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Sustentabilidade

Mudanças retiram pelo menos 116 mil produtores do Proagro – MAIS SOJA

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Ao menos 116 mil produtores de diferentes partes do país não aderiram ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) na safra 2024/2025. É o que mostra um estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Agro).

O Proagro é uma forma de agricultores familiares, pequenos e médios produtores terem segurança de quitar dívidas de custeio em caso de dificuldades com a safra. No entanto, desde 2023, uma série de modificações foram feitas para reduzir as despesas com o programa. Naquele ano, foram pagos R$ 10,5 bilhões em indenizações, superior aos quase R$ 3 bilhões pagos em sinistros no âmbito do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A pesquisa aponta que as mudanças promovidas de 2023 a 2025 têm excluído produtores rurais tanto do Proagro como do acesso ao crédito rural. Isso porque o programa também se vincula ao financiamento rural. Além disso, dos 116 mil, cerca de 111,1 mil ficaram sem nenhum tipo de cobertura de seguro, seja pelo Proagro, seja pelo PSR, o que é indicado como um problema para uma eventual vinculação do Seguro Rural ao crédito.

Segundo os pesquisadores, um dos pontos críticos é que “a mudança de regramento pode ter produzido um ‘peso morto’ de beneficiários do Proagro que ficaram descobertos de instrumentos de gestão de risco e, ainda, excluídos da política de crédito rural”. Os especialistas também alertam para uma ampliação do “risco sistêmico” devido à falta de uma “entrada clara no mercado segurador”.

 A deputada Daniela Reinehr (PL-SC) criticou as medidas tomadas que reduziram o alcance do Proagro. “As mudanças no Proagro foram apresentadas com o objetivo de combater fraudes e organizar o sistema, mas o efeito que chegou na ponta foi completamente diferente. Hoje a realidade é que milhares de produtores perderam acesso ao crédito e a proteção da sua safra. […] Não dá para corrigir um problema criando outro ainda maior”, enfatizou a parlamentar.

Potencial para o Seguro Rural

O estudo da FGV-Agro dividiu os beneficiários do Proagro nesse período de julho de 2019 a junho de 2025 em três grupos:

  • beneficiários esporádicos, com até dois contratos nessa janela;
  • beneficiários recorrentes, que tiveram de três a nove contratos;
  • beneficiários multicontratantes, que tiveram de dez ou mais contratos.

Ao todo, foram encontrados 530,1 mil beneficiários nesse período, dos quais 218 mil são esporádicos, 261 mil recorrentes e 51 mil multicontratantes. Nesse sentido, os pesquisadores adotaram alguns critérios como o limite de até seis comunicações de perdas por CPF e por Cadastro Ambiental Rural (CAR) para determinar aqueles que estão fora do Proagro com as novas diretrizes.

Além disso, os pesquisadores também separaram e analisaram os produtores de soja, milho e trigo que tiveram contratos de crédito de custeio entre R$ 100 mil e R$ 300 mil. A ideia era ver qual o potencial de migração desses produtores do Proagro para o PSR.

Foram encontrados 210,6 mil produtores com esse perfil. Desses, 52% pertenciam ao grupo de beneficiários esporádicos, 45% eram recorrentes e 3% eram multicontratantes.

Considerando apenas os grupos de recorrentes e multicontratantes, cerca de 69 mil ficaram de fora do Proagro na safra 2024/2025. Desse número, apenas 9 mil são de produtores que não se enquadraram nos novos critérios do Proagro. O restante (cerca de 60 mil) não optaram pelo programa e nem pelo PSR. Segundo os pesquisadores, isso reforça o entendimento de que há uma “lacuna entre política pública e a capacidade de absorção do mercado”.

“Refletir sobre como canalizar esforços para incrementar a demanda por instrumentos de gestão de risco desses beneficiários é fundamental. Ampliar a rede de distribuição e de peritos, oferecer produtos de seguro aderentes ao contexto de risco de cada produtor, estimular a criação de programas de subvenção estaduais/municipais, bem como um esforço de aculturamento de gestão de risco são ações essenciais nesse processo”, comentaram os pesquisadores.

De acordo com o coordenador da Comissão de Infraestrutura e Logística da FPA, deputado Tião Medeiros (PP-PR), com as mudanças e o custo elevado do seguro no mercado, a opção foi não fazer nenhuma cobertura. Ainda conforme o parlamentar, o Executivo “investe mal” e não prioriza os recursos para a agropecuária.

“O governo deixou de proteger muitos pequenos e médios produtores. O que reforça o que muitas vezes nós já dissemos, que há uma falta de compromisso desse governo com o agronegócio em todos os seus tamanhos”, destacou.

Recursos desprotegidos

O programa do Seguro Rural poderia ser uma alternativa para os produtores, no entanto, a bancada aponta que a instabilidade com relação à destinação dos recursos para o PSR tem dificultado a ampliação do amparo contra intempéries. O coordenador da comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), comentou sobre esse cenário.

“Esses agricultores, ao final da safra, mesmo com intempéries, mesmo com frustração de colheita, sempre tinham no Proagro a garantia de que pelo menos o banco eles iam conseguir pagar. Ao expulsar, ao tirar do Proagro esses produtores, o governo não criou nenhuma linha, não absorveu esses produtores no PSR”, disse.

Parlamentares citam, por exemplo, o episódio que ocorreu no final do ano passado, em que produtores receberam a cobrança pela parte subvencionada do seguro. O motivo foi o bloqueio do orçamento do PSR. Em 2025, de R$ 1,06 bilhão destinado ao programa, o Executivo executou cerca de R$ 565,3 milhões.

Também no ano passado, a FPA se mobilizou para aprovar um mecanismo que impedisse o congelamento desses recursos em 2026. Porém, entre os vetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, esse instrumento foi retirado.

Autor/Fonte: Frente Parlamentar da Agropecuária

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Sustentabilidade

Produtor segue retraído e trava negócios da soja na semana; veja como ficaram as cotações hoje

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Foto: Arquivo Canal Rural, aperfeiçoada por IA

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com baixa movimentação e poucos negócios, refletindo principalmente a queda do dólar e a perda de referência nos portos. Mesmo com alta na Bolsa de Chicago, o mercado interno não sustentou o movimento de valorização.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o câmbio foi o principal fator de pressão sobre os preços. “Apesar da CBOT ter subido, os preços caíram cerca de R$ 1 no porto por conta do dólar”, afirma. No físico, o produtor seguiu retraído, aguardando melhores níveis de negociação, o que manteve a comercialização fraca ao longo da semana.

Preços da soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): permaneceu em R$ 123,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 124,00
  • Cascavel (PR): desceu de R$ 119,00 para R$ 118,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 108,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 110,00 para R$ 111,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 109,00
  • Paranaguá (PR): caiu de R$ 129,00 para R$ 128,00 por saca
  • Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 129,00 por saca

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta sexta-feira na Bolsa de Mercadorias de
Chicago (CBOT), elevando os ganhos acumulados na semana. Um movimento de compras técnicas e o comportamento dos investidores procurando posicionar suas carteiras frente ao final de semana garantiram a sustentação dos contratos.

Antes das negociações entre Irã e Estados Unidos em busca de uma solução para o conflito no Oriente Médio, os participantes preferiram a cautela e evitar correr riscos. O relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) seguiu no radar, mas foi considerado neutro.
O destaque do dia fica por conta da forte alta do farelo. "O movimento tem origem predominantemente técnica e não reflete uma mudança nos fundamentos do mercado", alerta o analista de Safras & Mercado, Gabriel Viana. "O principal driver da alta é o desmonte de posições especulativas que vinham apostando simultaneamente na valorização do óleo de soja e na queda do farelo o chamado spread long oil/short meal", completou.
Segundo Viana, com o óleo recuando nesta sessão, operadores passaram a reverter essas posições, gerando pressão compradora artificial sobre o farelo independentemente de qualquer alteração nos fundamentos de oferta e demanda do derivado.
"Os fundamentos de médio prazo seguem apontando para um cenário mais pressionado para o farelo, com a expectativa de aumento do esmagamento nos Estados Unidos em decorrência dos novos mandatos de biodiesel, maior oferta sul-americana com o avanço da safra argentina e prêmios de exportação no Brasil ainda descolados da realidade de oferta crescente", conclui o analista.

Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com alta de 10,50 centavos de dólar, ou 0,90%, a US$ 11,75 3/4 por bushel. A posição julho teve cotação de US$ 11,91 1/4 por bushel, com elevação de 10,25 centavos de dólar ou 0,86%.
Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com alta de US$ 14,60 ou 4,59% a US$ 332,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em maio fecharam a 67,10 centavos de dólar, com perda de 0,60 centavo ou 0,88%.

Câmbio

O dólar encerrou o dia em queda de 1,03%, reforçando a pressão sobre os preços internos da soja e limitando a competitividade das exportações brasileiras.

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Recomendações de manejo do potássio em ambientes agrícolas – MAIS SOJA

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O potássio (K) é um dos macronutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas, estando intimamente relacionado ao rendimento das culturas produtoras de grãos. Nesse contexto, a adubação potássica é uma prática frequente e necessária em ambientes agrícolas para suprir o requerimento das culturas e expectativas de produtividade em lavouras comerciais.

Entretanto, embora a importância da adubação potássica seja reconhecida, não há um consenso frente as recomendações de manejo para essa prática, sendo possível observar divergências entre recomendações para uma mesma cultura, uma vez que elas se baseiam em sistemas regionais. Recentemente, um estudo desenvolvido por Frosi e colaboradores (2026) comparou as recomendações de potássio para soja, milho e trigo, utilizadas no Brasil e Paraguai, destacando suas semelhanças e diferenças. De acordo com Frosi et al. (2026), onze sistemas de recomendação de fertilizantes potássicos foram analisados, incluindo 10 brasileiros e um paraguaio.

Figura 1. Mapa do Brasil e do Paraguai ilustrando o alcance dos sistemas de recomendação de potássio analisados por Frosi e colaboradores (2026).
Fonte: Frosi et al. (2026)

Os resultados observados por Frosi et al. (2026) evidenciam uma alta inconsistência entre os sistemas, mesmo quando aplicados a condições semelhantes de solo e produtividade. Uma das principais discrepância encontradas foi a ampla variação no nível crítico de potássio no solo, que oscilou entre 30 e 135 mg dm⁻³, representando uma diferença de até 3,5 vezes entre os sistemas avaliados.

Além disso, as doses recomendadas de K₂O variaram drasticamente para um mesmo nível de produtividade esperado. Para a soja (3 Mg ha⁻¹), as recomendações variaram de 58 a 375 kg ha⁻¹, enquanto para o milho (10 Mg ha⁻¹) variaram de 97 a 375 kg ha⁻¹, e para o trigo (4 Mg ha⁻¹), de 62 a 330 kg ha⁻¹ (Frosi et al., 2026).

Outro ponto crítico observado foi a discrepância nos teores de K no solo considerados suficientes para dispensar adubação. Em alguns sistemas, a ausência de recomendação ocorre com valores próximos de 50 mg dm⁻³, enquanto outros ainda indicam aplicação mesmo com níveis superiores a 500 mg dm⁻³, evidenciando diferenças que podem ultrapassar 900% entre abordagens. Frosi et al. (2026) atribuem a essas discrepâncias, principalmente as diferenças metodológicas como uso ou não da capacidade de troca de cátions (CTC) na interpretação; as diferentes filosofias de recomendação (suficiência vs. construção e manutenção) e as variações nos métodos de extração e calibração dos nutrientes.



Segundo  Frosi et al. (2026), os sistemas de recomendação de fertilizantes potássicos no Brasil apresentam níveis críticos semelhantes, com média de 77 mg dm⁻³ e variação entre 50 e 90 mg dm⁻³, refletindo a similaridade na dinâmica do potássio nos solos e a consistência na resposta das culturas. Entretanto, quando a recomendação considera a CTC (pH 7,0), observa-se relação positiva entre CTC e nível crítico: solos com CTC baixa tendem a apresentar níveis críticos menores, enquanto solos com CTC elevada exigem níveis mais altos. De acordo com os autores, diferenças entre sistemas, mesmo em condições semelhantes, estão associadas principalmente à metodologia adotada (profundidade de amostragem, critério de rendimento relativo e modelo estatístico), podendo mais de 50% da variação ser explicada por esses fatores.

Figura 2. Nível crítico de potássio (K) em cada sistema de recomendação (definido como o limite superior da classe de disponibilidade média) (A) e as classes de disponibilidade de K e a amplitude de cada classe entre os sistemas de recomendação (B).
Adaptado: Frosi et al. (2026)

Nesse contexto, entende-se que cada sistema apresenta uma curva distinta de recomendação, mesmo para o mesmo teor de K no solo, destacando uma ausência de convergência entre os sistemas de recomendação. Como consequência, a falta de padronização dificulta a adoção das recomendações pelos produtores, reduz a confiabilidade dos sistemas e pode levar tanto à subadubação quanto ao uso excessivo de fertilizantes. Assim, a padronização metodológica é essencial para reduzir variações e permitir o estabelecimento de valores médios mais consistentes.

Confira o estudo completo desenvolvido por Frosi e colaboradores (2026) clicando aqui!

Referências:

FROSI, G. COMPARISON OF POTASSIUM FERTILIZER RECOMMENDATIONS FOR GRAIN CROPS IN BRAZIL AND PARAGUAY. Soil Science Society of America Journal, 2026. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/saj2.70227 >, acesso em: 10/04/2026.

 

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Zona de Convergência Intertropical traz chuvas acima de 100 mm e espalha instabilidade; saiba onde e quando

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Foto: Freepik

A previsão do tempo indica aumento das chuvas nos próximos dias, com destaque para a região Centro-Norte do Brasil, além do Nordeste e do norte dos estados nordestinos. O cenário é provocado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que intensifica a formação de áreas de instabilidade nessas regiões.

Segundo a meteorologia, estados como Amazonas, Pará e Maranhão devem registrar acumulados que podem ultrapassar 100 mm entre os dias 11 e 15 de abril, com volume expressivo de chuva nas lavouras de soja.

  • Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!

Já no Rio Grande do Sul, em municípios de forte produção agrícola como São Borja, a previsão indica chuvas nos próximos cinco dias, com volumes acima de dois dígitos, mantendo uma distribuição mais regular das precipitações até a metade da próxima semana.

16 a 20 de abril

Quando a previsão avança para o período de 16 a 20 de abril, a chuva se concentra e se intensifica novamente no Centro-Norte do país, especialmente no Pará, onde há áreas com potencial de acumulados acima de 200 mm.

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