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16 de setembro de 2026

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Proposta de fim da escala 6×1 acende sinal de alerta no agro

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de trabalho para 40 horas tem gerado preocupação no agronegócio. Produtores rurais, trabalhadores e lideranças do setor avaliam que a mudança pode aumentar os custos operacionais das propriedades e dificultar ainda mais a contratação de mão de obra qualificada.

A discussão ocorre em torno da PEC 221/2019, que está em análise no Senado. Pelo texto, a jornada máxima passaria das atuais 44 horas semanais para 42 horas em um primeiro momento e, um ano depois, para 40 horas, com dois dias de descanso por semana e sem redução salarial.

No campo, a principal preocupação está relacionada à sazonalidade das atividades agrícolas. Em períodos de plantio e colheita, produtores afirmam que é necessário aproveitar ao máximo as condições climáticas para garantir o andamento das operações.

Na Estância VN, em Querência, que cultiva cerca de 7 mil hectares de soja e milho, o agricultor Írio José Guisolphi afirma que a falta de profissionais qualificados já é um desafio enfrentado pelas propriedades rurais. Para ele, a redução da jornada pode agravar ainda mais essa situação, uma vez que “não é qualquer operador que opera” os equipamentos utilizados na fazenda.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Realidade do campo

Guisolphi defende que a remuneração seja vinculada às horas efetivamente trabalhadas e que empregadores e colaboradores possam construir acordos adequados à realidade de cada propriedade.

Conforme o agricultor, já existe um modelo de compensação entre os funcionários da fazenda, em que períodos de maior demanda são equilibrados por momentos de menor intensidade. “O que nós defendemos muito no campo é hora trabalhada. Dentro da fazenda eu já tenho um acordo com os funcionários, tem épocas que eles trabalham um pouquinho mais e outras épocas um pouco menos para compensar”, diz ao Patrulheiro Agro.

O produtor destaca que essa flexibilidade é fundamental principalmente durante a colheita, quando aumenta a necessidade de mão de obra temporária e o tempo disponível para executar as operações é decisivo para os resultados da safra. Na avaliação dele, a redução da jornada pode ampliar a necessidade de contratação justamente em um momento em que já há escassez de profissionais qualificados.

“Nessa época os safristas nós precisamos deles, e com certeza no lugar de dois, vai ter que contratar três se achar. Está muito difícil encontrar operadores profissionais. Hoje está em torno de 5% o custo operacional de mão de obra na fazenda, então nós vamos sentir muito esse impacto”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Necessidade de flexibilidade

Gerente de produção da Estância VN há cinco anos, Carlos Henrique Hortêncio afirma que a dinâmica do campo é diferente da observada em centros urbanos e em outros setores da economia. Para ele, atividades como plantio e colheita exigem que as equipes aproveitem ao máximo as condições disponíveis para evitar perdas. “A gente tem colheita, plantio, a gente tem que aproveitar o máximo das horas. O agronegócio é totalmente uma outra realidade comparada na cidade grande, aqui é uma indústria a céu aberto”.

Hortêncio também avalia que a mudança poderá exigir a contratação de mais trabalhadores para manter o ritmo das operações e adequar as propriedades aos novos limites de jornada. Na percepção dele, isso pode acabar reduzindo a renda de profissionais que hoje ampliam os ganhos em períodos de maior atividade, já que “vai ter que contratar mais gente para se adequar aos horários” e isso, afirma, “vai baixar a renda familiar”.

O gerente destaca ainda que a rotina da produção agrícola exige flexibilidade. Durante a colheita do milho, por exemplo, é comum que as equipes trabalhem aos sábados para garantir o andamento das atividades e aproveitem o domingo para descanso e manutenção das máquinas. “Safrista que mexe com lavoura é totalmente diferente de uma escala de uma indústria. A gente tem que se adequar com a nossa realidade. Dá a hora, a gente tem que botar a máquina no campo e tirar o produto”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Debate sobre a proposta

Atualmente, a legislação permite a escala 6×1, com até 44 horas de trabalho por semana e um dia de folga. Pela proposta em análise no Senado, a jornada seria reduzida gradualmente para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

Presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo afirma que muitos trabalhadores rurais defendem modelos mais flexíveis, ajustados à realidade das propriedades e negociados diretamente entre empregadores e colaboradores.

De acordo com Frizzo, os próprios funcionários demonstram interesse em jornadas que permitam ampliar a remuneração em determinados períodos do ano. “A gente sente nos nossos colaboradores que eles querem trabalhar mais tempo. A lei moderna que os países têm e que funciona realmente é estar livre para que tanto o colaborador, quanto o patrão eles ajam o acordo o tempo de serviço que ele vai prestar”.

Para o dirigente, a discussão precisa considerar as particularidades da produção agropecuária e ouvir quem vive a realidade do campo. “Muitas das vezes não é ouvida a classe produtora, então eu acho que é o momento de ouvir. Nós temos que optar pela liberdade de escolha do tempo de trabalho que quiser”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Impactos para produtores

A preocupação também é compartilhada por entidades representativas do setor. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso), Lucas Costa Beber, afirma que a proposta pode gerar impactos econômicos especialmente para pequenos produtores. Ele ressalta que “não somos contra o descanso do funcionário”, mas que é preciso entender que “no setor agropecuário nós temos sazonalidades”, o que exige regras compatíveis com a dinâmica da atividade.

Na avaliação de Beber, produtores que mantêm equipes reduzidas podem enfrentar maiores dificuldades caso seja necessário ampliar o quadro de funcionários para atender às novas exigências da legislação.

“Nós tememos aumento de custos principalmente para pequenos produtores. Aquele que tem condições de manter apenas um funcionário isso vai impactar bastante, pode tirar pequenos produtores também da atividade”.

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O dirigente também defende que o país avance em produtividade e em medidas de desoneração da folha de pagamento antes de promover mudanças na jornada de trabalho. De acordo com ele, isso daria mais condições para negociações entre empregadores e trabalhadores e ajudaria a preservar empregos.

“Temos ainda que pensar em melhorar a desoneração de folha para que possa dar mais condições também a funcionário e patrão de poder negociar, gerar mais emprego”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Beber avalia que a flexibilidade já adotada em muitas propriedades rurais poderia servir de alternativa. Durante a safra, explica, os funcionários podem atuar em uma escala mais intensa e, fora desse período, compensar as horas com jornadas reduzidas e mais dias de descanso. Nesse modelo, afirma, “o funcionário mantém a sua remuneração, mantém o seu emprego”, enquanto o produtor consegue adequar a equipe às necessidades de cada etapa da produção.

A PEC 221/2019 segue em tramitação no Senado. As novas regras só passarão a valer caso o texto seja aprovado em todas as etapas do processo legislativo e posteriormente promulgado.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

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Leilão de compra de arroz da Conab adquire apenas 5% do ofertado

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Foto: Paulo Lanzetta

O primeiro leilão de compra de arroz para formação de estoques públicos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (16) não obteve o sucesso esperado.

A expectativa do governo era adquirir até 127,3 mil toneladas do cereal a granel da safra 2025/26, classe longo-fino em casca, Tipo 1, a fim de mitigar os possíveis impactos associados ao fenômeno climático El Niño e, assim, assegurar o abastecimento no país.

No entanto, o pregão eletrônico realizado pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da entidade (Siscoe), resultou na compra de apenas 4,05 mil toneladas, ou 5,1% do total ofertado.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Evandro Oliveira, o leilão ocorreu em um momento inoportuno, sem qualquer pedido de ajuda por parte dos produtores, e ofereceu preços pouco atrativos, até mesmo abaixo das referências do mercado físico, dependendo da região.

De acordo com ele, já se esperava baixa adesão diante dos preços máximos oferecidos pelo leilão, entre R$ 80 a R$ 82 reais por saca, valores semelhantes aos praticados hoje no mercado físico. “Então, os preços não foram suficientemente atrativos para movimentar volumes significativos nesse leilão”, pontuou.

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No Rio Grande do Sul, nas praças de produção e comercialização de Pelotas e ainda no litoral, o arroz está sendo negociado na faixa de R$ 80,00 a R$ 85,00 por saca, chegando a R$ 90 no porto.

“Logo, os valores oferecidos pelo leilão ficaram bem abaixo do necessário para atrair uma demanda significativa, o que explica o fracasso da operação”, salientou o analista.

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Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

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Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.

A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.

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Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.

O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.

Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).

O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.

Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.

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Fonte: gov.br

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Prefeitura abre chamada pública para compra de alimentos com investimento de R$ 324,8 mil

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MDA

A Prefeitura de Sorriso (MT) abriu uma chamada pública para agricultores familiares interessados em fornecer alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O programa permite que o poder público compre alimentos produzidos por agricultores familiares e destine esses produtos a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio de programas e serviços públicos de segurança alimentar.

Em Sorriso, serão investidos R$ 324.899,20 na compra de alimentos da agricultura familiar. Entre os produtos previstos estão frutas, verduras, legumes, mandioca, farinha, mel, ovos, frango caipira, queijo, pães e bolachas caseiras, entre outros.

A chamada pública é destinada a agricultores familiares individuais que moram em Sorriso e possuem o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo.

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Os interessados deverão preparar um Projeto de Venda, informando os alimentos que produzem e pretendem fornecer ao programa, além de apresentar a documentação exigida no edital.

Como participar?

Os documentos e o Projeto de Venda deverão ser entregues presencialmente na SEMASA, entre os dias 17 e 30 de setembro de 2026, das 7h às 12h, de segunda a sexta-feira.

Entre os documentos necessários estão CPF, RG ou CNH, extrato do CAF, comprovante de endereço, Projeto de Venda e Declaração de Produção Própria. Quando for o caso, também deverá ser apresentado o CadÚnico atualizado.

Após o prazo de inscrição, a equipe técnica responsável pelo PAA fará a análise dos projetos. Os agricultores habilitados poderão ser chamados para realizar as entregas, conforme a demanda dos programas atendidos e a disponibilidade de recursos.

Local: Rua Marechal Cândido Rondon, nº 2311, Jardim Bela Vista
Prazo: 17 a 30 de setembro
Horário: 7h às 12h
Entrega: presencialmente

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Critérios

O PAA possui critérios de priorização para ampliar a participação de públicos específicos da agricultura familiar, como mulheres, agricultores inscritos no CadÚnico, assentados da reforma agrária, jovens de 18 a 29 anos, pescadores, indígenas, quilombolas, negros e integrantes de povos e comunidades tradicionais.

O edital também estabelece a participação mínima de 50% de mulheres e 60% de fornecedores inscritos no CadÚnico. As compras estão previstas para ocorrer de novembro de 2026 a julho de 2027, ou até que os recursos disponíveis sejam utilizados. O limite de comercialização é de até R$ 15 mil por agricultor, por CAF, em cada ano civil, conforme as regras do programa.

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