Connect with us
17 de setembro de 2026

Featured

Como a biotecnologia ajudou a colocar o Brasil no topo da produção mundial de soja?

Published

on


Foto: Gabriel Miqueleti

A soja brasileira passou por uma das maiores transformações do agronegócio mundial nas últimas duas décadas. Nesse período, o Brasil deixou de ser apenas um importante produtor para assumir a liderança global na produção e exportação da oleaginosa, impulsionado por avanços em biotecnologia, genética, infraestrutura e profissionalização do campo.

Durante workshop sobre biotecnologia e inovação na soja promovido pela Bayer nesta segunda-feira (15), em São Paulo, Fabiano Oliveira, líder de negócios de soja da Bayer Brasil, destacou que a demanda mundial pelo grão praticamente dobrou nos últimos 20 anos, com o Brasil responsável por absorver cerca de 60% desse crescimento.

“Foi muito melhor ser sojicultor no Brasil do que em qualquer outro país nos últimos 20 anos”, afirmou. Segundo ele, o desempenho brasileiro foi construído sobre quatro pilares, que são ambiente institucional, infraestrutura, tecnologia e perfil do agricultor. Entre os pontos citados estão leis ligadas à propriedade intelectual, à proteção de cultivares e à biossegurança, que ajudaram a criar um ambiente favorável à inovação.

“Hoje, o Brasil tem um grande potencial competitivo fundamentado nesses quatro pilares. O ambiente institucional, com leis relacionadas à propriedade intelectual e à proteção de cultivares se junta a esses fatores. Um outro ponto importante é a infraestrutura, com hidrovias, rodovias e outros sistemas logísticos capazes de escoar cerca de 180 milhões de toneladas, algo que poucos países conseguem fazer”, explicou.

Advertisement

O impacto da soja, no entanto, vai além da porteira. Oliveira ressaltou que a cultura contribuiu para o desenvolvimento econômico e social de diversas regiões produtoras. “A soja foi um veículo de progresso nos últimos anos. Onde teve soja, teve desenvolvimento”, afirmou.

Biotecnologia e sementes

A importância da inovação também foi debatida a partir da produção de sementes e do desenvolvimento de novas biotecnologias. Fábio Passos, diretor de soja comercial da Bayer, explicou que uma nova tecnologia pode levar cerca de 15 anos para chegar ao campo, exigindo testes, adaptação genética às diferentes regiões produtoras, avaliação de ciclo, maturação, pacote sanitário e multiplicação de sementes.

Segundo ele, o desafio é desenvolver soluções em larga escala que sejam relevantes para o produtor e adaptadas às condições brasileiras. Tecnologias foram citadas como exemplo de ferramentas que ajudam no manejo da lavoura e na proteção contra desafios fitossanitários.

Representando o setor de sementes, o CEO da Jotabasso destacou que a semente é o principal veículo de entrega da inovação ao agricultor. Para ele, o investimento das sementeiras não se limita a equipamentos, mas envolve também pessoas, processos e controle de qualidade.

“A semente carrega inovação e tecnologia para os produtores”, afirmou. De acordo com o executivo, uma semente de alto vigor pode potencializar a produtividade da lavoura em até 10%, reforçando a importância de materiais certificados e bem manejados.

Advertisement

Pompilio Rocha, vice-presidente da Fundação Chapadão e participante da Aprosoja Mato Grosso do Sul, destacou que a adoção de tecnologias depende da capacidade de avaliar o desempenho dos materiais nas condições específicas de cada fazenda.

Segundo ele, a realização de áreas experimentais é uma ferramenta essencial para identificar quais cultivares apresentam melhor desempenho em cada ambiente produtivo. ”Nem sempre a variedade mais plantada em uma região será a mais adequada para todas as propriedades, tornando a experimentação uma etapa importante no processo de tomada de decisão”, comentou.

Pompilio também enfatizou que a tecnologia no campo vai além da aquisição de máquinas e equipamentos. Para ele, o conhecimento aplicado ao planejamento da safra e ao manejo das lavouras é um dos principais fatores para o sucesso da produção.

Segurança jurídica e combate à pirataria

O debate também abordou os impactos da pirataria de sementes na cadeia produtiva da soja. De acordo com Catharina Pires, diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, sementes ilegais já representam mais de 28% do mercado de soja no Rio Grande do Sul, acima da média nacional, estimada em 11%.

Segundo ela, a prática gera perdas estimadas em R$ 10 bilhões por ano para a cadeia da soja brasileira, afetando produtores, empresas, exportadores e a arrecadação pública.

Advertisement

Catharina alertou ainda que o uso de sementes de origem ilegal compromete qualidade, vigor, pureza genética, germinação e produtividade. Além do prejuízo econômico, há riscos sanitários, especialmente em regiões de fronteira, com a possibilidade de entrada de pragas e problemas fitossanitários sem fiscalização.

China mira na autossuficiência

Além dos desafios internos, o mercado brasileiro também acompanha os movimentos da China, principal destino da soja nacional. Durante o evento, Fabio Meneghini, um dos fundadores da Veeries, empresa especializada em inteligência de mercado para o agronegócio, afirmou que o país asiático pretende ampliar sua autossuficiência na produção de soja dos atuais 15% para 60% nos próximos anos.

Segundo ele, esse movimento poderia reduzir a dependência chinesa em relação ao mercado internacional e impactar os principais exportadores globais da oleaginosa. Atualmente, a China importa cerca de 112 milhões de toneladas de soja por ano. Pelas projeções apresentadas, esse volume poderia recuar para aproximadamente 99 milhões de toneladas em 2030 e para 82 milhões de toneladas em 2035.

Meneghini explicou que a estratégia chinesa passa pelo aumento da produção doméstica, por ganhos de produtividade e pela busca de maior independência em relação ao mercado externo. Apesar disso, ponderou que metas semelhantes já foram anunciadas em outros momentos pelo governo chinês sem serem plenamente alcançadas.

Na avaliação do especialista, a competitividade da soja brasileira continua sendo um dos principais obstáculos para a execução desses planos.

Advertisement

“O Brasil consegue entregar soja à China com custos bastante competitivos, resultado dos ganhos de produtividade obtidos nas últimas décadas e da evolução da infraestrutura logística”, destacou.

Meneghini observou ainda que, pela primeira vez, a China passou a discutir de forma mais ampla o uso de biotecnologia como ferramenta para ampliar sua produção de soja e alcançar os objetivos traçados para o setor.

Biocombustíveis podem abrir nova frente

Por fim, como alternativa para reduzir a dependência do mercado chinês, Meneghini apontou os biocombustíveis como uma das principais oportunidades para a cadeia da soja brasileira nas próximas décadas. Segundo ele, iniciativas ligadas ao biodiesel, ao combustível sustentável de aviação (SAF) e ao diesel renovável podem ampliar significativamente a demanda doméstica por óleo vegetal.

Na avaliação do especialista, o crescimento do consumo interno tende a ganhar relevância nos próximos anos, complementando o papel desempenhado pelas exportações na expansão da sojicultura brasileira.

Meneghini também destacou que os avanços tecnológicos obtidos no campo permitiram elevar a produção nacional sem necessidade de expansão proporcional da área cultivada. Segundo ele, os ganhos de produtividade registrados nas últimas décadas evitaram a incorporação de aproximadamente 31 milhões de hectares adicionais para alcançar os atuais níveis de produção de soja no país.

Advertisement

Por outro lado, o executivo observou que ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os produtores brasileiros. Enquanto os agricultores mais tecnificados seguem ampliando a produtividade acima da média nacional, parte dos produtores de menor porte ainda enfrenta dificuldades para acompanhar a velocidade da evolução tecnológica.

Para ele, reduzir essa diferença será um dos principais desafios da cadeia produtiva nos próximos anos. A ampliação do acesso à tecnologia, à informação e às boas práticas de manejo será fundamental para que um número maior de produtores consiga elevar a produtividade e manter a competitividade da soja brasileira no cenário global.

O post Como a biotecnologia ajudou a colocar o Brasil no topo da produção mundial de soja? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement

Featured

Polêmica do STF domina debate de candidatos ao Senado por Mato Grosso

Published

on


Concorrentes propuseram mudanças em leis e tentaram associar os adversários às circunstâncias do ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro

Cinco candidatos ao Senado por Mato Grosso se reuniram hoje (17) no debate eleitoral da TV Vila Real – Antônio Galvan (Avante), Carlos Fávaro (PSD), José Medeiros (PL), Margareth Buzetti (PP) e Pedro Taques (PSB). 

A troca de argumentos entre eles ficou concentrada no assunto do Supremo Tribunal Federal (STF) e a relação de ministros com o empresário Daniel Vorcaro, dono Banco Master e acusado da maior fraude financeira do país. Como estratégia eleitoral, os candidatos tentaram vincular uns aos outros à política. 

Houve propostas que os ritos de indicação de ministros ao Supremo e o tempo de permanência deles no cargo sejam modificados. E que a alteração seja expandida para o Senado. 

Advertisement

Taques disse ser a favor do limite de 12 anos de exercício do cargo e os indicados seriam só poderiam ser investidos com idade mínima de 60 anos. 

José Medeiros disse que a legislação brasileira deveria tirar das mãos do presidente da República o poder de indicação, o que já vem sendo defendido por alguns políticos. Seria elaborado algum tipo de concurso, sem implicação política. 

Margareth Buzetti diz que o regimento interno do Senado precisaria ser modificado para obrigar o presidente do Congresso a colocar em votação os pedidos de impeachment de ministros.  

Para Taques, o presidente do Congresso ficaria obrigado a pautar o pedido em 30 dias. Já Medeiros afirmou que deputados federais e senadores não poderiam ser investigados por ministros do STF para evitar constrangimento de atos em mandato. 

Essa relação ente ministros e políticos derivou a implicação de senadores com o Supremo. O mais atacado foi Carlos Fávaro, em exercício do mandato. Ele foi questionado mais de uma vez sobre o motivo ainda não ter uma posição clara sobre a crise no Supremo em quase oito anos de mandato. 

Advertisement

O assunto respingou em candidatos citados em operações da Polícia Federal, cujos processos podem ser julgados pelo Supremo. Os adversários apontaram mutuamente que a investigação se tornaria empecilho para o exercício do mandato. 

Outro viés a polêmica do momento explorado pelos concorrentes foi relação tríplice de Lula-Moraes-Vorcaro. Os candidatos mais à direita afirmaram que apoiar ou votar em Lula seria dar aval, por tabela, às relações suspeitas do ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro.

A moderação do debate disse que os sete dos dez candidatos ao Senado com mais representação política foram convidados. Mauro Mendes (União Brasil) e Janaína Riva (MDB) não foram. 

Advertisement
Continue Reading

Featured

Fachin recua e retira de pauta julgamento contra André Mendonça no STF

Published

on


Presidente da Corte suspendeu a análise após pedido de vista de Flávio Dino travar o plenário. Gilmar Mendes defende que casos de Moraes e Mendonça sejam julgados juntos.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta da sessão plenária da próxima quarta-feira (23) o julgamento de um pedido de investigação sobre a condução dada pelo ministro André Mendonça como relator do caso Master na Corte, que foi desencadeado pela Operação Compliance Zero. 

Fachin tomou a decisão depois da sessão extraordinária da última terça (15), quando o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, levantou uma questão de ordem em julgamento sobre a abertura ou não de uma investigação sobre o suposto elo entre o ministro Alexandre de Mores e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.

Na Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro. 

Para Gilmar Mendes, os dois pedidos de investigação são correlatos e devem ser julgados em conjunto. O plenário começou a votar a proposta, mas o julgamento acabou interrompido por um pedido de vista (mais tempo de análise) do ministro Flávio Dino, quando o placar estava em 4 a 3 para que os processos fossem julgados em separado.

Advertisement

Ao desmarcar, nesta quinta, o julgamento sobre a atuação de Mendonça, Fachin escreveu que tomou a medida devido à “direta relação” deste processo com ponto levantado na questão de ordem.

“A inclusão em pauta será oportunamente redesignada”, afirmou o presidente do Supremo.

A iniciativa de marcar o pedido de investigação contra Moraes primeiro, na sessão extraordinária da última terça, partiu de Fachin, que ao mesmo tempo marcou o processo contra Mendonça para o dia 23.

Na semana passada, o presidente do STF negou um pedido de Moraes para que os dois casos fossem julgados juntos. O ministro alega que a análise sobre desvios na relatoria de Mendonça tem efeito direto na análise sobre seu caso.

Entenda

O STF entrou em uma crise institucional sem precedentes desde que Mendonça, na condição de relator do caso Master, levantou o sigilo, em 1º de setembro, sobre um relatório da PF com 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

Nas mensagens, Vorcaro aparenta ter relação próxima com Moraes, a quem diz ter enviado para apreciação a cópia de um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Advertisement

Em outro trecho, o ex-banqueiro parece buscar informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. As mensagens foram trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi de fato preso. As respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas, informaram os investigadores.

Na sessão plenária de terça, Moraes voltou a afirmar que nunca manteve diálogo com Vorcaro e que não há de que as supostas mensagens foram de fato enviadas ou se, por exemplo, não foram apagadas antes da visualização.

Durante a sessão, Moraes bateu boca com Mendonça, a quem acusou de ter encomendado a inclusão de seu nome em eventual delação premiada de Vorcaro, por motivações políticas. Mendonça respondeu que a acusação é mentirosa.

Advertisement
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Dono de avião é identificado entre os 3 mortos durante queda em MT

Published

on

Vanderlei Sattler, de 65 anos, foi identificado entre os três mortos na queda de um avião na zona rural de Água Boa, a 730 km de Cuiabá, no dia 10 de setembro, conforme a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Ele é apontado como o dono da aeronave.

Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a aeronave tinha como destino a Venezuela e pode ter sido usada no tráfico internacional de drogas. As outras duas vítimas ainda não foram identificadas. Segundo a perícia, elas eram de nacionalidade paraguaia.

Vanderlei era natural de Montenegro (RS) e sócio-administrador de uma empresa de assessoria aeronáutica. A família do empresário entrou em contato com a Politec e já solicitou autorização para a liberação e cremação dos restos mortais.

Vanderlei Sattler, de 65 anos, era uma das vítimas do acidente aéreo em Água Boa (MT) — Foto: Reprodução

Vanderlei Sattler, de 65 anos, era uma das vítimas do acidente aéreo em Água Boa (MT) — Foto: Reprodução

A Polícia Civil também investiga a origem e o destino do voo, além das circunstâncias da queda e de um possível envolvimento da aeronave com o transporte de drogas.

Segundo a Polícia Civil, o avião é um Cessna, prefixo N401NA e não tem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Um dos pontos investigados é justamente a compra da aeronave. Levantamentos apontam que o avião teria sido adquirido por um valor elevado por uma pessoa cuja situação financeira, conforme a investigação, não seria compatível com a negociação.

O pagamento teria ocorrido parte em dinheiro e parte por meio de um veículo de alto valor. A polícia identificou que esse veículo já esteve registrado em nome de uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.

Advertisement

Além disso, um dos ocupantes do avião tinha pendências judiciais no país de origem e restrição para deixar o território nacional, conforme a investigação. Os nomes investigados não foram divulgados pela Polícia Civil para não prejudicar a apuração.

A investigação aponta ainda que a aeronave decolou de Goiânia sem documentação válida, autorização ou plano de voo aprovado. Essas circunstâncias são consideradas pela polícia como indícios que reforçam a hipótese de que se tratava de uma operação clandestina.

A análise do itinerário indica que o avião poderia seguir para um país vizinho, com possível destino à Venezuela. Segundo a Polícia Civil, familiares dos passageiros também relataram aos investigadores que um dos ocupantes havia informado que viajaria para o país.

Sem plano de voo, avião saiu de Goiânia (GO) e caiu em Água Boa (MT) — Foto: Reprodução

Queda e incêndio

O avião pegou fogo após cair em uma região isolada de Água Boa e foi destruído pelas chamas. Os três ocupantes foram identificados preliminarmente como um brasileiro e dois paraguaios.

A partir da reconstrução do itinerário e da análise de imagens de câmeras de segurança que registraram o embarque, os investigadores chegaram aos familiares dos ocupantes, que auxiliaram no reconhecimento das vítimas.

Bombeiros tentam combater incêndio após queda de avião em MT — Foto: Reprodução

Bombeiros tentam combater incêndio após queda de avião em MT — Foto: Reprodução

A Polícia Civil ressalta, porém, que a identificação definitiva depende dos exames periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Por questões de logística, os corpos foram encaminhados à Diretoria Metropolitana de Medicina Legal, em Cuiabá.

As investigações estão em fase final e aguardam a conclusão dos laudos periciais, especialmente os relacionados à identificação técnica das vítimas. A polícia também continua analisando a compra da aeronave, a forma de pagamento, o itinerário e as circunstâncias do voo para esclarecer se o avião estava relacionado ao tráfico internacional de drogas.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT