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25 de junho de 2026

Sustentabilidade

Mecanismos de resistência das plantas daninhas aos herbicidas – MAIS SOJA

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Controlar plantas daninhas em culturas agrícolas  é determinante para a redução da matocompetição e consequentemente interferência negativa na produtividade da lavoura. Embora distintas estratégias de manejo possam ser utilizadas de forma integrada para o manejo e controle das plantas daninhas, em lavouras comerciais o emprego de herbicidas químicos é o método mais difundido para o controle das daninhas.

Contudo, o uso equivocado e contínuo dos herbicidas, atrelado a baixa adesão aos métodos alternativos de controle, tem contribuído para o aumento da pressão de seleção sobre bióticos resistentes, resultando em um crescente aumento do número de casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas.

Figura 1. Evolução dos casos globais de resistência das plantas daninhas a herbicidas.

Fonte: Heap (2025)

A resistência das plantas daninhas a herbicidas pode ser compreendida como a habilidade hereditária de um indivíduo sobreviver e se reproduzir após a exposição a doses letais de herbicidas, normalmente fatais ao biótipo suscetível. Essa resistência pode surgir naturalmente, pela seleção de biótipos no campo devido ao uso contínuo de herbicidas, ou ser induzida por técnicas como engenharia genética, cultura de tecidos e mutagênese (Christoffoleti et a., 2016).

Figura 2. Seleção e multiplicação de plantas resistentes a um herbicida.

Como as plantas daninhas desenvolvem a resistência aos herbicidas?

Os mecanismos de resistência das plantas daninhas a herbicidas podem ser divididos em resistência específica e não específica ou metabólica. A resistência específica corresponde a alterações existentes no local de ação do herbicida, enquanto que a resistência não sistema corresponde a alterações nos processos fisiológicos, metabólicos e até mesmo genéticos que os biótipos resistentes possuem (Borgato & Netto, 2016).

De acordo com Borgato & Netto (2016), existem pelo menos cinco mecanismos que podem explicar a resistência das plantas daninhas a herbicidas e influenciar o modo de ação destes compostos, sendo eles: alteração do sítio de ação do herbicida; ampliação gênica; metabolização ou desintoxicação do herbicida; absorção foliar e/ou translocação diferencial do herbicida, e sequestro ou compartimentação do herbicida.

Alteração do sítio (local) de ação do herbicida

A alteração do sítio de ação é um mecanismo de resistência em que o herbicida perde a capacidade de se ligar adequadamente à sua enzima ou proteína-alvo, devido a mudanças estruturais (mutações na sequência de aminoácidos) que modificam a conformação desse local. Com isso, o herbicida deixa de inibir os processos metabólicos essenciais da planta, tornando-se ineficaz. Esse mecanismo é comum e pode conferir altos níveis de resistência, como já observado em diferentes espécies no Brasil, a exemplo de Bidens pilosa, Euphorbia heterophylla e Eleusine indica, resistentes principalmente a inibidores de ALS, ACCase e até mesmo ao glyphosate. Este é, possivelmente, o mecanismo de resistência que ocorre com maior frequência em populações de plantas daninhas (Borgato & Netto, 2016).

Ampliação gênica

De acordo com Borgato & Netto (2016), a amplificação gênica é um mecanismo de resistência caracterizado pelo aumento do número de cópias do gene que codifica a enzima alvo do herbicida, permitindo à planta produzir quantidades elevadas dessa enzima. Assim, a dose aplicada do herbicida torna-se insuficiente para inibir todas as cópias enzimáticas, garantindo a sobrevivência da planta. Esse mecanismo foi relatado pela primeira vez em Amaranthus palmeri resistente ao glyphosate (Gaines et al., 2010) e, posteriormente, em outras espécies como A. tuberculatus, Lolium perenne spp. multiflorum e Kochia scoparia.

Metabolismo e desintoxicação do herbicida

O metabolismo e desintoxicação do herbicida por sua vez, consistem em um mecanismo de resistência no qual a planta daninha é capaz de degradar o herbicida em compostos não tóxicos antes que ele cause danos. Esse processo envolve principalmente as enzimas citocromo P450 (oxidação) e glutationa (conjugação), conferindo resistência a diversos grupos de herbicidas, como ACCase, ALS, Fotossistema I e II, divisão celular, auxinas sintéticas e EPSPs. A eficiência da metabolização varia conforme a espécie, o estádio de desenvolvimento e as condições ambientais, podendo uma mesma dose ser tóxica em certas situações e inofensiva em outras. Como é controlado por vários genes, esse mecanismo apresenta menor probabilidade de evolução (Borgato & Netto, 2016).

Absorção e/ou translocação diferencial (redução da concentração do herbicida no local de ação)

De forma sucinta, conforme explicado por Borgato & Netto (2016), a resistência de plantas daninhas por absorção e/ou translocação diferencial ocorre quando há menor mobilidade do herbicida nos tecidos vegetais e/ou maior retenção foliar, reduzindo a quantidade que chega ao sítio de ação e, consequentemente, os efeitos fitotóxicos.

Sequestro ou compartimentalização do herbicida

O sequestro ou compartimentalização do herbicida é um mecanismo de resistência em que a planta impede que o produto atinja o local de ação em concentrações suficientes para causar controle, armazenando-o em compartimentos celulares, como os vacúolos. Esse processo pode estar associado à menor retenção foliar, absorção ou translocação do herbicida (Borgato & Netto, 2016).

Em suma, as plantas apresentam diferentes mecanismos de resistência os quais podem ser utilizados para sobreviver aos efeitos dos herbicidas, podendo inclusive, uma planta apresentar mais de um mecanismos de resistência, conferindo assim resistência a múltipla a herbicidas de diferentes princípios ativos e mecanismos de ação.

Para ter acesso ao conteúdo completo do material desenvolvido por Borgato & Netto (2016) clique aqui!

Referências:

BORGATO, E. A.; NETTO, A. G. RESISTÊNCIA MÚLTIPLA E CRUZADA: CASOS NO BRASIL E MECANISMOS DE RESISTÊNICA DE PLANTAS DANINHAS A HERBICIDAS. Associação Brasileira de Ação à Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas (HRAC), 4° ed., cap. 3, 2016. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/livro_Hrac.pdf >, acesso em: 02/10/2025.

CHRISTOFFOLETI, P. J. et al. RESISTÊNCIA MÚLTIPLA E CRUZADA: CASOS NO BRASIL E MECANISMOS DE RESISTÊNICA DE PLANTAS DANINHAS A HERBICIDAS. Associação Brasileira de Ação à Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas (HRAC), 4° ed., cap. 1, 2016. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/livro_Hrac.pdf >, acesso em: 02/10/2025.

HEAP, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2025. Disponível em: < https://weedscience.org/Pages/ChronologicalIncrease.aspx >, acesso em: 02/10/2025.

Foto de capa: Leandro Vargas

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Sustentabilidade

Preços da soja no Brasil: Chicago cai e dólar sobe; confira as cotações

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve uma sessão sem registro de movimentos mais firmes, com negociações restritas a pequenos lotes.

O analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira destaca que os prêmios seguem sustentados, enquanto os demais formadores de preços apresentaram movimentos limitados ao longo do dia.

A Bolsa de Chicago recuou, enquanto o dólar registro u leve alta. Com isso, as cotações permaneceram praticamente estáveis na maior parte das praças, com algumas situações pontuais mais favoráveis.

“Algumas praças trabalharam com preços melhores do que a paridade”, observa Silveira. Segundo ele, as indicações continuaram trazendo oportunidades de negociação, mesmo sem um avanço mais consistente dos negócios.

O analista ressalta que os produtores seguem administrando o ritmo das vendas. “O produtor está segurando e cadenciando as ofertas”, afirma.

Mercado físico da soja

  • Passo Fundo (RS): R$ 128
  • Santa Rosa (RS): R$ 129
  • Cascavel (PR): R$ 124
  • Rondonópolis (MT): R$ 114
  • Dourados (MS): subiram de R$ 116 para R$ 116,50
  • Rio Verde (GO): R$ 117
  • Porto de Paranaguá (PR): R$ 135
  • Porto de Rio Grande (RS): R$ 135

Mercado atacadista

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Vendas por parte de fundos predominaram na sessão, em meio a um cenário fundamental baixista.

O analista de Safras & Mercado pontua que o clima segue beneficiando as lavouras norte-americanas, apontando para uma produção cheia em 2026.

O desempenho de outros mercados também ajudou a motivar os participantes a permanecer na defensiva. O petróleo voltou a cair forte, refletindo o otimismo sobre a retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

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Para completar, o dólar sobe frente a seus pares, retirando competitividade dos produtos de exportação estadunidenses, caso da soja.

Os agentes começaram a posicionar suas carteiras frente aos importantes relatórios que serão divulgados na próxima semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na terça (30), saem os dados de plantio da temporada 2026/27 e os estoques trimestrais norte-americanos na quarta (1).

Contratos futuros

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 8,25 centavos de dólar, ou 0,73%, a US$ 11,08 3/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,16 3/4 por bushel, com retração de 7,25 centavos de dólar ou 0,64%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 0,70 ou 0,23% a US$ 303,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 69,46 centavos de dólar, com perda de 1,13 centavo ou 1,60%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,28%, sendo negociado a R$ 5,2002 para venda e a R$ 5,1982 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1872 e a máxima de R$ 5,2212.

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Sustentabilidade

Doenças em soja: controle de fungos necrotróficos exige medidas integradas de manejo – MAIS SOJA

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Durante o ciclo de desenvolvimento da soja, diversas doenças podem acometer a cultura, afetando diferentes órgãos e estádios fenológicos da planta. Os patógenos responsáveis por essas doenças são, em sua maioria, de origem fúngica e podem estar presentes no ambiente de cultivo antes mesmo da semeadura, comprometendo inclusive as fases iniciais de estabelecimento da lavoura.

Além dos fungos biotróficos, que dependem de tecidos vivos do hospedeiro para sua sobrevivência e desenvolvimento, como ocorre com o agente causal da ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), existem fungos capazes de sobreviver em restos culturais e matéria orgânica presentes no solo. Esses patógenos, classificados como fungos necrotróficos, utilizam tecidos vegetais mortos como fonte de sobrevivência e podem permanecer viáveis entre safras, dificultando a redução do inóculo e favorecendo a ocorrência de novas infecções quando encontram condições ambientais adequadas de temperatura e umidade.

Entre os principais patógenos necrotróficos associados às doenças da soja destacam-se a mancha olho-de-rã (Cercospora sojina), a cercosporiose (Cercospora kikuchii), a mancha-parda (Septoria glycines), a antracnose (Colletotrichum truncatum), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) e as podridões radiculares e de colmo associadas a espécies dos gêneros Rhizoctonia, Fusarium e Sclerotinia. A capacidade de sobrevivência desses patógenos em resíduos culturais dificulta a controle efetivo dessas doenças e reforça a importância do manejo integrado de doenças, envolvendo práticas como rotação de culturas, tratamento de sementes, manejo da população de plantas, nutrição equilibrada e uso estratégico de fungicidas (Forcelini, 2010).

Figura 1. Esquema de manejo integrado de doenças causadas por fungos necrotróficos em soja.
Adaptado: Forcelini (2010)

Considerando que a manutenção da cobertura permanente do solo é uma das premissas fundamentais do sistema plantio direto, a destruição dos resíduos culturais (palhada) não constitui uma estratégia tecnicamente recomendada para o manejo de fungos necrotróficos em ambientes agrícolas. Nesse contexto, a redução da sobrevivência e do potencial de inóculo desses patógenos deve ser baseada em práticas integradas, reforçando a necessidade da rotação de culturas com espécies não hospedeiras, do uso de cultivares com maior resistência genética e do tratamento de sementes com fungicidas eficientes e específicos.

Dessa forma, a definição adequada das culturas que compõem o sistema de rotação, priorizando espécies pertencentes a diferentes famílias botânicas e sem relação de hospedeiro com os principais patógenos, é fundamental para interromper o ciclo de sobrevivência dos fungos necrotróficos e reduzir a pressão de doenças na soja. Além disso, estudos indicam que sementes infectadas ou contaminadas podem representar importantes fontes de inóculo inicial desses patógenos em áreas de cultivo de soja (Reis; Reis; Zanatta, 2022). Portanto, o uso de sementes com elevada qualidade fisiológica e sanitária, associado ao tratamento de sementes com fungicidas apropriados, constitui uma etapa essencial no manejo integrado de doenças, contribuindo para a proteção inicial das plantas e para a redução da disseminação dos patógenos na lavoura.



Referências:

FORCELINI, C. A. DOENÇAS EM SOJA: ENTENDENDO AS DIFERENÇAS ENTRE BIOTRÓFICOS E NECROTRÓFICOS. Revista Plantio Direto, N. 7, 2010. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/711702511/3-230207-193658 >, acesso em: 24/06/2026.

REIS, E. M.; REIS, A. C.; ZANATTA, M. QUANTO A EFICÁCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES COM FUNGICIDAS. – ÊNFASE EM GRANDES CULTURAS DE GRÃOS. Summa Phytopathol, 2022. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/sp/a/5CQ64Z9QkJkhM7yvGr9xgcw/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 24/06/2026.

 

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Sustentabilidade

ARROZ/CEPEA: Oferta restrita sustenta preços – MAIS SOJA

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Mesmo com o retorno pontual de compradores em parte das regiões produtoras, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul apresenta baixa liquidez. De acordo com o Cepea, produtores seguem retraídos diante dos atuais patamares de preços, considerados insuficientes para remunerar adequadamente a atividade.

Com isso, segundo o Centro de Pesquisas, a oferta disponível continua restrita em parte do estado, sustentando as cotações em praças específicas. Ao mesmo tempo, agentes consultados pelo Cepea acompanham novos sinais do mercado internacional e as perspectivas climáticas para a safra 2026/27, fatores que podem influenciar as estratégias de comercialização nos próximos meses.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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