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Produtor recua e mercado trava; confira como ficaram as cotações da soja

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja começou a semana em ritmo lento, com pouca movimentação tanto nos portos quanto no interior do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário foi marcado pela ausência de novidades e pelo baixo volume de negócios.

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De acordo com o especialista, os formadores de preço se mantiveram mais afastados, o que limitou oscilações nas cotações ao longo do dia. Além disso, a postura do produtor, ainda resistente a negociar nos níveis atuais, contribui para a baixa liquidez observada no mercado.

Preços no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 124,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 125,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 120,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 110,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 112,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 109,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 130,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 130,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a segunda-feira (6) em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago. O movimento foi impulsionado por correções técnicas, pela expectativa de retomada da demanda pelo produto norte-americano, pela queda do dólar e também pelas tensões envolvendo o Irã.

O mercado também voltou suas atenções para a viagem do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, prevista para maio. A expectativa é de avanço em acordos comerciais entre os dois países, com potencial impacto positivo para a soja. A desvalorização do dólar ao longo do dia também contribuiu para aumentar a competitividade do produto no mercado internacional.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, as inspeções de exportação de soja dos Estados Unidos somaram 779.352 toneladas na semana encerrada em 2 de abril, acima das 694.076 toneladas registradas na semana anterior.

Contratos futuros de soja

Na CBOT, o contrato com entrega em maio avançou 3,25 centavos de dólar, ou 0,27%, fechando a US$ 11,66 3/4 por bushel. A posição julho também subiu 3,25 centavos de dólar, ou 0,27%, cotada a US$ 11,83 1/4 por bushel.

Entre os subprodutos, o farelo de soja para maio teve alta de US$ 1,40, ou 0,44%, encerrando a US$ 316,60 por tonelada. Já o óleo de soja, com vencimento em maio, subiu 1,01 centavo de dólar, ou 1,46%, para 69,95 centavos de dólar.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial fechou em leve queda de 0,27%, cotado a R$ 5,1469 para venda e R$ 5,1449 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1395 e a máxima de R$ 5,1595.

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Agro Mato Grosso

Projeto da Unemat cria “seguro de vida” para o mamão brasileiro e busca romper dependência de Taiwan

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O Brasil é o segundo maior produtor de mamão do mundo, porém toda a produção nacional do grupo Formosa depende de sementes importadas de Taiwan, baseadas em linhagens desenvolvidas há mais de 50 anos. Para romper essa vulnerabilidade e garantir a soberania alimentar, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) lidera um robusto programa de melhoramento genético no Câmpus Universitário de Tangará da Serra (242 km de Cuiabá).

O projeto, coordenado pelo professor Willian Krause, não busca apenas uma nova fruta, mas um modelo biológico de alta performance. “O uso de poucas cultivares limita a variabilidade e deixa a lavoura exposta a pragas. Estamos criando novas populações para oferecer ao produtor uma planta adaptada ao nosso clima, com frutos mais doces e resistentes”, explica o pesquisador.

Diferente de modelos puramente comerciais, a pesquisa científica na Unemat prioriza a formação de capital humano de alto nível. Um exemplo prático dessa integração é a pesquisadora Rayla Nemis de Souza, aluna do doutorado em Biotecnologia e Biodiversidade da Rede de Pesquisa e Pós-Graduação (Pró-Centro-Oeste). Como parte do desenvolvimento de sua tese, Rayla está realizando este ano um treinamento intensivo no Centro de Pesquisa da Feltrin Sementes, em São Paulo. Essa imersão permite que a doutoranda aplique os conhecimentos gerados na universidade diretamente no ambiente de inovação da empresa parceira, fortalecendo a ponte entre a teoria acadêmica e a prática de mercado.

O diferencial da pesquisa está no rigor da seleção. Através de um dialelo completo, a equipe realiza cruzamentos entre “genitores elite” (variedades de alto padrão como Calimosa, Tainung nº 1 e Golden). O objetivo é combinar o que cada um tem de melhor: a doçura de um, a resistência de outro e a casca firme de um terceiro.

No Laboratório de Biologia Celular e Molecular da Unemat, a ciência ganha contornos de bioinformática. Os pesquisadores utilizam marcadores moleculares SSR (microssatélites), que funcionam como etiquetas de DNA. “Com esses marcadores, conseguimos monitorar o nível de endogamia e prever se um híbrido será superior antes mesmo de ele produzir o primeiro fruto”, detalha Krause.

Com um aporte de R$ 353 mil de uma empresa privada, a Unemat consolida um modelo de parceria onde o conhecimento público gera riqueza privada e social. Diferente de modelos puramente comerciais, a pesquisa científica na Unemat prioriza a formação de capital humano.

O projeto é um celeiro para a pós-graduação, envolvendo mestrandos e doutorandos por meio do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).

Diferente da importação passiva de tecnologia, o “Mamão Unemat” será licenciado, gerando royalties pelo licenciamento das variedades que retornam para a universidade, retroalimentando o ciclo da ciência em Mato Grosso.

O modelo de cooperação técnica assegura que a Unemat detenha o protagonismo intelectual da pesquisa, enquanto a iniciativa privada garante o aporte financeiro e a futura distribuição da tecnologia ao mercado. “Como a universidade não comercializa sementes, essa união é o que permite que a inovação chegue, de fato, à mesa da população”, pontua Krause.

Segundo a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), o avanço científico é indissociável das demandas da sociedade. A pró-reitora Áurea Ignácio destaca que o Laboratório de Melhoramento Genético é um polo de internacionalização, permitindo missões de pesquisa, doutorado-sanduíche e o fortalecimento de programas como o de Genética e Melhoramento de Plantas (PGMP).

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Agro Mato Grosso

Fé e coragem fizeram o produtor Amelho Volpato deixar o Paraná para produzir em MT

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O agricultor chegou ao estado com poucos recursos e um grande sonho. Décadas depois, construiu uma estrutura que impulsiona o agro e impacta centenas de famílias

Quando chegou ao Vale do Guaporé no ano de 1987, Amelho Volpato, trazia na bagagem a formação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, além da experiência como servidor de defesa sanitária animal. Ele chegou ao município de Pontes e Lacerda acompanhado da esposa e seus três filhos pequenos, com o sonho de tentar a vida em Mato Grosso.

“Chegamos aqui e as dificuldades eram grandes. Comunicação ruim, energia elétrica precária, estrutura de saúde muito fraca. Mas a gente olhou e disse: nós temos que encarar isso aqui para ver se vai dar”, relembra.

Filho de agricultor, Amelho cresceu vendo a força da terra e ainda jovem arrendou áreas com um amigo e plantou soja, milho, trigo e algodão. “Eu costumo dizer que eu tinha uma chave de fenda e ele um alicate, era o nosso equipamento. Mas foi uma escola excelente. O Paraná me ensinou muito.”

A decisão de se mudar para Mato Grosso surgiu acompanhando o movimento de muitos produtores que enxergaram no Centro-Oeste uma nova fronteira de oportunidades. Foi de uma escolha ousada e corajosa que brotou tudo o que veio a seguir. “Eu vendi um trator. O dinheiro do trator foi a semente que criou a Casa do Produtor e era a única coisa que eu tinha. O resto foi construído com muito trabalho.”

A pequena loja, a qual ele gerencia ao lado se sua esposa Neusa, se transformou em um grupo sólido que hoje reúne comércio de insumos, revenda de máquinas, estrutura de armazenagem, agricultura e pecuária. “Quando abrimos a loja, o sonho era faturar dois salários mínimos por dia. Já estava bom demais. Mas o sonho cresceu porque a gente acreditou”, enfatiza.

Mais do que números ou hectares plantados, Amelho mede o sucesso pelas pessoas que caminharam junto com ele. “Hoje nós temos em torno de 150 a 180 famílias que dependem da nossa estrutura. E isso é o que me dá orgulho. Ver colaboradores que começaram meninos aqui e hoje são empresários, engenheiros, médicos. Um negócio não pode ser só para você crescer. Quem está do seu lado tem que crescer também.”

Para ele, o futuro do setor depende de algo simples e essencial: exemplo. “Se nós não fizermos nossos filhos entenderem que agricultura e pecuária são importantíssimas para todos no mundo, não só para nós, fica difícil. Eles têm que sujar o pé de terra, sentir o cheiro do curral, entender que o alimento não nasce na prateleira.”

Aos 74 anos, ele fala com energia de quem ainda quer construir muito mais. “Eu tenho orgulho do que construímos. Isso me dá energia para continuar. Quando eu comecei, era funcionário. Hoje, olho para trás e vejo uma estrutura que ajuda muitas famílias. Isso não tem preço.”

A trajetória de Amelho Volpato prova que a visão, coragem e trabalho constroem mais do patrimônio, mas também consolidam um legado. São histórias como a dele que fortalecem o agro mato-grossense, que é moldado a partir de histórias de pessoas que fazem a diferença.

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Agro Mato Grosso

Algodão reage em março e preços atingem maior alta desde 2022

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Após um longo período de estabilidade, os preços do algodão em pluma voltaram a subir com força ao longo de março no mercado brasileiro. O movimento de valorização é sustentado por uma combinação de fatores que envolvem tanto o cenário interno quanto o ambiente internacional, segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O Indicador CEPEA/ESALQ se aproxima de R$ 3,90 por libra-peso, registrando a maior alta mensal desde agosto de 2022. Ao longo do mês, vendedores mantiveram uma postura firme nas negociações, atentos à valorização do algodão no mercado externo e evitando ceder em preços.

Do lado da demanda, o cenário também contribuiu para a elevação das cotações. Compradores, incluindo indústrias nacionais e tradings exportadoras, intensificaram a atuação no mercado, aumentando a disputa pela matéria-prima disponível.

Além disso, fatores macroeconômicos ajudaram a sustentar o movimento de alta. A valorização internacional do petróleo, o encarecimento dos fretes e o elevado comprometimento da safra 2024/25 reforçaram o ambiente de preços mais firmes. Com grande parte da produção já negociada antecipadamente, a disponibilidade no mercado spot ficou mais restrita, ampliando a pressão sobre os valores.

Esse conjunto de fatores indica um cenário de maior firmeza para o algodão no curto prazo, com o mercado atento à evolução da demanda global e às condições logísticas e econômicas que seguem influenciando diretamente a formação de preços.

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