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5 de maio de 2026

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Sob pressão das dívidas, produtores de MT cobram apoio para sair da crise

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Custos em alta, queda no preço das commodities e dificuldades para pagar as contas. Mato Grosso é o segundo estado com o maior endividamento agrícola. O setor produtivo cobra alternativas urgentes do governo federal para superar a crise no campo para continuar produzindo alimentos e gerando emprego e renda.

O endividamento rural se tornou um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro, um peso que, segundo especialistas e o próprio setor, vai muito além das porteiras das fazendas.

“O produtor acabou acreditando no Plano Safra. Pagou seus custeios, seus investimentos lá no primeiro semestre. No segundo semestre veio o Plano Safra e com ele toda essa burocracia. Veio com crédito apertado e as garantias. Todos os bancos, tanto os privados quanto os oficiais, têm alienação fiduciária e ela é três, quatro vezes maior do que o dinheiro pego”, diz Rafael Bilibio, presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal.

O plantio da soja 2025/26 já iniciou nos dois municípios. Contudo, por enquanto, as sementes estão sendo colocadas apenas nas áreas irrigadas, que somam cerca de 17 mil hectares entre eles.

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Bilibio pontua que muitos produtores do estado não possuem alienação fiduciária e, sim, apenas “uma hipoteca de segundo grau” que os bancos vinham aceitando. “Agora no segundo semestre não aceitaram e o dinheiro simplesmente sumiu das mãos dos produtores e sumiu da praça”, diz ao Patrulheiro Agro desta semana.

Conforme ele, a ausência de circulação de “dinheiro” pode trazer reflexos tanto na produtividade quanto na rentabilidade desta safra em Vera e Feliz Natal. “Eu acredito na diminuição da tecnologia. O endividamento está bem alto. Podemos até falar, com quase certeza absoluta, que passa de R$ 10 mil por hectare na média do produtor”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Safra de margens apertadas

O setor produtivo mato-grossense pontua ter registrado uma redução “significativa” no custeio por meio do Plano Safra de aproximadamente 30%.

“Os investimentos Pró-Irriga, outros investimentos, como Moderfrota, também tiveram redução de 90%. A margem está bastante apertada”, salienta Diogo Damiani, presidente do Sindicato Rural de Sorriso.

O produtor André Bulma frisa que a logística é outro ponto que ajuda a apertar ainda mais as margens no campo. “Quanto mais distante, mais cara é a logística. Menor é o lucro. Então o agricultor está tirando o pé. Ele vai tirando primeiro um pouco de fertilizante, na qualidade dos insumos, nos fungicidas, herbicidas. Ele vai tirando o pé de qualquer forma tentando reduzir custos”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

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Setor pede alternativas urgentes

Diante da situação, produtores mato-grossenses e entidades de classe cobram alternativas urgentes para superar a crise no campo. “Mato Grosso é o segundo estado com o maior endividamento agrícola. Esperamos que haja, principalmente, linhas de crédito com juros menores. Esses juros praticados hoje têm impactado muito no custo”, pontua Lucas Costa Beber, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

Beber destaca que nesta safra Mato Grosso terá em torno de 3,4 milhões de hectares destinados para a soja em relação a 2019, o que mostra a ampliação da produção de grãos em novas fronteiras agrícolas, onde muitas lavouras de transformaram por meio da sucessão da pecuária.

plantio soja foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

“E isso tem um custo muito elevado. O produtor acabou fazendo muito investimento, da mesma maneira que os fornecedores e a indústria que apostaram neste período de prosperidade. Porém, fomos surpreendidos por um revés de mercado e agora estamos em uma situação delicada para todos os lados”, afirma em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com o Banco Central, a inadimplência dos produtores no Brasil chega a quase R$ 39 bilhões, cerca de 5% do valor total emprestado. Considerando o montante já renegociado, esta soma ultrapassa R$ 110 bilhões, o equivalente a 14%do total financiado. Em Mato Grosso, os atrasos chegam a 5,1%, somando 14,4% com as renegociações.

Na avaliação do agricultor Regis Porazzi o que teria “alavancado” a situação de endividamento do produtor rural brasileiro e mato-grossense foi a safra 2023/24, considerada “uma grande frustração de safra, principalmente nas áreas que plantam em solos arenosos”, além de “duas a três safras de milho”.

Segundo o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, por não conseguirem créditos subsidiados e equalizados pelo governo federal, os produtores estão recorrendo aos bancos privados com juros “passando de 20% ao ano”, o que “não consegue viabilizar o negócio do produtor”.

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“Você conversa com as instituições e cada vez estão precisando de mais garantias. Se o produtor está inadimplente ou se ele está com alguma dificuldade financeira, com certeza as suas garantias também já estão amarradas. Então, ele fica refém do dinheiro mais caro, pagando o juro que já está altíssimo com certeza, complicando mais a sua situação financeira”, completa o agricultor Gilson Antunes de Melo.

Especialista em Direito Agrofinanceiro, Lutero Paiva afirma que “grande parte do endividamento do setor agrícola tem a ver com ilegalidades nos contratos que os produtores assinam com agentes econômicos e financeiros”.

Para Fábio Silveira, sócio-diretor da Macro Sector Consultores, “o aumento de subsídios tem que ser empregado”. Ele lembra que os Estados Unidos já auxiliam os produtores rurais, o que ajuda a “manter a inflação em níveis confortáveis”. “Mas, para isso temos que aumentar a produção em 2026 e 2027 e, para isso, é fundamental haver ferramentas que tirem esse peso das costas do produtor”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Cooperativas de SC faturam R$ 105,7 bi em 2025, alta de 15,8%

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Foto gerada por IA.

As cooperativas de Santa Catarina faturaram R$ 105,7 bilhões em 2025, avanço de 15,8% em relação ao ano anterior, de acordo com o Sistema Ocesc. Os dados foram divulgados em entrevista coletiva e teve como base levantamento realizado junto a 236 cooperativas do Estado. Em nota, representantes do Sistema Ocesc destacaram que o ritmo de crescimento foi três vezes superior ao da alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período.

O desempenho também se refletiu nas sobras (equivalentes ao lucro no modelo cooperativista), que cresceram 30,8% e somaram R$ 7,3 bilhões. Os recursos serão destinados a investimentos, fundos estatutários e distribuição entre os associados.

Em 2025, mais de 370 mil pessoas ingressaram em cooperativas, elevando o total para 5,08 milhões de associados, o equivalente a 61% da população catarinense. “Somos o Estado mais cooperativista do Brasil”, afirmou o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, durante a apresentação dos dados em Florianópolis, segundo a nota.

Crédito supera 4 milhões de associados

O ramo de crédito lidera em número de cooperados, com mais de 4 milhões de associados, seguido pelas cooperativas de infraestrutura (469 mil), consumo (467 mil) e agropecuária (84,9 mil). Ao todo, o sistema emprega diretamente 109,7 mil pessoas, após a criação de 7.301 vagas em 2025, um crescimento de 15,8% no quadro funcional.

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A carga tributária também aumentou. As cooperativas recolheram R$ 4,4 bilhões em impostos sobre a receita bruta no ano passado, alta de 12,9% na comparação anual.

Agro lidera receitas e empregos

O ramo agropecuário manteve a liderança dentro do cooperativismo catarinense, respondendo por 60% das receitas totais e 62% dos empregos diretos. As 45 cooperativas do segmento somaram R$ 63 bilhões em faturamento, crescimento de 10%, e geraram mais de 4 mil novas vagas, totalizando 68 mil postos de trabalho.

No comércio exterior, as cooperativas agropecuárias exportaram US$ 2,18 bilhões, o equivalente a 17,9% das exportações do estado e 38,9% dos embarques de aves e suínos. Entre os principais produtos estão cereais, proteínas animais, fertilizantes, lácteos e frutas. Os investimentos também seguem robustos. Em 2025, o setor aplicou R$ 1,34 bilhão em ampliação e modernização industrial. Para 2026, estão previstos aportes de R$ 1,53 bilhão.

O segmento de crédito registrou receitas de R$ 28,7 bilhões, alta de 36% em relação a 2024, mantendo-se como o segundo maior em faturamento. Já o ramo de saúde alcançou R$ 7,7 bilhões em receitas (+10%) e criou 800 empregos, totalizando 13,7 mil trabalhadores. As cooperativas de infraestrutura, focadas principalmente na distribuição de energia elétrica, somaram R$ 2,2 bilhões em receitas (+9%) e atendem cerca de 469 mil associados. Outros segmentos reuniram 475 mil cooperados e faturaram R$ 3,8 bilhões.

No acumulado de seis anos, as receitas do sistema cooperativista catarinense mais que dobraram, com alta de 126%, passando de R$ 46,8 bilhões em 2020 para R$ 105,7 bilhões em 2025. O desempenho reforça o papel do setor como um dos principais motores da economia estadual, especialmente nas cadeias do agronegócio, que respondem por cerca de 30% do PIB de Santa Catarina e 70% das exportações.

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Cecafé e MTE encerram ciclo de encontros sobre boas práticas trabalhistas antes da colheita

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluíram, nesta segunda-feira (5), em Araguari (MG), a série de encontros presenciais do programa “Fortalecendo o Trabalho Digno”.

A ação, voltada ao período pré-colheita da safra 2026 de café, teve foco na transferência de conhecimento sobre boas práticas trabalhistas nas propriedades rurais.

A iniciativa foi realizada em parceria com o Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), a Coocacer Araguari, a Starbucks e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Segundo as entidades, o objetivo foi ampliar a orientação técnica aos agentes da cadeia cafeeira com base no diálogo social e na conformidade legal.

Durante o encontro, o chefe do Setor de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Uberlândia, Marco Antônio Ferreira Costa, apresentou os instrumentos legais disponíveis para contratação de mão de obra no meio rural, considerando as características de cada atividade desenvolvida nas fazendas.

A programação também incluiu explicações sobre prevenção ao trabalho análogo ao de escravo e ao trabalho infantil.

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Outro eixo técnico foi a saúde e segurança do trabalho, com destaque para a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) no campo. A ferramenta é usada para identificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais, com o objetivo de reduzir acidentes e organizar medidas preventivas antes do início das atividades mais intensas da colheita.

De acordo com o Cecafé, a devida diligência em direitos humanos foi tratada como elemento de gestão e de acesso a mercados, especialmente em cadeias exportadoras submetidas a exigências de rastreabilidade, conformidade e sustentabilidade.

As entidades não divulgaram o número total de encontros realizados nem a quantidade de participantes desta edição.

O encerramento da série ocorre às vésperas da colheita e reforça a preparação técnica do setor para a safra 2026. A tendência, segundo os organizadores, é de continuidade das ações de orientação para reduzir riscos trabalhistas e fortalecer a adequação das propriedades às exigências legais e comerciais.

Fonte: cecafe.com.br

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Precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para renegociar dívidas rurais, diz Tereza Cristina

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Foto: FPA

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que são necessários ao menos R$ 180 bilhões para renegociação das dívidas rurais.

“O governo ofereceu cerca de R$ 80 bilhões, do dinheiro que sobrou do Plano Safra que não conseguiram aplicar. Mas precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para começar a resolver o problema, já que as dívidas estressadas passam de R$ 800 bilhões”, disse a parlamentares da bancada durante reunião-almoço semanal.

O Ministério da Fazenda negocia com o Senado novas medidas para repactuação das dívidas rurais, dado o crescente endividamento do setor.

A ex-ministra afirmou que o “dilema” atual é buscar as fontes de recursos para as linhas de crédito para renegociação. “Apresentamos no projeto de lei 5122/2023 R$ 30 bilhões de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, que seriam insuficientes, mas o governo sinaliza não concordar com o uso dos recursos”, esclareceu a senadora.

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Tereza Cristina afirmou ainda que a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda necessita de ajustes. “Precisamos de uma coisa mais estruturante. Estamos conversando sobre outras receitas novas. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto na CAE [Comissão de Assuntos Econômicos], e o ministro da Agricultura, André de Paula, entenderam que o problema não é pontual”, defendeu a senadora.

A ex-ministra também lembrou que o enfrentamento das dívidas rurais depende de medidas do governo federal. “Não adianta ficar batendo no governo”, alertou aos seus colegas parlamentares. “Precisamos que o governo tenha vontade e abra caminho para usar fundos constitucionais”, apontou, citando a possibilidade de utilizar R$ 18 bilhões do Fundo Constitucional para o Nordeste.

“R$ 2 bilhões que tínhamos pensado já foram usados ontem”, pontuou. “O governo terá receita extraordinária de R$ 128 bilhões adicionais por aumento do petróleo. Há receitas, é preciso ver o caminho que o governo vai apontar”, pontuou .

Caso governo e Senado não avancem no tema, o PL 5122 pode ser votado na próxima semana na CAE.

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