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11 de junho de 2026

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Consumo de lenha de desmate cresce quase 95% e entra na mira do Ministério Público

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O uso de madeira oriunda de desmatamento cresceu 94,7% em Mato Grosso entre 2023 e 2024. O dado acendeu o alerta da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) e levou o Ministério Público do Estado (MPMT) a instaurar um procedimento junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para entender os motivos da alta.

Desde a publicação da Instrução Normativa nº 6, em 28 de abril de 2022, a Sema passou a autorizar o uso de lenha proveniente de desmate por grandes consumidores, como agroindústrias e usinas de etanol de milho. Para a Arefloresta, a medida provocou uma inversão preocupante no mercado.

O diretor da entidade, Haroldo Klein, afirma que o cenário vai na contramão do compromisso firmado pelo estado com o Plano de Suprimento Sustentável (PSS). Segundo ele, o plano representa “um compromisso com os plantios de floresta e com a reposição dos estoques florestais”.

Reflorestadores em alerta

O PSS, regulamentado pela própria Sema em 2021, determina que empresas com grande consumo de produtos florestais comprovem a origem da biomassa utilizada, priorizando florestas plantadas ou de Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS). A regra segue o que estabelece o Código Florestal Brasileiro.

Mas, na prática, a autorização para o uso de madeira de desmate acabou estimulando o consumo de matéria-prima nativa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, com a IN 6/2022, o volume de biomassa nativa passou de 2,2 milhões de metros cúbicos (m³) em 2022 para 3,7 milhões m³ em 2024 — um salto de 66,9%. No mesmo período, o consumo de florestas plantadas cresceu 23,5%.

Em 2024, a produção florestal em Mato Grosso registrou 3,7 milhões m³ de lenha de reflorestamento (29% menos que em 2023) e o mesmo volume de lenha vinda de desmate (97,4% mais que no ano anterior).

Klein lembra que o Brasil já previa, desde o Código Ambiental de 1934, a necessidade de evitar a pressão sobre os recursos naturais. Ele defende que empresas que utilizam madeira nativa “precisam prestar contas da sua origem, ser fiscalizadas e repor os estoques”.

Diante dos números, o Ministério Público informou à Arefloresta que pretende buscar esclarecimentos da Sema e de representantes do setor. A promotora de Justiça Ana Luíza Peterlini avalia realizar uma audiência pública para discutir a fiscalização do produto florestal.

“Eu vou instaurar um procedimento, solicitar informações e ver o que a Sema vai trazer. Acho interessante marcar uma audiência pública para que setor florestal, indústrias consumidoras e Sema possam se manifestar”, afirmou.

Sustentabilidade e futuro

A biomassa é usada como fonte de energia térmica em processos industriais e agrícolas. Pode ter diversas origens — como palha de arroz, caroço de algodão ou casca de açaí —, mas em Mato Grosso predomina o eucalipto de reflorestamento, que ocupa hoje cerca de 140 mil hectares.

Com a expansão acelerada das usinas de etanol de milho, a Arefloresta teme que a oferta de biomassa sustentável não acompanhe a demanda crescente. O secretário-geral da entidade, Fausto Takizawa, estima que será preciso ampliar em mais 300 mil hectares a área de florestas plantadas nos próximos seis anos apenas para atender esse segmento.

“O reflorestamento é uma atividade que pode ser conciliada com a agricultura e a pecuária e há um enorme potencial no estado”, ressalta Takizawa. Para ele, o investimento em florestas plantadas precisa estar no centro das estratégias industriais e a adaptação gradual das empresas “é o caminho ideal”.


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Propriedade intelectual e comercialização de sementes movimentam debates na cadeia sementeira

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Foto: Aprosmat/Divulgação

A proteção da propriedade intelectual e as transformações na comercialização de sementes estão entre os temas que têm mobilizado discussões dentro da cadeia sementeira brasileira. Os assuntos envolvem desde o reconhecimento da inovação genética até os desafios de levar novas tecnologias ao produtor rural.

Os debates estarão em pauta durante a quinta edição da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), que será realizada pela Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat) nos dias 17 e 18 de junho, em Rondonópolis, reunindo representantes de empresas, entidades setoriais e órgãos públicos.

Com o tema “A semente é o elo”, a programação contará com painéis voltados aos desafios e às perspectivas para o segmento nos próximos anos.

Entre os assuntos previstos estão os impactos da propriedade intelectual para o negócio de sementes e as tendências que devem influenciar o futuro da comercialização no setor.

Reconhecimento da inovação

Para Fernando Michel Wagner, gerente executivo de Negócios Institucionais da GDM Seeds, o debate em torno da propriedade intelectual demonstra a evolução das discussões dentro do agronegócio.

“Esse é um tema que está em discussão dentro dos movimentos do agronegócio e muitas vezes apesar das discussões serem acaloradas, penso que isso mostra maturidade”, pontua.

Na avaliação do executivo, o Brasil já ocupa posição de destaque mundial em áreas como genética e produtividade, mas ainda precisa avançar em mecanismos que acompanhem a dimensão alcançada pelo setor.

O tema será debatido por representantes de empresas, entidades e governo, entre eles Catharina Pires, da Croplife; Augusto Moraes, da Corteva; Carlos Goulart, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); Fernando Prudente, da Bayer; Ronaldo Troncha, da Abrasem; e Lucas Silva, da BASF.

Mudanças no mercado

As transformações na forma de comercialização de sementes também estarão no centro das discussões. O tema reúne empresas do segmento em um cenário marcado pelo avanço da digitalização, da integração de dados e da busca por maior eficiência produtiva.

Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil, destaca que os ganhos de produtividade e sustentabilidade passam pela inovação desenvolvida a partir das sementes.

“Produzir alimentos e energia renovável com mais eficiência, menos uso de recursos e maior resiliência passa, necessariamente, pela inovação em toda a cadeia produtiva, e tudo começa na semente, que define esse potencial. É nela que a ciência vem concentrando cada vez mais avanços capazes de impulsionar a produtividade e a sustentabilidade em escala”.

Conforme Batistela, a inovação não está relacionada apenas ao desenvolvimento de novas tecnologias, mas também à forma como essas soluções chegam ao produtor rural.

“Porém, em um cenário cada vez mais desafiador para a agricultura, inovação não é apenas tecnologia; é também a forma como as soluções chegam ao produtor, de maneira mais integrada, conectada e orientada por dados. Essa combinação é o que sustenta a resiliência do agricultor brasileiro e permite ao Brasil fortalecer sua liderança no agro global”, destaca.

Também participarão do debate Francisco Soares (TMG), Frederico Barreto (Syngenta Seeds), William Weber (Corteva), Ignácio Rosasco (Stine), Fábio Passos (Bayer) e Júlio César Poletto (GDM Seeds).


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Conab eleva previsão da safra 2025/26 de grãos para 358,64 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou, nesta quinta-feira (11), a previsão para a safra brasileira de grãos 2025/26 para 358,64 milhões de toneladas. O volume representa novo recorde e crescimento de 1,8% sobre a temporada 2024/25, quando a produção somou 352,27 milhões de toneladas. Em relação à estimativa de maio, o ajuste foi de 0,2%, equivalente a 664 mil toneladas.

Segundo a Conab, o resultado é sustentado pelo aumento da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, alta de 2,2% sobre os 81,73 milhões de hectares da safra anterior, além de condições climáticas favoráveis. A produtividade média nacional, porém, foi projetada em 4.295 quilos por hectare, recuo de 0,3% frente aos 4.310 quilos por hectare de 2024/25.

A soja foi o principal destaque positivo da revisão. Com a colheita praticamente finalizada, a produção da oleaginosa foi estimada em 180,25 milhões de toneladas, ante 171,48 milhões de toneladas no ciclo anterior. O aumento de 8,8 milhões de toneladas, de acordo com o boletim, reflete expansão de área, bom pacote tecnológico e clima favorável.

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No milho, a estimativa total das três safras ficou em 140,46 milhões de toneladas. A primeira safra, com colheita em 87,7% da área, deve alcançar 29,34 milhões de toneladas, avanço de 17,7% em relação ao mesmo período de 2024/25. A produtividade foi projetada em 7.110 quilos por hectare, alta de 7,6% e novo recorde da série histórica da Companhia para a primeira safra. Para a segunda safra, a expectativa é de 107,87 milhões de toneladas, enquanto a terceira foi estimada em 3,26 milhões de toneladas.

Entre outras culturas, o algodão teve produção prevista em 3,98 milhões de toneladas, queda de 2,5% ante 2024/25, influenciada por menor área semeada. O sorgo foi estimado em 7,62 milhões de toneladas, alta de 24,9% sobre a safra passada. Já o arroz deve somar 11,08 milhões de toneladas, recuo de 13,2%, enquanto o feijão foi projetado em 3,05 milhões de toneladas, baixa de 0,5%. No trigo, a semeadura atingia 45,3% da área prevista, e a produção foi estimada em 6,30 milhões de toneladas, 20% abaixo de 2025.

A Conab informou que, mesmo com a expectativa de menor produção de arroz e feijão, a estimativa atual garante o abastecimento do mercado interno. O material divulgado não detalha impactos econômicos adicionais para produtores por cultura além dos dados de área, produtividade e produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Safra de grãos 2025/26 é estimada em 358,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou em 358,6 milhões de toneladas a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, segundo o 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado nesta quinta-feira (11). O volume representa alta de 1,8% sobre o ciclo anterior, com acréscimo de 6,4 milhões de toneladas. A área cultivada foi projetada em 83,5 milhões de hectares, com produtividade média nacional de 4.295 quilos por hectare.

De acordo com a Conab, a projeção de novo recorde na série histórica é sustentada pelo aumento da área cultivada e por condições climáticas favoráveis. Entre as culturas, a soja apresenta o maior crescimento em volume. A produção da oleaginosa foi estimada em 180,3 milhões de toneladas, com incremento de 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior. Segundo o boletim, o resultado reflete a expansão da área, o pacote tecnológico adotado e o clima favorável.

No milho, a estimativa total, considerando as três safras, é de 140,5 milhões de toneladas. A primeira safra já teve 87,7% da área colhida e deve alcançar 29,3 milhões de toneladas, alta de 17,7% em relação à temporada 2024/25. A produtividade foi estimada em 7.110 quilos por hectare, avanço de 7,6% e novo recorde da série histórica da Companhia para essa etapa. Para a segunda safra, a expectativa é de 107,9 milhões de toneladas, enquanto a terceira safra deve somar 3,3 milhões de toneladas.

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Entre outros grãos, a produção de algodão foi estimada em cerca de 4 milhões de toneladas, recuo de 2,5% ante 2024/25, influenciado pela menor área semeada. O sorgo deve atingir 7,62 milhões de toneladas, alta de 24,9% na comparação com a safra passada. No arroz, a estimativa é de 11,1 milhões de toneladas, queda de 13,2% em razão da menor área destinada à cultura. Para o feijão, a previsão é de quase 3 milhões de toneladas, recuo de 0,5%.

No mercado, a Conab projetou exportações de soja em 116,1 milhões de toneladas e processamento de 61,58 milhões de toneladas. O estoque de passagem da soja foi estimado em 9,2 milhões de toneladas. Para o milho, os estoques de passagem podem chegar a 13,25 milhões de toneladas no fim de janeiro de 2027. No feijão, o estoque final esperado no fim de dezembro foi atualizado para 288,5 mil toneladas.

Para o trigo, cultura de inverno, a semeadura avança em todas as regiões produtoras e atingia 45,3% da área prevista no levantamento. A Conab projeta produção em torno de 6,3 milhões de toneladas, com redução associada à menor área destinada ao cereal. O material divulgado não detalha impactos regionais adicionais para produtores além dos dados de área, produção e mercado apresentados no levantamento.

Fonte: gov.br

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