Sustentabilidade
Próximos dias serão de chuvas no RS – MAIS SOJA

Os próximos dias serão marcados por elevada umidade na atmosfera, favorecendo a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas, especialmente nas regiões Central e Norte do Estado, o que tende a contribuir para a manutenção da umidade do solo e para a redução do estresse hídrico das culturas. No entanto, a persistência de tempo úmido pode limitar a realização de práticas de manejo no campo e aumentar o risco de doenças fúngicas em lavouras mais adensadas. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico 52/2025, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
Sexta-feira (26/12): a entrada de um sistema de alta pressão deixará a atmosfera mais estável no Sul, com redução da nebulosidade ao longo do dia, e no Norte ainda haverá variação de nuvens. As temperaturas máximas devem alcançar 28 °C em Santana do Livramento.
Sábado (27/12): o tempo permanecerá estável pela manhã, com sol entre nuvens em todo o Estado; à tarde, a nebulosidade aumentará e haverá possibilidade de chuvas em todas as regiões, com condições para tempestades acompanhadas de descargas elétricas e ventos intensos na Metade Oeste. As temperaturas permanecerão elevadas, variando de cerca de 29 °C na Serra a 33 °C no Oeste.
Domingo (28/12): haverá sol entre nuvens pela manhã e, durante a tarde, áreas de instabilidade favorecerão a ocorrência de chuvas na Metade Sul. As temperaturas máximas devem chegar a 34 °C no Norte do Estado.
Segunda (29/12): a nebulosidade será variável ao longo do dia, com possibilidade de chuva na Metade Norte no final da tarde; as temperaturas máximas devem alcançar cerca de 30 °C em municípios como São Gabriel e Iraí.
O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.
Fonte: Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação
Sustentabilidade
Milho: Estudo quantifica os danos causados pela cigarrinha-do-milho – MAIS SOJA

Considerada uma das principais pragas emergentes da cultura do milho, a cigarrinha Dalbulus maidis é responsável pela transmissão dos enfezamentos, os quais comprometem o desenvolvimento das plantas e reduzem significativamente o potencial produtivo da cultura. Entre os principais sintomas destacam-se a redução do porte (nanismo), o encurtamento de entrenós e o menor enchimento de grãos.
Estima-se que, em híbridos suscetíveis, as perdas de produtividade decorrentes dos enfezamentos possam alcançar até 70% (Sabato; Barros; Oliveira, 2016). No entanto, a quantificação precisa dos danos ainda apresenta elevada variabilidade, uma vez que se trata de uma praga de ocorrência relativamente recente, para a qual estudos mais aprofundados e regionalizados ainda são necessários.
Recentemente, um estudo realizado pela CNA, Embrapa e Epagri, buscou quantificar o impacto da cigarrinha-do-milho na produção da cultura. Os resultados obtidos de 34 municípios das principais regiões produtoras de milho do Brasil, demonstram que 79,4% das áreas analisadas apresentaram redução significativa da produtividade em função da incidência da praga.
Conforme destacado por Oliveira et al. (2026), as perdas estimadas associadas à presença de doenças que causam o nanismo no milho resultaram em uma perda média por safra de 22,7% na produção de milho do Brasil entre os anos-safra 2020/2021 e 2023/2024, variando de 16,71% (2023/2024) a 28,91% (2020/2021) (tabela 1).
Tabela 1. Estimativa das perdas de safra e do impacto econômico das doenças que causam o nanismo do milho na produção brasileira de milho em grão (2020–2024).
Em termos gerais, essa perda média de produtividade (22,7%) representa aproximadamente 31,8 milhões de toneladas anualmente, resultando em uma perda financeira média anual estimada em 6,5 bilhões de dólares. Associado a isso, Oliveira et al. (2026) constataram que os custos de aplicação de inseticidas para o controle da cigarrinha-do-milho aumentaram 19% (2020/21–2023/24), ultrapassando 9 dólares por hectare.
Em síntese, a cigarrinha-do-milho tem causado perdas substanciais na cultura do milho, passando a ser considerada uma das principais se não a principal praga da cultura na atualidade. Vale destacar que além do elevado impacto produtivo, a praga apresenta ciclo de desenvolvimento extremamente curto, o que encurta o intervalo de reentrada para a aplicação de inseticidas, elevando os custos de controle.
Confira o estudo completo de Oliveira e colaboradores (2026) clicando aqui!
Veja mais: Efeito residual de inseticidas no controle da cigarrinha-do-milho: limites, riscos e oportunidades
Referências:
OLIVEIRA, C. M. et al. A DISEASE COMPLEX: CROP LOSSES AND ECONOMIC IMPACT OF CORN STUNT DISEASES ON BRAZILIAN CORN PRODUCTION. Crop Protection, 2026. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0261219426000153?dgcid=coauthor >, acesso em: 06/02/2026.

Sustentabilidade
Embrapa destaca soja de baixo carbono e papel sustentável em evento no Paraná

A importância das boas práticas agrícolas na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na produção de soja será um dos destaques da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) durante o Show Rural Coopavel, que acontece de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). A instituição irá apresentar, no evento, parte do modelo adotado na Vitrine de Soja Baixo Carbono da Embrapa Soja, que aposta na diversificação do sistema produtivo durante a entressafra.
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A proposta envolve o cultivo de plantas de cobertura, como braquiária e crotalária, no período entre safras. Essas culturas contribuem para a formação de palhada e para a melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo, por meio do aporte de carbono e, no caso da crotalária, também de nitrogênio. “Carbono e nitrogênio são constituintes essenciais para a formação da matéria orgânica do solo”, explica o pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja.
Segundo o pesquisador, a presença de palhada protege o solo contra o impacto da chuva, reduz perdas de água por evaporação, mantém temperaturas mais estáveis, melhora a infiltração hídrica e auxilia no controle de plantas daninhas. Além disso, a biomassa aérea e o sistema radicular das plantas de cobertura aumentam o estoque de carbono no solo.
Durante a Vitrine de Tecnologias da Embrapa no Show Rural, o papel das raízes no sistema produtivo será um dos temas centrais. ”Normalmente, observamos apenas a parte aérea das plantas, mas as raízes, que são a ‘metade escondida’, exercem papel fundamental na estruturação do solo”, afirma Nogueira. Segundo ele, as raízes abrem poros, facilitam a entrada de água e ar e servem como fonte de alimento para os microrganismos, elevando a qualidade biológica do solo.
A diversificação de culturas, segundo a Embrapa, altera a forma como as raízes ocupam o solo, melhora a porosidade e aumenta a capacidade de infiltração e armazenamento de água. Parte do carbono incorporado pelas plantas permanece estabilizada no solo na forma de matéria orgânica, contribuindo para um balanço de carbono mais favorável ao longo do tempo.
Embora uma fração do carbono retorne naturalmente à atmosfera, sistemas bem manejados conseguem reter volumes maiores no solo, o que reduz as emissões líquidas de GEE e torna a produção de soja mais sustentável no longo prazo.
Além do manejo adequado do solo, práticas como o uso de bioinsumos, o controle integrado de pragas e doenças, a diversificação de culturas e o uso racional de insumos ajudam a diminuir a pegada de carbono da atividade agrícola. Essas estratégias sustentam iniciativas como o selo Soja Baixo Carbono, que reconhece sistemas produtivos comprometidos com a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.
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Sustentabilidade
Milho/RS: Colheita avança e alcança 35% da área total semeada no estado – MAIS SOJA

A cultura do milho se aproxima dasfasesfinais de ciclo, e a colheita avançou para 35%, favorecida por predomínio de tempo seco e elevada radiação solar e ventos, que aceleram a perda de umidade dos grãos.
Observa-se expressiva variabilidade de desempenho produtivo em função da distribuição irregular das chuvas e da coincidência do déficit hídrico com estádios críticos, especialmente floração e enchimento de grãos. Em áreas irrigadas, os rendimentos estão elevados, enquanto as lavouras de sequeiro apresentam reduções consolidadas de produtividade.
Os plantios tardios ou de segundo cultivo enfrentam maior restrição hídrica no estabelecimento e nas fases reprodutivas. De forma geral, a colheita evolui rapidamente, e
parte das áreas já foi liberada para novas semeaduras. As lavouras ainda em desenvolvimento vegetativo (9%) apresentam potencial condicionado à manutenção da umidade do solo.
Estima-se o cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, o período seco favoreceu o avanço da colheita, especialmente em lavouras de sequeiro. Em São Borja, as produtividades oscilam entre 9.000 e 12.000 kg/ha em áreas irrigadas e de 4.800 a 6.000kg/ha em sequeiro. Restam cerca de 20% dos 22.000 hectares para colher, que devem apresentar menores produtividades devido ao estresse provocado por falta de chuvas e altas temperaturas nas fases de pendoamento/polinização e de enchimento dos grãos. Em Maçambará, situação semelhante é observada nas lavouras remanescentes (20% dos 3.000 hectares cultivados), onde haverá redução na produtividade. As áreas já colhidas registraram produtividade de 5.000 a 7.800 kg/ha em sequeiro. Na região compreendida pelos municípios de São Gabriel, Santana do Livramento, Aceguá e Hulha Negra, observa-se senescência antecipada das folhas baixeiras em lavouras implantadas em novembro, que estão em floração e enchimento de grãos.
A associação de temperaturas elevadas e baixa disponibilidade hídrica no solo eleva o risco de falhas na polinização e de formação de espigas de menor tamanho. Já nos cultivos implantados entre o final de dezembro e janeiro, é realizado manejo fitossanitário, como aplicações de herbicidas e inseticidas para o controle da cigarrinha, em função das altas populações do inseto, registradas nos pontos de monitoramento de municípios adjacentes.
Na de Caxias do Sul, a segunda quinzena de janeiro foi marcada por chuvas abaixo da média e de distribuição irregular, o que resultou em elevada variabilidade entre lavouras. As áreas mais beneficiadas por precipitações apresentam bom suprimento hídrico, enquanto naquelas com baixos volumes se registram estresse acentuado e redução do potencial produtivo.
Na de Erechim, a colheita chega a 10%; 30% estão em enchimento de grãos; e 60% em maturação. As primeiras lavouras apresentam produtividade média em torno de 9.600 kg/ha.
Na de Frederico Westphalen, 10% estão em enchimento de grãos, 80% em maturação e 20% colhidos. A produtividade média está próxima a 7.500 kg/ha, representando redução em relação à expectativa inicial de 8.024 kg/ha. Na de Ijuí, os cultivos estão em fase final de ciclo, sendo 25% da área em maturação e 70% colhidos. A produtividade média obtida é de aproximadamente 10.200 kg/ha. Na Região Celeiro, em Santo Augusto, as áreas de sequeiro superam 9.000 kg/ha, e as áreas irrigadas alcançam produtividades acima de 13.800 kg/ha. Em áreas de segundo cultivo onde não choveu, o desenvolvimento inicial tem sido prejudicado pela baixa umidade do solo.
Na de Passo Fundo, as lavouras se distribuem entre floração/espigamento e enchimento de grãos (30%) e maturação fisiológica (70%). O potencial produtivo é considerado elevado, embora as cultivares precoces tenham sofrido perdas pontuais por deficiência hídrica. As chuvas do período beneficiaram principalmente as lavouras tardias.
Na de Pelotas, 42% estão em desenvolvimento vegetativo, 32% em início de florescimento/pendoamento, 13% em enchimento de grãos, 3% em maturação e 10% colhidas. A restrição hídrica registrada nas duas últimas semanas de janeiro provocou sintomas de estresse em diversas lavouras.
Na de Santa Maria, o plantio foi retomado após as chuvas do período, especialmente em áreas de cultivo de tabaco, passando de 80% da área prevista. As perdas produtivas já estão consolidadas de forma pontual em lavouras que sofreram restrição hídrica durante a floração. A produtividade média, inicialmente estimada em 5.959 kg/ha, poderá ser revisada para baixo, conforme a evolução das condições climáticas.
Na de Santa Rosa, a semeadura em safra e safrinha atingiu 98% da área projetada. A colheita alcança aproximadamente 80% da área, e as produtividades variam entre 10.800 e 12.000 kg/ha em áreas irrigadas, e de 4.800 a 8.400 kg/ha em sequeiro. A rápida evolução da colheita tem sido favorecida pelo tempo seco, o qual permitiu a implantação de soja safrinha e, pontualmente, novos cultivos de milho para ensilagem. As lavouras tardias apresentam elevado estresse hídrico, e há expectativa de perdas significativas.
Na de Soledade, as lavouras do cedo se encontram principalmente em maturação fisiológica e colheita, e as produtividades variam de 5.400 a 9.600 kg/ha. Os plantios intermediários e tardios apresentam bom desempenho vegetativo e reprodutivo. Parte desses cultivos ainda está em fase reprodutiva, expressando elevado potencial em razão das chuvas, ainda que irregulares, no período. Registra-se alta incidência de cigarrinha em monitoramentos e ocorrência pontual de lagarta-do-cartucho. A distribuição fenológica indica 36% das lavouras em fase vegetativa, 5% em florescimento, 18% em enchimento de grãos, 39% em maturação e 2% colhidas.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 1,17%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 60,00 para R$ 60,70.
Fonte: Emater/RS
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