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4 de maio de 2026

Sustentabilidade

Resistência a fungicidas: Manejo inteligente vai além de reduzir aplicações – MAIS SOJA

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O manejo fitossanitário da lavoura de soja é determinante para a boa produtividade e qualidade dos grãos produzidos. No entanto, além de eficiência no controle das doenças, o posicionamento de fungicidas dele levar em consideração o manejo da resistência das doenças a esses defensivos.

Como principais estratégias de manejo da resistência de fungos a fungicidas, destacam-se a rotação de princípios ativos e mecanismos de ação de fungicidas, bem como a associação de fungicidas sítio específicos a multissítios, aumentando o espectro de controle. O uso frequente de defensivos de mesmo princípio ativo e/ou mecanismos de ação é uma das principais práticas para selecionar indivíduos resistentes, contribuindo para o progresso da evolução dos casos de resistência (figura 1).

Figura 1. Desenvolvimento da resistência de fungos a fungicidas.

Além das estratégias supracitadas, uma estratégia adotada para reduzir a pressão de seleção de fungos resistentes é reduzir a exposição desses patógenos aos fungicidas, mediante redução do número de aplicações. Conforme destacado pelo Comitê de Ação a Resistência a Fungicida (FRAC-BR), restringir o número de tratamentos aplicados reduz o número total de aplicações e, portanto, desacelera a seleção de organismos resistentes. Ela pode, inclusive, favorecer o declínio de cepas resistentes que possuem menor capacidade de se multiplicar quando o fungicida não é aplicado.

No entanto, visando otimizar o manejo da resistência, não basta apenas reduzir o número de aplicações, é crucial atentar para o momento das aplicações. Reduzir o número de aplicações nem sempre retarda proporcionalmente o surgimento da resistência, e interromper o uso do fungicida enquanto o patógeno ainda se multiplica pode permitir que populações mais sensíveis voltem a predominar (FRAC-BR), reduzindo temporariamente a frequência da resistência na população.

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Quando os tratamentos são realizados de forma consecutiva, eles tendem a coincidir com os estágios de maior atividade da doença, período em que o patógeno se multiplica rapidamente. Nessa fase, a população fúngica é numerosa e geneticamente diversa, o que eleva a probabilidade da presença de indivíduos naturalmente menos sensíveis ao fungicida.

A aplicação repetida do produto nesse contexto elimina preferencialmente os indivíduos sensíveis e favorece a sobrevivência e multiplicação dos resistentes, intensificando a pressão de seleção. Assim, mesmo com a redução no número total de aplicações, a resistência pode se desenvolver em ritmo semelhante.

Vale destacar que estudos demonstram haver uma relação entre número de aplicações de fungicidas e a produtividade da soja. Conforme observado por Tura (2023), ainda que varie em função da cultivar e condições ambientais, para cada aplicação entre uma e quatro e dois décimos de aplicações (figura 2), tem-se um incremento médio de produtividade de 599,8 kg ha-1. O modelo desenvolvido por Tura (2023) demonstra que a partir de 4,2 aplicações, em situações normais (não limitantes), não ocorreu incremento de produtividade em função do aumento do número de pulverizações de fungicidas.

Figura 2. Relação ente produtividade e número de aplicações de fungicidas em lavouras de soja. A linha preta é a função limite. A linha tracejada vermelha representa a regressão linear (y=599,8x + 3357,4) entre a produtividade e uma a quatro e dois décimos de aplicações de fungicidas foliares. Dados de 1163 lavouras de 6 safras (2016/2017, 2017/2018, 2018/2019, 2019/2020, 2020/2021 e 2021/2022).
Fonte: Tura (2023)

Logo, reduzir o número de aplicações de fungicidas, pode em algumas situações, limitar a produtividade da cultura, além disso, é consenso que o manejo da resistência das doenças aos fungicidas depende não só do posicionamento dos fungicidas quanto a época e quantidade de aplicações, mas também, do manejo inteligente considerando o ciclo da doença, da cultura e a rotação de princípios ativos e mecanismos de ação.

Referências:

FRAC-BR. Resistência a fungicidas definições e conceitos. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas: Frac-Brasil, s. d. Disponível em: < https://www.frac-br.org/definicoes-e-conceitos >, acesso em: 28/01/2026.

TURA, E. F. EXPLICANDO A CONTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE APLICAÇÕES DE FUNGICIDAS FOLIARES NA PRODUTIVIDADE DE LAVOURAS DE SOJAUniversidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/30300/DIS_PPGEA_2023_TURA_ENRICO.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 28/01/2026.

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Sustentabilidade

Preço da soja se mantém no final de abril, aponta Cepea

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As últimas semanas no mercado da soja foram marcadas por preços firmes. Apesar da safra recorde, estimada em 180 milhões de toneladas, as cotações se mantiveram sustentadas pela forte demanda, tanto no mercado interno quanto externo.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os conflitos no Oriente Médio e a valorização do petróleo tem reforçado essa constância no mercado. Com os preços do diesel em alta, a procura pelo biodiesel tem aumentado e consequentemente o interesse pelo óleo de soja também.

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Em relação às lavouras, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a colheita atingiu 92,1% da área, com variações entre regiões. No Sul do país, o ritmo é mais lento: Santa Catarina registra 71% e o Rio Grande do Sul, 69%, ambos abaixo dos índices observados no ano passado.

Enquanto isso, no Matopiba o ritmo é heterogêneo e em Tocantis a colheita está próxima ao fim, com 98% da área colhida. Maranhão (65%) e Bahia (90%) apresentam atraso em relação à safra anterior. No Piauí, os trabalhos alcançam 96%, desempenho próximo ao do mesmo período de 2025.

Colheita internacional

Na Argentina, chuvas tem atrapalhado a colheita, o que forçou uma pausa por período indeterminado na região.

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Enquanto nos EUA, a chuva chegou como notícia boa e trouxe alívio, apesar de limitar as atividades. Mesmo dessa forma, a semeadura chegou a 23% da área projetada para a safra 2026/27, até 26 de abril, quantidade superior ao ano passado e da média dos últimos 5 anos.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Com demanda aquecida, valor do grão segue firme

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Mesmo diante da safra recorde, estimada em 180 milhões de toneladas, os preços da soja seguem firmes no Brasil. A sustentação vem das aquecidas demandas interna e externa, e também do avanço das cotações dos derivados.

Segundo o Cepea, no mercado internacional, o conflito no Oriente Médio e a consequente valorização do petróleo reforçam o movimento de alta no Brasil, à medida que esse cenário eleva a atratividade do biodiesel e, consequentemente, a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

No campo, a colheita alcançou 92,1% da área, segundo a Conab, embora persistam diferenças regionais relevantes. No Sul, os trabalhos seguem mais lentos: Santa Catarina atingiu 71% e o Rio Grande do Sul, 65%, ambos abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. No Matopiba, o ritmo permanece heterogêneo. Tocantins praticamente concluiu a atividade, com 98% da área já colhida, enquanto Maranhão (65%) e Bahia (90%) apresentam atraso em relação à safra anterior.

No Piauí, os trabalhos alcançam 96%, desempenho próximo ao do mesmo período de 2025. Na Argentina, chuvas pontuais nas principais regiões interrompem temporariamente a colheita e mantêm o ritmo irregular. Nos Estados Unidos, a recente chuva no Meio-Oeste trouxe alívio climático, mas limitou temporariamente as atividades de campo. Ainda assim, a semeadura atingiu 23% da área projetada para a safra 2026/27 até 26 de abril, superando o ano passado e a média dos últimos cinco anos.

Fonte: Cepea

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Sustentabilidade

Colheita de soja no Rio Grande do Sul atinge 79% da área, e milho chega a 92%

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A colheita da safra de verão no Rio Grande do Sul perdeu ritmo na semana passada devido ao excesso de umidade e à frequência de precipitações. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), divulgada nesta segunda-feira (4), a soja foi colhida em 79% da área semeada de 6.624.988 hectares, enquanto o milho alcançou 92% dos 803.019 hectares cultivados.

No caso da soja, a Emater/RS-Ascar informou que 20% das áreas restantes estão em maturação e 1% ainda em enchimento de grãos. Nas lavouras tardias, a entidade registrou aumento na presença de percevejos e de doenças como a ferrugem-asiática.

A produtividade média estadual da oleaginosa está estimada em 2.871 quilos por hectare. O órgão ressalta, no entanto, que há variações regionais expressivas, com perdas superiores a 50% em áreas afetadas anteriormente por restrição hídrica. No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos recuou 1,68% e foi fixado em R$ 115,25.

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Para o milho, o avanço semanal foi de 1 ponto porcentual. A Emater/RS-Ascar atribui a evolução mais lenta à priorização de outras culturas e às chuvas. A produtividade média projetada é de 7.424 quilos por hectare, favorecida pela recuperação hídrica em áreas de safrinha. A cotação da saca de 60 quilos permaneceu estável em R$ 58,19.

No milho para silagem, a colheita chegou a 89%, com rendimento médio de 37.840 quilos por hectare. Já o arroz entrou em fase final de retirada das lavouras, com 93% da área de 891.908 hectares colhida. Segundo a Emater/RS-Ascar, a umidade do solo e dos grãos reduziu a eficiência operacional das máquinas em pontos específicos. A produtividade estimada é de 8.744 quilos por hectare, e o preço médio da saca de 50 quilos subiu 0,26%, para R$ 60,93.

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Os dados indicam que o ritmo da colheita no Estado segue condicionado às condições climáticas de curto prazo, especialmente nas áreas ainda remanescentes de soja e arroz, onde a umidade elevada pode continuar limitando a operação de campo e a qualidade final dos grãos.

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