Sustentabilidade
Controle de plantas daninhas na entressafra: Prevenção de Resistência, Redução de Competição e Melhoria da Produtividade – MAIS SOJA

O manejo eficiente das plantas daninhas tem se tornado cada vez mais desafiador devido à elevada capacidade competitiva dessas espécies. Fatores como rápido crescimento, alto potencial de adaptação e o aumento dos casos de resistência a herbicidas dificultam o controle efetivo, especialmente nas aplicações em pós-emergência.
Diante da ampla diversidade de espécies daninhas presentes nos ambientes agrícolas, algumas apresentam grande dificuldade de controle quando o manejo é realizado em estádios inadequados de desenvolvimento. Estudos indicam que o estádio fenológico das plantas daninhas está diretamente relacionado à eficiência do controle químico, sendo que, de modo geral, plantas em estádios iniciais de crescimento (plantas jovens) são mais suscetíveis à ação dos herbicidas (Schneider; Rizzardi; Bianchi, 2019).
Figura 1. Amaranthus hybridus em diferentes estádios de desenvolvimento.
Além disso, plantas daninhas em ambientes agrícolas, seja no período de safra ou entressafra, podem atuar como hospedeiras de pragas ou doenças, além de matocompetir com culturas agrícolas por recursos como água, radiação solar e nutrientes do solo, reduzindo o potencial produtivo das plantas cultivadas. Nesse contexto, é crucial buscar estratégias que possibilitem a redução das populações de plantas daninhas e o aumento da uniformidade das espécies infestantes para um controle mais efetivo na pós-emergência.
Uma das estratégias mais eficazes para alcançar esse equilíbrio é o controle das plantas daninhas durante o período de entressafra. Também conhecido como manejo outonal ou antecipado, o manejo entressafra visa eliminar espécies daninhas problemáticas, em períodos anteriores ao desenvolvimento da cultura agrícola, possibilitando um melhor estabelecimento da lavoura, bem como a redução populacional de espécies infestantes.

Especialmente em áreas com histórico de populações resistentes a herbicida e controle tardio, o manejo antecipado torna-se uma estratégia fundamental para garantir o controle efetivo das plantas infestantes. Considerando que uma das formas mais eficazes de reduzir a matocompetição é assegurar o estabelecimento da lavoura em área livre de plantas daninhas (“no limpo”), o controle prévio à semeadura da soja, é determinante para o sucesso da lavoura.
Contudo, nem sempre esse controle é efetivo. Em função do elevado nível de infestação em algumas áreas agrícolas, o manejo na entressafra é indispensável para reduzir a pressão de controle na pré-semeadura. Além disso, dependendo do nível de infestação e das espécies daninhas, abordagens complementares podem ser necessários, como aplicações sequenciais de herbicidas, para uma maior eficiência no controle.
Vale destacar que mesmo sem matocompetir diretamente com a cultura agrícola durante a entressafra, a presença das plantas daninhas durante esse período contribui substancialmente para a manutenção das populações infestantes e aumento do banco de sementes no solo. Consequentemente, há o acréscimo dos fluxos de emergência das plantas daninhas durante a safra, reduzindo o potencial produtivo da lavoura.
Figura 2. Dinâmica do banco de sementes de plantas daninhas no solo.

Espécies como o caruru (Amaranthus spp.) e buva (Conyza spp.), apresentam elevada capacidade em produzir sementes, podendo passar de um milhão por planta, em alguns casos (Gazziero & Silva, 2017). Essas sementes quando dispersas, passam a integrar o banco de sementes do solo, germinando e dando origem a novos fluxos de emergência (figura 3), dificultando o controle efetivo na pós-semeadura.
Figura 3. Fluxos de emergência de planta daninhas.

Dessa forma, o controle das plantas daninhas durante a entressafra, antes que produzam sementes, é fundamental para reduzir as infestações nas lavouras comerciais, especialmente em áreas com espécies resistentes a herbicidas. Nesse período, é possível empregar diferentes herbicidas e mecanismos de ação, favorecendo o manejo da resistência por meio da rotação de princípios ativos e estratégias complementares de controle.
A presença de plantas daninhas resistentes aos herbicidas pode tornar o controle mais complexo, oneroso e até mesmo inviável em alguns casos. No entanto, práticas como o cultivo de espécies que produzem elevada quantidade de palhada durante a entressafra, aliadas ao controle das plantas daninhas e o adequado posicionamento de herbicidas na entressafra, contribuem para a redução das populações infestantes em áreas agrícolas. De acordo com Gazziero et al. (2020), o uso de cobertura morta reduz a necessidade de herbicidas em sistemas de semeadura direta e pode diminuir entre 60% e 90% a emergência de plantas daninhas, em comparação com áreas mantidas em pousio durante a entressafra.
Essa estratégia empregada em conjunto com o controle de plantas daninhas na entressafra e o adequado posicionamento de herbicidas, incluindo herbicidas residuais (pré-emergentes) como o ZethaMaxx®Evo, pode reduzir significativamente a presença de plantas daninhas em ambientes agrícolas, possibilitando não só o melhore desenvolvimento das culturas comerciais, como também o manejo da resistência de plantas daninhas a herbicidas.
Referências:
GAZZIERO, D. L. P. et al. CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA ENTRESSAFRA. Revista cultivar, Grandes culturas, ed. 207, 2020. Disponível em: < https://revistacultivar.com.br/artigos/controle-de-plantas-daninhas-na-entressafra >, acesso em: 24/10/2025.
GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 24/10/2025.
LIMA DE LAI, R. L. D. et al. ECOLOGIA DE POPULAÇÕES E COMUNIDADES DE PLANTAS DANINHAS. Matologia: estudos sobre plantas daninhas, cap. 2. Jaboticabal, 2021.
SCHNEIDER, T.; RIZZARDI, M. A.; BIANCHI, M. A. DESEMPENHO POR ESTATURA: NO CONTROLE QUÍMICO DA BUVA RESISTENTE AO GLIFOSATO, O RESULTADO DA APLICAÇÃO DE HERBICIDAS PODE VARIAR DE ACORDO COM O TAMANHO DA PLANTA DANINHA. Revista Cultivar, 2019. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/desempenho_por_estatura.pdf >, acesso em: 24/10/2025.

Sustentabilidade
ALGODÃO/CEPEA: Alta na paridade de exportação sustenta preços internos – MAIS SOJA

O aumento da paridade de exportação e a valorização do Índice Cotlook A, que referencia a pluma posta no Extremo Oriente, seguem dando suporte aos preços do algodão no Brasil, conforme indicam pesquisadores do Cepea. Com a demanda internacional aquecida, vendedores seguem firmes nos valores pedidos, enquanto a maior atratividade do mercado externo tem levado tradings a pagar preços mais altos pela pluma.
De acordo com o Cepea, parte das indústrias também atua no mercado spot, mas enfrenta dificuldades na aprovação de lotes e na conciliação de preços com os vendedores. Outras ainda trabalham com matéria-prima já contratada ou em estoque, focando na venda de produtos manufaturados. Além disso, agentes consultados pelo Cepea acompanham o comportamento dos fretes, que influenciam a viabilidade de novos negócios e a logística de cumprimento dos contratos a termo.
Fonte: Cepea
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Preço reage, mas custo alto e margem negativa limitam liquidez no RS – MAIS SOJA

Mesmo com a recente alta nos preços, o mercado de arroz no Rio Grande do Sul segue com baixa liquidez. Segundo o Cepea, custos elevados, margens negativas e incertezas sobre medidas de apoio ao setor são os fatores que vêm travando as negociações. De acordo com o Centro de Pesquisas, parte dos compradores prioriza a aquisição de arroz já disponível nas unidades de beneficiamento, diante de dificuldades logísticas agravadas pela alta do diesel e pelo encarecimento dos fretes. Pelo lado da oferta, a postura segue retraída, com produtores aguardando melhores condições de venda, afirmam pesquisadores do Cepea.
Mesmo com a valorização recente, os preços atuais ainda não garantem rentabilidade, fator que ajuda a explicar a baixa liquidez que persiste no mercado. Diante desse cenário, entidades representativas, como Federarroz e Farsul, intensificam a articulação por medidas de apoio ao setor. Entre os pontos centrais está o cronograma de pagamento do custeio da safra 2025/26, atualmente estruturado em até quatro parcelas. Como a primeira parcela coincide com o período de maior oferta, a proposta das entidades é ampliar o parcelamento para oito meses, reduzindo a pressão sobre a comercialização.
Fonte: Cepea
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
Sustentabilidade
CNA inicia encontros regionais para reunir propostas ao Plano Safra – MAIS SOJA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) começa, nessa semana, a ouvir produtores rurais das cinco regiões do país para construir as propostas do setor para o Plano Agrícola e Pecuário do ciclo 2026/2027.
Os encontros vão reunir entidades, representantes de sindicatos rurais, Federações estaduais de agricultura e pecuária, produtores e especialistas sob a coordenação da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA.
As reuniões têm como objetivo discutir as principais necessidades e particularidades dos produtores em temas como crédito rural, políticas de apoio à comercialização, mercado de capitais e instrumentos de gestão de riscos.
A rodada inicial dos encontros começa terça (24), em formato online, com representantes da Região Norte. Na quinta (26), também em formato virtual, será a vez da Região Sul debater as propostas.
No dia 1º de abril, o encontro será em Brasília, com representantes do Centro-Oeste. As últimas rodadas de debates serão no Espírito Santo (região Sudeste) e Ceará (Nordeste), em data e local que serão definidos.
Todas as contribuições coletadas ao longo dos encontros serão consolidadas em um documento que será entregue ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a outras autoridades e parlamentares, como subsídio para a elaboração do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027.
Fonte: CNA
Autor:CNA
Site: CNA
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