinha estava sendo transmitida ao vivo pelo YouTube no momento da chegada das equipes.
Os animais foram apreendidos e devem passar por avaliação. O caso será investigado e os responsáveis poderão responder por crimes relacionados à prática de rinha e maus-tratos contra animais.
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