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Proposta de fim da escala 6×1 acende sinal de alerta no agro

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de trabalho para 40 horas tem gerado preocupação no agronegócio. Produtores rurais, trabalhadores e lideranças do setor avaliam que a mudança pode aumentar os custos operacionais das propriedades e dificultar ainda mais a contratação de mão de obra qualificada.
A discussão ocorre em torno da PEC 221/2019, que está em análise no Senado. Pelo texto, a jornada máxima passaria das atuais 44 horas semanais para 42 horas em um primeiro momento e, um ano depois, para 40 horas, com dois dias de descanso por semana e sem redução salarial.
No campo, a principal preocupação está relacionada à sazonalidade das atividades agrícolas. Em períodos de plantio e colheita, produtores afirmam que é necessário aproveitar ao máximo as condições climáticas para garantir o andamento das operações.
Na Estância VN, em Querência, que cultiva cerca de 7 mil hectares de soja e milho, o agricultor Írio José Guisolphi afirma que a falta de profissionais qualificados já é um desafio enfrentado pelas propriedades rurais. Para ele, a redução da jornada pode agravar ainda mais essa situação, uma vez que “não é qualquer operador que opera” os equipamentos utilizados na fazenda.

Realidade do campo
Guisolphi defende que a remuneração seja vinculada às horas efetivamente trabalhadas e que empregadores e colaboradores possam construir acordos adequados à realidade de cada propriedade.
Conforme o agricultor, já existe um modelo de compensação entre os funcionários da fazenda, em que períodos de maior demanda são equilibrados por momentos de menor intensidade. “O que nós defendemos muito no campo é hora trabalhada. Dentro da fazenda eu já tenho um acordo com os funcionários, tem épocas que eles trabalham um pouquinho mais e outras épocas um pouco menos para compensar”, diz ao Patrulheiro Agro.
O produtor destaca que essa flexibilidade é fundamental principalmente durante a colheita, quando aumenta a necessidade de mão de obra temporária e o tempo disponível para executar as operações é decisivo para os resultados da safra. Na avaliação dele, a redução da jornada pode ampliar a necessidade de contratação justamente em um momento em que já há escassez de profissionais qualificados.
“Nessa época os safristas nós precisamos deles, e com certeza no lugar de dois, vai ter que contratar três se achar. Está muito difícil encontrar operadores profissionais. Hoje está em torno de 5% o custo operacional de mão de obra na fazenda, então nós vamos sentir muito esse impacto”.

Necessidade de flexibilidade
Gerente de produção da Estância VN há cinco anos, Carlos Henrique Hortêncio afirma que a dinâmica do campo é diferente da observada em centros urbanos e em outros setores da economia. Para ele, atividades como plantio e colheita exigem que as equipes aproveitem ao máximo as condições disponíveis para evitar perdas. “A gente tem colheita, plantio, a gente tem que aproveitar o máximo das horas. O agronegócio é totalmente uma outra realidade comparada na cidade grande, aqui é uma indústria a céu aberto”.
Hortêncio também avalia que a mudança poderá exigir a contratação de mais trabalhadores para manter o ritmo das operações e adequar as propriedades aos novos limites de jornada. Na percepção dele, isso pode acabar reduzindo a renda de profissionais que hoje ampliam os ganhos em períodos de maior atividade, já que “vai ter que contratar mais gente para se adequar aos horários” e isso, afirma, “vai baixar a renda familiar”.
O gerente destaca ainda que a rotina da produção agrícola exige flexibilidade. Durante a colheita do milho, por exemplo, é comum que as equipes trabalhem aos sábados para garantir o andamento das atividades e aproveitem o domingo para descanso e manutenção das máquinas. “Safrista que mexe com lavoura é totalmente diferente de uma escala de uma indústria. A gente tem que se adequar com a nossa realidade. Dá a hora, a gente tem que botar a máquina no campo e tirar o produto”.

Debate sobre a proposta
Atualmente, a legislação permite a escala 6×1, com até 44 horas de trabalho por semana e um dia de folga. Pela proposta em análise no Senado, a jornada seria reduzida gradualmente para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.
Presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo afirma que muitos trabalhadores rurais defendem modelos mais flexíveis, ajustados à realidade das propriedades e negociados diretamente entre empregadores e colaboradores.
De acordo com Frizzo, os próprios funcionários demonstram interesse em jornadas que permitam ampliar a remuneração em determinados períodos do ano. “A gente sente nos nossos colaboradores que eles querem trabalhar mais tempo. A lei moderna que os países têm e que funciona realmente é estar livre para que tanto o colaborador, quanto o patrão eles ajam o acordo o tempo de serviço que ele vai prestar”.
Para o dirigente, a discussão precisa considerar as particularidades da produção agropecuária e ouvir quem vive a realidade do campo. “Muitas das vezes não é ouvida a classe produtora, então eu acho que é o momento de ouvir. Nós temos que optar pela liberdade de escolha do tempo de trabalho que quiser”.

Impactos para produtores
A preocupação também é compartilhada por entidades representativas do setor. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso), Lucas Costa Beber, afirma que a proposta pode gerar impactos econômicos especialmente para pequenos produtores. Ele ressalta que “não somos contra o descanso do funcionário”, mas que é preciso entender que “no setor agropecuário nós temos sazonalidades”, o que exige regras compatíveis com a dinâmica da atividade.
Na avaliação de Beber, produtores que mantêm equipes reduzidas podem enfrentar maiores dificuldades caso seja necessário ampliar o quadro de funcionários para atender às novas exigências da legislação.
“Nós tememos aumento de custos principalmente para pequenos produtores. Aquele que tem condições de manter apenas um funcionário isso vai impactar bastante, pode tirar pequenos produtores também da atividade”.
O dirigente também defende que o país avance em produtividade e em medidas de desoneração da folha de pagamento antes de promover mudanças na jornada de trabalho. De acordo com ele, isso daria mais condições para negociações entre empregadores e trabalhadores e ajudaria a preservar empregos.
“Temos ainda que pensar em melhorar a desoneração de folha para que possa dar mais condições também a funcionário e patrão de poder negociar, gerar mais emprego”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Beber avalia que a flexibilidade já adotada em muitas propriedades rurais poderia servir de alternativa. Durante a safra, explica, os funcionários podem atuar em uma escala mais intensa e, fora desse período, compensar as horas com jornadas reduzidas e mais dias de descanso. Nesse modelo, afirma, “o funcionário mantém a sua remuneração, mantém o seu emprego”, enquanto o produtor consegue adequar a equipe às necessidades de cada etapa da produção.
A PEC 221/2019 segue em tramitação no Senado. As novas regras só passarão a valer caso o texto seja aprovado em todas as etapas do processo legislativo e posteriormente promulgado.
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Agro Mato Grosso
Após sucesso da estreia, GAFFFF Sorriso 2027 já tem data marcada e promete novidades

O presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, anunciou que o GAFFFF Sorriso já tem data confirmada para a segunda edição. Após o encerramento do primeiro Global Agribusiness Festival realizado em Mato Grosso, o executivo confirmou que o evento retornará ao Parque Tecnológico Luiz Giroletti entre os dias 4 e 7 de agosto de 2027, consolidando Sorriso como sede do maior festival de cultura agro do mundo.
Segundo Nastari, a primeira edição serviu como aprendizado para a organização, que já trabalha na implementação de melhorias para tornar a experiência dos participantes ainda mais completa.
“Tem data, sim. De 4 a 7 de agosto de 2027, aqui no Parque Tecnológico de Sorriso. E, com certeza, com inovações. Nós aprendemos muito nessa primeira edição”, afirmou.
Para o prefeito de Sorriso, Alei Fernandes, a confirmação antecipada da próxima edição demonstra que o município correspondeu às expectativas e reforça o protagonismo conquistado no cenário nacional do agronegócio.
“Recebemos a notícia da edição de 2027 com muito entusiasmo. Isso mostra que Sorriso respondeu à altura de um evento desta dimensão. O GAFFFF fortalece nossa vocação como Capital Nacional do Agronegócio, movimenta a economia, gera oportunidades e projeta o nome da nossa cidade para o Brasil e o mundo. Agora, nosso compromisso é trabalhar junto com os organizadores para que a próxima edição seja ainda maior e melhor.”, destacou o prefeito.
O presidente da DATAGRO também confirmou que o GAFFFF continuará sendo realizado em São Paulo. A edição paulista de 2026 acontecerá nos dias 1º e 2 de outubro, enquanto Sorriso seguirá como sede da etapa mato-grossense do festival.
Entre as mudanças já previstas para 2027, Nastari informou que a feira de negócios passará a funcionar no período da tarde, após o encerramento das atividades do Fórum Internacional. A alteração busca oferecer mais conforto aos visitantes diante das altas temperaturas registradas durante o dia.
Outra melhoria anunciada será a ampliação do acesso ao Fórum Internacional. Segundo o presidente da DATAGRO, todos os participantes credenciados poderão acompanhar livremente as atividades, além da adoção de medidas para evitar interferências entre a programação técnica e os testes de som das atrações culturais.
“Nós observamos que, por questões de temperatura, vamos deixar a feira ocorrer a partir das quatro horas da tarde, depois que terminar os trabalhos do fórum. Também vamos abrir a acessibilidade total do fórum para todos os participantes e evitar conflito de som com os testes da programação cultural”, explicou.
Apesar dos ajustes planejados, Nastari avaliou que a estreia do GAFFFF em Sorriso superou as expectativas. Segundo ele, o bom funcionamento da estrutura do evento, especialmente da praça de alimentação e da gastronomia, ressaltando que os pontos levantados fazem parte do processo natural de evolução de uma primeira edição.
“Nós ficamos muito satisfeitos. Toda a alimentação funcionou, a gastronomia também. Estamos identificando pequenos pontos de melhoria, mas foi um evento extraordinário.”
Por fim, ao resumir o resultado do festival, o presidente da DATAGRO definiu o GAFFFF Sorriso em uma frase. “Foi um sucesso espetacular.”
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Exportações de soja do Brasil podem atingir 110 milhões de t na safra 26/27, projeta consultoria

A safra brasileira de soja 2026/27 deverá manter o ritmo de crescimento da demanda, tanto no mercado externo quanto no interno. A avaliação é da consultoria Safras & Mercado, que projeta exportações de 110 milhões de toneladas, impulsionadas pela competitividade do Brasil no comércio internacional e pelo fortalecimento do processamento doméstico da oleaginosa.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a produção está estimada em 180,089 milhões de toneladas, sustentada por um aumento de aproximadamente 1,2% na área cultivada. Com estoques iniciais de 9,7 milhões de toneladas e importações próximas de 900 mil toneladas, a oferta total deverá alcançar cerca de 190,7 milhões de toneladas.
“Esperamos a continuidade do crescimento da demanda, tanto no mercado externo, com exportações ainda robustas, quanto no mercado interno, impulsionado pelo avanço do processamento da oleaginosa e pela maior utilização de óleo de soja na produção de biodiesel”, afirma.
O processamento doméstico deve atingir 63,5 milhões de toneladas, podendo ser beneficiado por um eventual avanço da mistura obrigatória do biodiesel para B16. Com isso, a demanda total é estimada em aproximadamente 177,1 milhões de toneladas.
De acordo com a consultoria, os estoques finais da safra 2026/27 poderão alcançar 13,6 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica.
“Trata-se de um nível bastante confortável, que tende a manter pressão sobre os prêmios de exportação ao longo da temporada, especialmente no primeiro semestre de 2027, caso o cenário de produção se confirme”, destaca Silveira.
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Farelo e óleo
No mercado de farelo de soja, a produção é estimada em 50,1 milhões de toneladas. A oferta deverá atender ao crescimento da demanda interna e das exportações, permitindo estoques finais próximos de 10,9 milhões de toneladas.
Já a produção de óleo de soja é projetada em 12,38 milhões de toneladas. O consumo interno seguirá em expansão, impulsionado pela indústria de biodiesel, cuja demanda poderá alcançar cerca de 7 milhões de toneladas. As exportações devem somar 1,4 milhão de toneladas, enquanto os estoques finais são estimados em aproximadamente 407 mil toneladas.
Ajustes na safra 2025/26
A Safras & Mercado também revisou as projeções para a safra 2025/26. A produção passou a ser estimada em 178,34 milhões de toneladas, após pequenos ajustes, principalmente nos estados do Centro-Oeste.
Os estoques de passagem foram reduzidos de 12,6 milhões para 9,7 milhões de toneladas, refletindo o aumento das estimativas para exportações e processamento da indústria.
“As exportações seguem em ritmo bastante robusto, com expectativa de embarques ao redor de 108 milhões de toneladas”, afirma Silveira.
O processamento doméstico também foi revisado para cima, alcançando 62,5 milhões de toneladas. Segundo o analista, as margens favoráveis de esmagamento registradas no primeiro semestre estimularam a atividade da indústria e devem resultar em um elevado volume processado ao fim da temporada.
No segmento de farelo, a produção é estimada em 49,3 milhões de toneladas, com exportações de 25,8 milhões de toneladas e consumo interno de 20,7 milhões de toneladas. Já a produção de óleo de soja deve alcançar 12,18 milhões de toneladas, mantendo a demanda aquecida pela indústria de biodiesel e estoques finais próximos de 324 mil toneladas.
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Exportação de noz-pecã brasileira perde ritmo com entraves externos

A exportação da noz-pecã brasileira passa por um momento de menor ritmo diante de uma combinação de fatores externos, como problemas logísticos, mudanças nas exigências sanitárias e incertezas comerciais. O cenário tem afetado os embarques para alguns mercados internacionais, segundo avaliação do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan).
Apesar dos desafios, o setor mantém expectativa positiva para a próxima safra. A projeção é de produção entre 6,5 mil e 7 mil toneladas em 2026, impulsionada pela entrada de novos pomares em fase produtiva e pela possibilidade de recuperação da produtividade.
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De acordo com o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, os conflitos no Oriente Médio estão entre os fatores que mais impactaram a logística internacional. A instabilidade na região reduziu a disponibilidade de contêineres e elevou os custos dos fretes marítimos, dificultando as negociações com alguns compradores.
“O custo logístico aumentou bastante e isso acabou reduzindo um pouco o ritmo das exportações”, explica o dirigente.
Tarifas dos EUA podem abrir oportunidades
Além dos problemas relacionados ao transporte, o setor acompanha as incertezas envolvendo a política comercial dos Estados Unidos. Ainda não há definição sobre os impactos das medidas tarifárias anunciadas pelo governo norte-americano para produtos sul-americanos.
Para Wallauer, embora exista preocupação com possíveis barreiras, o cenário também pode criar oportunidades para a pecã brasileira. Isso porque Estados Unidos e México registraram uma safra menor no último ciclo, o que pode manter os preços internacionais em patamares mais elevados.
“Há possibilidade de esse tarifaço americano impactar bastante os produtos de origem sul-americana e brasileira. Nós ainda não sabemos bem quanto vai ficar o custo, mas pode ser interessante porque Estados Unidos e México tiveram uma safra menor no ano passado e os preços podem estar um pouco mais acima”, afirma.
Europa amplia exigências para importação
Outro ponto de atenção para os exportadores brasileiros são as novas regras sanitárias e fitossanitárias adotadas pela Europa para a entrada de nozes. Segundo o presidente do IBPecan, as mudanças têm dificultado os embarques para o continente.
“Isso está impactando bastante no mundo inteiro para conseguir exportar nozes para a Europa”, destaca.
A expectativa do setor é que essas exigências sejam revistas para permitir uma retomada das vendas ao mercado europeu.
Enquanto isso, a Ásia segue com negociações mais lentas, e o setor busca ampliar a presença da noz-pecã brasileira em novos mercados.
A avaliação do IBPecan é de que o cenário deve começar a melhorar entre julho e agosto, com uma possível retomada das negociações internacionais.
“Acreditamos que em julho e agosto o mercado vai se estabilizar novamente e vão abrir novas portas para as nozes brasileiras”, conclui Wallauer.
*Com informações da assessoria de imprensa
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