Connect with us
25 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Raízes e a produtividade da soja – MAIS SOJA

Published

on


A disponibilidade hídrica, seguida pela nutrição, são os principais fatores limitantes da produtividade da soja (Tagliapietra et al., 2022). Dependendo da cultivar e potencial produtivo, a demanda hídrica da soja pode chagar a 800 mm/ciclo (Neumaier et al., 2020). Essa água, assim como os nutrientes requeridos pela soja, são absorvidos predominantemente pelo sistema radicular da planta.

Além de atuar como estrutura de sustentação, o sistema radicular da soja tem papel fundamental na absorção de água e nutrientes da solução do solo e na interação com bactérias fixadoras de nitrogênio, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN). Nesse contexto, o adequado crescimento, desenvolvimento e distribuição das raízes ao longo do perfil do solo são determinantes para a obtenção de altas produtividades na cultura da soja.

Corroborando a importância das raízes para a produtividade da soja, ao analisar desenvolvimento radicular e produtividade da soja em função do estado de compactação do solo, Debiasi et al. (2015) constataram que o aumento da densidade do solo reduz não só o crescimento e distribuição das raízes, como também a produtividade da soja.

Figura 1. Área (a), comprimento (b) e massa seca (c) de raízes da soja (BRS 359 RR) na camada de 0-20 cm, em função da resistência mecânica à penetração (RP) de um Latossolo Vermelho muito argiloso, determinada na capacidade de campo.
Fonte: Debiasi et al. (2015)

A redução do crescimento radicular em função do aumento da densidade do solo reduz a distribuição de raízes no perfil do solo, limitando consequentemente o volume de solo explorado e o acesso da planta a água e nutrientes das camadas mais profundas, reduzindo por consequente, a produtividade da cultura e a tolerância das plantas a períodos de estresse.

O impacto das limitações no crescimento e desenvolvimento das raízes e suas consequências na produtividade da soja também foram analisados por Savioli et al. (2021), que observaram que variáveis como comprimento de raízes, massa e diâmetro de raízes são influenciadas pelo aumento da densidade do solo, que consequentemente, afeta negativamente a produtividade da cultura.

Figura 2. Regressão  linear  simples de  massa  seca  de  grãos  de  soja em função da densidade do solo (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5g cm-3)
Fonte: Savioli et al. (2021)

Em síntese, o aumento da densidade do solo reduz o crescimento e o desenvolvimento das raízes da soja, limitando sua distribuição no perfil do solo. Essa restrição diminui a área explorada pelas raízes e, consequentemente, o acesso à água e aos nutrientes das camadas mais profundas, o que compromete o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da planta. Além disso, reduz a capacidade da soja de tolerar períodos de estresse hídrico. É importante destacar que, além da compactação física, barreiras químicas, como a acidez do solo, também exercem efeito negativo, inibindo ou reduzindo o crescimento radicular.

Na prática, plantas com alto potencial produtivo devem apresentar um sistema radicular amplo e bem desenvolvido, sem limitações à absorção de água e nutrientes. Plantas com maior capacidade radicular tendem a tolerar melhor períodos de estresse hídrico, apresentando maior estabilidade produtiva. Assim, o desenvolvimento radicular da soja está diretamente relacionado à produtividade da cultura, sendo que plantas com sistemas radiculares mais extensos e profundos tendem a alcançar maiores rendimentos.

Eleve seu conhecimento em fisiologia vegetal, conheça a pós-graduação a pós-graduação em Fisiologia e Manejo de Lavouras, um programa de especialização completo, com módulos exclusivos e diploma reconhecido pelo MEC.
Clique no banner abaixo e garanta sua vaga com a condição especial da Black +Soja

Referências:

DEBIASI, H. et al. DESENVOLVIMENTO RADICULAR E PRODUTIVIDADE DA SOJA EM FUNÇÃO DO ESTADO DE COMPACTAÇÃO DE UM LATOSSOLO VERMELHO. VII Congresso Brasileiro de Soja, 2015. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1018505/1/R.159DESENVOLVIMENTORADICULAREPRODUTIVIDADEDASOJAEM.PDF >, acesso em: 10/11/2025.

NEUMAIER, N. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA. Embrapa Soja, Tecnologias de Produção de soja, cap. 2, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 10/11/2025.

SAVIOLI, M. R. et al. COMPONENTES DE PRODUÇÃO DA SOJA SOB NÍVEIS DE COMPACTAÇÃO DO SOLO. Acta Iguazu, Cascavel, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312/17560 >, acesso em: 10/11/2025.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

Continue Reading

Sustentabilidade

Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

Published

on


O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.

Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.

Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.

Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.

Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.

Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.

Resultados em sementes de baixo vigor

Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.

De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.

Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).

Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Crop Evo® = bioinsumo a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total, nitrogênio, enxofre, boro, cobalto, ferro, cobre, manganês, molibdênio e zinco.
Fonte: Machado et al. (2026)

Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.

Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!


Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja



Referências:

ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.

MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

Continue Reading

Sustentabilidade

Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

Published

on


O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.

Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.

Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.

Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.

O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.

Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

O post Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

Published

on


As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.

Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT