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20 de junho de 2026

Sustentabilidade

Sem manejo adequado, soja e pastagem abrigam ‘biofábricas’ de lagartas para milho e algodão, alerta entomologista da UFG – MAIS SOJA

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Engenheira agrônoma, entomologista com mais de quarenta anos de atividades, a professora de Manejo Integrado de Pragas da UFG – Universidade Federal de Goiás, Cecília Czepak, se preocupa com o avanço contínuo das pragas nos cultivos brasileiros. Em relação a lepidópteros, especificamente, tema de vários estudos da acadêmica, ela alerta para registros de aumento substancial de populações dessas espécies, sobretudo da Spodoptera frugiperda, nos cultivos de milho segunda safra e algodão.

Segundo a pesquisadora, tradicionalmente, uma parcela significativa de produtores de soja não investe no manejo efetivo de lepidópteros. “Isso faz com que áreas de soja ‘funcionem’ como ‘biofábricas’ de lagartas”, ela resume.

“Devemos considerar ainda que temos hoje em torno de 170 milhões de hectares de pastagem. Deste montante, pelo menos 100 milhões de hectares estão degradados ou esgotados por anos e anos de cultivos sem tecnologia, praticamente abandonados”, afirma Cecília. “A pastagem tornou-se também ‘biofábrica’ de inúmeras pragas, entre elas as lagartas”, acrescenta. “Em geral, ao lado da pastagem há enormes lavouras de soja. Se em ambas as áreas não houver um manejo adequado destas pragas, agricultores estarão à mercê de intensos ataques nos cultivos adjacentes ou que virão em sequência”, explica.

Há algum tempo, lembra a pesquisadora, a tecnologia ‘Bt’ proporcionava ao agricultor um bom controle de lagartas. “Infelizmente estamos perdendo essa tecnologia”, observa Cecilia. “Hoje lagartas sobrevivem na soja Bt, por exemplo. De uma quantidade remanescente, não manejada, uma explosão populacional na época do milho safrinha e do algodão tende a ser inevitável.”

“Chega-se, depois, ao momento em que o produtor de milho e algodão se assusta com a elevada população de lagartas e passa a aplicar altas doses de inseticidas químicos”, prossegue Cecilia Czepak.

Esse cenário ganha mais um complicador ante o contínuo desenvolvimento de populações resistentes de lagartas aos inseticidas químicos. Estes, atualmente, lembra a acadêmica, ainda constituem os insumos mais utilizados pelo produtor frente às infestações de lepidópteros como Spodoptera frugiperdaHelicoverpa spp Rachiplusia nu.

“Os mesmos inseticidas continuam a ser utilizados repetidamente, safra após safra, e muitas vezes sem critérios técnicos. Com isso, selecionam-se cada vez mais populações de lagartas resistentes a químicos”, ela complementa.

Manejo integrado, biológicos e vírus

A acadêmica da UFG adverte o produtor para o potencial de dano associado à lagarta Spodoptera frugiperda em milho e algodão. “Possui capacidade de adaptação como nenhuma praga”, salienta Cecilia Czepak.

“Ela pega a planta de milho no todo. Com o milho pequeno, entra no cartucho. Atua em períodos importantíssimos, que definem a produtividade da cultura, sem contar o fato de que pode se comportar como uma ‘lagarta-rosca’, cortando a plântula ou mesmo penetrando na espiga, causando danos diretos na produção de grãos e sementes.” Conforme Cecília, um ataque no ‘cartucho’ pode inviabilizar completamente a produtividade do algodão.

“No algodão, a ‘Spodoptera’ conta com potencial para danificar fortemente às estruturas reprodutivas da cultura. O fato de ela se esconder dificulta seu controle, porque a ‘arquitetura’ do milho não ajuda, a ‘arquitetura’ do algodão também não”, ela reforça. “Já a ‘arquitetura’ da soja auxilia o bom controle porque a lagarta não tem onde se esconder”, esclarece.

No tocante a recomendações específicas aos produtores, a pesquisadora entende que o controle adequado de lagartas se dá idealmente por meio do manejo integrado. “Funciona melhor usar todas as ferramentas disponíveis: agentes biológicos como vírus, predadores, parasitoides, fungos e atrativos alimentares. Não se deve empregar somente a ferramenta química”, resume.

Conforme Cecilia, os atrativos alimentares para mariposas (fase adulta das lagartas) desempenham hoje função estratégica no controle de lepidópteros. “Já capturamos quatro mil mariposas em uma armadilha, o que equivale a dizer que se metade fosse fêmea, e se cada uma produzisse em média 700 ovos, teríamos retirado só nessa armadilha o equivalente a 1,4 milhão de ovos de lepidópteros de uma lavoura”, ela observa.

Cecilia Czepak afirma ainda ser entusiasta da adoção dos baculovírus no manejo de lagartas. “Vírus têm uma capacidade de dispersão e disseminação invejável. A praga precisa ingerir o substrato contaminado com o vírus. Depois de morta, ao se romper, espalhará milhares de ‘corpos de oclusão’ (redes proteicas resistentes) no ambiente e até mesmo no solo, que poderão permanecer ativos por décadas.”

“Baculovírus contaminam às lagartas por toda a área de cultivo, permitindo, muitas vezes, um resultado melhor em termos de impacto na soja, na comparação a culturas como o milho e o algodão, que por conta da ‘arquitetura’ ajudam a Spodoptera frugiperda a ficar menos exposta aos vírus”, exemplifica Cecilia.

“Soja é hoje a cultura mais plantada no Brasil: são mais de 47 milhões de hectares. Somados, os cultivos de algodão e milho não chegam à metade do que se planta de soja. Portanto, focar na adoção de biológicos nesta cultura significa reduzir os problemas futuros em cultivos como milho safrinha e algodão”, ela enfatiza.

De acordo com Cecilia Czepak, de agora aos próximos anos existe uma tendência de predominância de insumos biológicos associados ao manejo de lepidópteros.

“Para nós, no Brasil, será a melhor saída. O produtor dependerá menos de químicos”, ela diz. “O uso de ferramentas biológicas pode auxiliar ainda no manejo da resistência de insetos às moléculas químicas, preservando-as por mais tempo. E o produtor poderá, gradualmente, inserir os biológicos nas principais culturas. Ele perceberá que se trata de um investimento de longo prazo, mas que assegura retorno”, finaliza Cecilia.

Fonte: Assessoria de Imprensa 



 

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Sustentabilidade

Trigo fecha em baixa em Chicago com dólar forte e perspectiva de ampla oferta global – MAIS SOJA

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A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (18) em baixa, pressionada pela valorização do dólar e pelas perspectivas de ampla oferta global. Ainda assim, o contrato julho acumulou ganho de 3,24% na semana.

O mercado foi pressionado pela valorização do dólar frente às principais moedas e pelas perspectivas de ampla oferta global de trigo. O índice do dólar atingiu o maior nível em um ano após a reunião de política monetária do Federal Reserve reforçar as expectativas de elevação dos juros nos Estados Unidos.

A valorização da moeda norte-americana reduziu a competitividade do trigo dos Estados Unidos no mercado internacional, tornando o cereal mais caro para os compradores externos. Também pesou sobre as cotações a expectativa de uma grande safra na Rússia, principal exportadora mundial de trigo.

Operadores também ajustaram posições antes do feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, que manterá os mercados de Chicago fechados nesta sexta-feira (19). Além disso, a queda do petróleo contribuiu para o movimento negativo observado ao longo da sessão.

O cenário de ampla disponibilidade global continuou limitando o impacto positivo da demanda observada recentemente em licitações internacionais. A agência estatal de grãos da Argélia (OAIC) comprou mais de 800 mil toneladas de trigo de moagem em uma licitação internacional encerrada nesta quarta-feira (18), segundo traders europeus.

As vendas líquidas norte-americanas de trigo para a temporada comercial 2026/27, iniciada em 1º de junho, somaram 400.800 toneladas na semana encerrada em 11 de junho, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O principal destino foi o Japão, com 167.400 toneladas. Para a temporada 2027/28, foram registradas vendas adicionais de 26.900 toneladas. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, de 300 mil a 650 mil toneladas considerando as duas temporadas.

Os contratos com entrega em julho fecharam cotados a US$ 6,05 3/4 por bushel, com baixa de 7,00 centavos de dólar, ou 1,14%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em setembro encerraram a US$ 6,14 por bushel, com queda de 7,25 centavos de dólar, ou 1,16%.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços

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Imagem de Александр Пономарев por Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem movimentações relevantes. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a ausência de negociações na Bolsa de Chicago impediu uma formação mais efetiva dos preços ao longo desta sexta-feira. Segundo ele, as cotações observadas foram basicamente nominais, servindo apenas como referência para os agentes do mercado.

Silveira destaca que não houve registro de negociações expressivas ou de grandes lotes ao longo do dia. “A semana fechou sem volumes importantes rodando”, resume.

Cotações de soja

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 127,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 128,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 121,50
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 113,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 116,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,50
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 134,00

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1640 para venda e a R$ 5,1620 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,1325 e R$ 5,1685. Apesar da baixa desta sexta-feira, a divisa acumulou valorização de 2,08% na semana.2,08% na semana.

O post Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços apareceu primeiro em Canal Rural.

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Sustentabilidade

Ceema/Unijuí: Mercado da soja opera entre a volatilidade externa e o avanço da safra americana – MAIS SOJA

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Em Chicago, as cotações da soja, após despencarem a partir do dia 02/06, quando o bushel chegou a US$ 11,13 nos dias 09 e 12 (a mais baixa cotação desde o dia 09/02/26), ensaiaram uma recuperação nesta semana, com o bushel alcançando US$ 11,32 no dia 17/06, para o primeiro mês cotado. Já o fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 11,22/bushel, contra US$ 11,15 uma semana antes.

Além da possibilidade de um acordo de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio, o mercado esteve pressionado pelo clima positivo nos EUA, para a nova safra, e de olho nos juros daquele país. A manutenção do juro básico em 3,5% a 3,75% aa por lá leva muitos investidores, que esperavam um aumento nos mesmos, a buscarem comprar contratos de commodities, dentre eles o de soja, o que faz o bushel subir de valor.

Além disso, houve rumores de que a China estaria para comprar soja dos EUA, novamente. Lembrando, ainda, que no dia 30/06 teremos o relatório de área final semeada nos EUA, o que poderá definir a tendência das cotações para julho. Por outro lado, o plantio da soja nos EUA, até o dia 14/06, atingia a 95% da área prevista, contra 93% na média. Do total semeado, 88% das lavouras estavam germinadas. Soma-se a isso o fato de que a qualidade das lavouras melhorou na semana, com 66% das mesmas estando entre boas a excelentes, após recuarem para 65% na semana anterior. Outros 28% das lavouras estavam regulares e 6% ruins ou muito ruins.

Dito isso, na semana encerrada em 11 de junho, os EUA embarcaram 522.687 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial o volume embarcado totaliza 36,6 milhões de toneladas, ainda 20% a menos do que no mesmo período do ano anterior.

Já a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA informou que o esmagamento de soja no país, em maio, atingiu a 5,68 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto a projeção do mercado era de 5,77 milhões. Apesar de ficar abaixo do esperado, o volume é 8% maior do que no mesmo mês de 2025. Enquanto isso, os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos estavam em 1,74 bilhão de libras, sendo 26% maiores do que um ano atrás.

Por sua vez, o acordo entre os EUA e o Irã para o término da guerra, que parece finalmente se consolidar, é positivo para os mercados e a economia mundial. Se ele for mantido, o mercado terá mais estabilidade a partir de agora, embora possa haver recuo nos valores da soja devido ao recuo nos preços do óleo de soja em Chicago, puxados pelo recuo nas cotações mundiais do petróleo. Tanto é verdade que o fechamento do óleo de soja, em Chicago, no dia 18/06, ficou em 69,69 centavos de dólar por librapeso, rompendo o piso dos 70,00 centavos pela primeira vez desde o dia 20 de abril passado. Todavia, por enquanto, a volatilidade do mercado não foi totalmente eliminada, pois há dúvidas quanto a eficácia do acordo.

Soma-se a isso as especulações climáticas sobre a safra dos EUA, pois as tendências indicariam, para julho, um clima um pouco mais seco nas regiões produtoras de soja daquele país. Enfim, no Brasil o mercado se mantém estável, com o câmbio girando entre R$ 5,05 e R$ 5,15 por dólar durante a semana. Assim, os preços, nas principais praças gaúchas, ficaram em R$ 114,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os mesmos giraram entre R$ 102,00 e R$ 114,00/saco.

Dito isso, a Conab, em seu boletim mensal de junho, trouxe a safra brasileira de 2025/26 para 180,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões um ano antes. Isso representa um aumento de 5,1%. O Rio Grande do Sul, às voltas com nova estiagem, acabou colhendo 18,6 milhões de toneladas, contra 16,6 milhões no ano anterior, destacando que outras entidades gaúchas (Emater e iniciativa privada) avançam pouco mais de 13 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Segundo, ainda, a Conab, a produtividade média brasileira ficou em 61,9 sacos/hectare em 2025/26, enquanto a gaúcha atingiu a apenas 46,2 sacos.

Enfim, a exportação brasileira total de soja, em junho, está estimada em 15,3 milhões de toneladas segundo a Anec. Se confirmados, tais embarques cresceriam 1,5 milhão de toneladas em relação a junho do ano anterior.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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