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20 de maio de 2026

Sustentabilidade

Estratégias integradas para o manejo da ferrugem asiática: resistência genética, vazio sanitário e fungicidas – MAIS SOJA

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No cenário atual, a ferrugem-asiática, causada pelo fungo (Phakopsora pachyrhizi) é uma das principais e mais devastadoras doenças que acometem a cultura da soja. Dependendo da severidade da doença, do período em que ocorre e da suscetibilidade da cultivar, perdas de produtividade de até 90% podem ser observadas (Godoy et al., 2024).

A doença possui um ciclo relativamente curto, e é considerada policíclica, ou seja, apresenta a capacidade de completar múltiplos ciclos de infecção durante o ciclo da cultura, o que permite que a doença se manifeste em qualquer estádio fenológico da planta, dificultando o controle efetivo da ferrugem.

O processo de infeção começa pela chegada do inóculo. Os uredosporos chegam à planta carregados principalmente pelo ar. A epidemia começa com a germinação dos uredosporos (figura 1), seguida da produção do tubo germinativo e posterior crescimento do mesmo na superfície da folha, até ocorrer a formação do apressório (Pelin et al., 2020).

Figura 1. Uredosporos de Phakopsora pachyrhizi não germinados (A) e germinados (B).

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Fonte: Nascimento et al. (2015)

Vale destacar que o fungo causador da ferrugem é classificado como biotróficos, ou seja, necessita de um hospedeiro vivo para sobreviver (Godoy et al., 2020). Além disso, condições específicas são necessárias para que ocorra a infecção na planta. O desenvolvimento da doença depende da disponibilidade de água livre na superfície da folha, sendo necessárias no mínimo seis horas, com um máximo de infecção ocorrendo com 10 a 12 horas de molhamento foliar e temperaturas variando entre 18°C e 26,5°C (Henning et al., 2014).

Figura 2. Sintomas da ocorrência de ferrugem-asiática em soja. Face abaxial da folha.

Com base nos aspectos observados e tendo em vista o impacto exercido pela ferrugem-asiática sobre a cultura da soja, adotar estratégias de manejo que possibilitam reduzir a incidência da doença é determinante para a manutenção do potencial produtivo da lavoura.

Estratégias para o manejo da ferrugem-asiática
Resistência genética

Para algumas regiões, cultivares de soja resistentes a ferrugem-asiática já estão disponíveis para cultivo, demonstrando ser uma importante ferramenta para reduzir os danos em decorrência da doença. No entanto, o manejo fitossanitário dessas cultivares não dispensa a utilização de fungicidas, uma vez que populações virulentas podem ser selecionadas em decorrência da variabilidade do patógeno (Soares et al., 2023),

O posicionamento de cultivares quanto a época de semeadura também exerce efeito determinante para o sucesso no manejo da ferrugem-asiática. Mesmo se tratando de cultivares com resistência genética,  recomenda-se que toda a semeadura de soja deva ser realizada no início da época indicada, utilizando preferencialmente cultivares precoces (Soares et al., 2023).

Vazio sanitário

Considerando que o fungo causador da ferrugem-asiática é biotrófico, e portanto necessita de hospedeiros vivos para sobreviver, o controle de plantas voluntárias de soja (soja guaxa), durante os períodos entressafra é uma das principais estratégias para quebra do ciclo do patógeno e redução da incidência da doença.

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Figura 3. Soja voluntária em pastagem de inverno.

Tendo em vista a importância dessa prática para o manejo da ferrugem-asiática, estabelece-se o vazio sanitário para as regiões produtoras de soja. Durante o período do vazio sanitário, é proibido cultivar ou manter vivas plantas de soja em qualquer fase de desenvolvimento.

Para a safra 2025/2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária estabeleceu os períodos de vazio sanitário em nível nacional, por meio da Portaria nº 1.271, publicada em 5 de Maio de 2025. Essa portaria pode ser consultada clicando aqui! O vazio sanitário é uma medida crucial para reduzir a disseminação e desenvolvimento da ferrugem-asiática, contribuindo efetivamente para a redução da incidência da doença durante a safra de verão.



Fungicidas

O uso de fungicidas químicos para o manejo e controle da ferrugem-asiática tem se mostrado indispensável para a obtenção de boas produtividades em soja. Sobretudo, o fungicida deve ser aplicado preventivamente ou nos primeiros sintomas da doença  (Soares et al., 2023).

As recomendações de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja devem priorizar produtos devidamente registrados, contendo estrobilurinas associadas a triazóis, triazolintione e/ou carboxamidas. A aplicação desses fungicidas deve seguir rigorosamente as doses, os intervalos e os períodos indicados pelas empresas responsáveis pelo registro, conforme orientações do Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC-BR, 2024).

De acordo com   Godoy et al. (2024), o fungo Phakopsora pachyrhizi  apresenta diferente sensibilidade a fungicidas com um único ingrediente ativo, sendo que, há menor severidade da doença entre os triazóis, para protioconazol e tebuconazol. Já entre as estrobilurinas, há uma menor severidade quando utilizado picoxistrobina e metominostrobina (figura 4).

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Figura 4.  Média da porcentagem de controle da ferrugem-asiática com os fungicidas tebuconazol (TBZ), ciproconazol (CPZ), tetraconazol (TTZ), protioconazol (PTZ), azoxistrobina (AZ), picoxistrobina (PCX) e metominostrobina (MTM) nos experimentos (n) cooperativos nas safras: 2003/2004 (n=11), 2004/2005 (n=20), 2005/2006 (n=15), 2006/2007 (n=10), 2007/2008 (n=7), 2008/2009 (n=23), 2009/2010 (n=15), 2010/2011 (n=11), 2011/2012 (n=11), 2012/2013 (n=21), 2013/2014 (n=16), 2014/2015 (n=21), 2015/2016 (n=23), 2016/2017 (n=32), 2017/2018 (n=26), 2018/2019 (n=25), 2019/2020 (n=14), 2020/2021 (n=19), 2021/2022 (n=19), 2022/2023 (n=18) e 2023/2024 (n=12) em diferentes regiões produtoras de soja no Brasil.
Fonte: Godoy et al. (2024)

Nesse sentido, o uso de fungicidas que contemplem em sua formulação, misturas comerciais ou misturas em tanque, com mais de um princípio ativo de fungicidas, incluindo os fungicidas multissítios, tende a proporcionar um controle mais eficiente da doença. Além disso, a rotação de grupos químicos de fungicidas torna-se essencial para o manejo da resistência do fungo Phakopsora pachyrhizi  a fungicidas.

Conforme recomendações de manejo estabelecidas pelo FRAC-BR para um controle eficaz da ferrugem, alguns cuidados devem ser seguidos para garantir bom níveis de controle ao posicionar fungicidas em soja. Os fungicidas multissítios, devem estar presentes em todas as aplicações de fungicidas, associadas a produtos sítios específicos, já as estrobilurinas, devem ser aplicadas sempre combinadas com fungicidas multissítios, triazóis, triazolintione ou carboxamidas (FRAC-BR, s. d.).

No que diz respeito ao uso de triazóis e triazolintione, indica-se a associação com multissítios, estrobilurinas ou carboxamidas. Já com relação ao uso das carboxamidas, orienta-se que as aplicações sejam sempre realizadas em combinação com fungicidas multissítios e triazóis, triazolintione ou estrobilurinas garantindo adequados níveis de eficácia (FRAC-BR, s. d.).

Com base nos aspectos observados e na necessidade de se associar grupos químicos no controle da ferrugem-asiáticas, fungicidas modernos como o Excalia Max® trazem em sua formulação mais de um principio ativo e grupo químico, possibilitando um controle mais eficaz da ferrugem-asiática e proporcionando maior praticidade nas pulverizações. No entanto, embora formulações modernas possibilitem um controle mais eficiente dessa doença, vale destacar que todo o programa de controle da ferrugem deve ser realizado de forma preventiva a ocorrência da doença (FRAC-BR, s. d.).

Referências:

FRAC-BR. IMPORTANTE: NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas FRAC-BRASIL, 2024. Disponível em: < https://www.frac-br.org/recomendacoes-ferrugem-asiatica-da- >, acesso em: 04/07/2025.

FRAC-BR. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DE DOENÇAS EM SOJA. Comitê de Ação A Resistência a Fungicidas – Brasil, s. d. Disponível em: < https://www.frac-br.org/_files/ugd/6c1e70_5494e2a5f1204eafa26ec81bce3aec6f.pdf >, acesso em: 04/07/2025.

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GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 03/07/2025.

GODOY, C. V. et al. FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA: BASES PARA O MANEJO DA DOENÇA E ESTRATÉGIAS ANTIRRESISTÊNCIA. Embrapa Soja, Documentos, n. 428, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1122923/1/DOC-428.pdf >, acesso em: 03/07/2025.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/991687/1/Doc256OL.pdf >, acesso em: 03/07/2025.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA. PORTARIA DAS/MAPA N° 1.271, DE 30 DE ABRIL DE 2025. Diário Oficial da União, 2025. Disponível em: < https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.271-de-30-de-abril-de-2025-627009485 >, acesso em: 03/07/2025.

NASCIMENTO, J. M. et al. GERMINAÇÃO DE UREDINOSPOROS DE Phakopsora pachyrhizi E Puccinia kuehnii SOB DIFERENTES ADJUVANTES. Arq. Inst. Biol. 2015. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/aib/a/vp8J43rj8WBfrK8ZzR9dpDR/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 04/07/2025.

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PELIN, C. et al. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: ETIOLOGIA E CONTROLE. Agropecuária catarinense, 2020. Disponível em: < https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/rac/article/view/497/974 >, acesso em: 04/07/2025.

SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, ed. 6, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 03/07/2025.

 

 

 

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IMEA: Menor oferta global e custos em alta pressionam cenário do milho na safra 26/27 – MAIS SOJA

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Em mai/26, o USDA estimou a oferta mundial de milho da safra 26/27 em 1,79 bi de t, queda de 0,69% ante o ciclo anterior. Essa redução está associada à estimativa de menor produção dos EUA (406,29 mi de t), reflexo da redução da área semeada, diante da maior atratividade da soja. Pelo lado da demanda mundial, o Departamento projeta crescimento de 0,46% na temporada, totalizando 1,51 bi det.

Esse avanço é sustentado pelo maior consumo interno da China que, apoiado pela maior produção, permite atender à elevada demanda doméstica. Além disso, o Brasil deve registrar aumento da demanda doméstica e maior competitividade no mercado exportador, favorecido pela menor oferta estadunidense. Cabe destacar que as exportações mundiais foram projetadas em 206,91 mi de t, queda de 3,14% entre ciclos, diante da redução das exportações dos EUA, impactada pela menor oferta no país. Por fim, os estoques finais globais foram projetados em 277,54 mi de t, queda anual de 6,54%.

Confira os principais destaques do boletim:
  • ALTA: na última semana, o preço do milho na CME Group registrou valorização média de 0,73%, impulsionada pelas vendas do cereal pelos EUA, encerrando o período cotado, em média, a US$ 4,64/bu.
  • RETRAÇÃO: o preço do milho futuro na CME, contrato jul/26, encerrou a semana com queda de 0,27%, e finalizou o período na média de US$ 4,72/bu.
  • AVANÇO: o prêmio Santos apresentou alta semanal de 14,56%, cotado a US$ 0,96/bu, sustentada pela maior demanda no mercado externo e pelo avanço das negociações no porto.
O projeto CPA-MT (Senar-MT/Imea) estimou o custeio do milho da safra 26/27 em R$ 3.772,24/ha em abr/26, alta mensal de 2,32%.

O avanço foi impulsionado pelo aumento nos gastos com fertilizantes e corretivos (+4,30%), defensivos agrícolas (+2,46%) e sementes (+0,11%), reflexo das tensões no cenário geopolítico, que elevam a incerteza nos mercados internacionais e impactam diretamente os preços futuros dos insumos.

Com isso, o COE aumentou 1,72% ante mar/26, fechando abr/26 em R$ 5.501,12/ha, enquanto o CT avançou 1,25%, ficando em R$ 7.395,26/h. No que se refere ao ponto de equilíbrio, considerando a produtividade da safra 25/26, estimada em 118,71 sc/ha. O produtor precisará negociar sua saca a R$ 31,78/sc para cobrir o custeio e a R$ 46,34/sc para arcar com o COE. Diante disso, considerando o preço médio da safra 26/27 em abr/26, de R$ 45,68/sc, o produtor consegue cobrir o custeio, mas deverá acompanhar o mercado estrategicamente, buscando melhores oportunidades de venda para melhorar seu retorno.

Fonte: IMEA

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Sustentabilidade

IMEA: Custos da soja avançam em MT e pressionam margens para a safra 26/27 – MAIS SOJA

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Segundo o projeto Custo de Produção Agropecuário em Mato Grosso (Senar-MT e Imea), o custeio da soja em abr/26 para a safra 26/27 em MT foi projetado em R$ 4.286,89/ha, alta de 1,88% frente a mar/26. O avanço reflete o incremento mensal de 2,73% nas despesas com fertilizantes e de 2,17% nos defensivos.

Esse movimento de alta está associado ao cenário externo, uma vez que as tensões no Oriente Médio elevam as incertezas do mercado, pressionando os custos e logística dos insumos agrícolas. Diante desse cenário, de custos elevados e preços ainda pressionados observa-se compressão das margens do produtor. Desse modo, considerando a produtividade média da safra 26/27 projetada em 62,44 sc/ha, a análise do ponto de equilíbrio (P.E.) indica que o produtor necessita negociar a soja a R$ 68,65/sc para cobrir o custeio, valor 8,42% superior ao P.E. da safra anterior. Por fim, com a aquisição dos insumos da safra ainda em andamento, os custos seguem como ponto de atenção aos sojicultores principalmente no que se refere aos insumos importados.

Confira os principais destaques do boletim:
  • QUEDA: o preço da soja em Mato Grosso exibiuretração de 0,53% frente à semana passada,influenciada pela demanda mais fraca no estado.
  • MAIOR: a cotação corrente da oleaginosa em Chicago registrou alta de 0,75% quando comparada à da semana anterior, encerrando o período na média de US$ 12,00/bu.
  • AUMENTO: o indicador paridade exportação subiu 1,76% no comparativo semanal, reflexo da valorização do preço da soja em Chicago para contrato mar/27.
O USDA divulgou a 1ª projeção de oferta e demanda mundial da safra 26/27 de soja.

Segundo o departamento, a produção mundial da oleaginosa foi projetada em 441,54 mi de toneladas, crescimento de 3,26% ante a safra anterior e 5,99% acima da média das últimas três safras. Esse movimento foi sustentado, principalmente, pela expectativa de aumento na produção brasileira, estimada em 186,00 mi de t, avanço de 3,33% em relação ao ciclo 25/26, aliado à elevada produção projetada para os EUA. Contudo, a possível atuação do fenômeno El Niño segue como ponto de atenção e poderá impactar futuras revisões na estimativa para o Brasil.

Quanto ao comércio global, as exportações mundiais foram estimadas em 189,22 mi de t, avanço de 1,42% frente à safra 25/26, com a China permanecendo como principal país importador da oleaginosa. Por fim, os estoques finais mundiais ficaram em 124,78 mi de t, queda de 0,28% no comparativo entre safras, pressionados principalmente pela redução de 8,75% nos estoques finais dos EUA, reflexo da expectativa de aumento da demanda interna pela oleaginosa.

Fonte: IMEA

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Caruru: herbicidas pré-emergentes são protagonistas no manejo dessa planta daninha – MAIS SOJA

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No cenário atual, as plantas daninhas do gênero Amaranthus (caruru) têm se destacado pela elevada complexidade de manejo e alta capacidade competitiva, podendo causar perdas expressivas de produtividade devido à matocompetição. Além disso, a resistência apresentada por diversas espécies de caruru a herbicidas pós-emergentes de diferentes mecanismos de ação e grupos químicos tem limitado as alternativas de controle em pós-emergência, tornando o manejo dessa planta daninha ainda mais desafiador.

Somam-se a isso características como o rápido crescimento e desenvolvimento do caruru, bem como os múltiplos fluxos de emergência decorrentes da elevada produção de sementes e da persistência do banco de sementes no solo. Esses fatores dificultam o estabelecimento inicial da cultura da soja em condições livres de matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes tem ganhado destaque como estratégia de manejo, pois possibilita a redução dos fluxos de emergência do caruru, reduzindo as populações iniciais da planta daninha e favorecendo um melhor posicionamento dos herbicidas aplicados em pós-emergência, devido à maior uniformidade das plantas remanescentes.

Entretanto, para alcançar resultados satisfatórios, é fundamental conhecer a eficácia dos herbicidas pré-emergentes, bem como seu espectro de controle, seletividade e período residual. De acordo com Barroso; Albrecht e Gazziero (2024), o aumento do controle residual pode ser obtido por meio da associação de ingredientes ativos com ação pré-emergente, como piroxasulfona + flumioxazina e imazetapir + sulfentrazona, entre outras combinações. Essas misturas desempenham papel importante na prevenção e no manejo de populações resistentes; contudo, é necessário considerar o período residual dos produtos utilizados nas culturas subsequentes, bem como o potencial de carryover.

Além de contribuir para o manejo da resistência do caruru a herbicidas, a utilização de herbicidas pré-emergentes, especialmente com mais de um princípio ativo em sua formulação e/ou de forma associada, contribui para o aumento da eficácia no controle de espécies de caruru, em condições em que há o sinergismo entre moléculas. Ao analisar o controle do caruru com herbicidas pré-emergentes, Bianchi (2023) verificou que herbicidas com mais de um princípio ativo apresentem maior eficiência de controle, embora algumas combinações apresentem desempenho superior a outras. Entre os tratamentos avaliados, as associações imazetapir + flumioxazina e piroxasulfone + flumioxazina proporcionaram níveis de controle entre 94 e 95%, superando a associação s-metolaclor + flumioxazina (Figura 1a). Além disso, a aplicação dos herbicidas pré-emergentes reduziu a densidade de plantas de caruru em aproximadamente 98% (Figura 1b), evidenciando a importância dessa estratégia no manejo da planta daninha. (Bianchi, 2023).

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Os resultados de Bianchi (2023) também demonstram que a complementação do manejo com herbicidas pós-emergentes (glifosato + fomesafen) contribuiu para reduzir ainda mais as populações de caruru. Esse efeito foi mais evidente nas associações piroxasulfone + flumioxazina e s-metolaclor + flumioxazina aos 20 dias após a aplicação do Pós-E (Figura 1c), além da associação piroxasulfone + flumioxazina na avaliação realizada na colheita da soja (Figura 1d).

Figura 1. Controle de caruru (Amaranthus hybridus) aos 36 dias após a semeadura (a), 20 dias após a aplicação em pós-emergência (c) e na colheita (d) e densidade de caruru aos 7 dias após a aplicação em Pós-E (b). Coluna azul: resultado apenas do Pré-E. Coluna laranja: resultado da combinação Pré-E com Pós-E (glifosato + fomesafen). Médias com mesma letra minúscula nas colunas com mesma cor não diferem pelo teste de Duncan (p=0,05) e o * indica diferença entre colunas de cor diferente pelo teste t da ANOVA (p=0,05) (Bianchi, 2023).
**Os Pré-E (herbicidas pré-emergentes) foram aplicados logo após a semeadura da soja (“plante/aplique”) e os Pós-E (herbicidas pós-emergentes) no estádio V6 da soja (40 DAE).
Fonte: Bianchi (2023)

Fonte: Bianchi (2023)

Vale destacar que a eficiência dos herbicidas pré-emergentes está condicionada entre outros fatores, as condições de ambiente, características de solo, umidade, posicionamento adequado e espécies alvo.

Confira o estudo completo desenvolvido por Bianchi (2023) clicando aqui!

Referências:

BARROSO, A. A. M.; ALBRECHT, A. J. P.; GAZZIERO, D. L. P. O COMPLEXO CARURU: BIOLOGIA, IDENTIFICAÇÃO, OCORRÊNCIA E MANEJO. Sistema FAEP/SENAR-PR; UFPR; Embrapa, 2024. Disponível em: < https://www.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Cartilha-Caruru_web.pdf >, acesso em: 19/05/2026.

BIANCHI, M. A. CONTROLE DE CARURU NA SOJA. CCGL: Pesquisa e Tecnologia, Boletim de Pesquisa, n. 120, 2023. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/Boletim%20120.pdf >, acesso em: 19/05/2026.

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