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5 de agosto de 2026

Business

Sob pressão das dívidas, produtores de MT cobram apoio para sair da crise

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Custos em alta, queda no preço das commodities e dificuldades para pagar as contas. Mato Grosso é o segundo estado com o maior endividamento agrícola. O setor produtivo cobra alternativas urgentes do governo federal para superar a crise no campo para continuar produzindo alimentos e gerando emprego e renda.

O endividamento rural se tornou um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro, um peso que, segundo especialistas e o próprio setor, vai muito além das porteiras das fazendas.

“O produtor acabou acreditando no Plano Safra. Pagou seus custeios, seus investimentos lá no primeiro semestre. No segundo semestre veio o Plano Safra e com ele toda essa burocracia. Veio com crédito apertado e as garantias. Todos os bancos, tanto os privados quanto os oficiais, têm alienação fiduciária e ela é três, quatro vezes maior do que o dinheiro pego”, diz Rafael Bilibio, presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal.

O plantio da soja 2025/26 já iniciou nos dois municípios. Contudo, por enquanto, as sementes estão sendo colocadas apenas nas áreas irrigadas, que somam cerca de 17 mil hectares entre eles.

Bilibio pontua que muitos produtores do estado não possuem alienação fiduciária e, sim, apenas “uma hipoteca de segundo grau” que os bancos vinham aceitando. “Agora no segundo semestre não aceitaram e o dinheiro simplesmente sumiu das mãos dos produtores e sumiu da praça”, diz ao Patrulheiro Agro desta semana.

Conforme ele, a ausência de circulação de “dinheiro” pode trazer reflexos tanto na produtividade quanto na rentabilidade desta safra em Vera e Feliz Natal. “Eu acredito na diminuição da tecnologia. O endividamento está bem alto. Podemos até falar, com quase certeza absoluta, que passa de R$ 10 mil por hectare na média do produtor”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Safra de margens apertadas

O setor produtivo mato-grossense pontua ter registrado uma redução “significativa” no custeio por meio do Plano Safra de aproximadamente 30%.

“Os investimentos Pró-Irriga, outros investimentos, como Moderfrota, também tiveram redução de 90%. A margem está bastante apertada”, salienta Diogo Damiani, presidente do Sindicato Rural de Sorriso.

O produtor André Bulma frisa que a logística é outro ponto que ajuda a apertar ainda mais as margens no campo. “Quanto mais distante, mais cara é a logística. Menor é o lucro. Então o agricultor está tirando o pé. Ele vai tirando primeiro um pouco de fertilizante, na qualidade dos insumos, nos fungicidas, herbicidas. Ele vai tirando o pé de qualquer forma tentando reduzir custos”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Setor pede alternativas urgentes

Diante da situação, produtores mato-grossenses e entidades de classe cobram alternativas urgentes para superar a crise no campo. “Mato Grosso é o segundo estado com o maior endividamento agrícola. Esperamos que haja, principalmente, linhas de crédito com juros menores. Esses juros praticados hoje têm impactado muito no custo”, pontua Lucas Costa Beber, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

Beber destaca que nesta safra Mato Grosso terá em torno de 3,4 milhões de hectares destinados para a soja em relação a 2019, o que mostra a ampliação da produção de grãos em novas fronteiras agrícolas, onde muitas lavouras de transformaram por meio da sucessão da pecuária.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

“E isso tem um custo muito elevado. O produtor acabou fazendo muito investimento, da mesma maneira que os fornecedores e a indústria que apostaram neste período de prosperidade. Porém, fomos surpreendidos por um revés de mercado e agora estamos em uma situação delicada para todos os lados”, afirma em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com o Banco Central, a inadimplência dos produtores no Brasil chega a quase R$ 39 bilhões, cerca de 5% do valor total emprestado. Considerando o montante já renegociado, esta soma ultrapassa R$ 110 bilhões, o equivalente a 14%do total financiado. Em Mato Grosso, os atrasos chegam a 5,1%, somando 14,4% com as renegociações.

Na avaliação do agricultor Regis Porazzi o que teria “alavancado” a situação de endividamento do produtor rural brasileiro e mato-grossense foi a safra 2023/24, considerada “uma grande frustração de safra, principalmente nas áreas que plantam em solos arenosos”, além de “duas a três safras de milho”.

Segundo o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, por não conseguirem créditos subsidiados e equalizados pelo governo federal, os produtores estão recorrendo aos bancos privados com juros “passando de 20% ao ano”, o que “não consegue viabilizar o negócio do produtor”.

“Você conversa com as instituições e cada vez estão precisando de mais garantias. Se o produtor está inadimplente ou se ele está com alguma dificuldade financeira, com certeza as suas garantias também já estão amarradas. Então, ele fica refém do dinheiro mais caro, pagando o juro que já está altíssimo com certeza, complicando mais a sua situação financeira”, completa o agricultor Gilson Antunes de Melo.

Especialista em Direito Agrofinanceiro, Lutero Paiva afirma que “grande parte do endividamento do setor agrícola tem a ver com ilegalidades nos contratos que os produtores assinam com agentes econômicos e financeiros”.

Para Fábio Silveira, sócio-diretor da Macro Sector Consultores, “o aumento de subsídios tem que ser empregado”. Ele lembra que os Estados Unidos já auxiliam os produtores rurais, o que ajuda a “manter a inflação em níveis confortáveis”. “Mas, para isso temos que aumentar a produção em 2026 e 2027 e, para isso, é fundamental haver ferramentas que tirem esse peso das costas do produtor”.

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Agro Mato Grosso

MT se prepara para bater recorde de produtividade no algodão

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Mesmo com área 11% menor, Mato Grosso deve atingir produtividade recorde de 315 arrobas/ha de algodão na safra 2025/2026.

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Agro Mato Grosso

Sicredi lidera operações do MT Garante e avança para a linha de crédito aos associados

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Intercâmbio institucional realizado entre colaboradores do Sicredi, Desenvolve MT e da Sedec proporcionou realinhamento de processos para ampliar acesso à linha de crédito com fundo de aval do governo de Mato Grosso

O apoio aos pequenos e médios negócios faz parte da atuação do Sicredi. Por meio da oferta de crédito para diferentes finalidades, a instituição financeira cooperativa contribui para que empreendedores e produtores rurais possam iniciar projetos, manter suas atividades e planejar novos investimentos. Para quem empreende em Mato Grosso, contar com crédito no momento certo pode ser o ponto de partida para começar um negócio ou o impulsar o crescimento.
É esse recurso que permite montar a estrutura do empreendimento, adquirir máquinas e insumos, formar estoque, contratar pessoas, ampliar a produção e atender novos clientes. Uma das alternativas disponíveis aos empreendedores, produtores e associados do Sicredi são as linhas de crédito do MT Garante, um fundo de aval do Governo de Mato Grosso que garante até 80% do valor da operação de crédito em caso de inadimplência.
Entre as instituições financeiras credenciadas para operar os recursos, o Sicredi lidera, com 73% de todo o volume concedido. Desde 2022 foram liberados mais de R$ 366 milhões pelas cooperativas do Sicredi, em 4.216 operações realizadas em 116 municípios de Mato Grosso.
As operações alcançaram diferentes segmentos da economia mato-grossense. O comércio e os serviços concentram a maior participação, seguidos pela produção rural, indústria, transporte, alimentação e construção. Entre os municípios com os maiores volumes estão Cuiabá, Sorriso, Sinop, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Paranaíta, Alta Floresta, Marcelândia e Jaciara. Juntas, essas 10 cidades concentram R$ 207 milhões em crédito, distribuídos em 2.262 operações.
Samir Reis, gerente de Risco de Crédito do Sicredi, afirma que o alcance registrado é possível porque a garantia oferecida pelo fundo amplia as condições para a concessão dos recursos e porque o Sicredi está presente em 130 cidades, onde atua como um agente de fomento para o desenvolvimento local. “O objetivo do MT Garante, do qual somos parceiros do governo do Estado, é ampliar o acesso ao crédito para MEIs, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e produtores rurais. O fundo garante 80% da operação em caso de inadimplência, dando mais segurança aos parceiros para conceder o crédito. Isso permite que os recursos cheguem a associados que não têm garantias sólidas”.
Criado pelo Governo de Mato Grosso em 2021 e em funcionamento desde 2022, o MT Garante complementa a garantia necessária para a contratação do financiamento. Assim, o empreendedor ou produtor rural pode utilizar o fundo como parte da garantia da operação, após passar pela análise de crédito. A cobertura pode chegar a 80% do valor contratado.
Os recursos podem ser destinados à compra de máquinas, equipamentos e outros investimentos, ao capital de giro ou às despesas da produção rural. Podem utilizar o MT Garante microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e pequenos e médios produtores rurais.
Próximos passos da parceria
Os resultados alcançados desde que o Sicredi iniciou as operações com o MT Garante, em 2022, serviram de base para discutir os próximos passos da parceria. Na última sexta-feira (31), profissionais da instituição, da Desenvolve MT e da Sedec se reuniram na sede da Central Sicredi Centro Norte, em Cuiabá, para aproximar as equipes, alinhar procedimentos e avaliar melhorias que possam dar mais agilidade às operações e ampliar o acesso ao crédito no estado.
Segundo a secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec-MT, Linacis Roberta Pinho, o cooperativismo é fundamental para ampliar o alcance do MT Garante. Segundo ela, cerca de 90% das operações realizadas com o aval do programa passaram pelas cooperativas de crédito, e o Sicredi se destacou com a maior participação entre as instituições credenciadas. “O cooperativismo foi muito importante para o desenvolvimento do MT Garante. As cooperativas conseguiram interiorizar a linha de crédito e ampliar a adesão nos municípios. De forma particular, o Sicredi alcançou a maior participação nas operações, com cerca de 70%, e é um grande parceiro do Governo do Estado na democratização do crédito em Mato Grosso”, afirmou.
Para Cândido Rosa Junior, da área de Relações Institucionais do Sicredi, o encontro fortaleceu a parceria entre Sicredi e Sedec e abriu espaço para melhorias na concessão de crédito pelo MT Garante. “Agradecemos à Desenvolve MT e à Sedec pela abertura ao diálogo e pela construção conjunta. Manter esse contato próximo com os parceiros é fundamental para alinhar os procedimentos, tornar mais ágil a liberação dos recursos e ampliar o acesso ao crédito para os associados, empreendedores e produtores rurais do Estado”, afirmou.
Como contratar e limites 
Os associados do Sicredi interessados podem solicitar o crédito com a garantia do MT Garante diretamente nas agências. Em Mato Grosso, a instituição possui mais de 190 pontos físicos de atendimento. O recurso disponível varia conforme o porte do negócio. Para microempreendedores individuais (MEIs), o limite é de até R$ 70 mil; para microempresas, de até R$ 200 mil; e para empresas de pequeno porte, de até R$ 300 mil. Pequenos produtores rurais podem contratar até R$ 250 mil, enquanto médios produtores têm limite de até R$ 430 mil. Para a instalação de aviários, o valor pode chegar, excepcionalmente, a R$ 2 milhões.
Para contratar crédito com o Fundo de Aval é preciso estar enquadrado em um dos portes empresariais, passar pela análise de risco da instituição e pagar a Comissão de Concessão de Aval (CCA). Esta comissão é destinada à manutenção do próprio fundo e tem o objetivo de contribuir para o aumento de recursos e beneficiar o maior número de negócios ao longo do tempo.
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Agro Mato Grosso

Aprosoja MT prorroga inscrições do Prêmio de Jornalismo 2026 até 21 de agosto

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Concurso nacional recebe trabalhos até 21 de agosto e mantém premiação em seis categorias, além do Prêmio Master com viagem aos Estados Unidos

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) prorrogou até o dia 21 de agosto o prazo de inscrições para a 4ª edição do Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo 2026. A ampliação do período busca oferecer mais tempo para que jornalistas e estudantes de Jornalismo de todo o país possam inscrever seus trabalhos e participar da premiação.

Neste ano, o concurso ganhou abrangência nacional e passou a receber inscrições de profissionais de todas as regiões do Brasil, fortalecendo o propósito de ampliar o debate sobre o tema “O agro sustentável que transforma a cidade a partir do campo”, valorizando produções jornalísticas que evidenciem a conexão entre o campo e os centros urbanos, a sustentabilidade e a importância econômica da cadeia produtiva da soja e do milho.

As inscrições são gratuitas e contemplam seis categorias: Reportagem em Vídeo, Reportagem em Texto, Reportagem em Áudio, Fotojornalismo, Jornalismo Universitário e Destaques Mato-grossenses, esta última exclusiva para profissionais que atuam em Mato Grosso. Podem ser inscritos trabalhos publicados entre 12 de setembro de 2025 e 21 de agosto de 2026, conforme o novo cronograma do concurso.

A edição de 2026 distribuirá premiações de até R$ 20 mil nas categorias profissionais. Na categoria Jornalismo Universitário, os prêmios são de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil para os três primeiros colocados. Já os vencedores da categoria Destaques Mato-grossenses receberão R$ 7 mil em cada uma das cinco regiões do estado.

Além da premiação em dinheiro, o concurso conta com o Prêmio Master, que levará um dos finalistas habilitados para participar da Missão Aprosoja MT Estados Unidos 2027, com todas as despesas custeadas pela entidade. Concorrem ao sorteio os finalistas das categorias nacionais e da categoria Destaques Mato-grossenses que atenderem aos requisitos previstos no regulamento.

O Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo tem como objetivo reconhecer e valorizar a produção jornalística de qualidade sobre o agronegócio brasileiro, incentivando reportagens que contribuam para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a produção sustentável, a inovação no campo e seus impactos para a economia e para a vida nas cidades.

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pelo site oficial do prêmio.

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