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7 de maio de 2026

Sustentabilidade

Produtores e indústria alertam para desafios na implementação da rastreabilidade de defensivos no país – MAIS SOJA

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Produtores rurais, representantes da indústria e parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacaram nesta quarta-feira (15), durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados (CAPADR), a importância da rastreabilidade de defensivos, mas reforçaram a necessidade de cautela na implementação do Programa Nacional de Rastreabilidade de Produtos Agrotóxicos e Afins (PNRA), instituído pela Portaria nº 805/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

O debate foi proposto pelo presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), e pelos deputados Pezenti (MDB-SC) e Luiz Nishimori (PSD-PR). Convidado para apresentar o programa que o MAPA vai implantar, o secretário-executivo do órgão, Irajá Rezende de Lacerda, destacou que o PNRA amplia a proteção, a segurança e a transparência em todos os elos da cadeia produtiva. Segundo ele, “o Brasil se consolidou como um dos principais garantidores da segurança alimentar mundial, mas esse avanço trouxe novos desafios, como aprimorar a gestão pública e lidar com temas sensíveis, como o uso de agrotóxicos.”

Irajá ressaltou falhas no modelo atual de fiscalização, em que sistemas federais, estaduais, municipais e privados não se comunicam, e permitem concorrência desleal, falsificação, contrabando, evasão fiscal e prejuízos à saúde humana, animal e ambiental. Para corrigir essas falhas, “o Ministério está implementando o Sistema Integrado de Rastreabilidade (CIR), baseado em criptografia pública e QR Code, que permitirá rastrear os agrotóxicos desde a origem até o destino final, garantindo integração entre órgãos públicos e setor privado sem gerar custos adicionais aos produtores,” disse o secretário.

Durante a audiência, o deputado Tião Medeiros (PP-PR), coordenador de Infraestrutura e Logística da FPA, reforçou preocupações práticas dos produtores, citando dificuldades como a identificação de embalagens durante transporte e armazenagem em condições adversas. “O grande temor é que essa medida venha onerar ainda mais o produtor rural. Nosso papel é proteger quem produz, quem sustenta a base da economia e garante a segurança alimentar do país”, disse.

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O deputado Luiz Carlos Hauly (PODE- PR), também integrante da FPA, ressaltou exemplos de sucesso no Brasil, como o programa de logística reversa de embalagens do InpEV Campo Limpo, que “recicla 97% das embalagens de agroquímicos, e o sistema de nota fiscal eletrônica, considerado um dos mais modernos do mundo, destacando que é possível implementar rastreabilidade sem onerar os produtores”.

Implementação

Arthur Gomes, diretor de defensivos químicos da CropLife Brasil, que representa 70% da indústria no país, alertou que o prazo atual previsto para implementação é insuficiente. “Dois anos para a indústria talvez signifique três ou quatro anos para distribuição. O prazo de 120 dias, como previsto atualmente, está muito distante da realidade do Brasil, considerando fabricante, transportador, armazenagem, distribuição, varejista e agricultor”, disse.

“Precisamos de uma implementação faseada, com padrões unificados para todos os elos, visando aumentar transparência, eficiência operacional e confiança do consumidor, sem gerar burocracia desnecessária com rastreamento de veículos, que já existe,” acrescentou Gomes.

Leonardo Minaré, assessor técnico da Aprosoja Brasil, chamou atenção para o tempo necessário para implementação de sistemas complexos de rastreabilidade, comparando-os ao controle de medicamentos.

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“O sistema nacional de controle de medicamentos, criado pela lei 11.903 em 2009, só foi concluído pela Anvisa em 2022 — 13 anos de implementação. Ele utiliza QR Code e checkpoints em cada etapa, sem rastrear a carga, mas garante que cada medicamento seja rastreável até o consumidor final. Um defensivo agrícola mal usado pode causar tanto dano quanto um medicamento, mas a pressa na implementação da portaria 805 pode gerar ônus excessivo para o produtor, que já enfrenta endividamento e custos altos”, afirmou.

Minaré acrescentou que a falta de discussão e transparência na criação do novo sistema de rastreabilidade de grãos, instituído recentemente pelo MAPA, também preocupa o setor. Segundo ele, a exigência de adesão para acessar linhas de crédito públicas, custeio ou armazéns pode criar mais burocracia e custos para os produtores, sem que o sistema esteja plenamente testado e implementado. “É preciso transparência e diálogo com o setor antes de aplicar essas regras na prática”, concluiu.

Diálogo

Para encaminhar o debate, o deputado Domingos Sávio (PL-MG), coordenador de Defesa Agropecuária da FPA, afirmou que pretende ampliar o debate na bancada. “Considero extremamente relevante. Vou sugerir um convite para que possamos debater o tema mais profundamente, sem nos limitarmos ao regimental. É importante ouvir todos os segmentos e esclarecer as dúvidas sobre acesso a crédito e obrigações dos produtores”, disse.

Irajá concluiu que o PNRA pretende eliminar “ilhas de informação” entre os sistemas públicos e privados, para garantir transparência, rastreabilidade e segurança na cadeia de agrotóxicos, e proteger produtores, consumidores e o meio ambiente. Ele enfatizou que “o programa será implementado de forma gradual, utilizando infraestrutura já existente e tecnologia segura, sem custos adicionais aos produtores.”

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A audiência reforçou a importância de manter um diálogo permanente entre governo e produtores rurais, para equilibrar as ações de controle e fiscalização com as condições reais do campo. O objetivo é garantir que o Brasil avance na rastreabilidade de agrotóxicos de forma técnica e responsável, sem comprometer a produtividade nem a competitividade do setor agrícola.

Fonte: Agência FPA



 

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Sustentabilidade

Enfezamento do milho reforça necessidade de manejo integrado para evitar perdas de até 70% – MAIS SOJA

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A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) permanece como uma das principais ameaças à produtividade da cultura no Brasil, especialmente por sua atuação como vetor do complexo de enfezamentos. Diante desse cenário, a FMC, empresa global de ciências para agricultura, reforça a importância de um manejo integrado, que combine diferentes estratégias ao longo do ciclo produtivo para minimizar perdas e garantir maior segurança ao produtor.

Segundo Thiago Filippin, desenvolvedor de mercado da FMC, a relação entre a praga e as doenças é direta e exige atenção redobrada. “A cigarrinha é a principal transmissora dos fitoplasmas e espiroplasmas responsáveis pelos enfezamentos pálido e vermelho, além do vírus da risca do milho (MRFV). No entanto, o inseto não nasce infectado — torna-se vetor ao se alimentar de plantas contaminadas e, a partir disso, passa a disseminar esses patógenos pela lavoura”, explica.

Entre os fatores que influenciam a pressão da praga, a época de semeadura se destaca como uma das decisões mais estratégicas. De acordo com Filippin, o plantio no início da janela reduz a incidência inicial da cigarrinha e, consequentemente, o risco de infecção. “Semeaduras tardias expõem o cultivo a populações migrantes, aumentando significativamente a chance de transmissão dos enfezamentos”, afirma.

Os danos causados podem ser severos, incluindo redução do porte das plantas, má formação das espigas, perfilhamento excessivo (brotações laterais) e sintomas visuais como folhas amareladas, avermelhadas ou com o sintoma de raiado fino para a virose. Em situações de alta pressão, as perdas podem variar de 20% a 70%, podendo evoluir para a quebra total da lavoura.

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Outro ponto crítico no manejo é o controle das plantas tigueras, que funcionam como reservatório da praga e das molicutes. “Como a cigarrinha depende exclusivamente do milho para completar seu ciclo, eliminar plantas tigueras é fundamental para interromper essa dinâmica. O controle na entressafra e o uso de herbicidas na cultura antecessora ajudam a evitar a chamada ‘ponte verde’”, destaca.

A escolha de cultivares mais tolerantes aos enfezamentos também contribui para reduzir os impactos, especialmente em plantios de médio e final de janela. Além disso, o tratamento de sementes desempenha papel essencial na proteção inicial da lavoura. “É importante optar por tecnologias com bom residual, alta sistemicidade e eficiência no controle da praga, como inseticidas dos grupos dos neonicotinoides e butenolidas”, orienta Filippin.

Embora as pulverizações sejam frequentemente associadas ao controle da cigarrinha, o especialista ressalta que sua eficácia depende de uma série de fatores. “O rápido crescimento do milho, com emissão de novas folhas a cada poucos dias, exige precisão na aplicação. Boa regulagem dos equipamentos, escolha adequada de produtos, rotação de ativos e monitoramento constante são fundamentais para reduzir os danos”, explica.

O profissional destaca que o manejo integrado busca reduzir a incidência da praga a níveis que não comprometam a produtividade da lavoura. “Quando bem executado, o conjunto de práticas contribui para a sustentabilidade do sistema produtivo e para a rentabilidade do produtor”, diz.

Tecnologia e inovação

A FMC tem como objetivo promover o avanço do campo por meio de tecnologias de proteção sustentável de cultivos e, por isso, investe, constantemente, em pesquisa e desenvolvimento. Prova disso é o inseticida inovador Premio® Star. Com proteção para 50 pragas em mais de 50 culturas, esse é o único produto do mercado que oferece controle simultâneo das principais pragas da soja e do milho, como lagartas e percevejos, e outros alvos secundários das plantações.

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“Além de evitar as misturas de tanque, o Premio® Star tem amplo espectro de controle, longo residual e tem como referência o lagarticida Rynaxypir, um potente inseticida, para alta performance em percevejos”, ressalta Sérgio Catalano, gerente de inseticidas da FMC.

O Premio® Star possui tecnologia exclusiva possui a combinação e a proporção exata dos ingredientes, o que constitui uma formulação diferenciada com altíssima performance para insetos mastigadores e sugadores. O Premio® Star possui duplo modo de ação, amplo espectro, efeito de choque e residual, menor lavagem pela chuva e otimização operacional. No milho é indicado para controle da cigarrinha (Dalbulus maidis), percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus), pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis) e a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).

 Sobre a FMC

A FMC Corporation é uma empresa global de ciências agrícolas dedicada a auxiliar produtores rurais na produção de alimentos, rações, fibras e combustíveis para uma população mundial em expansão, adaptando-se a um ambiente em constante mudança. As soluções inovadoras de proteção de cultivos da FMC – incluindo produtos biológicos, nutrição de cultivos, agricultura digital e de precisão – permitem que produtores e consultores agrícolas enfrentem seus maiores desafios econômicos, protegendo o meio ambiente. A FMC está comprometida em descobrir novos ingredientes ativos de herbicidas, inseticidas e fungicidas, formulações de produtos e tecnologias pioneiras que sejam consistentemente melhores para o planeta. Visite fmc.com para saber mais e siga-nos no LinkedIn®.


FMC e o logotipo da FMC, assim como Premio® Star, são marcas comerciais da FMC Corporation ou afiliada. Produtos de uso agrícola. Consulte sempre um engenheiro agrônomo. Sempre leia o rótulo e siga todas as instruções, restrições e precauções de uso do produto.

Fonte: Assessoria de imprensa



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Sustentabilidade

Setor agropecuário pede R$ 570 bi para Plano Safra e cobra fim de ‘travas’ ambientais no crédito – MAIS SOJA

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O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, entregou, na terça (28), ao ministro da Agricultura, André de Paula, o documento com as principais propostas do setor para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027. A Confederação em conjunto com as federações de agricultura do país, entre elas a Farsul, articulam um pacote que combina um pedido recorde de recursos -R$ 570 bilhões- com uma ofensiva contra o que chamam de “entraves burocráticos e ambientais” que estão asfixiando o produtor.

O montante solicitado pela CNA representa um salto em relação aos planos anteriores, sendo R$ 359 bilhões destinados ao custeio e comercialização e R$ 111 bilhões para investimentos. A entidade também pede um reforço de R$ 3 bilhões no orçamento do Seguro Rural ainda para este ano, visando mitigar as perdas causadas por intempéries climáticas.

Um dos pontos centrais da pressão setorial, reforçado pela Farsul, é a resolução imediata dos problemas gerados pela plataforma Prodes (Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite) no Sistema Nacional de Crédito Rural. Segundo as entidades, o uso dos dados do Prodes pelas instituições financeiras tem gerado bloqueios automáticos e indevidos de crédito. O setor alega que a plataforma identifica supressão de vegetação, mas não distingue o desmatamento legal (autorizado) do ilegal, punindo produtores que atuam em conformidade com o Código Florestal.

Dívidas e o Pré-Sal

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No plano legislativo, o setor declarou apoio irrestrito ao Projeto de Lei 5122/2023. O texto autoriza a utilização de recursos do Fundo Social (oriundos do pré-sal) para viabilizar linhas especializadas de renegociação de dívidas rurais. A medida é vista pela Farsul como a única saída para evitar uma crise sistêmica de inadimplência, especialmente no Rio Grande do Sul, estado que enfrenta sucessivos choques climáticos. O setor defende que o projeto prevê o uso de excedentes financeiros sem pressionar o teto de gastos do orçamento federal.

Pauta Técnica e Carbono

A lista de reivindicações levada ao Ministério também inclui temas técnicos de alta sensibilidade comercial:

  • Arroz: A Farsul cobra uma atuação rigorosa do governo no controle da tipificação do arroz beneficiado. A medida visa proteger o mercado interno de distorções na classificação de grãos importados, garantindo a competitividade do produto nacional.
  • Mercado de Carbono: Há uma forte pressão pela “tropicalização” das medições de balanço de carbono. Os produtores argumentam que os modelos internacionais não capturam a realidade da agricultura brasileira, que permite múltiplas safras anuais e possui alto potencial de sequestro de carbono no solo.
  • Seguro e Proagro: As entidades pedem uma revisão profunda para acabar com o que chamam de subversão do seguro agrícola e do Proagro. A queixa é que o sistema atual tornou-se excessivamente caro e ineficiente, com regras que desestimulam a adesão e dificultam o pagamento de indenizações em casos de calamidade.

O documento pode ser conferido na íntegra aqui.

O ministro André de Paula agradeceu a entrega das propostas e disse que não há “tempo a perder”. “Estou disposto a marcar a minha passagem no ministério para compreender e ajudar a fortalecer o setor”. Ele informou que toda a equipe do Ministério estará à disposição da CNA para atender as demandas do agro. “Sei que o momento é desafiador, mas é uma chance de ouvir todos vocês”. O Plano Safra deve ser anunciado oficialmente entre o final de maio e o início de junho.

Também participaram da reunião, além do 1º vice-presidentes da CNA, Gedeão Pereira, e do presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, os vice-presidentes da Confederação Humberto Miranda, Marcelo Bertoni e Amílcar Silveira, os presidentes de Federações de agricultura e pecuária da Paraíba, Mário Borba, e de Pernambuco, Pio Guerra, o deputado federal Domingos Neto (PE), o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, o secretário-executivo, Cleber Soares, o diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, e os diretores da CNA Sueme Mori e Rudy Ferraz.

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Fonte: Farsul



 

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Sustentabilidade

Arrecadação extra do governo federal com alta do petróleo pode resolver o endividamento rural no Brasil

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Parte das receitas extraordinárias arrecadadas pela União em decorrência da subida do petróleo poderão ser destinadas às renegociações de dívidas rurais. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026 trata dos recursos obtidos com royalties, participações especiais da União, dividendos de empresas do setor de óleo e gás e tributos federais, e o instrumento para ajudar os produtores pode ser incluído no substitutivo da proposta.

O texto foi um dos pontos discutidos na reunião-almoço da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) desta terça-feira (5). Segundo o presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), esse superávit extraordinário pode ser bem empregado não apenas para mitigar os efeitos da elevação dos combustíveis, mas em outras necessidades, como das renegociações.

“O ganho bruto da União com a alta do petróleo, com royalties, dividendos da Petrobras, tributos federais e o imposto de exportação, dá exatamente R$ 128,7 bilhões”, comentou Pedro Lupion, ao falar sobre levantamento feito pela FPA sobre o assunto. Ainda conforme os dados, mesmo descontando as renúncias fiscais com o diesel e com os demais combustíveis, sobrariam para a União R$ 41,2 bilhões até o final do ano.

A vice-presidente da Região Centro-Oeste da FPA, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), está com a relatoria do PLP 114/26. Ela explicou que a ideia não seria impor a destinação, mas abrir a possibilidade de que parte desse recurso tenha a finalidade de abarcar as dívidas rurais. Ainda conforme a parlamentar, isso traria mais uma alternativa ao Projeto de Lei 5.122/2023, em discussão no Senado e que aborda o tema.

“A senadora Tereza trouxe a sugestão para que a gente pudesse utilizar esses recursos extraordinários em paralelo ao projeto que está tramitando lá no Senado, relatado pelo senador Renan Calheiros. Vou apresentar esta possibilidade no nosso texto, além de incluir  o Seguro Rural”, acrescentou Boldrin.

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A deputada complementou indicando que outros pontos também devem estar presentes no relatório final, ainda sem uma previsão para ser apreciado no Plenário da Câmara dos Deputados. Entre eles está um dispositivo para garantir que os biocombustíveis continuem com benefícios fiscais mais favoráveis em relação aos combustíveis fósseis. Na prática, a medida será para garantir que a renúncia fiscal dada na gasolina e no diesel seja aplicada também, de forma proporcional, ao etanol e ao biodiesel, mantendo esses produtos renováveis mais atrativos.

Projeto do endividamento segue em negociação

No encontro desta terça, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), atualizou a bancada sobre o andamento das articulações sobre o PL 5.122/2023. As equipes técnicas da senadora e do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL) , se reuniram com integrantes do Ministério da Fazenda na última quinta-feira (30) para tratar do assunto. No entanto, ainda não há um consenso entre o governo e os parlamentares sobre a origem dos recursos para a renegociação da dívida.

“O que o governo está trazendo para a gente é o que sobrou do dinheiro que não conseguiram aplicar do Plano Safra passado, R$ 82 bilhões. Esse é o montante, mas também não é suficiente. Que esse volume venha, mas nós precisamos no mínimo de R$ 180 bilhões”, disse a senadora.

Agora, as equipes tentam encontrar fontes para suprir a necessidade. O Fundo Social do Pré-sal, o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) e também os recursos extras da alta do petróleo — tratados no PLP 114/26 — estão entre as possibilidades em estudo. A intenção é colocar o projeto 5.122/23 em votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima semana, informou Tereza Cristina.

Conflito no Oriente Médio já soma mais de R$ 7 bilhões em custos para o agro brasileiro

Uma temática relacionada ao aumento dos preços dos combustíveis é a alta nos custos operacionais do agro no Brasil. Segundo dados da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o custo extra com a subida do diesel nos últimos meses chega a R$ 7,2 bilhões, sem contar gastos com logística.

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“Nós observamos que a cada R$ 0,25 que o preço do diesel aumenta o custo para o produtor rural lá na ponta é de R$ 1,3 bilhão”,apontou o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, que participou da reunião-almoço e apresentou o estudo.

Além disso, o especialista lembrou que esse cenário tende a agravar a realidade do produtor rural, que já está impactado com dívidas. “Nós tivemos um aumento de 23% no preço do diesel. Isso traz uma preocupação não só para a colheita da primeira safra, como o plantio e a colheita da segunda safra e no plantio da primeira safra de 2026/2027”, completou.

Apesar do quadro grave, o economista também apontou que a situação traz oportunidades para o Brasil. A principal é o aumento das misturas obrigatórias — de 32% do etanol na gasolina e de 16% de biodiesel no diesel. Ele explicou que um impulsionamento das misturas pode, por exemplo, aumentar o esmagamento de soja no Brasil e agregar valor à soja, fazendo com que a commodity brasileira fique mais valorizada também no mercado internacional de exportação.

Veja o que disseram outros integrantes da FPA:

Sérgio Souza“O agro hoje é símbolo de segurança energética. E aqui nos dá garantia de perenidade na produção de grãos, porque se não fosse a produção de energia estaríamos comercializando soja a R$ 90, a saca de milho a R$ 25 no Mato Grosso. Então trouxe um novo mercado”, acrescentou o coordenador da Comissão Tributária da FPA, deputado Sérgio Souza (MDB-PR).

Jaime Bagattoli“Esse projeto [PLP 114/2026] é muito importante. O governo tem que entender que nós precisamos, praticamente, quase zerar os impostos para ser competitivo nas condições que está o petróleo hoje”, destacou o 2º vice-presidente da FPA no Senado, senador Jaime Bagattoli (PL-RO).

“Nós temos que superar os problemas burocráticos e ambientais. Na minha cidade, Cruz Alta (RS), nós temos três cooperativas que se uniram para fazer uma empresa de biocombustível, e não há jeito de conseguir a licença ambiental. No momento em que se agoniza com esse conflito no Irã, ter esses obstáculos é incompreensível e inaceitável”, disse o deputado Pedro Westphalen (PP-RS).

Fonte: FPA


 

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