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1 de maio de 2026

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Força-tarefa no campo: chuva e atraso pressionam milho no Sul de Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita da soja e o plantio do milho segunda safra em Mato Grosso se transformaram em uma verdadeira corrida contra o tempo. No Sul do estado, as chuvas irregulares e o prolongamento do ciclo de algumas variedades de soja estão travando o ritmo das máquinas e empurrando a semeadura do cereal para uma janela climática de alto risco. O cenário exige uma força-tarefa dentro das propriedades para evitar perdas ainda maiores na rentabilidade da temporada.

Em Jaciara, o agricultor Rogério Berwanger enfrenta dificuldades para dar ritmo aos trabalhos, com metade dos 1.720 hectares de soja ainda pendentes de retirada. A preocupação central é que a umidade excessiva concentre a maturação das áreas, fazendo com que todos os talhões precisem de colheita simultânea sob o risco das famosas chuvas de março. Berwanger explica que o clima prejudicou o início e, após uma trégua, as precipitações voltaram, alongando o ciclo das variedades.

“São áreas que vão chegar todas juntas e março é um mês ainda de muita chuva. Estamos entrando aí, quase na segunda quinzena de março, onde sempre tem a enchente de ‘São José’, que é famosa por todos os anos”, afirma o produtor ao projeto Mais Milho. Ele destaca que a apreensão com o clima é constante neste final de colheita para toda a região Sul mato-grossense.

Janela do milho de risco

O atraso na retirada da soja impacta diretamente o cronograma do milho, deixando parte da área de segunda safra sob o que os produtores chamam de “loteria climática“. Berwanger pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o sucesso da safra agora é incerto e depende exclusivamente de um alongamento do período chuvoso.

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“Se o tempo ajudar igual ao ano passado… Mas, é uma loteria. Se a chuva se alongar, ainda consegue talvez fazer uma boa safra, mas é bem arriscado. Já se a chuva cortar em abril, há talhões que não irão pegar nenhuma água”, explica.

milho juína foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Nas fazendas da região, o domingo tornou-se dia de plantão, com equipes prontas para entrar em campo a qualquer sinal de sol para tentar finalizar o plantio. A situação é de alerta geral, já que o atraso não é um caso isolado e atinge grande parte dos agricultores locais que ainda lutam para vencer o calendário. A corrida contra o tempo visa diminuir os prejuízos de uma safra que já começa pressionada pela irregularidade das chuvas e pelo excesso de umidade no solo.

Além do clima, a repentina alta no preço do óleo diesel, impulsionada por conflitos internacionais, trouxe uma nova camada de incerteza financeira para o produtor. Em apenas uma semana, o combustível subiu entre R$ 1,00 e R$ 1,50, elevando drasticamente o custo operacional das máquinas em um momento de uso intenso. Berwanger classifica a situação como um “absurdo” que retira qualquer previsibilidade do setor, afetando toda a cadeia alimentar e de transporte de mercadorias.

“O oportunismo sempre aparece nessas situações, mais um sofrimento para o produtor rural que já está com a colheita atrasada, clima difícil e lavouras perdidas por excesso de chuvas. O país não tem estabilidade”, lamenta o agricultor. Para ele, o impacto é gigantesco entre colheita e plantio, deixando o campo sem segurança para investir e produzir.

Alerta na produtividade

Mesmo quem conseguiu avançar com o milho monitora o desenvolvimento das plantas, que já sofreram com veranicos pontuais na última semana. O produtor Jorge Schinoca relata que a falta de chuva regular fez com que as folhas do milho “enrolassem” em algumas áreas, sinalizando um estresse hídrico precoce que preocupa para o futuro da safra.

“Tivemos um veranico de uns oito, quase dez dias na semana passada. A expectativa é que essa chuva dê uma esticadinha, em abril, maio”, projeta Schinoca, que observa milharais em diferentes estágios de desenvolvimento, inclusive alguns ainda nascendo.

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De acordo com o levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a semeadura do milho em Mato Grosso atingiu 93,68%, mas o ritmo geral segue 2,76 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da temporada passada.

A região Sudeste lidera o atraso, com uma diferença negativa de 7,69 pontos percentuais em comparação com a safra anterior. Esses dados reforçam a preocupação de que o ciclo do milho seja concluído em um período de escassez hídrica, afetando o peso final dos grãos.

O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Diego Bertuol, alerta que o plantio tardio em março traz o risco adicional da lixiviação, onde o excesso de água “lava” os fertilizantes aplicados.

“A janela ideal para a segunda cultura do milho aqui em Mato Grosso já se passou, mas o produtor vai ter de 10 a 15 dias plantando para conseguir”, analisa em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Bertuol complementa que toda a tecnologia e adubação aplicadas podem não trazer resultado em grandes produções se faltar chuva no enchimento pleno do milho lá na frente.

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Mercado do boi gordo tem ritmo lento na véspera de feriado e indústrias recuam das compras

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Foto: Secretaria de Agricultura de São Paulo

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com movimentação reduzida, típica da véspera de feriado, e com frigoríficos mais cautelosos na compra de animais. Muitas indústrias optaram por se afastar temporariamente das negociações, avaliando estratégias para o curtíssimo prazo diante de um cenário de oferta mais confortável em algumas regiões.

O alongamento das escalas de abate já é percebido em diversos estados, especialmente em Goiás e Minas Gerais, onde a qualidade das pastagens é mais limitada. Nessas regiões, a maior necessidade de venda por parte dos pecuaristas contribui para um fluxo maior de animais. Em contrapartida, no Mato Grosso e no Norte do país, onde as pastagens seguem mais vigorosas, a oferta é mais restrita e as escalas ainda são consideradas menos confortáveis para as indústrias.

Este cenário também segue atento ao cenário internacional, principalmente à evolução da demanda da China e ao avanço da cota de importação do país asiático. A expectativa é de exportações mais fracas no terceiro trimestre, período que coincide com maior disponibilidade de animais confinados no Brasil, o que pode pressionar ainda mais os preços.

Preços do boi gordo no Brasil

  • São Paulo (SP): R$ 354,33 (modalidade a prazo)
  • Goiás (GO): R$ 339,36
  • Minas Gerais (MG): R$ 355,86
  • Mato Grosso do Sul (MS): R$ 349,43
  • Mato Grosso (MT): R$ 355,27

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados, refletindo um consumo mais fraco na segunda quinzena do mês. Há pouco espaço para reajustes no curto prazo, especialmente diante da perda de competitividade frente a proteínas mais baratas, como a carne de frango. O quarto dianteiro permanece em R$ 23,50 por quilo, o quarto traseiro em R$ 28,50 e a ponta de agulha em R$ 21,50.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial fechou a sessão em leve queda, cotado a R$ 4,9933 para venda e R$ 4,9813 para compra. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre R$ 4,9502 e R$ 4,9922, acumulando desvalorização de 0,54% na semana, fator que também influencia a competitividade das exportações brasileiras de carne bovina.

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Acordo Mercosul–UE deve ampliar exportações brasileiras em US$ 1 bi no primeiro ano, estima ApexBrasil

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Laudemir Muller, presidente da ApexBrasil. Foto: Aarão Prado/ApexBrasil

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passa a alterar o fluxo de comércio entre os blocos a partir desta semana. Com a medida, cerca de 5 mil produtos do Mercosul passam a acessar o mercado europeu com tarifa zero ou reduzida.

A estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) é que o Brasil amplie suas exportações para a Europa em até US$ 1 bilhão no primeiro ano de vigência. O cálculo considera um grupo de 543 produtos com maior potencial de ganho imediato.

Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a redução de tarifas deve ter efeito direto sobre a competitividade dos produtos brasileiros. A partir da entrada em vigor, itens que antes pagavam impostos passam a acessar o mercado europeu em condições mais favoráveis.

Acesso a mercado estratégico

A União Europeia reúne um Produto Interno Bruto estimado em US$ 20 trilhões e é o segundo maior importador global. Os países do bloco compram cerca de US$ 7,4 trilhões por ano, sendo mais de US$ 3 trilhões provenientes de fora da região.

O mercado europeu é cerca de nove vezes maior que o do Mercosul. O acordo também prevê uma abertura mais rápida para os países sul-americanos. Cerca de 54% das exportações do Mercosul passam a ter tarifa zero de forma imediata, enquanto aproximadamente 10% dos produtos europeus terão o mesmo benefício no acesso ao mercado do bloco.

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Entre os setores com maior potencial de crescimento estão aeronaves, motores e geradores elétricos, couro, uvas e mel. De acordo com a ApexBrasil, mesmo reduções tarifárias menores podem influenciar a concretização de negócios em mercados competitivos.

Promoção comercial

Para ampliar os resultados, a ApexBrasil prevê intensificar ações de promoção comercial. Entre as medidas estão a realização de rodadas de negócios no Brasil, com a participação de compradores europeus, e o reforço da presença de empresas brasileiras em feiras e eventos na Europa.

A estratégia também inclui ações voltadas à promoção da imagem dos produtos brasileiros e apoio à inserção de pequenos produtores, cooperativas e empresas da bioeconomia no mercado europeu.

Impactos ao longo do tempo

Os efeitos imediatos devem ser percebidos principalmente pelas empresas exportadoras. Já os impactos para consumidores tendem a ocorrer de forma gradual, conforme os fluxos comerciais se ajustam.

A expectativa é de que os ganhos se ampliem ao longo dos próximos anos, à medida que novas reduções tarifárias entrem em vigor e o acordo avance em sua implementação.

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Sicredi expande crédito rural e vê avanço de consórcios no agro

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Foto: Sicredi

O Sicredi apresentou, durante a Agrishow 2026, os resultados do Plano Safra 2025/2026 e detalhou a ampliação de seu portfólio de soluções financeiras voltadas ao agronegócio.

Nos primeiros nove meses do ciclo atual, a instituição liberou R$ 52,8 bilhões em crédito rural no país. O valor representa crescimento de 16,5% em relação ao mesmo período da safra anterior.

O crédito tradicional segue como base para custeio e investimento. Ao mesmo tempo, o Sicredi ampliou a oferta de instrumentos financeiros complementares. Entre eles estão operações com Cédula de Produto Rural (CPR), linhas em moeda estrangeira, derivativos e consórcios.

Essas modalidades permitem ao produtor diversificar o acesso a recursos e adotar estratégias de proteção diante das oscilações de preços e do câmbio. A instituição também aponta mudança no perfil do produtor, que busca alternativas alinhadas ao fluxo de receita, principalmente em casos de exportação.

Consórcios avançam no agro

O consórcio tem ganhado espaço como alternativa de financiamento. A carteira total da administradora do Sicredi supera R$ 61,8 bilhões, posicionando a instituição entre as maiores do segmento no país.

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No agro, a modalidade registrou mais de R$ 3 bilhões em novas vendas no último ano, com crescimento de 23% em relação ao período anterior. O modelo é utilizado para aquisição de máquinas, implementos e serviços, com foco no planejamento de médio e longo prazo.

Presença nacional

O Sicredi reúne mais de 10 milhões de associados e conta com mais de 3 mil agências no Brasil. A instituição está presente em mais de 200 cidades como única opção financeira.

No estado de São Paulo, são mais de 450 agências. A atuação combina atendimento digital e presencial, com foco no relacionamento com o produtor rural.

Segundo o gerente de desenvolvimento de negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ, Gilson Farias, a participação na Agrishow amplia o contato com o produtor e contribui para a oferta de soluções financeiras alinhadas às demandas do setor.

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