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Tecnologia boa é a que gera renda com sustentabilidade, diz pesquisador da Embrapa

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

A tecnologia no agronegócio só faz sentido quando gera retorno econômico sem abrir mão da sustentabilidade ambiental e do benefício social. Essa é a avaliação do pesquisador da Embrapa Cerrados, Paulo Campos Christo Fernandes, ao analisar os debates da COP30 e o papel da ciência brasileira na agricultura tropical.

Segundo ele, a conferência foi uma oportunidade para mostrar ao mundo que o agro brasileiro já trabalha há décadas com soluções sustentáveis baseadas em ciência. “A COP foi uma iniciativa muito interessante, com certeza trouxe muito a agregar ao agronegócio brasileiro, porque na verdade no agronegócio brasileiro a gente luta muito pela sustentabilidade dele”, afirma em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

Paulo destaca que a Embrapa e o setor produtivo puderam apresentar tecnologias consolidadas, sempre associando produtividade e responsabilidade ambiental. “Porque a tecnologia boa não é tecnologia que gera dinheiro. Tecnologia boa é aquela que gera dinheiro com sustentabilidade”, reforça.

Tecnologia que equilibra produção e ambiente

Para o pesquisador, pensar apenas no meio ambiente ou apenas no lucro não resolve os desafios do campo. “Ou a tecnologia só pensando no meio ambiente também não resolve, ela tem que ter uma viabilidade econômica”, explica. Nesse equilíbrio, ele ressalta que o fator humano também é central. “A gente busca uma balança, um equilíbrio entre o ambiental, o produtivo, o ser humano no meio, né? O ser humano é importante nisso aí”.

Um exemplo citado é a inoculação microbiana da soja, tecnologia amplamente adotada no Brasil, mas ainda pouco conhecida fora do meio rural. “Ela é simplesmente uma bactéria que fixa nitrogênio que vem do ar e ao mesmo tempo evita o uso de, por exemplo, ureia que é um derivado do petróleo”, detalha.

Além do ganho ambiental, Paulo chama atenção para o impacto econômico direto. “Você consegue reduzir custos na produção”, afirma. De acordo com ele, o balanço social da Embrapa mostrou uma redução de custos de R$ 25 bilhões em um único ano, usando a ureia como indicador. “Olha que interessante essa tecnologia. Ela tem um aspecto econômico imenso, ela tem um aspecto ambiental imenso e ela tem uma adoção também imensa”.

Embrapa Cerrados, Paulo Campos Christo Fernandes Foto Canal Rural Mato Grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Indicadores e comprovação científica

O pesquisador explica que o grande desafio da Embrapa é encontrar indicadores confiáveis para medir os impactos das tecnologias. “O maior desafio que nós temos no balanço social da Embrapa é a busca dos indicadores”, relata ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Segundo ele, alguns são mais fáceis de mensurar, como os ligados à fixação biológica do nitrogênio, enquanto outros exigem metodologias mais complexas.

Na agricultura familiar, por exemplo, a mensuração pode ser mais difícil, mas não impossível. “Difícil não significa impossível”, frisa. Para medir o impacto social, a Embrapa utiliza metodologias como o Ambitec, que considera a percepção de produtores e extensionistas sobre os efeitos das tecnologias no dia a dia.

Paulo também destaca que muitas inovações atendem tanto grandes quanto pequenos produtores. “A gente concluiu que 70% das tecnologias geradas na nossa unidade se adaptavam a ambos os segmentos”. Para ele, separar rigidamente esses perfis pode ser um erro. “Na verdade, tem uma metodologia que se adapta de uma forma a um grande produtor, e de outra forma ela se adapta a um produtor menor”.

Inovação contínua no campo

Ao falar de inovação, o pesquisador reforça que a ciência não nasce apenas no laboratório. De acordo com ele, há uma troca constante entre campo e pesquisa, em que o sistema produtivo gera dados que retornam à ciência.

Paulo cita ainda tecnologias que ganharam relevância em momentos críticos, como a fixação biológica do nitrogênio e o uso de remineralizadores diante da alta dos fertilizantes. “São inovações que elas surgem, elas estão girando no campo e em alguns determinados momentos específicos, a adoção dela aumenta de forma abrupta”, observa.

Na avaliação dele, esse dinamismo explica por que o Brasil se tornou referência mundial em agricultura tropical. “O brasileiro, e o agronegócio brasileiro, ele é muito aberto à inovação, ele é muito dinâmico”, conclui.

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Ofício das tacacazeiras é reconhecido como patrimônio cultural do Brasil

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Foto: Bruna Brandão – MTUR

O ofício das tacacazeiras, responsáveis pela produção e venda do tacacá, foi reconhecido como patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O registro coloca oficialmente o prato típico da Amazônia na história cultural do país e valoriza um saber tradicional transmitido entre gerações.

Mais do que um alimento, o tacacá representa memória, identidade e afeto para quem vive na região Norte. O preparo envolve conhecimento que não se aprende em livros, mas na prática diária, observando e aprendendo que passam de mãe para os filhos e, agora, também para os filhos.

É o caso da tacacazeira conhecida como tia Nasa, que começou a aprender o ofício ainda na infância, observando a avó e a mãe. Com o tempo, a mãe abriu uma pequena banca na frente de casa e transformou o preparo do prato em fonte de renda.

“O tacacá e esteve presente na nossa comunidade desde sempre. A minha avó já fazia para a gente comer em casa. Então, isso veio passando por gerações e a minha mãe formou uma banquinha na frente de casa” conta tia Naza.

Tradição

Hoje, o filho de tia Nasa, Mariano Brandão, também aprende o ofício para manter a tradição. Ele assumiu parte do trabalho por necessidade de saúde da mãe, mas reconhece o valor cultural da atividade. A receita, segundo ele, foi sendo aprimorada ao longo das gerações, sem perder a essência.

“A goma era bastante dura e era pouco tucupi que se colocava. Com o decorrer do tempo, minha mãe veio aprimorando essa receita e hoje o melhor”, afirma.

Reconhecimento

De acordo com o Iphan, o registro busca preservar as formas tradicionais de preparo e evitar a descaracterização desse patrimônio cultural. Ao mesmo tempo, o reconhecimento nacional pode abrir oportunidades de renda e visibilidade para as tacacazeiras, que dependem da atividade para sustentar suas famílias.

“A ideia é que a gente sempre possa preservar aquilo que é essencial na região para que a gente não descaracterize esse bem, para não altere as suas formas de fazer. Esse é o objetivo do registro, conseguir manter a tradição”, destaca a superintendente do Iphan, Beatriz Calheiro.

Com o reconhecimento do Iphan, o ofício das tacacazeiras ganha proteção oficial e reforça sua importância na cultura brasileira, garantindo que esse saber tradicional continue sendo transmitido de geração em geração.

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Crescimento da Agropecuária limita recuo das exportações em janeiro

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Foto: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil

Em janeiro, as exportações brasileiras alcançaram US$ 25,153 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 20,81 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Com isso, a balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 4,343 bilhões, após saldo positivo de US$ 9,633 bilhões em dezembro de 2025.

O resultado do último mês veio abaixo da mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 4,8 bilhões em janeiro. As estimativas do mercado financeiro para esta leitura variavam de US$ 3,46 bilhões a US$ 6,10 bilhões.

Na contramão de outros setores, Agropecuária registra alta

As exportações de janeiro registraram queda de 1,0% na comparação com o mesmo mês de 2025, com crescimento de 2,1% em Agropecuária, que somou US$ 3,872 bilhões; queda de 3,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,072 bilhões; e, por fim, recuo de 0,5% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 14,082 bilhões.

As importações também caíram, 9,8% na comparação mesmo mês do ano passado, com declínio de 28,7% em Agropecuária, que somou US$ 439 milhões; retração de 30,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 770 milhões; e, por fim, queda de 8,02% em Indústria de Transformação, com US$ 19,446 bilhões.

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Novos usos para o arroz e mais: setor estabelece 7 medidas para contornar a crise

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Foto: Paulo Lanzetta

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) foi palco de encontro do setor do arroz gaúcho na manhã desta quinta-feira (5), em Porto Alegre.

Em coletiva de imprensa, representantes da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) se reuniram para divulgar medidas conjuntas para reverter as dificuldades enfrentadas pela cadeia orizícola do estado.

Em apresentação realizada pelo economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, foram destacadas sete medidas elaboradas em conjunto para o curto e médio prazo:

  1. Difusão, com clareza e transparência, da preocupação das entidades com o cenário para 2026 e a recomendação de redução da área plantada;
  2. Busca por mecanismos de comercialização;
  3. Uso do Certificado de Direitos Originários (CDO) como estímulo às exportações;
  4. Proposta de redução temporária do ICMS, no período de maior comercialização, para melhorar a competitividade frente ao Paraguai;
  5. Proposta de desconcentração dos vencimentos de CPRs em 30 de março e 30 de abril, junto às indústrias, revendas e empresas multinacionais;
  6. O alongamento de custeios junto às instituições financeiras; e
  7. Ações de pesquisa, divulgação e combate à venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destacou que o setor foi surpreendido por uma das contingências mais difíceis dos últimos tempos na cadeia arrozeira. “Em 2025, tivemos uma das maiores colheitas do Mercosul e também uma produção elevada em nível mundial. Isso pressionou os preços”, recordou.

Segundo ele, a entrada da Índia no mercado internacional agravou o cenário ao deprimir os valores no mercado global e, consequentemente, na América do Sul, especialmente no Mercosul.

“Somado a isso, tivemos uma supersafra, crédito difícil e juros altos. Esse conjunto de fatores nos levou a uma situação extremamente delicada, com uma recessão muito negativa nesta safra, que se arrasta até 2026. Esse cenário resultou em um endividamento significativo dos produtores”, concluiu.

O presidente da Federarroz também afirmou que o setor tem trabalhado dentro da lógica de simetria do Mercosul. “A indústria do Rio Grande do Sul perdeu, nos últimos anos, uma parte importante do seu beneficiamento para indústrias de Minas Gerais e São Paulo, que não produzem arroz, mas importam grandes volumes do Paraguai. Esse é um tema que precisa ser enfrentado”, ressaltou.

Uso do arroz no etanol

Outro assunto abordado por Nunes foi o estudo em andamento para o uso do arroz na produção de etanol.

“Por meio da Câmara Setorial, encaminhamos solicitação à Assessoria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Embrapa para que, via Embrapa Agroenergia, possamos aprofundar os estudos sobre o uso do arroz para etanol. Além disso, essa mesma assessoria está avaliando outros destinos e finalidades para o arroz”, adiantou.

De acordo com ele, não há preocupação em retirar o arroz da alimentação humana, que seguirá sendo seu destino principal. “O que buscamos é potencializar a capacidade produtiva que o Rio Grande do Sul possui, apoiada pelas pesquisas do Irga, da Embrapa e de empresas privadas, que garantem a qualidade do nosso produto, alta produtividade e possibilidade de ampliação de área”, ressaltou.

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