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Mato Grosso avança como potência global da proteína animal, mas custos apertam o produtor

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso vive um momento histórico na produção e exportação de proteína animal. Recordes sucessivos e o protagonismo no comércio exterior consolidam o estado como potência global da proteína animal, especialmente na carne bovina. Ao mesmo tempo, o avanço vem acompanhado de desafios dentro da porteira, com custos elevados, margens apertadas e necessidade crescente de eficiência.

Em novembro, Mato Grosso bateu recorde nas exportações de carne bovina, com mais de 112 mil toneladas embarcadas, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No acumulado de 2025, o estado já exportou mais de 867,7 mil toneladas, alta de 23,8% em relação ao ano anterior, superando todo o volume de 2024. A China segue como principal destino, concentrando quase 55% das compras, o que mantém Mato Grosso como o maior exportador de carne bovina do país.

A expectativa do setor é de continuidade nesse ritmo, principalmente com o retorno das compras por parte dos Estados Unidos e a possibilidade de abertura para os mercados do Japão e Coreia do Sul. “A perspectiva é manter esse mesmo nível de abate. Mato Grosso não vai baixar de 7 milhões e duzentas mil cabeças”, afirma o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Mesmo com a liderança nas exportações, o setor agora tenta equilibrar o bom desempenho dos embarques com a necessidade de ganhar eficiência para seguir competitivo, em um cenário cada vez mais profissionalizado.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos altos e margem mínima

Segundo Oswaldo, a realidade dentro das propriedades é de disputa acirrada e lucro cada vez mais estreito. “O pecuarista hoje já está competindo entre si na fase da recria e terminação e hoje dois reais por arroba é lucro. Só tem profissional no mercado, mesmo os grandes confinamentos têm que fazer muita conta para não perder dinheiro, hoje não tem como ser amador no mercado”, diz.

Ele ressalta que a cria, base da pecuária, tem se concentrado no produtor mais tradicional. “O que está sobrando para o pecuarista raiz é a cria. Dá mais trabalho, dá muito mais despesas e tem muito mais perda. Está sobrando isso aí para entrar hoje na pecuária”, relata.

O aumento dos custos de produção e a baixa rentabilidade dentro da porteira seguem como os principais desafios do setor, que opera com pouca margem para erros. O comportamento do preço da arroba também mudou nos últimos anos, reduzindo as oportunidades de recuperação financeira ao longo do ciclo.

“Quando começava o final da seca a gente tinha uma recuperação gradativa do preço da arroba e chegava no final do ano com um preço melhor para recuperar o perdido, mas não está tendo mais. Já faz uns dois anos que a gente não tem observado isso”. Conforme o presidente da Acrimat, a expectativa de preços mais elevados não se confirmou. “A expectativa nossa é de muitos analistas de mercado era de chegar a R$ 350 até R$ 400 a arroba, mas não vai chegar nem perto disso, ficou um sinal amarelo, uns zero a zero tomando cuidado para não perder dinheiro”.

Nesse cenário, produtores com menor capitalização acabam deixando a atividade. “Aquele pequeno e médio que não tem lastro para poder bancar os prejuízos esse aí está saindo do mercado, e o que está salvando o Brasil hoje e que está salvando a pecuária é o mercado externo”, pontua.

Apesar das dificuldades, o setor já observa sinais de um novo ciclo pecuário, com retenção de fêmeas e valorização dos animais. “Já estamos entrando nesse novo ciclo pecuário de retenção de fêmeas. A gente tem observado a grande valorização do macho, valorização do boi magro, a procura é muito grande o que deve refletir a partir do segundo semestre do ano que vem em aumento de arroba bastante”, completa.

Rastreabilidade e pressão internacional

As exigências de rastreabilidade impostas por mercados internacionais também geram preocupação entre os produtores. A principal cobrança do setor é para que o processo seja conduzido de forma gradual, sem aumento excessivo de custos no curto prazo.

“É um caminho sem volta. A gente tem passado para o nosso produtor, mas isso não pode ser imposto, porque tem muita gente que não quer vender para a China. Ele quer vender o seu gado aqui mesmo, tem que ir devagar, não pode pressionar e não pode onerar o produtor. Não pode ter um custo absurdo porque isso interfere no ganho”, reforça o presidente da Acrimat.

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Foto: Leandro Balbino/ Canal Rural MT

Suinocultura cresce, mas crédito limita investimentos

A suinocultura de Mato Grosso também atravessa um período positivo em termos de produção e exportação. O setor alcançou resultados considerados satisfatórios pelos produtores, mas enfrenta entraves semelhantes aos da pecuária de corte, especialmente no acesso ao crédito.

“A suinocultura podemos dizer que foi um ano bastante produtivo, a contento do produtor”, avalia o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, ao Canal Rural Mato Grosso. De acordo com ele, há interesse em ampliar a produção, mas o custo do financiamento inviabiliza novos investimentos. “Algumas pessoas já começam a querer aumentar a produção, buscando alternativas de empréstimos de bancos, mas com juros de 19%, 20%, 25%, realmente não tem condição de pegar porque não paga a conta”.

Para Custódio, é necessário pensar em políticas públicas estratégicas para fortalecer a cadeia produtiva. “Essa é uma busca que acredito que o governo do estado tem que começar a pensar a partir do ano que vem, para que possamos fomentar a suinocultura, trazendo uma atividade mais pujante, com um número maior de matrizes, para gerar não só as divisas que o estado precisa, mas também oportunidades para os produtores de Mato Grosso”, afirma.

Dados do Imea mostram que, até setembro de 2025, a carne suína in natura respondeu por mais de 84% das exportações do estado. Após o recorde de 1,3 milhão de toneladas exportadas em 2024, a projeção para 2025 é de novo crescimento, acompanhando a tendência nacional, estimada em 1,45 milhão de toneladas. O cenário é reforçado pelo recorde de abates no Brasil, com quase 15,8 milhões de cabeças no terceiro trimestre.


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USDA projeta queda de 0,7% no lucro da agropecuária dos EUA em 2026

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Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

O lucro líquido da agropecuária dos Estados Unidos deve somar US$ 153,4 bilhões em 2026, queda de US$ 1,2 bilhão, ou 0,7%, ante o resultado do ano passado, de acordo com a mais recente projeção do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura do país (USDA).

Em valores ajustados pela inflação, o lucro líquido ficaria 2,6% abaixo do registrado no ano passado, uma queda de US$ 4,1 bilhões. Se confirmado, o indicador ainda ficará acima da média observada entre 2005 e 2024.

Segundo o USDA, as projeções consideram um aumento de US$ 13,8 bilhões nos pagamentos diretos do governo ante o ano anterior, somando US$ 44,3 bilhões. Além disso, as despesas totais de produção devem subir 1%, para US$ 477,7 bilhões. O maior avanço de custos é esperado em compras de gado e aves, com alta de US$ 5,9 bilhões (9,7%). Já os gastos com ração devem cair US$ 4,8 bilhões (6,8%).

Desempenho por produção

De acordo com a agência, as receitas totais da agricultura devem aumentar 1,2%, para US$ 240,8 bilhões. No milho, a alta esperada é de US$ 2 bilhões (3,3%), enquanto a receita com soja deve permanecer estável, disse o USDA. A receita com trigo deve recuar US$ 200 milhões (2,4%). Já o arroz deve registrar queda de US$ 400 milhões (12,5%).

Em contrapartida, as receitas totais da pecuária devem cair 5,8%, para US$ 273,9 bilhões, afirmou o USDA. O faturamento com bovinos deve aumentar US$ 5,2 bilhões (4,1%), enquanto o com suínos deve cair US$ 200 milhões (0,7%). A receita com frangos de corte deve crescer US$ 600 milhões (1,4%) e a com ovos deve recuar US$ 17,3 bilhões (66%). Já o setor de lácteos deve registrar queda de US$ 6,2 bilhões (12,8%).

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Preço dos alimentos cai pelo 5º mês seguido, aponta FAO

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Foto: Pixabay

Os preços mundiais dos alimentos voltaram a cair em janeiro, marcando o quinto mês consecutivo de recuo, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (6) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A queda foi puxada principalmente pela redução das cotações internacionais de laticínios, açúcar e carnes, compensando altas registradas em óleos vegetais e arroz.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha mensalmente uma cesta de commodities alimentícias negociadas no mercado internacional, teve média de 123,9 pontos em janeiro, queda de 0,4% em relação a dezembro e de 0,6% na comparação anual.

Entre os grupos, o índice de cereais subiu levemente 0,2%, com recuos nos preços do trigo e do milho sendo compensados por uma alta de 1,8% no arroz, refletindo demanda mais firme por variedades aromáticas.

Já o índice de óleos vegetais avançou 2,1%, impulsionado pela alta do óleo de palma, em meio à desaceleração sazonal da produção no Sudeste Asiático e à demanda global consistente, além da recuperação do óleo de soja, diante da menor disponibilidade para exportação na América do Sul e da expectativa de forte consumo para biocombustíveis nos Estados Unidos. Em contrapartida, o óleo de canola apresentou leve recuo, com ampla oferta na União Europeia.

No segmento de proteínas, o índice de preços de carnes caiu 0,4%, pressionado pela queda da carne suína, enquanto as cotações da carne de aves subiram, sustentadas por preços mais altos no Brasil e pela forte demanda internacional.

Os preços das carnes bovina e ovina ficaram praticamente estáveis. O índice de laticínios recuou 5,0%, com quedas acentuadas nos preços do queijo e da manteiga, apesar da firmeza do leite em pó desnatado. O açúcar também registrou baixa, de 1,0%, refletindo expectativas de maior oferta global, com recuperação da produção na Índia e boas perspectivas no Brasil e na Tailândia.

Além dos preços, a FAO destacou um cenário de oferta abundante de grãos. A produção global de cereais em 2025 foi estimada em 3,023 bilhões de toneladas, com colheitas recordes de trigo, cereais secundários e arroz. Com isso, os estoques globais de cereais devem crescer 7,8%, atingindo um recorde histórico, e a relação estoque/consumo deve chegar a 31,8%, o nível mais alto desde 2001.

Para o ciclo 2025/26, a FAO projeta ainda um crescimento de 3,6% no comércio mundial de cereais, reforçando a expectativa de um mercado global bem abastecido.

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Juara recebe 1ª Arinos Show Agro para impulsionar expansão agrícola no Vale do Arinos

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Foto: Acrivale/Divulgação

O município de Juara sedia, entre os dias 6 e 9 de maio de 2026, a primeira edição da Arinos Show Agro. Organizada pela Associação dos Produtores do Vale do Arinos (Acrivale) e pelo Sindicato Rural de Juara, a feira tecnológica de negócios surge com o objetivo de preparar os produtores locais para a rápida expansão da agricultura em uma região historicamente dominada pela pecuária de corte.

A escolha de Juara como sede é estratégica. O município detém o 10º maior rebanho bovino do Brasil, com cerca de 950 mil cabeças de gado. No entanto, o perfil produtivo tem passado por transformações nos últimos anos: no ciclo 2024/25, o cultivo de soja atingiu 126 mil hectares, um salto de 107% em comparação ao ano de 2021, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea).

Além da soja, o algodão também apresenta números robustos, com crescimento de 82% na área cultivada na última safra. O cenário é reforçado pela vocação de Juara para a cafeicultura — sendo o maior produtor do grão no estado, com 750 mil pés — e pela mineração, focada na extração de pó de rocha para remineralização de solos agrícolas e manganês para a indústria do aço.

A diretoria da Acrivale estima que o Vale do Arinos possua 1 milhão de hectares agricultáveis, dos quais mais da metade está em território juarense. Essa disponibilidade de terras prontas para a conversão de pastagem em lavoura é considerado o principal motor para atrair investimentos em maquinários, insumos e crédito rural durante os quatro dias de evento.

Desenvolvimento regional e tecnologia

Para as entidades organizadoras, a feira ocupa uma lacuna necessária no calendário de Mato Grosso, conectando a tradição da genética animal às novas demandas da agricultura de precisão. O evento reunirá expositores de implementos, veículos, bancos e empresas de tecnologia voltadas ao campo.

“Queremos aproximar os produtores rurais, criadores, empresas do agronegócio e toda a sociedade para oferecer soluções e pensarmos juntos o desenvolvimento do futuro do Vale do Arinos, que já é pujante e que constrói um futuro promissor”, destaca o presidente da Acrivale, Ricardo Bianchin.

A Arinos Show Agro será realizada no Parque de Exposições Edson Miguel Piovesan. A estrutura contará com portões abertos das 9h às 20h entre quarta e sexta-feira, e das 9h às 12h no sábado. O público-alvo abrange produtores dos municípios de Porto dos Gaúchos, Novo Horizonte do Norte, Taboporã, Itanhagá, Juína e Brasnorte, que compõem o polo regional.


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