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Ampliação de terras indígenas ameaça empregos e renda em Mato Grosso

A homologação de novas áreas indígenas em Mato Grosso tem provocado apreensão entre produtores e funcionários que vivem na região de Brasnorte. Eles afirmam que podem ser obrigados a deixar propriedades consolidadas há décadas, com estruturas produtivas construídas ao longo de uma vida no campo.
Os impactos econômicos também preocupam. A atividade na área movimenta milhões por ano e sustenta centenas de empregos diretos, que agora podem ficar comprometidos caso nada seja revisto.
Valdir Pedro Orso possui uma licença do Ibama de 1983, e frisa que toda a estrutura da fazenda foi construída ao longo de uma vida. Ele lembra dos pés de manga plantados há 44 anos, das casas e do barracão construídos e dos 50 quilômetros de cerca.
“Fomos formando pastagem, abrindo. Eu tenho uma licença do Ibama de 1983 para a abertura de área que eu paguei as taxas, as guias. Hoje estamos com uma estrutura consideravelmente boa, só que aí veio esse impasse”, diz ele ao Patrulheiro Agro desta semana. Para o produtor, nada paga a história construída: “Eu não vendi. Todo dinheiro que me der é pouco”.
A propriedade de Valdir possui 2.950 hectares em Sistema de Integração Lavoura-Pecuária. O produtor diz que o sentimento é de perda profunda e compara a situação ao luto. “É que nem quando morre uma pessoa. Você sente aquele sentimento que foi embora. É o que está acontecendo com nós”, relata.
Ele afirma que os produtores não estão tendo chance de defesa e teme o que vem pela frente. “Eu vou pegar minhas traias lá e levar para onde? Eles estão tirando de nós uma coisa boa, sagrada. O que tem é agora do dia 5 até o dia 15 dizer se essa lei que está escrita aqui na Constituição vale. Se ela não valer, acabou”, desabafa.
Histórias e patrimônio ameaçados
O produtor Flávio Giacomet também vive um impasse. Ele lembra que comprou a área em Brasnorte com documentação e manteve o manejo florestal sustentável dentro do que determinava a legislação. “Sempre tem a esperança que um dia alguém vai ver a maneira como é feita essa lei”, diz.
Flávio empregava cerca de 30 funcionários na área manejada, que somava quase cinco mil hectares. Ele lembra que recebeu uma notificação do Ibama em 2004 suspendendo o manejo por 90 dias, período que nunca foi retomado. “Desde essa época eu nunca mais reativei o manejo por causa dessa pretensão de ampliação de área indígena”, conta. Segundo ele, a assinatura do novo decreto acendeu o alerta definitivo. “Vou perder a minha área se não reverter isso aí”.
Impacto econômico e número de empregos
Na Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, estudos apontam que a área em expansão ultrapassa 250 mil hectares. Dentro do território há registros de 871 hectares de soja, 2,4 mil hectares de milho segunda safra e um rebanho bovino de mais de 44 mil cabeças. O abate anual chega a 15 mil animais. Somando todas as atividades, o movimento econômico supera R$ 80 milhões por ano e garante 242 empregos diretos.
Para lideranças locais, o impacto pode atingir toda a cadeia produtiva. “Deixa de gerar renda para o município, impostos. Quem que vai querer investir na nossa região?”, questiona o presidente do Sindicato Rural de Brasnorte, Sandro Manosso.
O presidente da Associação dos Produtores do Vale do Rio do Sangue, Leonardo Silva, pontua que a área indígena atual já soma 46 mil hectares para menos de 400 indígenas. Conforme ele, a ampliação alcança diversas propriedades e chega ao Assentamento Banco da Terra, onde vivem cerca de 30 pequenas famílias.
Para Leonardo, as autoridades deveriam ter preocupação com tais famílias “antes de assinar um decreto para desalojar” elas. “O que essas pessoas vão fazer? Como é que a gente vai prestar assistência para essas famílias que de repente vão ter seu ganha pão tirado delas?”, pergunta.
Leonardo frisa que muitos estão na região há mais de 40 anos com título emitido pelo estado. “Agora por uma decisão, por uma interpretação diferente da lei, tudo deixa de valer e a gente está sendo expulso das nossas áreas. Eu já sou a segunda geração da nossa família nesse problema, então eu sofro com isso sem saber o que vai acontecer”.
Além da Terra Indígena Manoki, também foram homologadas Uirapuru, Estação Parecis e criada a Reserva Indígena Kanela do Araguaia.
Estudo realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que as homologações e a criação da nova reserva podem impactar o Valor Bruto da Produção (VBP) em R$ 170,58 milhões e eliminar 498 postos de trabalho.
Insegurança jurídica e discussão constitucional
O vereador de Brasnorte, Norberto Junior, destaca que o processo ocorre paralelamente ao julgamento do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal (STF). “Essa homologação por uma decisão monocrática vem totalmente contra fazer valer a lei e valorizar o direito da propriedade que está garantido na Constituição”, ressalta.
Entre os trabalhadores, a incerteza também cresce. O vaqueiro José Sidelor Ramos Roselim trabalha há mais de 30 anos na atividade e depende da remuneração das fazendas da região. “Nós dependemos dos produtores. Se não fosse por eles nós não estaríamos aqui também. Meu ganha pão sai daqui”.
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Após altas recordes, cotação do boi gordo perde força

O mercado físico do boi gordo encerrou abril com preços variando de estáveis a mais altos, embora abaixo dos patamares observados no início do mês. Na primeira quinzena, a restrição de oferta impulsionou as cotações e levou o boi a máximas no período.
A partir da segunda metade do mês, porém, os frigoríficos avançaram nas escalas de abate e passaram a exercer maior pressão sobre o mercado, reduzindo o ritmo de alta. O cenário também foi marcado por especulações sobre o esgotamento da cota de exportação para a China, o que pode indicar demanda menor no terceiro trimestre, justamente quando aumenta a oferta de animais confinados.
No dia 29 de abril, os preços da arroba a prazo apresentaram comportamentos distintos nas principais praças pecuárias. Em São Paulo, a cotação ficou em R$ 360,00, estável frente ao fim de março. Em Goiânia, houve alta para R$ 345,00, enquanto em Uberaba o valor recuou para R$ 340,00. Já em Dourados, o preço se manteve em R$ 350,00, e em Cuiabá subiu para R$ 360,00. Em Vilhena, a arroba avançou para R$ 330,00.
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Atacado
No atacado, o mês foi marcado por valorização expressiva da carne bovina, com destaque para o quarto dianteiro, que atingiu R$ 23,50 por quilo, alta de 7,80% frente ao fim de março. Os cortes do traseiro também subiram, chegando a R$ 28,50 por quilo.
Exportações
O bom desempenho das exportações contribuiu para esse movimento. O Brasil embarcou 216,266 mil toneladas de carne bovina em abril (até 16 dias úteis), gerando receita de US$ 1,340 bilhão. O preço médio ficou em US$ 6.200,70 por tonelada.
Comparações
Na comparação com abril de 2025, houve crescimento. Foi registrada alta de 38% na receita média diária, avanço de 11,9% no volume embarcado e valorização de 23,2% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
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Agro Mato Grosso
Valtra aposenta a lendária linha BH e lança Série M5 na Agrishow 2026

Após 26 anos dominando os canaviais, linha histórica do trator BH dá lugar a tratores mais tecnológicos, confortáveis e preparados para a agricultura digital
A Valtra oficializou, durante a Agrishow 2026, uma virada histórica no mercado de mecanização agrícola: a aposentadoria da consagrada Série BH e o lançamento da nova Série M5, apresentada como a “evolução da lenda”. Mais do que uma troca de portfólio, o movimento simboliza a transição entre gerações de tecnologia no campo brasileiro. Com 26 anos de trajetória, o BH não foi apenas um trator — foi um marco na mecanização do setor sucroenergético. Lançado em 2000, com os modelos BH140, BH160 e BH180, a linha rapidamente se consolidou como sinônimo de robustez e confiabilidade em operações severas. Herdando a tradição dos clássicos Valtra-Valmet 1580, 1780 e 1880S, o BH se tornou o “canavieiro raiz”, dominando os canaviais e sendo peça-chave em atividades como preparo de solo, plantio e transbordo.

Ao longo dos anos, a linha evoluiu em ciclos consistentes: a Geração 2 (2007) e a Geração 3 (2013) reforçaram sua liderança, enquanto a Geração 4, em 2017, elevou a potência para até 220 cv. Em 2018, a chegada da BH HiTech marcou o salto tecnológico com transmissão automatizada no segmento pesado. Esse histórico rendeu à Valtra, por uma década consecutiva, o reconhecimento do prêmio Master Cana como melhor trator do setor sucroenergético. Agora, esse legado ganha continuidade — e sofisticação — com a Série M5.

A evolução da lenda
A nova linha chega com os modelos M165 (165 cv) e M185 (185 cv), projetados para ampliar a produtividade em culturas como grãos, arroz e, naturalmente, cana-de-açúcar. Segundo a fabricante, a proposta é clara: preservar o DNA de força do BH, mas incorporar inteligência operacional, eficiência energética e conforto ao operador.
Em entrevista exclusiva a Marcio Peruchi, diretamente da feira, o diretor de marketing da Valtra, Fabio Dotto, destacou que a decisão não representa ruptura, mas evolução. “O BH fez uma história muito bonita no agro. Ele evoluiu desde os anos 2000 até hoje sempre ao lado do produtor. Tudo aquilo que fez o BH ser reconhecido foi mantido.
O que estamos fazendo agora é evoluir com tecnologias necessárias para os dias atuais”, afirmou. “Melhoramos a transmissão, trouxemos mais conforto e tecnologia na medida certa. O DNA permanece.” Essa visão é reforçada por Winston Quintas, coordenador de Marketing e Produto Trator da marca: “É uma nova era que começa. A Série M5 marca o próximo passo da evolução histórica da família BH, pensada estrategicamente para entregar máxima performance nas principais culturas do agronegócio brasileiro.”

Tecnologia embarcada e foco no operador
A Série M5 materializa esse avanço em uma série de inovações técnicas e operacionais. O conjunto é equipado com motores AGCO Power de 4 cilindros, reconhecidos pela eficiência e economia de combustível. A nova Transmissão Power Shift HiTech 3 sincronizada permite trocas de marcha com o trator em movimento, com maior suavidade e ganho operacional — um ponto crítico em jornadas intensas no campo.
O sistema hidráulico também foi reforçado, com vazão de 205 litros por minuto, garantindo desempenho consistente mesmo com implementos pesados e em condições severas.
No campo do conforto, a evolução é ainda mais evidente. A cabine foi completamente redesenhada, com novos revestimentos, assentos aprimorados e soluções práticas como uma “cooler box” integrada — detalhe que evidencia a preocupação com o bem-estar do operador em longas jornadas.
Visualmente, o trator também marca uma nova fase, com design mais moderno e robusto, destacando o novo capô de 5ª geração.
DNA canavieiro preservado
Mesmo com a ampliação de atuação para diferentes culturas, a Série M5 mantém uma ligação direta com o setor que consagrou o BH: a cana-de-açúcar. O tradicional kit canavieiro segue presente, incluindo eixo dianteiro com bitola de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola — elementos fundamentais para operações de transbordo com máxima eficiência.
Tradição e futuro no mesmo equipamento
Para a Valtra, o lançamento da Série M5 representa mais do que um avanço tecnológico — é a consolidação de um conceito: unir a força do passado com as demandas do futuro
“O que fizemos foi honrar a herança de força incansável da linha BH, elevando a máquina ao seu ápice tecnológico. Entregamos um trator que respeita sua história, mas que olha para frente com inteligência operacional e conforto. É o encontro entre o trabalho bruto e a agricultura digital”, resume Winston Quintas.
O fim da Série BH encerra um dos capítulos mais emblemáticos da mecanização agrícola brasileira. Já a chegada da Série M5 deixa claro que, no campo, a evolução não apaga a história — ela a transforma em base para o próximo salto.
Business
Como o mercado de soja fechou o mês de abril? Ritmo lento dita negócios; saiba mais

O mercado brasileiro de soja encerrou o mês de abril com preços estáveis e baixo volume de negociações, refletindo um período de cautela por parte dos produtores. Ao longo do mês, as vendas foram pontuais, com foco no encerramento da colheita e na expectativa por condições mais favoráveis de comercialização.
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Entre os principais fatores que influenciam a formação de preços, o cenário foi misto. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos futuros apresentaram leve valorização, enquanto no Brasil o câmbio atuou de forma negativa, com a queda do dólar frente ao real pressionando os preços internos.
Preços no Brasil
No mercado físico, houve pequenas variações nas cotações. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00. Já em Cascavel (PR), o avanço foi de R$ 120,00 para R$ 121,00, enquanto em Rondonópolis (MT) os preços passaram de R$ 108,00 para R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), a cotação saiu de R$ 130,00 para R$ 131,00.
Contratos futuros de soja
Os contratos futuros com vencimento em julho, os mais negociados em Chicago, acumularam alta de 0,75% no mês, sendo cotados a US$ 11,95 por bushel no dia 30. O suporte veio, principalmente, da valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e de sinais de retomada na demanda norte-americana.
Soja em Chicago
No cenário internacional, o mercado acompanha expectativas envolvendo os Estados Unidos e a China, com possíveis acordos comerciais que possam impulsionar as exportações da oleaginosa. Ainda assim, o ambiente segue pressionado pela ampla oferta global, com destaque para a safra recorde brasileira, boa produção na Argentina e perspectivas positivas para o plantio americano.
Câmbio
Internamente, o câmbio segue como fator limitante. O dólar operou abaixo de R$ 5,00 no fim de abril, sendo cotado a R$ 4,997 no dia 30, acumulando queda de 3,5% no mês. A entrada de capital estrangeiro, atraído pelos juros elevados no Brasil, contribuiu para a valorização do real e impactou negativamente a competitividade das exportações.
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