Agro Mato Grosso
Conheça habitat de criaturas pré-históricas que viviam em Chapada dos Guimarães MT

Fósseis revelam que a região já foi fundo do mar e abrigou trilobitas, crocodilos e dinossauros gigantes.
Há milhões de anos, antes de existir cidade, Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, era um lugar cheio de vida diferente da que conhecemos hoje. Por lá, segundo pesquisadores, viviam dinossauros, animais com tentáculos, e insetos com ‘armaduras’.
No fundo do mar que cobria a região, moravam pequenos bichinhos com conchas, chamados braquiópodes, parecidos com conchinhas que hoje encontra-se na praia. Também existiam trilobitas, que pareciam insetos com armaduras, e animais com tentáculos.
Quando o mar foi embora e a terra apareceu, dinossauros gigantes começaram a surgir por lá. Tinha dinossauro carnívoro, como o pycnonemossauro, e os dinossauros herbívoros de quatro patas. Junto deles, viviam crocodilos e tartarugas.
Segundo o professor e coordenador científico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Caiubi Kuhn, essas descobertas partiram de marcas encontradas no solo que mostram onde cresciam raízes de plantas e hoje ajudam a contar a história de um tempo antigo.
Caiubi Kuhn contou que com as escavações feitos na região foram encontradas muitas evidências fosseis como no caso de invertebrados marinhos, devido a tamanho deles, são encontrados inteiros e bem preservados.
“Ossos de vertebrados são comum de ser encontradas fragmentados, igual quando vemos em um pasto, pedaços de ossos de gados e galinhas. Porém já aconteceu em Chapada de ser encontrados fosseis mais completos, o que facilita mais a identificação e retraçar a história da região”, contou.
As vezes os pesquisadores encontram um pedaço da costela em um lugar, uma vértebra em outro, um dente perdido em outro, ou seja, é muito raro encontrar fósseis de grandes dinossauros, de tartarugas e crocodilos quase completos.
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Vestígios do antigo mar que cobria Chapada dos Guimarães há milhões de anos ainda podem ser encontrados em forma de fósseis marinhos em MT — Foto: Caiubi/Arquivo Pessoal
🌡️ Os ambientes e climas diferentes
Chapada já passou por vários tipos de ambiantes e climas. As suas rochas contam muita história sobre a pré-história, já existiram muitos ambientes diferentes como cordilheiras, mares, desertos e sistemas de rios do passado. Tanto o relevo como as condições climáticas já mudaram muito neste local.
Na época no Devoniano, que é um período entre 358 e 419 milhões de anos, a região de Chapada dos Guimarães e todos os países que hoje compõem a cordilheira do andes que são um conjunto de montanhas ligadas que atravessam a América do Sul era fundo do mar. Claro que ainda não existia a cordilheira.
Da mesma forma que são encontrados fósseis de invertebrados marinhos em Chapada, também são encontrados em rochas que estão a 4 mil metros do nível do mar.
“Nesse período o mar cobria toda a borda oeste da placa, porque ela era bem mais baixa, e Chapada também não estava na altura que está hoje”, informou.
Mas foi no período de cretáceo que os dinossauros viviam, os fosseis deles encontrados em Chapada possuem idade entre 84 milhões e 66 milhões de anos.
“Os dinossauros, crocodilos e tartarugas vivam em um ambiente de clima semiárido, ou seja, em um clima seco e o relevo era composto por vales e montanhas paredões nas bordas”, contou.
💃 Lendas ligadas a antigas criaturas
Em regiões como Morro do Cambambe existe a lenda de ossos gigantes onde moradores antigos dizem que ali viveram gigantes, onde os corpos teriam virado pedra e formado o relevo da região.
As rochas com formatos de partes do corpo humano alimentam o imaginário local, reforçando a crença de que os “gigantes do Cambambe” existiram de verdade.
Enquanto paleontólogos brasileiros, indica que os “gigantes” eram, na verdade, enormes dinossauros que habitaram a região no período Cretáceo.
Também existe a lenda do troa, entre muitas outras, essas lendas influenciam muito no impacto cultural, levando curiosidades de turistas sobre a cultura do estado onde são contadas em várias manifestações como na dança folclórica do Siriri.
Caiubi falou ainda que a nossa espécie pode ter parentesco com as antigas criaturas da época.
“De certa forma, creio que todos nós temos um certo parentesco com o trilobita por exemplo, que provavelmente foi o ancestral de todos os vertebrados. Sobre os dinossauros, nem todos eles foram extintos, um grupo de dinossauros, os dinossauros avianos, sobreviveram. As galinhas, emas entre outros, são descentes deste grupo de dinossauros que sobreviveu a extinção”, disse.
A história da Terra vêm sendo reveladas a partir de fósseis encontrados em diversas unidades geológicas espalhadas pelo Brasil. Formações como o Grupo Rio Ivaí, a Formação Furnas, a Formação Ponta Grossa e a Formação Cachoeira do Bom Jardim são algumas das principais regiões onde registros fósseis vêm sendo identificados por cientistas.
Cada uma dessas formações foi criada em períodos distintos da história do planeta e em condições ambientais únicas, o que explica a grande variedade de fósseis preservados.
Graças a essas diferenças, os pesquisadores conseguem estudar traços de vidas muito antigas, desde organismos marinhos até vestígios de ambientes continentais, revelando como era o mundo há milhões de anos.
🏖️ Segredos históricos e turismo
Segundo o pesquisador, chapada é um lugar fantástica, as descobertas de fósseis, rochas e relevos fazem do município um lugar incrível e de muita importância para educação, ciência e para o turismo.
A pré-história do município aumenta o interesse dos visitantes pelo município e ajuda no desenvolvimento e vendas de produtos únicos como artesanatos, cerâmicas, camisetas e réplicas que representem os fósseis do local que também podem contribuir para o desenvolvimento de rotas turísticas, que podem além das belezas naturais, ajudar a contar a história do planeta para os visitantes.
O município também abriga o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, uma área de proteção ambiental inserida no bioma do Cerrado. O parque é famoso por suas formações rochosas, vales profundos e, claro, pelas cachoeiras cristalinas que atraem turistas de todo o Brasil.
🏞️ Destaques entre as cachoeiras:
- Circuito das Cachoeiras: trilha com cerca de 6 km que passa por sete quedas d’água, incluindo a Cachoeira das Andorinhas e a Cachoeira do Pulo;
- Cachoeira Véu de Noiva: cartão-postal da Chapada, com 86 metros de altura, cercada por paredões de arenito e vegetação nativa;
- Cachoeira do Marimbondo: ideal para banho e contemplação, com acesso por trilha leve;
- Cachoeira da Geladeira: famosa pela água fria e pela tranquilidade do local, ótima para quem busca sossego.
Chapada dos Guimarães (MT) reúne inumeras belezas naturais que integram a cultura da região — Foto: Reprodução
🧭 Dica para visitantes:
- Leve água, protetor solar e repelente;
- Use calçados adequados para trilha;
- Respeite os limites das áreas protegidas e siga as orientações dos guias.
Alunos, professores e pesquisadores da UFMT encontram fósseis pré-historicos durante escavações geológicas
Agro Mato Grosso
TCE vê riscos aos serviços à população e veta transferência de hospital para consórcio de saúde

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou a suspensão imediata da transferência da gestão do Hospital Regional de Sinop “Jorge de Abreu” para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires. A tutela provisória de urgência foi concedida em decisão singular do conselheiro Guilherme Antonio Maluf e aponta fragilidades nos estudos técnicos, ausência de comprovação da capacidade operacional da entidade e riscos à continuidade dos serviços prestados à população.
A medida cautelar foi solicitada em denúncia que questiona a legalidade do procedimento adotado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para transferir a administração da unidade hospitalar, considerada referência para cerca de 35 municípios e aproximadamente 860 mil habitantes da região Norte do estado.
Ao analisar os autos, o relator identificou indícios de irregularidades relacionados à insuficiência dos estudos técnicos que embasaram a mudança do modelo de gestão, à ausência de demonstração objetiva da vantajosidade da medida e à falta de comprovação da capacidade técnica e operacional do consórcio para administrar uma unidade hospitalar de alta complexidade.
Segundo Guilherme Antonio Maluf, a transferência da gestão de um hospital regional exige planejamento detalhado, motivação técnica consistente e demonstração inequívoca de que a medida atende ao interesse público.
“A transferência da gestão de hospital regional de alta complexidade, sem a prévia demonstração integral da regularidade do procedimento administrativo, da efetiva publicidade dos atos preparatórios, da motivação técnica subjacente e da capacidade operacional da entidade destinatária, projeta risco concreto de comprometimento da continuidade assistencial, da segurança jurídica e da própria higidez do interesse público tutelado”, sustentou o conselheiro.
O relator observou ainda que o Estudo Técnico Preliminar apresentado pela administração estadual possui caráter predominantemente descritivo, sem apresentar análise comparativa consistente entre alternativas de gestão, demonstração robusta de viabilidade econômico-financeira ou comprovação dos ganhos de eficiência esperados com a mudança.
A decisão também leva em consideração estudo elaborado pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas) do TCE-MT, presidida por Maluf, que apontou fragilidades no processo de transferência da gestão hospitalar.
Entre os pontos destacados estão a ausência de estudos prévios robustos, a falta de demonstração da experiência do consórcio na administração integral de hospitais de porte semelhante e a inexistência de comprovação objetiva da qualificação técnica necessária para assumir a unidade.
Para o conselheiro, os elementos constantes nos autos demonstram a presença dos requisitos legais para a concessão da tutela provisória de urgência. Além dos indícios de irregularidades, a continuidade da execução contratual poderia gerar riscos tanto ao erário quanto à prestação dos serviços de saúde.
O relator destacou que o contrato firmado prevê movimentação financeira estimada em aproximadamente R$ 321 milhões e que a ausência de comprovação da vantajosidade econômica e operacional da medida pode resultar em prejuízos de difícil reparação. Também ressaltou que eventuais falhas no processo de transição poderiam comprometer a continuidade da assistência prestada à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro ponto considerado foi o fato de a SES-MT não ter encaminhado ao Tribunal informações complementares solicitadas sobre a comissão de transição e o cronograma de execução das ações previstas para a mudança de gestão do hospital.
Diante disso, o conselheiro determinou à Secretaria de Estado de Saúde e ao Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires a suspensão imediata da execução do Contrato de Gestão Especial nº 001/2026/SES-MT, bem como de todos os atos dele decorrentes, incluindo repasses financeiros.
Agro Mato Grosso
Governo de MT lança concurso para eleger os melhores cafés produzidos no Estado

O governo de Mato Grosso lançou o 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso – “Valorizando Origens, Impulsionando Negócios”, iniciativa que busca reconhecer os melhores cafés produzidos no estado e fortalecer a cafeicultura como fonte de renda para as famílias rurais. O evento aconteceu em Colniza, reconhecida no estado como ‘Capital do Café’, neste final de semana.
O lançamento reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades da região noroeste do estado. Durante o evento, uma série de palestras orientou os participantes sobre todas as etapas da competição, desde os critérios de avaliação até os cuidados necessários na colheita e pós-colheita para garantir um café de alta qualidade.
Os produtores receberam orientações sobre o checklist diagnóstico que será avaliado pelo laboratório, a forma correta de embalar e enviar as amostras, a importância da ciência na produção cafeeira, além dos principais atributos analisados pelos especialistas, como aroma, sabor, acidez, corpo, finalização, uniformidade e ausência de defeitos.
A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou que o concurso foi criado para dar visibilidade ao trabalho dos produtores e abrir novas oportunidades de mercado. Entre os anos de 2019 e 2025, o governo por meio da secretaria de Agricultura Familiar, investiu mais de R$ 4,4 milhões na cefeicutura do estado com insumos, mudas, máquinas e equipamentos.
“Os produtores já provaram que fazem acontecer. Chegaram nesta região, desbravaram essas terras com coragem e determinação e acreditaram que era possível produzir café de qualidade. Os resultados estão aí para todos verem. Nossa missão, enquanto Estado, é ajudar vocês a impulsionar esse mercado. Em parceria com o governador Otaviano Pivetta e com o Sebrae, criamos essa iniciativa para identificar e apoiar os produtores na missão de mostrar o melhor café de Mato Grosso e transformar sua produção em excelência”, afirmou.
Andreia também ressaltou os impactos sociais da valorização da cafeicultura. “Quanto mais valor vocês agregarem ao café produzido, mais renda terão e mais qualidade de vida poderão proporcionar às suas famílias. Vamos contribuir para reduzir o êxodo rural dos jovens, fortalecer a participação das mulheres e incentivar o desenvolvimento das comunidades. Este é apenas o primeiro de muitos concursos. Assumimos o compromisso de realizar o Concurso de Qualidade do Café todos os anos”, completou.
As inscrições seguem abertas até o dia 31 de julho. O resultado será divulgado durante evento na cidade de Juína, no dia 31 de outubro.
Agro Mato Grosso
TCE anuncia auditoria em obras inacabadas após repases de R$ 500 milhões em emendas em MT

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou auditoria sobre a aplicação de recursos públicos em uma série de obras inacabadas em Barra do Bugres.
A medida atende à demanda apresentada por vereadores do município que, em reunião nesta sexta-feira (19), apontaram que obras como a do hospital municipal e a da estação de tratamento de esgoto ainda não atendem à população, apesar de repasses de cerca de R$ 500 milhões nos últimos anos.
Diante dos relatos, Sérgio Ricardo adiantou que realizará vistoria no município nos próximos dias. “O Tribunal de Contas está aqui para fiscalizar a destinação do recurso público. O dinheiro público tem que ter destinação, prestação de contas e transparência. Vamos buscar saber para onde foram os 500 milhões de emendas. Por que já foram investidos R$ 50 milhões no hospital e ele ainda não está funcionando?. Por que foram investidos quase R$ 5 milhões na estação de tratamento e o esgoto continua sendo jogado in natura no Rio Paraguai?”, questionou o presidente.
Com relação ao Hospital Municipal Roosevelth Figueiredo Lira, o vereador Silvestre Fernandes da Silva explicou que a unidade está fechada desde o auge da pandemia e permanece sem funcionamento. Com isso, o município conta apenas com um pronto-atendimento e uma maternidade, e os casos mais graves precisam ser encaminhados a Cuiabá.
As denúncias apontam ainda uma emenda de R$ 30 milhões destinada exclusivamente à compra de equipamentos para o hospital. De acordo com o vereador, os equipamentos estariam armazenados em galpões, mal acondicionados e perdendo a garantia. “Pagaram mais de R$ 25 mil em cada uma dessas camas hospitalares, que a gente acha no mercado por um valor infinitamente menor. Foram compradas há dois anos e estão lá, jogadas num galpão, enferrujando, sem nunca terem chegado à população”, afirmou.
Para Silvestre, a atuação do Tribunal pode levar a resultados concretos. “Com o trabalho do presidente Sérgio Ricardo, apareceu uma luz no fundo do túnel, e a gente veio aqui buscar ajuda. Nós não inauguramos obras no nosso município há anos. A gente agradece o Governo do Estado, que encaminha o valor, mas o nosso Executivo não consegue entregar essas obras que trariam qualidade de vida ao nosso povo.”
O vereador Anderson Lima detalhou os motivos que o levaram a pedir a instalação de uma comissão para investigar a situação do hospital, mas alegou que foi rejeitado em votação na Câmara. “Chegamos e nos deparamos com o hospital praticamente pronto, todo forrado, e eles arrancando tudo. O que já tinha sido feito foi desmanchado, gastando dinheiro outra vez.”
Obras inacabadas e recursos sem retorno
A cobrança dos vereadores inclui o terminal rodoviário do município, no qual já teriam sido gastos quase R$ 1,9 milhão sem que a obra fosse concluída ou entregue. Os vereadores também citaram a implantação de energia fotovoltaica, com placas adquiridas em 2023. Segundo o relato, apenas parte do sistema foi instalada e a unidade não chegou a operar.
Outro ponto levantado foi a estação elevatória de esgoto, orçada em cerca de R$ 4,5 milhões e apontada como não concluída, resultando no despejo de esgoto sem tratamento no Rio Paraguai. Os vereadores mencionaram ainda a reestruturação do telhado da Câmara Municipal e contratos de assessoria jurídica entre os itens que devem ser examinados.
Os parlamentares também apresentaram ao Tribunal indícios de nepotismo na administração municipal. “Tem seis ou sete pessoas da mesma família trabalhando na Câmara e na prefeitura. Já levamos o caso para o Ministério Público também.”
Na ocasião, o suplente de deputado estadual Hugo Garcia destacou a atuação do Tribunal. “Parabenizo o presidente Sérgio Ricardo pelo grande trabalho, mostrando que o Tribunal de Contas existe para fiscalizar para onde está indo o dinheiro público. E parabenizo os corajosos vereadores por Barra do Bugres, que vieram fazer denúncias gravíssimas, que têm de ser investigadas. Algo de muito grave está acontecendo lá, e isso com certeza vai ser revelado nos próximos dias.”
Neste contexto, o presidente reforçou que o TCE está de portas abertas para vereadores, moradores e gestores de todo o estado. “O papel do Tribunal de Contas é cuidar do dinheiro público, ver o que está sendo feito com ele. Controle externo é ir lá e verificar e eu faço o controle externo, vou para a rua, vou para as localidades, porque o meu papel está escrito no artigo n° 70 e no artigo n° 71 da Constituição, que é a lei das leis. Tem que estar com o pé na estrada e o Tribunal vai continuar fazendo isso”, concluiu.
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