Connect with us
7 de maio de 2026

Business

Promessa de chuvas acima da média desafia a colheita da soja em Querência

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita da soja em Querência, no leste de Mato Grosso, avança sob atenção redobrada diante da previsão de chuvas acima da média para os próximos meses. A alta umidade dos grãos dificulta o trabalho no campo, encurta as janelas de colheita e eleva os custos com secagem nas propriedades.

Na Fazenda Certeza, onde foram cultivados 2,8 mil hectares de soja na safra 2025/26, pouco mais de 500 hectares já haviam sido colhidos até agora. O agricultor Neori Norberto Wink explica que o ritmo é constantemente interrompido pelas garoas frequentes, o que impede a redução ideal da umidade do grão.

“Secador nesta época trabalha e muito, porque realmente não consegue tirar produto com menos de 20% de umidade. Quando começa a ficar bom vem uma garoa”, conta ele ao Patrulheiro Agro. Segundo ele, com esse nível de umidade, o produtor “é obrigado a dar dois tombos no secador”, tentando acertar o melhor momento para amenizar custos e manter o processo rodando.

Até agora, a fazenda acumulou cerca de 1,3 mil milímetros de chuva, enquanto a média histórica anual da propriedade varia entre 2.250 e 2,3 mil milímetros. Neori reforça que ainda há muita água para cair e que o desafio é conseguir tirar a soja no tempo certo para manter o planejamento da safra.“Tem que tirar, porque temos a projeção terminar tudo em janeiro para o plantio do milho na sequência”, afirma.

Advertisement
colheita soja querência chuva foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Risco climático e custo elevado

Mesmo com estrutura própria, como o armazém da fazenda, que tem capacidade estática para receber 12,8 mil toneladas de grãos, o custo da operação preocupa. Neori ressalta que, nos preços atuais, a margem é apertada. “Quem não colher 70 sacas de média nesses preços aí sobrando R$ 100 líquido para o produtor, não paga os investimentos”, avalia.

A preocupação é compartilhada por produtores do município. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, os meses entre janeiro e março concentram historicamente os maiores volumes de chuva, o que torna a colheita nesse período ainda mais arriscada.

Ele destaca que produtores que utilizam pivô de irrigação sentem ainda mais o impacto. “O ano passado a gente teve problemas mais graves, o pessoal até perdeu soja”. Apesar disso, Osmar pondera que, neste ciclo, ainda há janelas para avançar com a colheita, embora o risco permaneça. “É bem arriscado essa colheita em janeiro”.

colheita soja querência chuva foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Preocupação com qualidade e produtividade

Para o delegado da Aprosoja Mato Grosso em Querência, Lauri Pedro Jantsch, o maior desafio agora é conseguir retirar o produto da lavoura no tempo certo. Ele explica que, se as chuvas seguirem a média dos últimos anos, ainda há um grande volume de água a cair justamente durante o período crítico da colheita.

“A gente tem a preocupação dessa colheita aí, se chover na média dos anos tem muita água para cair agora nesse período de colheita de fevereiro a março”, diz à reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Conforme Lauri, além do ritmo da colheita, o foco também está na qualidade final do grão. “Precisamos tirar o produto em fevereiro e março e a gente tem a preocupação sim da formação do grão, de que dê um grão pesado, e que tenha uma qualidade  muito boa”.

O agricultor Írio José Guisolphi, que cultivou 7,2 mil hectares de soja nesta temporada em Querência, relata cenário semelhante. Na propriedade dele, o acumulado de chuvas chega a 780 milímetros até o momento, mas a variação anual é grande. “Tem ano que dá 1,3 mil milímetros, mas tem ano que chega até 2,1 mil, 2,2 mil”, detalha.

Para Írio, o risco maior é a sequência de dias chuvosos com a lavoura pronta. “Se ficar três, quatro, cinco dias chovendo quando a soja está pronta a gente acaba perdendo”, pontua. Ele lembra que o plantio foi concentrado em um período curto, o que exige uma colheita igualmente rápida. “Então se perder 15, 20 dias, se der problema acaba atingindo a gente”.

Advertisement
querência foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Reflexos fora da porteira

Além do impacto direto na lavoura, o desempenho da safra também preocupa fora da porteira. A possibilidade de uma arrecadação abaixo do esperado ganha peso em um município onde o agronegócio é a principal base da economia, cenário que se soma às incertezas trazidas pela reforma tributária, em vigor desde o início de janeiro.

O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, destaca que o município tem mais de 450 mil hectares cultivados, concentrados principalmente em soja e milho. Conforme o gestor, a baixa rentabilidade das duas culturas já começa a refletir na economia local. “O momento todos sabem que tanto a soja quanto o milho na questão de rentabilidade está oferecendo muito pouco para os produtores”, ressalta.

De acordo com o prefeito, a consequência direta é a redução da arrecadação municipal, já que muitas empresas instaladas na cidade estão ligadas ao setor. Ele também menciona o impacto dos juros elevados e a insegurança em torno da reforma tributária. “Sabemos que vamos sofrer, mas temos que estar preparados para isso”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

soja querência foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Safra longa e cautela nos números

O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, lembra que os desafios começaram ainda no plantio da soja. Em muitas regiões, operações que normalmente duram cerca de 15 dias se estenderam por mais de um mês. “Esse ano levou um mês e meio”, comenta.

Segundo ele, isso resulta em uma safra mais longa e bastante heterogênea. Há registros de áreas com alta produtividade, mas também de lavouras com desempenho abaixo do esperado, especialmente no sequeiro. “Temos registros também no estado de baixa produtividade”, relata, citando áreas com cerca de 42 sacas por hectare.

Diante desse cenário, Lucas reforça a cautela da entidade em relação aos números finais da safra. “Dificilmente Mato Grosso bata 60 sacas”, avalia. Para ele, qualquer projeção mais otimista só poderá ser feita após o encerramento da colheita. “Para se ter otimismo tem que ter pesado toda a produção”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

Advertisement

Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Promessa de chuvas acima da média desafia a colheita da soja em Querência apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading
Advertisement

Business

Eucalipto em Mato Grosso: técnica define sucesso na floresta

Published

on


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O avanço do eucalipto em Mato Grosso abre uma nova frente de produção no campo, especialmente em áreas arenosas e menos competitivas com grãos. Apesar do potencial, especialistas alertam que o sucesso da cultura não acontece por acaso e depende diretamente de planejamento, conhecimento técnico e decisões assertivas desde a implantação.

Em meio à expansão do setor florestal no estado, produtores têm buscado diversificar a produção e aproveitar áreas antes consideradas marginais. Ainda assim, o manejo exige atenção aos detalhes, como escolha do material genético, preparo do solo e condução da floresta ao longo do ciclo produtivo.

A base de tudo, conforme o engenheiro florestal Ranieri Souza, é entender que o eucalipto não foge à lógica das demais culturas agrícolas. “A cultura florestal é como qualquer outra cultura. Ela demanda planejamento e, principalmente, conhecimento técnico ou no mínimo básico”, afirma, ao destacar que fatores como tipo de solo, regime de chuvas e potencial produtivo da área precisam ser analisados antes de qualquer decisão.

Esse diagnóstico inicial se torna ainda mais relevante em Mato Grosso, onde há grande diversidade de ambientes. Segundo ele, o produtor precisa conhecer bem a área para evitar erros que podem comprometer o desenvolvimento da floresta logo nos primeiros anos.

Advertisement
eucalipto foto israel baumann canal rural mato grosso4
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Escolha do clone e adaptação

A definição do clone é outro ponto-chave para o sucesso da produção. Ranieri explica que o estado apresenta diferentes condições climáticas e de solo, o que exige atenção redobrada na escolha do material genético. “Quando a gente fala de Mato Grosso, é uma colcha de retalhos. Tem várias nuances climáticas dentro do estado”, diz em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

Na prática, isso significa que nem todo clone vai performar bem em qualquer região. Ele ressalta que já existem materiais mais versáteis, além de opções específicas para determinadas áreas, o que amplia as possibilidades de cultivo. “A gente tem clones que podem ser plantados em todos esses ambientes e clones mais adaptados a cada micro região”, pontua, ao reforçar a importância de evitar escolhas generalistas.

Essa definição impacta diretamente na produtividade e na sanidade da floresta, já que alguns materiais podem ser mais suscetíveis a doenças ou menos adaptados a determinadas condições de solo e clima.

engenheiro florestal Ranieri Souza Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Solo, espaçamento e manejo

Com a expansão do eucalipto sobre solos arenosos, o manejo da fertilidade e da correção química se torna indispensável. Apesar de a cultura apresentar certa tolerância à acidez, o engenheiro destaca que a produtividade está ligada ao bom preparo do solo. “Por mais que o eucalipto seja tolerante a solos ácidos, quando a gente faz uma calagem, eu tenho maior aproveitamento do fertilizante”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O espaçamento entre plantas também precisa ser bem ajustado para equilibrar crescimento e sanidade da floresta. Conforme Ranieri, a recomendação gira em torno de mil a 1.100 plantas por hectare, evitando extremos que possam comprometer o desenvolvimento. “Quando eu tenho uma floresta muito adensada, posso ter problemas com doenças. E quando eu tenho um estande mais ajustado, também reduzo o risco no período seco”, afirma.

Além disso, práticas como preparo adequado do solo, uso de pré-emergentes e atenção ao plantio das mudas fazem diferença no estabelecimento inicial, fase considerada crítica para o sucesso do cultivo.

eucalipto foto israel baumann canal rural mato grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Controle de pragas e implantação

O cuidado com pragas começa antes mesmo do plantio, sendo a formiga apontada como o principal desafio na silvicultura. Ranieri é direto ao tratar do tema: “Formiga é a maior e pior praga da silvicultura no Brasil. Então é indispensável que assim que você entre na área, faça o controle”.

Ele explica que a negligência nesse ponto pode comprometer toda a implantação da floresta, já que o ataque ocorre justamente no estágio inicial das mudas. Por isso, o manejo preventivo e contínuo é considerado essencial dentro do sistema produtivo.

Advertisement

Outras práticas também entram nesse pacote de cuidados, como o controle da matocompetição e o uso correto de insumos, que garantem melhores condições para o crescimento das plantas.

Produtividade em alta

Com o avanço tecnológico e o uso de materiais genéticos mais adaptados, o eucalipto em Mato Grosso tem apresentado ganhos expressivos de produtividade nos últimos anos. A combinação entre clima favorável, com bom volume de chuvas, e manejo adequado tem impulsionado os resultados no campo.

“A gente busca produtividade entre 420 e 520 metros estéreos no ciclo de seis anos”, afirma Ranieri, ao destacar que o estado reúne condições para alcançar esses patamares com consistência.

Ele reforça que, apesar do cenário positivo, atingir esses números exige investimento em tecnologia e acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo. “A gente tem tecnologia e material genético que vão permitir chegar próximo disso”, diz.

Nesse contexto, a assistência técnica aparece como fator determinante para reduzir riscos e garantir eficiência. “É importante buscar conhecimento e pessoas que já têm know-how na região para que você tenha sucesso na cultura”, conclui.

Advertisement

+Confira mais entrevistas do programa Direto ao Ponto

+Confira outras entrevistas do Programa Direto ao Ponto em nossa playlist no YouTube


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Eucalipto em Mato Grosso: técnica define sucesso na floresta apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Embaixador da China e cúpula do agro debatem o futuro do milho em Brasília

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O 4º Congresso Abramilho reunirá, no dia 13 de maio, lideranças do governo, do mercado internacional e do setor produtivo para discutir as cadeias de milho e sorgo. O evento, realizado no Unique Palace, em Brasília, terá como destaque a participação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. A presença diplomática em dois painéis distintos ocorre em meio à consolidação do país asiático como destino estratégico para os grãos brasileiros.

Para a organização do encontro, a composição da mesa de debates visa aproximar os produtores dos centros de decisão. “Reunir o embaixador da China, o ministro da Agricultura e lideranças de toda a cadeia produtiva em um mesmo dia mostra a dimensão estratégica do congresso. São pessoas que tomam decisões que afetam diretamente o produtor brasileiro, e esse é exatamente o nível de interlocução que queremos proporcionar”, afirma Glauber Silveira, organizador do evento e diretor executivo da Abramilho.

O primeiro painel, mediado por Cassiano Ribeiro, do Globo Rural, focará nos desafios atuais e propostas para o fortalecimento do setor. Além do embaixador chinês, participam o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; o presidente da CNA, João Martins da Silva Júnior; e o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, Manuel Ron, presidente da Aliança Internacional do Milho (Maizall); representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA); Tânia Zanela, presidente do Instituto Pensar Agro (IPA) e Paulo Bertolini, presidente da Abramilho.

Segurança alimentar e inovação

Zhu Qingqiao também integra o segundo debate do dia, voltado à segurança alimentar e ao futuro da inovação no campo. Ao seu lado estarão Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, e Mauro Murakami, presidente da CTNBio, além de Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho. A mediação deste bloco será de Luiz Patroni, do Canal Rural.

Advertisement

O encerramento da programação tratará da geopolítica e da proteção do agronegócio frente às incertezas globais. O painel contará com Grace Tanno, do Ministério das Relações Exteriores, e representantes da CNA e da iniciativa privada. A discussão final será mediada pelo jornalista Mauro Zafalon, da Folha de S. Paulo.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Embaixador da China e cúpula do agro debatem o futuro do milho em Brasília apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Mato Grosso concentra 15% do faturamento agropecuário nacional

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso deve faturar R$ 206 bilhões com a produção agropecuária em 2026, consolidando-se como o principal motor do setor no Brasil. O valor representa 15% do Valor Bruto da Produção (VBP) do país, estimado em R$ 1,38 trilhão. Os números, baseados em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e compilados pelo DataHub (Centro de Dados Econômicos de Mato Grosso) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), mostram o estado à frente de Minas Gerais (R$ 167 bilhões) e São Paulo (R$ 157 bilhões).

O desempenho é sustentado por um mix de commodities em que o estado detém a liderança nacional: soja, milho, algodão e bovinos. Sozinha, a soja é responsável por 43% de todo o VBP mato-grossense. O milho aparece na sequência, com 21,67%, seguido pela pecuária de corte, que responde por 17,96% da receita bruta dentro da porteira.

Diferente do Produto Interno Bruto (PIB), o VBP mede o faturamento bruto real da produção (dentro da porteira), calculando o total produzido (lavoura e pecuária) multiplicado pelos preços médios recebidos pelos produtores. Na prática, é um indicador essencial para entender a saúde financeira do campo, contudo não deve ser confundido com lucro líquido, uma vez que não desconta os custos operacionais, como adubos, combustíveis e mão de obra.

Empregos e movimentação econômica

A circulação dessa receita impactou o mercado de trabalho no início do ano. Entre janeiro e fevereiro de 2026, o setor agropecuário registrou 9.066 novas vagas formais em Mato Grosso. O saldo de contratações reforça a dependência da economia estadual em relação ao ciclo das commodities e à logística de escoamento.

Advertisement

Para a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, o volume financeiro se traduz em capilaridade social. “Tão importante quanto ver o volume de recursos que o agronegócio movimenta é perceber como isso se transforma em oportunidades concretas, chegando à ponta com a geração de emprego e renda para a população de Mato Grosso”.

Além das três primeiras posições ocupadas por Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, o ranking das cinco maiores economias do campo no Brasil é completado por Paraná, com R$ 150 bilhões, e Goiás, com R$ 117 bilhões.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Mato Grosso concentra 15% do faturamento agropecuário nacional apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT