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4 de agosto de 2026

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Comitiva do setor do tabaco está na Suíça para acompanhar a COP11

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Representantes da cadeia produtiva do tabaco estão na Suíça para acompanhar a 11ª Conferência das Partes (COP 11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. O encontro ocorre entre 17 e 22 de novembro, em Genebra.

O grupo inclui parlamentares, autoridades municipais da região Sul e entidades ligadas ao setor. Mesmo sem acesso às sessões oficiais, os participantes afirmam que estarão presentes para monitorar as posições da delegação brasileira e defender a continuidade da produção de tabaco no país.

Motivos da viagem e críticas à falta de acesso

Segundo os representantes do setor, o objetivo é assegurar que a delegação oficial cumpra a declaração interpretativa firmada pelo Brasil ao aderir à Convenção-Quadro. O compromisso prevê que medidas de controle não inviabilizem a atividade produtiva já estabelecida.

Valmor Thesing, presidente do Sindicato da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), afirma que o grupo representa trabalhadores rurais e empregados da indústria ligados à cadeia do tabaco. Ele destaca o impacto econômico da atividade e diz que a participação da comitiva ocorre nos “bastidores”, já que, assim como em outras edições, entidades e imprensa não terão acesso aos debates.

Thesing também critica a ausência de diálogo nas reuniões da CQCT e afirma que decisões tomadas sem participação do setor podem repercutir na renda e no emprego relacionados ao tabaco no Brasil.

Indicadores da produção no país

A produção de tabaco no Brasil tem concentração na região Sul, que reúne a maior parte dos municípios e produtores ligados ao segmento. Na safra 2024/25, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), mais de 138 mil famílias participaram da atividade nos três estados da região. A colheita atingiu cerca de 720 mil toneladas, movimentando recursos nos 525 municípios produtores.

O setor reúne milhares de empregos diretos e indiretos, além de gerar receita e exportações. Os dados apresentados pelas entidades do segmento apontam participação relevante na economia regional e no apoio às comunidades rurais envolvidas no cultivo.

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Trigo do Paraná atinge maior preço em quase um ano com oferta restrita

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Foto: Embrapa

Os preços do trigo seguem firmes no mercado brasileiro. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações no Paraná voltaram ao maior patamar, em termos reais, desde agosto de 2025, impulsionadas pela baixa disponibilidade de produto no mercado spot.

No fechamento desta segunda-feira (3), o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná ficou em R$ 1.406,32 por tonelada, leve alta de 0,03% no dia. No encerramento de julho, o indicador estava em R$ 1.405,92 por tonelada, acumulando valorização de 2,72% no mês.

No Rio Grande do Sul, o preço médio alcançou R$ 1.325,69 por tonelada, avanço diário de 0,29%. Em 31 de julho, o indicador fechou em R$ 1.321,88 por tonelada, com recuo de 0,57% no acumulado do mês.

De acordo com o Cepea, a necessidade de recomposição dos estoques tem levado compradores a elevar gradualmente as ofertas na tentativa de adquirir lotes de melhor qualidade. Do outro lado, produtores seguem com disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, mantendo as negociações pontuais.

Além da oferta restrita, o Centro de Pesquisas destaca que os primeiros reflexos do El Niño já começaram a ser sentidos na última semana de julho. O elevado volume de chuvas e os ventos intensos deixaram triticultores em alerta no Sul do país e contribuíram para sustentar os preços, principalmente no mercado de balcão do Paraná.

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Tecnologia da Embrapa conquista certificação e impulsiona agricultura familiar

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Ivone Santana da Silva e Silval Martins dos Santos. Foto: Evellyn Santana dos Santos

O Sistema Agroecossistema de Produção Policultural Integrado de Alimentos (Appia), desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, em Mato Grosso do Sul, recebeu em 2026 a certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB). O reconhecimento amplia o potencial de expansão da metodologia para comunidades quilombolas, assentamentos rurais, povos indígenas e outros territórios da agricultura familiar em todo o país.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia integra horticultura diversificada, manejo sustentável do solo, irrigação e piscicultura em um modelo que busca gerar renda contínua, fortalecer a segurança alimentar e tornar as pequenas propriedades mais resilientes e economicamente viáveis. Além das tecnologias de produção, o sistema reúne planejamento da propriedade, assistência técnica, gestão e apoio à comercialização.

Tecnologia começa antes do plantio

Um dos diferenciais do Appia é a metodologia participativa. Antes da implantação das tecnologias, pesquisadores e instituições parceiras realizam um diagnóstico da comunidade para identificar potencialidades, limitações e necessidades locais.

Com base nesse levantamento, são implantadas Unidades de Referência Tecnológica (URTs), que funcionam como espaços de demonstração e capacitação. Nelas, agricultores acompanham o desenvolvimento das práticas, participam de cursos, dias de campo, oficinas e intercâmbios, facilitando a adoção gradual das tecnologias.

O sistema é implantado inicialmente em módulos de cerca de 2.500 metros quadrados, estratégia que reduz custos e facilita a adoção pelas famílias agricultoras. A proposta reúne soluções em horticultura, fruticultura, irrigação, piscicultura, consórcios de culturas, manejo agroecológico do solo e gestão da produção.

Área de cultivo de mandioca no Sistema Appia. Foto: Orismar Espíndola/Embrapa

Pesquisa, assistência técnica e organização

Idealizador do Sistema Appia, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Ivo de Sá Motta afirma que a proposta vai além da transferência de tecnologia.

Segundo ele, o modelo busca fortalecer toda a cadeia produtiva, desde o planejamento da propriedade até a organização dos produtores, agregação de valor e acesso aos mercados, considerando que produzir mais não é suficiente sem estratégias de comercialização e organização coletiva.

A iniciativa também integra diferentes instituições para oferecer assistência técnica, capacitação, acesso a crédito, infraestrutura e apoio à comercialização, além de incentivar o associativismo e o cooperativismo como ferramentas para ampliar a competitividade da agricultura familiar.

Comunidade quilombola já colhe resultados

Um dos exemplos da aplicação do Sistema Appia está na Comunidade Quilombola Furnas do Dionísio, em Jaraguari (MS), onde a propriedade do agricultor Sinval Martins dos Santos tornou-se uma Unidade de Referência Tecnológica.

Com a implantação das tecnologias, a família diversificou a produção e passou a integrar diferentes atividades agropecuárias, melhorando o planejamento da propriedade e ampliando a oferta de alimentos.

“Nós precisamos de apoio em todas as etapas, desde a assistência técnica até à venda da
produção”, conta o agricultor.

“Quando a comunidade unida se organiza e as instituições trabalham em sintonia, tudo fica
mais fácil. O Sistema Appia mostrou que o serviço não termina na lavoura. Tem que
pensar desde o manejo dos solos, passando pela produção até a hora de colocar o alimento
na mesa do consumidor”.

Além dos ganhos produtivos, a experiência influenciou a trajetória da filha do agricultor, Evellyn, que ingressou no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) com o objetivo de futuramente atuar na assistência técnica da própria comunidade.

Modelo integra sustentabilidade e geração de renda

Entre as estruturas implantadas na comunidade estão um tanque de piscicultura com capacidade para 10 mil litros de água, sistema de irrigação por gotejamento, barracão multifuncional, compostagem, consórcios de culturas e práticas de conservação do solo e da água.

Também foram introduzidas culturas como mandioca, maracujá, mamão, pimenta, alface, berinjela, jiló e abacate, voltadas tanto ao consumo das famílias quanto à comercialização nos mercados locais.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia promove ainda o reaproveitamento de resíduos orgânicos, reduz a dependência de insumos externos, melhora a fertilidade do solo e fortalece a organização comunitária, consolidando-se como uma estratégia de desenvolvimento rural sustentável.

Certificação amplia potencial de expansão

Para a Embrapa, a certificação da Fundação Banco do Brasil reconhece o potencial da tecnologia social de transformar conhecimento científico em soluções práticas para a agricultura familiar.

A expectativa é que o reconhecimento facilite a replicação do Sistema Appia em novas comunidades, ampliando o acesso a tecnologias sustentáveis, assistência técnica e oportunidades de geração de renda para milhares de famílias agricultoras em diferentes regiões do país.

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Europa pode fechar uma porta, a Ásia pode abrir várias

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Foto: Porto de Paranaguá

A decisão da União Europeia de manter suspensas as compras de carne bovina brasileira por, no mínimo, dois anos representa um desafio para o setor. O motivo está ligado às exigências europeias sobre o controle de antimicrobianos na produção animal, um tema que ganhou importância crescente no comércio internacional.

É um revés para um mercado tradicional e de elevado valor agregado. Mas seria um erro analisar essa notícia apenas pelo lado negativo.

Ela também reforça uma necessidade que o Brasil já deveria ter transformado em estratégia: ampliar o número de destinos para a carne bovina nacional.

O centro do mercado mundial mudou

Durante muitos anos, a Europa ocupou posição de destaque entre os compradores da carne brasileira. Hoje, porém, o eixo do consumo mundial está cada vez mais concentrado na Ásia.

A China tornou-se, com ampla vantagem, o maior destino das exportações brasileiras. Ao lado dela estão mercados importantes como Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel, Filipinas, Singapura, Malásia, Vietnã, Jordânia, Kuwait, Catar, Omã e Líbano.

Essa mudança não é circunstancial. Ela acompanha o crescimento populacional, o aumento da renda e a expansão do consumo de proteínas em boa parte do continente asiático.

As próximas fronteiras

Dois mercados permanecem como prioridades para a pecuária brasileira: Japão e Coreia do Sul.

São países com elevado poder de compra, consumidores tradicionais de carne bovina e que ainda mantêm restrições sanitárias à carne in natura produzida no Brasil.

A abertura desses mercados reduziria a concentração das exportações na China e ampliaria significativamente as oportunidades para toda a cadeia pecuária.

Outro fator que merece atenção é a situação dos Estados Unidos. O país atravessa um dos menores ciclos de oferta bovina de sua história recente, resultado da redução do rebanho e dos efeitos prolongados da seca. Dependendo da evolução desse cenário e das condições comerciais, os americanos poderão ampliar suas importações de carne, abrindo mais uma oportunidade para o Brasil.

O desafio agora é adaptar-se

O mercado internacional tornou-se cada vez mais exigente.

Questões sanitárias, ambientais e de rastreabilidade deixaram de ser diferenciais para se transformar em requisitos básicos para acessar os principais compradores do mundo.

Nesse aspecto, a pecuária brasileira possui uma vantagem importante. O setor alcançou elevado grau de profissionalização, incorporou tecnologia, aumentou a produtividade e demonstrou capacidade de responder rapidamente às exigências dos mercados internacionais.

Na questão dos antimicrobianos, por exemplo, o Brasil já está reforçando seus controles e adequando seus protocolos para atender às exigências dos países importadores.

Competitividade também se constrói

A discussão não deve ser apenas sobre recuperar o mercado europeu.

Ela deve servir para acelerar a abertura de novos mercados e consolidar a imagem da carne brasileira como uma das mais competitivas, seguras e eficientes do mundo.

Quem depende de poucos compradores fica mais vulnerável às mudanças de regras. Quem amplia mercados ganha estabilidade, reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

A Europa continua sendo importante. Mas o futuro da pecuária brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos clientes, atender padrões sanitários cada vez mais rigorosos e transformar qualidade em vantagem competitiva. Esse é o caminho para que o Brasil continue sendo uma potência mundial da carne, independentemente das portas que eventualmente se fechem.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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