Sustentabilidade
2026 marca início do realinhamento estrutural da cadeia produtiva do arroz – MAIS SOJA

Embora a oferta de arroz gradualmente venha sendo reduzida, o lastro dos estoques remanescentes ainda segura o mercado no início de 2026. “Este cenário, típico de um ciclo de transição, acaba retardando o reflexo real do ajuste nas cotações”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
A redução nacional da área plantada (-11,5%) e o recuo da produção (-13,7%) representam o maior movimento defensivo dos produtores desde a crise de preços iniciada em 2025, com cortes particularmente profundos em áreas de sequeiro — Centro-Oeste (-22,3%) e Norte/Nordeste (-20%) — consolidando a migração parcial para culturas alternativas e confirmando o desincentivo estrutural ao plantio em regiões de maior risco. “A produtividade ajusta-se para baixo (-2,5%), retornando a patamares mais próximos da média histórica após os desempenhos excepcionalmente altos da temporada anterior e refletindo restrições tecnológicas e financeiras decorrentes da descapitalização generalizada”, pondera.
No curto prazo, o vetor dominante segue sendo os elevados estoques de passagem, que funciona como amortecedor da queda de oferta e impede movimentos altistas mais significativos. “A combinação entre estoques altos e recuperação lenta da liquidez pós-recessos tende a manter o mercado nominalizado, com maior presença vendedora na segunda quinzena de janeiro por necessidade de caixa, fator que limita qualquer repique inicial”, frisa Oliveira.
A expectativa de câmbio sustentado entre R$ 5,50 e 5,60 reforça o protagonismo das exportações, que permanecem como o principal mecanismo de sustentação dos preços e elemento central para absorção gradual do excedente. Segundo o analista, o setor estabelece como ambição implícita transformar embarques da ordem de 2 milhões de toneladas em uma tradição recorrente, enquanto reivindicações estruturais — ICMS, fretes, burocracia, seguro — avançam de forma lenta, contribuindo marginalmente para redução do “Custo Brasil”, mas sem alterar o quadro de baixa competitividade imediata. Para a indústria, o trimestre inicial permanece restritivo: margens comprimidas, originação lenta, ociosidade elevada e reposição cautelosa enquanto o mercado não sinaliza inflexão consistente.
“O início da transição estrutural é aguardado no começo do segundo semestre, com o avanço da entressafra, o impacto real da redução produtiva tende a ganhar peso na formação de preços, desde que exportações se mantenham firmes e importações recuem sob influência do câmbio ou de barreiras competitivas regionais — cenário no qual o Paraguai permanece como variável crítica de observação”, prevê o consultor. A disponibilidade total se reduz à medida que os estoques começam a ceder, e a indústria pode iniciar recomposição seletiva quando identificar sinais mais claros de reversão de tendência.
A recuperação, contudo, tende a ser gradual, não explosiva: consumo doméstico estagnado limita o ritmo da valorização, e a normalização do balanço oferta e demanda requer tempo e muita disciplina. Persistem riscos relevantes: manutenção de margens negativas pode levar a novos cortes de área em 2026/27, caso a precificação não avance de forma suficiente; simultaneamente, elasticidade da demanda ao preço será determinante para avaliar a capacidade de sustentação da recuperação ao longo do segundo semestre.
No horizonte a partir de setembro, conforme Oliveira, um cenário de maior equilíbrio torna-se plausível, embora não garantido. A relação produção/consumo aproxima-se estruturalmente (10,79 mi de t vs. 10,5 mi de t), e a redução progressiva do excedente reduz a dependência de intervenções governamentais e operações compulsórias de escoamento. Estoques terminam o ciclo ainda elevados, mas com perspectiva de queda gradual — movimento que, caso consistente, pode reposicionar o mercado para 2027 como o primeiro ano em que oferta menor, exportações estruturadas e consumo estabilizado convergem para um patamar mais saudável de preços.
Políticas públicas continuam relevantes: revisão dos preços mínimos torna-se determinante para orientar decisões de área e mitigar riscos de nova retração produtiva. “Contudo, gargalos logísticos, custo de frete, competitividade externa e infraestrutura continuam limitadores diretos da capacidade de captura de valor, mantendo o Brasil atrás de concorrentes como Paraguai, Uruguai, Argentina e, principalmente, os Estados Unidos em termos de eficiência”, finaliza o consultor.
Fonte: Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
Sustentabilidade
Bancada do Agro propõe ajustes na subvenção ao diesel e busca soluções para crise dos fertilizantes – MAIS SOJA

Pressão geopolítica levou governo a interceder
Em meio à crise no Oriente Médio que fez subir a cotação do petróleo, o governo brasileiro editou Medida Provisória 1.340 de 2026, que estabelece uma subvenção econômica para produção e importação de diesel. O objetivo é impedir um efeito inflacionário cascata, uma vez que o referido combustível é majoritariamente usado no transporte rodoviário nacional, inclusive aqueles que envolvem commodities agropecuárias. A bancada parlamentar em defesa do setor apoia a medida, mas também já debate sugestões ao texto.
Entre os pontos que podem ser colocados está uma alteração para também conceder a isenção das alíquotas de PIS e Cofins sobre o biodiesel. O entendimento da bancada é de que o anúncio do governo de zerar esses impostos sobre o diesel acaba prejudicando a competitividade do biodiesel. Até mesmo porque a Constituição prevê um regime fiscal favorecido para os biocombustíveis, introduzido pela Emenda 123/2022.
“Quando o acordo do governo diminui a tributação do diesel, ele teria que manter essa diferença para o biodiesel, e isso foi neutralizado com essa medida”, disse o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania – SP). Além disso, os parlamentares da bancada junto com o setor produtivo devem enviar um ofício aos membros do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), pedindo que o grupo analise uma ampliação da mistura dos biocombustíveis na gasolina e no diesel. No caso, a proposta é que o aumento seja de 15% (B15) para 16% (B16) ou 17% (B17) no diesel, e de 30% (E30) para 32% (E32) na gasolina.
Neste sentido, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) publicou nota oficial quanto ao tabelamento nacional dos fretes, assunto que há tempos mobiliza atenções, por impactar os custos embutidos nos alimentos. Para a bancada, há um entendimento claro no setor agropecuário de que o modelo adotado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não reflete a realidade do transporte no país, ao desconsiderar fatores essenciais como diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota, o que acaba gerando distorções relevantes e desalinhadas com a prática de mercado.
Por isso, em ofícios enviados, ainda em 2025, aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil, foi solicitada a abertura de um diálogo técnico para revisar a metodologia da tabela de frete. A FPA lembra que o transporte rodoviário está diretamente pressionado pelo custo do diesel, o que provoca aumento artificial dos custos logísticos. A nota conclui defendendo política de transição energética mais previsível e eficaz, citando justamente o caso do biodiesel.
Escassez de fertilizantes também preocupa parlamentares
Outro ponto em que a FPA pretende avançar é em relação ao Projeto de Lei 699 de 2023, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Conforme Jardim, uma pauta prioritária deve ser entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e essa matéria estará nesses pedidos de celeridade. O Brasil sofre com a dependência externa desses produtos, sobretudo por virem de regiões conflagradas e distantes, conforme o Portal SNA aborda com frequência.
As medidas também têm o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com o diretor técnico da entidade, Bruno Lucchi, “é o momento ideal para nós aprovarmos o Profert”. Além disso, medidas de curtíssimo prazo, como do aumento da mistura são importantes para mitigar a subida de preços que os produtores vêm relatando. “O principal ponto de reclamação que nós temos recebido é o aumento abusivo de preços”, disse o diretor em reunião com a FPA na semana passada.
Entre os impactos no agro brasileiro do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, os fertilizantes trazem um nível de preocupação maior. De acordo com a CNA, os preços da ureia subiram entre 30% e 35% desde o início dos ataques. Além disso, o fornecimento desse insumo também pode ser comprometido, já que aproximadamente 35% do fertilizante nitrogenado vêm do Oriente Médio. A preocupação se agravou com a notícia recente de que a China, outro importante fornecedor desses produtos, suspendeu por tempo indeterminado a exportação de suas reservas, para proteger os produtores locais, conforme reportou a Agência Reuters.
O país é o terceiro maior fornecedor de fertilizantes do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o país representou 11,5% das compras brasileiras do produto em 2025, totalizando mais de US$ 93 milhões.
Fonte: SNA
Autor: Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Site: SNA
Sustentabilidade
Milho em destaque: 1ª Tarde de Campo reunirá especialistas para compartilhar conhecimento técnico – MAIS SOJA

A cultura do milho possui grande importância no contexto da produção de grãos no Brasil e, especialmente, no Rio Grande do Sul. A adoção de técnicas de manejo adequadas é fundamental para maximizar o desempenho das lavouras e os resultados produtivos.
A 1° Tarde de Campo em Plantas de Lavoura, com foco em ecofisiologia e manejo da cultura do milho, tem como objetivo socializar conhecimentos técnicos junto à comunidade acadêmica, produtores e profissionais do setor que desejam aprofundar seu entendimento sobre a cultura.
Faça sua inscrição antecipada e garanta sua vaga. Clique aqui!
Confira os palestrantes confirmados
Redação: Diego Follmann
Sustentabilidade
Estresse térmico é uma das principais causas da perda de produtividade no Brasil – MAIS SOJA

As adversidades climáticas e ambientais, especialmente os fatores abióticos que impactam o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das culturas agrícolas, como estresse hídrico, estresse térmico e desequilíbrio nutricional, estão entre os principais responsáveis pela redução da produção agrícola, com sua relevância variando conforme as diferentes regiões de cultivo.
Além de reduzir a produtividade das culturas agrícolas, o estresse provocado por condições abióticas limita o potencial produtivo das plantas, mesmo quando fatores bióticos estão em níveis ótimos. Além disso, diferentes fontes de estresse podem atuar de forma combinada, intensificando os danos à produtividade.
Do ponto de vista fisiológico, o enfrentamento desses estresses demanda maior gasto energético pelas plantas para manter a resiliência, resultando, entre outros efeitos, na redução da taxa fotossintética. Isso compromete a produção, a translocação e o acúmulo de fotoassimilados nos grãos, impactando diretamente o rendimento final das culturas.
Embora o déficit hídrico seja frequentemente associado a principal causa da redução da produtividade de cereais como milho, arroz, trigo e soja, nem sempre esse estresse é o principal fator responsável pelas maiores perdas de produtividade na produção agrícola. De acordo com Bailey-Serres et al. (2019), essa influência varia de acordo com o ambiente de cultivo e período, sendo que, a nível de Brasil, o estresse térmico resultante de altas temperaturas é um dos principais fatores associados a perdas de produtividade (figura 1).
Figura 1. Perda de produtividade prevista em escala nacional para milho, arroz, trigo e soja. Os mapas indicam as perdas de rendimento causadas pelo estresse hídrico, em média, de 1950 a 2000 (a), pelo estresse térmico, em média, de 1994 a 2010 (b) e pelo estresse nutricional em 2009 (c). (d) Número de grandes eventos de inundação de 1985 a 2010 por país.
O estresse térmico tende a ser mais expressivo em culturas altamente responsivas à soma térmica. Nessas espécies, a disponibilidade de calor exerce influência direta sobre o crescimento e o desenvolvimento vegetal. De modo geral, temperaturas elevadas aceleram o metabolismo das plantas, enquanto temperaturas mais baixas o reduzem, prolongando o ciclo de desenvolvimento. Abaixo da temperatura basal inferior não há crescimento, assim como acima da temperatura basal superior (Bergamaschi & Bergonci, 2017).
De forma geral, a fotossíntese líquida é positiva dentro da faixa térmica de adaptação da espécie ou cultivar, delimitada pelas temperaturas basais inferior e superior. Fora desses limites, a assimilação líquida torna-se negativa, uma vez que o metabolismo é comprometido e a planta entra em condição de estresse térmico.
Quando o estresse térmico é causado por temperaturas acima da temperatura basal superior, além da redução da fotossíntese líquida, observa-se aumento da taxa respiratória. Embora algumas espécies possuam mecanismos de tolerância ao calor, em muitos casos o incremento da respiração intensifica o consumo de reservas energéticas e pode elevar a perda de água para a atmosfera, agravando os efeitos do estresse hídrico.
Figura 2. Metabolismo das plantas e temperaturas cardeais: mínima basal ou base inferior (Tb), ótima (Tótima) e máxima basal ou base superior (TB).

Vale destacar que a sensibilidade a temperaturas extremas varia ao longo do ciclo de desenvolvimento das plantas e entre espécies. Entre os fatores associados à perda de produtividade, tanto de natureza biótica quanto abiótica, o avanço genético desempenha papel fundamental. O melhoramento genético, com o desenvolvimento de novas cultivares e híbridos, especialmente em milho, proporcionou ganhos expressivos de produtividade, sendo esse o principal foco das pesquisas por longo período. No entanto, evidências indicam que, em alguns casos, o aumento do potencial produtivo tem sido acompanhado por uma redução da resiliência das plantas a condições de estresse, particularmente ao estresse térmico.
Nesse contexto, torna-se crescente a necessidade de pesquisas voltadas ao desenvolvimento de soluções genéticas e biotecnológicas que permitam preservar a produtividade das culturas sob temperaturas elevadas. O estresse térmico representa uma ameaça cada vez mais relevante, especialmente em regiões tropicais, onde condições de alta umidade reduzem a eficiência do resfriamento foliar por transpiração. Isso ocorre porque os estômatos, responsáveis por regular o equilíbrio entre a absorção de CO₂ e a perda de água, tornam-se menos eficientes nessas condições, intensificando os efeitos do calor sobre o metabolismo vegetal.
Confira o estudo completo desenvolvido por Bailey-Serres e colaboradores (2019) clicando aqui!

Referências:
BAILEY-SERRES, J. et al. GENETIC STRATEGIES FOR IMPROVING CROP YIELDS. Nature, 2019. Disponível em: < https://www.nature.com/articles/s41586-019-1679-0.pdf >, acesso em: 24/03/2026.
BERGAMASCHI, H.; BERGONCI, J. I. AS PLANTAS E O CLIMA: PRINCIPIOS E APLICAÇÕES. Agrolivros, 2017.
BERGAMASCHI, H.; MATZENAUER, R. O MILHO E O CLIMA. Emater/RS-Ascar, 2014. Disponível em: < http://www.fepagro.rs.gov.br/upload/20140923150828livro_o_milho_e_o_clima.pdf >, acesso em: 24/03/2026.

Agro Mato Grosso9 horas agoPreços do milho em MT seguem firmes com demanda aquecida
Agro Mato Grosso9 horas agoVBP da agropecuária deve atingir R$ 1,39 tri em 2026
Business9 horas agoSeguro rural recua 8,8% em 2025 e acende alerta sobre proteção financeira do agro
Agro Mato Grosso8 horas agoALMT realiza Assembleia Itinerante no Show Safra 2026 em Lucas do Rio Verde
Sustentabilidade10 horas agoTRIGO/CEPEA: Restrição de oferta e demanda firme sustentam a alta dos preços no BR – MAIS SOJA
Sustentabilidade5 horas agoLine-up aponta importação de 3,749 milhões de toneladas de fertilizantes em março – MAIS SOJA
Agro Mato Grosso12 horas agoFeira apresenta soluções tecnológicas para produtores rurais em MT
Featured9 horas agoDólar forte e acordo entre Brasil e China derrubam preço da soja na Bolsa de Chicago
















