Agro Mato Grosso
Show Safra MT 2026 ganha protagonismo e consolida papel como polo de oportunidades

Com a proximidade da próxima edição do Show Safra Mato Grosso (23 a 27 de março de 2026), a Fundação Rio Verde reafirma o compromisso de transformar o evento em algo mais do que uma feira de tecnologia e agronegócio — faz dele um verdadeiro hub de novos negócios, diversidade comercial e aproximação entre produtores, empresas e comunidade. Um dos pilares deste movimento é o espaço Show Safra Negócios, que na próxima edição promete expandir seu escopo e atrair ainda mais diversidade de segmentos e expositores.
O Show Safra Negócios surgiu para dar voz e visibilidade a empresas que atuam fora da agropecuária tradicional, abrindo espaço para comércio, serviços, tecnologia, soluções integradas e outros setores complementares à cadeia agrícola. A proposta, apoiada por entidades como CDL e Acilve e diversos empresários locais, reforça a vocação do Show Safra como motor de desenvolvimento econômico e integração regional. Conforme mencionado em vídeo institucional recente, “no Show Safra não é somente o agronegócio” — e, de fato, o Negócios é o ponto de encontro dessas múltiplas frentes que vão além do campo: comércio, serviços, tecnologia, indústria, entre outros segmentos.
A edição 2025 da feira validou com números expressivos essa vocação ampliada. Foram mais de 170 mil visitantes, abrangendo produtores rurais, empresas, investidores e público geral, e mais de 525 expositores representando cerca de 1.500 marcas, o que demonstra a escala e a diversidade da feira. O volume de empresas presentes mostra que o Show Safra MT já deixou de ser exclusivamente um evento para o agronegócio, transformando-se em um ambiente amplo de oportunidades de negócios, networking e parcerias intersetoriais.
Para 2026, o cenário se mostra ainda mais promissor. Com cerca de 80% dos espaços já comercializados, os organizadores indicam que as vendas dos pavilhões — entre eles o do Negócios — devem ser concluídas em breve. A estrutura do evento também será ampliada com a criação de novas células temáticas, mantendo núcleos já consagrados como Pecuária, Connect, Mulher, e integrando agora, de modo mais robusto, o Pavilhão Educação.
Esse movimento reforça a missão da Fundação Rio Verde de fazer do Show Safra um palco de transformação, onde “a produção vira oportunidade”. O Show Safra Negócios consolida-se como uma vitrine para empresas que buscam ampliar horizontes, fomentar parcerias e se conectar com produtores rurais e o setor agroindustrial de Mato Grosso e do Brasil. A presença de tantos segmentos diferentes e a perspectiva de público expressivo fazem do espaço um ambiente fértil para inovação, comércio, serviços e crescimento — não só para quem planta, mas também para quem produz, fornece, comercializa ou busca se integrar de forma mais ampla à economia da região.
Com a força dos números de 2025 e a projeção ambiciosa para 2026, o Show Safra Negócios reafirma seu papel de ponte entre o campo e o mercado, estimulando a diversificação econômica sem perder de vista as raízes do agronegócio. É nessa combinação — tradição e inovação — que o evento se firma como referência nacional, e onde empresários de diferentes áreas têm a chance de transformar ideias em oportunidades reais.
Agro Mato Grosso
Soja em MT atinge maior preço em dois anos e produtores aceleram vendas

Saca chegou a R$ 140,85 em setembro, após permanecer abaixo de R$ 100 no início de 2026; Imea estima produção de 48,88 milhões de toneladas na safra 26/27
Agro Mato Grosso
Dia do Algodão expõe avanço de Mato Grosso na produção e na cadeia da fibra

Mato Grosso passou a ocupar um espaço cada vez maior na produção brasileira de algodão nas últimas duas décadas. A produção estadual cresceu 267,3% desde o início da série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), movimento acompanhado pela expansão da área e pelo ganho de produtividade.
Na safra 2007/08, primeiro ciclo acompanhado pelo instituto, foram produzidas 1,99 milhão de toneladas de algodão em caroço em 530 mil hectares. Em 2024/25, o volume chegou ao recorde de 7,32 milhões de toneladas, enquanto a área alcançou 1,55 milhão de hectares.
O avanço ajuda a dimensionar o peso que a cultura passou a ter no estado. E, neste 7 de outubro, Dia do Algodão, os números também mostram que a relevância da atividade não está restrita à produção da pluma destinada à indústria têxtil.
O crescimento ocorreu tanto pela incorporação de novas áreas quanto pela evolução da produtividade das lavouras. O rendimento, que era de 251,27 arrobas por hectare em 2007/08, alcançou 330,25 arrobas por hectare em 2025/26. O resultado representa avanço de 31,4% e estabelece o recorde da série do instituto.
“A partir daquela safra, observamos uma consolidação de um novo patamar produtivo do algodão em Mato Grosso, tanto em área quanto em produção”, explica a analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira, ao apontar a safra 2018/19 como um momento de mudança. Naquele ciclo, a área cultivada ultrapassou 1 milhão de hectares e a produção passou a superar 4,5 milhões de toneladas.
Produção ganha escala e amplia aproveitamento
A dimensão alcançada pela cotonicultura também se reflete no que acontece depois da colheita. A pluma é apenas uma das partes aproveitadas da planta, enquanto caroço, línter e fibras curtas seguem para diferentes finalidades.
O caroço pode ser transformado em óleo, farelo e torta. O óleo tem utilização na alimentação e também pode servir como matéria-prima para biocombustíveis. Já o farelo e a torta são destinados principalmente à alimentação de bovinos, assim como a casca, utilizada como fonte de fibra.
O beneficiamento também separa o línter, formado pelas fibras muito curtas que permanecem aderidas ao caroço. O material não tem comprimento suficiente para a produção convencional de tecidos, mas pode ser empregado em papel-moeda, filtros, celulose e produtos farmacêuticos.
“São fibras extremamente curtas que permanecem aderidas ao caroço mesmo depois do beneficiamento do algodão. Apesar de não terem comprimento suficiente para a indústria têxtil convencional, elas possuem características que permitem seu aproveitamento em diferentes produtos”, diz Cíntia.
Outras fibras curtas podem ser destinadas à fabricação de sacaria, feltros, mantas, tapetes e materiais de isolamento. Dessa forma, o beneficiamento amplia os destinos da produção e reduz a ideia de que o algodão termina quando a pluma é separada do caroço.
Cadeia brasileira ganha espaço no mercado mundial
O avanço de Mato Grosso ocorre dentro de uma cadeia que também ganhou espaço no mercado internacional. O Brasil é hoje o maior exportador e o terceiro maior produtor mundial de algodão, conforme dados apresentados pelo programa Sou de Algodão, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
A produção nacional está concentrada no Cerrado e ocorre predominantemente em regime de sequeiro, com aproveitamento da água das chuvas. A característica reduz a dependência de irrigação e está entre os aspectos considerados pelo setor nas práticas de produção mais sustentáveis.
Outro ponto é a estrutura da cadeia produtiva. O algodão brasileiro passa por etapas que vão do cultivo ao beneficiamento, com controle de qualidade ao longo do processo. No mercado interno, a fibra é a principal matéria-prima natural utilizada pela indústria têxtil, que consome cerca de 720 mil toneladas por ano.
A certificação também ganhou espaço. Na safra 2024/25, 79% do algodão brasileiro foi certificado pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), criado em 2012 e voltado a critérios socioambientais da produção.
“O algodão, e o algodão brasileiro em especial, carrega uma responsabilidade que vai além da lavoura: ele está presente na roupa que vestimos, na renda que geramos no campo e na cidade e na alternativa concreta que oferecemos frente aos impactos ambientais dos tecidos sintéticos”, afirma Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa.
Data coloca fibra natural no centro do debate
A discussão sobre o algodão também passou a envolver a origem dos materiais utilizados pela indústria e os impactos provocados depois do consumo. Nesse cenário, a Abrapa lançou, junto a outras fibras naturais, o movimento “Fim da Linha”, que chama atenção para os microplásticos liberados pelos tecidos sintéticos durante seu ciclo de vida.
O tema se conecta à campanha “Naturalmente Presente”, do programa Sou de Algodão, escolhida para marcar o Dia Mundial do Algodão deste ano. A data é celebrada em 7 de outubro desde que foi oficialmente proclamada pela Assembleia Geral da ONU, em 2021.
Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, a discussão coloca em lados diferentes os materiais sintéticos e as fibras naturais. “Se os sintéticos representam o fim de um ciclo problemático, o algodão representa uma presença natural, renovável e biodegradável na história do brasileiro”.
Em Mato Grosso, a trajetória das últimas quase duas décadas dá uma dimensão concreta desse mercado. A cultura saiu de uma produção de 1,99 milhão de toneladas para um recorde de 7,32 milhões e passou a combinar escala, produtividade e diferentes possibilidades de aproveitamento.
A estimativa atual aponta para 6,65 milhões de toneladas em 2026/27. Ainda que abaixo do recorde, o volume mantém o estado em um dos maiores patamares de sua história e sustenta a posição de Mato Grosso como principal referência da produção nacional.
Assim, o Dia do Algodão encontra no estado um dos exemplos mais expressivos da transformação da cultura no Brasil: uma atividade que cresceu em área e rendimento, mas que também diversificou os caminhos percorridos pela planta depois que sai da lavoura.
Agro Mato Grosso
VÍDEO: ariranhas ‘brincam na areia’ no Pantanal de MT; biólogo explica

Segundo biólogo, o momento de descanso é chamado por especialistas de “acampamentos”; os animais já estão habituados à presença humana na região turística do Pantanal.
Uma dupla de ariranhas foi flagrada brincando na areia em Poconé, a 104 km de Cuiabá, no Pantanal mato-grossense. O registro foi feito pela guia de turismo selvagem Milca Zucchi há cerca de duas semanas, e mostrou os animais em um momento de descanso e interação (assista abaixo).
Segundo o biólogo Lucas Lima, apesar de serem predadoras, as ariranhas são animais extremamente sociais e até os momentos de descanso podem se transformar em ocasiões de interação entre os indivíduos. Os movimentos na areia também podem ajudar na secagem dos pelos quando os animais sobem às margens dos rios.
🦦 Disputas por território
A tranquilidade dos animais chama atenção porque as ariranhas são territorialistas e podem se envolver em disputas com outros grupos. De acordo com o especialista, porém, no vídeo, os animais estão em um momento de descanso no que o biólogo chama de “acampamento”.
“Trata-se de uma área em um barranco ou até mesmo em um tronco de árvore sob a água, onde eles param para um descanso que geralmente ocorre no meio do dia’” esclareceu.
As ariranhas demarcam o território por meio de latrinas, que funcionam como banheiros. Segundo Lucas, o macho dominante é sempre o último indivíduo a utilizá-las. Os animais também sobem em troncos e barrancos e amassam a vegetação, deixando seu cheiro no local.
A proteção do território ocorre principalmente quando um grupo encontra outro. De acordo com o biólogo, esses encontros geralmente terminam em brigas que podem causar ferimentos graves e até levar à morte.
📸 Habituadas à presença humana
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Dupla de ariranhas é flagrada brincando na areia durante momento de descanso em Poconé (MT). — Foto: Milca Zucchi
Apesar desse comportamento territorial, as ariranhas que vivem em regiões turísticas do Pantanal podem apresentar uma reação diferente diante da presença humana. De acordo com Lucas, os animais já estão habituados à presença de pessoas e entendem que não precisam fugir quando são observados pelos barcos, e, segundo guias locais, até “posam” para algumas fotos.
“Elas entenderam que os humanos não são um perigo e, por isso, sentem-se tranquilas em desempenhar seu comportamento natural, sem querer fugir ou demonstrar sinais de estresse”, explicou.
A tolerância à presença humana, no entanto, não significa que os visitantes possam se aproximar dos animais. Mesmo quando as ariranhas permanecem tranquilas diante das embarcações, é necessário respeitar uma distância segura.
“Mesmo com essa tranquilidade, é preciso manter uma distância segura de, no mínimo, 30 metros e jamais alimentar os animais”, orientou.
A recomendação vale mesmo quando os animais aparentam não se incomodar com a presença dos visitantes.
*Sob supervisão de Jardes Johnson.
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