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5 de novembro de 2026

Sustentabilidade

Resistência e suscetibilidade de capim-amargoso a herbicidas – MAIS SOJA

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  • Perdas por matocompetição em soja: 21% para 1 planta/m² de capim-amargoso
  • Casos de resistência: Argentina, Bolívia, Paraguai e Brasil
  • Resistencia a herbicidas no Brasil: EPSPs e ACCase
  • Baixa suscetibilidade aos herbicidas haloxyfop, clethodim e glyphosate

Uma das principais plantas daninhas do sistema de produção de grãos, o capim-amargoso (Digitaria insularis), é considerada uma espécie perene, pertencente a família Poaceae (gramínea), com capacidade em formar touceiras, além de se reproduzir por sementes e pequenos rizomas, o que contribui para sua persistência em áreas agrícolas.

A espécie ainda apresenta elevada habilidade competitiva e grande capacidade em causar danos. Estudos demonstram que o aumento da densidade populacional de capim-amargoso em áreas agrícolas eleva a perda de produtividade em função da matocompetição, ao ponto que, 1 planta daninha por metro quadrado, pode resultar em perdas de produtividade de até 21% em soja.

Figura 1. Perdas de produtividade em soja em função da matocompetição com capim-amargoso.

Além da elevada habilidade competitiva, em função da sua capacidade em formar touceiras, é comum observar em alguns casos, plantas de capim-amargoso com resistência a herbicidas que rebrotam após a dessecação, resultando em um controle ineficiente dessa planta daninha.

Até o momento, há registros de resistência do capim-amargoso a herbicidas na Argentina, Bolívia, Paraguai e Brasil. No Brasil, os primeiros casos datam de 2008, 2016 e 2020. Em 2008, registrou-se resistência ao glifosato (inibidor da EPSPs) em áreas de milho e soja. Em 2016, foi identificada resistência aos herbicidas fenoxaprop-etil e haloxifop-metil (inibidores da ACCase) em lavouras de soja. Já em 2020, os relatos apontam resistência múltipla, envolvendo fenoxaprop-etil, glifosato e haloxifop-metil, combinando mecanismos de resistência a inibidores da ACCase e da EPSPs (Heap, 2025).

Mais recentemente, um estudo conduzido por Oliveira Junior et al., (2025) monitorou a ocorrência de casos de resistência a herbicidas em biótipos de capim-amargoso provenientes de diferentes regiões agrícolas do Brasil. Os locais de coleta abrangeram os estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná.

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De acordo com os resultados observados por Oliveira Junior et al. (2025), foram encontrados biótipos de capim-amargoso com suspeita de resistência para glyphosate, haloxyfop e clethodim, no entanto, apenas um biótipo de capim-amargoso foi considerado de baixa suscetibilidade (classe vermelha) ao haloxyfop e ao clethodim (simultaneamente), mas diversos biótipos apresentaram suscetibilidade baixa ao glyphosate.

Figura 2. Mapas da distribuição das amostras de Digitaria insularis (médias das quatros repetições). As cores indicam a classificação das amostras conforme metodologia proposta pelo HRAC após a interpretação dos resultados de controle visual (%) obtidos aos 28 dias após o tratamento, com o herbicida glyphosate nas doses 1080 e 2160 g e.a h-1 (A e B respectivamente), haloxyfop nas doses 124 e 248 g i.a h-1 (C e D respectivamente), clethodim nas doses 240 e 480 g i.a h-1 (E e F respectivamente). Maringá, PR, 2022.
Fonte: Oliveira Junior et al. (2025)

Considerando os casos de resistência já relatados e a baixa suscetibilidade de alguns bióticos do capim-amargoso a determinados herbicidas, adotar estratégias de manejo integradas que possibilitem a redução das infestações de capim-amargoso em áreas agrícolas é determinante para o obtenção de altas produtividades. Além disso, tanto os casos relatados de resistência quando a baixa suscetibilidade observada por Oliveira Junior et al. (2025) demonstram a dificuldade em se controlar o capim-amargoso na pós-emergência.

Portanto, ferramentas alternativas como o uso de herbicidas pré-emergentes, associadas a práticas integradas, devem ser adotadas em lavouras comerciais para reduzir a pressão de seleção de biótipos resistentes de capim-amargoso a herbicidas, bem como aumentar a eficiência no controle dessa espécie daninha.


Veja mais: Controle em pós emergência de capim amargoso: como manejar? Quais as dicas de utilização?


Referências:

HEAP, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANTE WEED DATABASE, 2025. Disponível em: < https://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 24/11/2025.

OLIVEIRA JUNIOR, R. S. et al. MONITORAMENTO DE RESISTÊNCIA EM BIÓTIPOS DE Digitaria insularis E Eleusine indica NO BRASIL. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas – HRAC-BR, 2025. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/1hPuAqt9_d1wnHW8-yPqOfHp6VGtKOrQi/view >, acesso em: 24/11/2025.

 

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Sustentabilidade

Farsul alerta para o risco de caducidade da MP 1376 – MAIS SOJA

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A Farsul intensificou a mobilização política em Brasília e junto ao Congresso Nacional para alertar sobre a urgência na votação e na ampliação da abrangência da Medida Provisória nº 1.376/2026, cujo prazo final de deliberação encerra-se no próximo dia 11 de novembro. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais e ofícios encaminhados às principais lideranças legislativas, incluindo o relator da matéria, deputado federal Paulo Pimenta, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, além dos senadores Renan Calheiros e Tereza Cristina, a entidade reforçou que o tempo urge para evitar a perda de vigência da norma.

De acordo com dados do Banco Central destacados pela federação, a dimensão do endividamento no campo é alarmante. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o saldo problemático do crédito rural no Brasil, que engloba operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas, disparou 47,7%, saltando de R$ 139,08 bilhões para R$ 205,46 bilhões. No Rio Grande do Sul, o volume cresceu 26,4% no mesmo período, passando de R$ 34,94 bilhões para R$ 44,18 bilhões, o que representa impressionantes 39,2% de toda a carteira de crédito rural do Estado.

Em contrapartida, os registros oficiais do Sistema de Operações de Crédito Rural e do Proagro (SICOR) apontam que, até 30 de setembro de 2026, as operações de composição de dívidas vinculadas à MP alcançaram renegociações de R$ 5,55 bilhões a nível nacional e R$ 4,58 bilhões no território gaúcho. Para a Farsul, embora os recortes estatísticos possuam especificidades e não contemplem, por exemplo, as renegociações de Cédulas de Produto Rural (CPRs), os montantes evidenciam um abismo entre a escala do endividamento problemático real e o volume efetivamente absorvido pelo mecanismo atual.

Diante do relatório apresentado pelo deputado Paulo Pimenta e da perspectiva de apresentação de voto em separado pela FPA, a direção da Farsul defende a construção de um entendimento consensual. O objetivo é assegurar um texto alternativo ou ajustes no relatório que removam entraves burocráticos de acesso, ampliem o alcance do enquadramento e garantam prazo hábil para requerimento, análise e contratação por parte dos produtores.

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A federação alerta que, caso a MP caduque sem as devidas alterações estruturais, cerca de 80% dos produtores rurais poderão ficar alijados da possibilidade de alongamento de suas obrigações financeiras, gerando reflexos severos na liquidez do setor e na estabilidade das próximas safras de culturas altamente mecanizadas.

Fonte: Farsul



 

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Sustentabilidade

Entregas de fertilizantes caem 10,4% no período de janeiro e agosto – MAIS SOJA

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Em maio, junho e julho, redução nas entregas de fertilizantes foi de 15% a 20%, refletindo a persistência das graves adversidades geopolíticas globais e as dificuldades do produtor rural, como escassez de crédito, riscos de recuperações judiciais, altas taxas de juros, aumento de custos e riscos climáticos, em especial o El Niño.

A ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro no acumulado dos primeiros oito meses de 2026 foram de 27,31 milhões de toneladas. Isso significou redução de 10,4% ante as 30,47 milhões registradas em igual período de 2025. Em agosto, foram 4,33 milhões de toneladas, ante 5,25 milhões em 2025, com uma redução de 17,6%.

A ANDA relembra que o ano começou favorável, refletindo no primeiro trimestre o impacto positivo da boa safrinha. Mas, logo a seguir, com o início da guerra no Irã, em fevereiro, verificou-se o arrefecimento de novos negócios, que acabou sendo percebido com a queda das entregas a partir de maio, num ciclo que perdurou nos dados de agosto.

O Estado de Mato Grosso, líder nas entregas ao mercado, concentra a maior quantidade no período de janeiro a agosto, com 6,77 milhões de toneladas, ou 24,8% do total. Seguem-se: Paraná (3,07 milhões), Goiás (2,90 milhões), São Paulo (2,79 milhões), Rio Grande do Sul (2,24 milhões), Minas Gerais (2,07 milhões) e Bahia (1,96 milhão).

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A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou agosto de 2026 com 418 mil toneladas. O volume representa queda de 40,2% na comparação interanual. No acumulado dos oito meses, foram 3,75 milhões de toneladas. Houve queda de 22,7% em relação a igual período de 2025, quando se produziram 4,86 milhões de toneladas.

As importações de fertilizantes intermediários continuam chegando ao Brasil com redução, totalizando, em agosto, 3,03 milhões de toneladas, com queda de 34%. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o total foi de 24,27 milhões de toneladas, significando retração de 12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram importadas 27,58 milhões de toneladas.

No porto de Paranaguá, principal porta de entrada dos adubos, ingressaram, de janeiro a agosto, 5,83 milhões de toneladas, indicando redução de 17,7% em relação a 2025, quando foram descarregadas 7,08 milhões de toneladas. O terminal representou 24% do total importado de todos os portos (Fonte: Siacesp/MDIC).

As informações são da ANDA.

Fonte: Agência Safras

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FONTE

Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Como a planta de soja sabe que deve emitir um novo nó? – MAIS SOJA

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O número de nós na haste principal é uma das variáveis mais usadas para acompanhar o desenvolvimento da soja a campo. O intervalo de tempo térmico (graus dia ou soma térmica) entre a emissão de um nó e o próximo é chamado de plastocrono. Até pouco tempo, esse valor era tratado como constante durante toda a cultura, sem considerar que, a partir do florescimento, a emissão de nós passa a ocorrer junto com o desenvolvimento reprodutivo.

Um estudo conduzido por Dalla Porta et al. (2024), da equipe FieldCrops, reuniu 17 experimentos ao longo de 7 safras e 4 locais do Rio Grande do Sul (RS), com 25 cultivares de soja, sendo 6 de hábito de crescimento determinado e 19 de hábito indeterminado. Em vez de calcular um único plastocrono para o ciclo todo, foi dividido o período de emissão de nós em fases: nas cultivares indeterminadas, fase inicial (V1 a R1), intermediária (R1 a R3) e final (R3 a R5); nas determinadas, que têm menor sobreposição entre os estádios vegetativo e reprodutivo, apenas fase inicial (V1 a R1) e final (R1 a R3). Essa divisão permite acompanhar melhor a sobreposição entre o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo durante a emissão de nós.

Os resultados mostraram que o ritmo de emissão de nós muda conforme o hábito de crescimento e a disponibilidade de água. Em cultivares determinadas irrigadas, a fase inicial do plastocrono (59,7 °C dia nó-1) foi mais rápida que a fase final (65,7 °C dia nó-1), enquanto no sequeiro essa diferença desaparece, com média de 70,1 °C dia nó-1 (Figura 1A e 1B). Já nas cultivares indeterminadas irrigadas, a fase intermediária foi a mais rápida (58,5 °C dia nó-1), mas no sequeiro o destaque foi a fase final, que praticamente dobrou o ritmo de emissão de nós, com plastocrono de 79,4 °C dia nó-1 frente a 60,6 °C dia nó-1 nas fases inicial e intermediária (Figura 1C e 1D), evidenciando o efeito do déficit hídrico justamente no período em que a planta já está formando vagens e grãos.

Figura 1. Plastocrono (°C dia nó-1) por fase de desenvolvimento em cultivares de soja de hábito determinado irrigadas (A) e de sequeiro (B), e de hábito indeterminado irrigadas (C) e de sequeiro (D), em sete safras e 17 experimentos no Rio Grande do Sul. Fonte: adaptado de Dalla Porta et al. (2024).

Os autores também observaram que esse padrão está ligado ao hábito de crescimento da cultivar, e não ao seu grupo de maturidade, o que reforça a importância de considerar essa característica na hora de interpretar a velocidade de desenvolvimento a campo. Dividir o plastocrono em fases, como proposto no estudo, dá uma base mais realista para os modelos de simulação da soja, aproximando a estimativa do número de nós — e, por consequência, do estádio de desenvolvimento da lavoura — do que de fato acontece quando a planta enfrenta déficit hídrico durante o enchimento de vagens e grãos.

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Referências:

DALLA PORTA, F.S. et al. Improving understanding of the plastochron of determinate and indeterminate soybean cultivars. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 28, n. 10, e278299, 2024. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v28n10e278299 >, acesso: 01/11/2026.

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