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Desafios, manejo e fé: a jornada até 160 sc/ha de milho em MT

Aos 16 anos de atuação direta no campo, o produtor João Batista Garcia Neto, da Fazenda Catarinense 2, em Santa Rita do Trivelato, médio-norte de Mato Grosso, alcançou um marco de respeito na safra passada: média de 160 sacas de milho por hectare, com picos que chegaram a 200 sacas. Ele garante que não se trata de milagre, mas de método, construído passo a passo com investimento, planejamento e fé.
“Eu vejo assim, o milho é muito responsivo em investimento, tecnologia, material que responde muito. Há 16 safras que eu já estou na atividade e você vê a evolução de produtividade de soja e milho. Quando eu comecei a plantar para hoje, quanto de ganho de produtividade eu tive. Mas é um conjunto. Você tem que investir no solo”, explica ao Especial Mais Milho, projeto do Canal Rural Mato Grosso.
Raízes e recomeços
A história da Fazenda Catarinense começou com a pecuária. A família adquiriu a área em 1986 e, por anos, manteve a atividade até arrendar para lavoura. Formado em Piracicaba (SP), João Batista foi trabalhar em banco antes de decidir assumir o sonho de plantar.
“Eu estava no banco nessa época, mas já estava com o sonho de começar a plantar. Essa experiência de rodar, conversar com muitos produtores e ver a realidade aqui no Mato Grosso me deu segurança. Em 2009 comecei com uma área de 400 e poucos hectares, no peito, correndo atrás de crédito. O começo não é fácil”, relembra.
O apoio da família foi fundamental. O avô, agricultor no interior de São Paulo, enviou uma plantadeira usada. Um vizinho vendeu outra, e um pulverizador foi emprestado. “Tinha um tratorzinho da fazenda que eu reformei, que era da época da pecuária. Foi desse jeito”, conta João ao Canal Rural Mato Grosso que ao adquirir a sua propriedade a nomeou de Fazenda Catarinense 2.

Solo forte, milho forte
Com o tempo, o produtor foi expandindo área e estrutura, chegando hoje a quase três mil hectares cultivados. A estratégia é clara: cuidar do solo para garantir resposta da lavoura.
“Já trabalhei bastante com taxas variáveis. Todo ano a gente faz calagem. Às vezes não faz metade da área, 50% de calagem esse ano e no outro ano o restante. Mas todo ano vai calcário”, detalha ao Mais Milho.
Além disso, o manejo nutricional é criterioso. “Nitrogênio hoje em torno de 150 pontos. Já chegamos a atingir 190, 200 sacas por hectare em alguns talhões. Potássio eu aplico mais na soja, mas faço também no milho. Fósforo já usei no milho e respondeu bem, também”, afirma.

Mesmo atento às novidades, João prefere o equilíbrio entre inovação e simplicidade. “A gente trabalha com alguns biológicos, principalmente pensando em nematoides. Mas não inventa muita moda, não. Tenta fazer o básico bem feito: adubação, calcário, escolha de material e manejo”, resume à reportagem.
A diversidade genética também faz parte da estratégia. “Eu compro de várias empresas. Temos um histórico dentro da propriedade de qual material vamos usar. Eu vou muito pelo histórico. Sempre estou conhecendo um material novo, eu gosto disso. Aqui temos vitrines de híbridos que ajudam na tomada de decisão”, explica.

O futuro na areia
O próximo desafio do produtor de Santa Rita do Trivelato é expandir a produção em áreas arenosas, com solos de 5% a 13% de argila, em uma área adquirida há pouco tempo. O plano é apostar na integração lavoura-pecuária.
“Reservei uma área só para pasto, para ficar o verão com o gado. A ideia lá é plantar soja, tirar soja e botar capim. Mas pode ser que futuramente a gente introduza o milho junto nessa área, até para fazer silagem. Eu acredito que tudo é tecnologia. Para investir nessas áreas de areia com milho, teria que escalonar mais a adubação”, projeta.
Mesmo diante das dificuldades do setor, ele mantém a confiança de que planejamento e manejo são o caminho para resultados consistentes. “Quem está no negócio sabe, convive com isso e tem que superar. Faz parte. No começo, a questão do financeiro pesava muito. Meu pai me ajudou da forma que ele podia, meus irmãos também sempre ajudando no começo. Tenho que agradecer”, conclui.
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Portugal quer ser a porta de entrada dos produtos brasileiros na UE, diz conselheira agrícola

O Fórum Internacional de Agropecuária (Fiap 2026), realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira (18), reuniu conselheiros de embaixadas de diversos países para buscar entender o que as nações que eles representam esperam do Brasil.
A conselheira agrícola da Embaixada de Portugal, Joana Melo Leal, lembrou que o seu país apoiou, desde o início, o acordo entre Mercosul e União Europeia.
“Azeite e vinho são os principais produtos portugueses que chegam ao Brasil. Somos o principal exportador de vinho da Europa para o Brasil, com registros de 65 milhões de euros em vendas, mas queremos aumentar essa transferência por meio da redução de barreiras administrativas de forma recíproca, por isso, desejamos ser a porta de entrada dos produtos brasileiros na Europa. Se existe um setor em que a parceria de nossos países mais faz sentido é na agricultura”, declara.
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De acordo com ela, o Brasil é o parceiro estratégico número um de Portugal por todos os laços históricos que unem as duas nações. “Mas queremos uma ligação ainda mais consistente por meio da partilha de conhecimento com ida de estudantes portugueses para cá e de brasileiros para lá. O Brasil é uma potencia mundial, um dos maiores produtores de alimentos no mundo e um país que tem apostado na ciência”, enfatiza.
A conselheira agrícola ainda destacou que Portugal e Brasil mantém parcerias de cooperação técnica nas áreas de gado de leite e de vinho. “Temos interesse em aprender as técnicas de fixação de carbono da agricultura brasileira, por isso, gostaríamos de um polo da Embrapa em Portugal.”
Acordo Mercosul Singapura
O primeiro-secretário da Embaixada de Singapura, Deng Huishan Wilson, também marcou presença no Fiap 2026 e exaltou o fato de o país asiático ter se firmado como o sétimo principal destino das exportações agropecuárias do Brasil no mundo. “Na Ásia, somos o segundo maior, atrás apenas da China. As proteínas animais do Brasil representam cerca de 50% das carnes congeladas que consumimos.”
Ele também comemorou a aprovação desta quarta-feira (17), pelo Senado Federal brasileiro, do acordo de livre comércio entre Mercosul e Singapura, assinado em 2023 no Rio de Janeiro e que deve entrar em vigor após a confirmação de todos os países-membros.
O acordo prevê que Singapura concederá isenção tarifária imediata e integral à totalidade de produtos exportados pelo Mercosul. Já o bloco comercial se compromete a eliminar, de forma progressiva, em até 15 anos, as tarifas incidentes sobre 95,8% dos produtos do país asiático, o que corresponde a 90,8% do total do valor atualmente importado.
“Queremos uma parceria aberta e livre. Singapura aguarda com expectativa a ratificação desse acordo. A simplificação dos procedimentos aduaneiros fará com que o despacho de mercadorias [entre os países] reduza de 48 horas para apenas 6 horas”, detalha. Segundo Deng, Singapura é um grande polo de entrada de países brasileiros para toda a Ásia.
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A revolução dos biocombustíveis também é uma revolução econômica, pontua CEO da Massey Ferguson

Durante sua participação no Fiap 2026, na palestra “Biocombustíveis: as novas tecnologias de mercado”, Luis Felli, CEO Global da Massey Ferguson, destacou o papel estratégico dos biocombustíveis para a economia, a sustentabilidade e a segurança energética do Brasil. Segundo ele, dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que os biocombustíveis podem adicionar R$ 403 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) entre 2030 e 2035.
Ao abordar a evolução do setor, Felli relembrou as transformações ocorridas desde a década de 1970. “Se formos para os anos 70, de lá para cá substituímos etanol na gasolina, tivemos carros movidos a etanol, depois os carros flex. Hoje somos importadores de óleo diesel e o principal fornecedor é a Rússia. Então, nós temos um problema referente a criar uma solução para esse descasamento entre gasolina e diesel. Como fazemos para que os biocombustíveis tenham uma presença maior e mais significativa para que possamos substituir o diesel?”, questionou.
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Segundo ele, uma das principais mudanças observadas nos últimos anos foi a revolução do etanol de milho, que começou em Mato Grosso. “O que vimos acontecer foi a revolução do etanol de milho, que começou no estado”, afirmou.
Felli também destacou os impactos da Lei Combustível do Futuro, que estima evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de CO₂ até 2037. Além disso, a produção combinada de etanol de cana-de-açúcar e milho deverá superar 43 bilhões de litros na safra 2026/27.
O executivo explicou que o avanço do etanol de milho foi impulsionado por fatores econômicos. “O milho era barato. O diesel era caro para chegar e a gasolina também. Agora o etanol de milho tem seu coproduto, o DDG, que representa cerca de 40% da receita de uma empresa de etanol de milho”, disse.
Ele ressaltou ainda que o DDG tem provocado uma transformação significativa na pecuária brasileira. “Uma coisa que não falamos é como mudou o confinamento de gado no Brasil. Hoje, 21% do gado é confinado e, há alguns anos, esse percentual era de 4% ou 5%. Novamente, estamos subindo em uma velocidade assustadora por conta do DDG. Estamos em um processo de revolução da cadeia da proteína animal, dos biocombustíveis e de tudo o que acontece ao redor disso.”
Outro ponto destacado foi o potencial do sorgo como matéria-prima para a produção de etanol. “O sorgo é pouco plantado porque não tem mercado. Mas ele faz o mesmo trabalho do milho em uma planta de etanol. Tem um ciclo mais curto e, depois que fecha a janela do milho, surge uma oportunidade para que o produtor utilize a segunda janela da segunda safra”, explicou.
Ao falar sobre o futuro dos biocombustíveis, Felli destacou que duas questões mudaram o cenário, sendo a competitividade e a tecnologia. “Por que a competitividade é importante? Eu converso com agricultores no mundo todo e a sociedade considerada mais desenvolvida é a europeia, com forte consciência ambiental. Mas toda vez que pergunto sobre combustíveis renováveis, a resposta é a mesma eles aceitam se for econômico ou mandatório.”
Massey Ferguson na linha de frente do etanol
Nesse contexto, a Massey Ferguson trabalha em novas soluções para ampliar a adoção do etanol em máquinas agrícolas.
“Nós devemos lançar, em 2028, um motor a etanol de alta potência. Os problemas que existiam no passado, como aquecimento, foram resolvidos. O trator terá praticamente a mesma curva de torque de um motor diesel, sem perda de energia, tornando-se bastante competitivo. Existe uma competitividade muito grande na conversão para etanol por conta do ganho econômico.”
Além do etanol, Felli apontou o biometano como uma das alternativas mais promissoras para o campo. “O biometano tem aspectos importantes de retorno. É você consumir o biometano nos seus próprios equipamentos.”
Ele lembrou que o desafio atual está na continuidade da produção e na busca por novas biomassas e matérias-primas. Citou ainda a utilização crescente de caminhões movidos a biometano no transporte de cana-de-açúcar.
“Hoje já existem caminhões a biometano puxando cana. Você trabalha oito meses por ano. Então, vamos lançar, no ano que vem, um trator a metano e biometano com as mesmas características de curva de torque de um diesel, a mesma potência e o mesmo desempenho. Para quem produz, isso representa uma redução massiva de consumo.”
O executivo também mencionou outras tecnologias em desenvolvimento, como o motor movido a HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), conhecido como diesel verde, além da eletrificação da frota agrícola por meio do e-100 Vario, da Fendt.
Ao explicar o funcionamento do HVO, Felli destacou que o combustível é produzido a partir do tratamento de óleos vegetais com hidrogênio.
“Nós poderíamos vender motores a HVO, mas hoje não existe oferta suficiente do combustível. Se houver disponibilidade, podemos colocar essa solução no mercado.”
Ao encerrar sua participação, o CEO Global da Massey Ferguson reforçou que o avanço dos biocombustíveis depende da combinação entre sustentabilidade e viabilidade econômica para o produtor rural.
“A economicidade e a Lei dos Biocombustíveis fazem com que esse mercado tenha futuro. É muito melhor quando você consegue ser econômico, trazendo resultado para o agricultor. Essa é a nossa busca com essas máquinas.”
Para Felli, além dos benefícios ambientais, os biocombustíveis representam uma oportunidade única de geração de riqueza para o Brasil. “Isso também gera impacto positivo para o meio ambiente. Não se compara a geração de riqueza do agro com biocombustíveis à do petróleo. O agro tem uma capacidade muito forte de gerar renda, desenvolvimento e oportunidades para o país”, concluiu.
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Cultivar BRS Savana é apresentada em Dia de Campo sobre trigo safrinha no DF

A cultivar de trigo sequeiro BRS Savana, lançada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na AgroBrasília 2026, foi apresentada a 65 produtores e técnicos em um Dia de Campo no Distrito Federal. Segundo o material fornecido, o evento foi promovido pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal. O conteúdo relaciona a apresentação da variedade ao sistema de trigo safrinha.
O destaque do evento foi a cultivar BRS Savana, identificada no material como uma variedade de trigo sequeiro. A apresentação ocorreu em um Dia de Campo voltado ao trigo safrinha no Distrito Federal, com a presença de 65 produtores e técnicos.
A fonte informa que a cultivar foi lançada pela Embrapa durante a AgroBrasília 2026. A demonstração em campo indica continuidade na divulgação técnica da nova variedade junto ao público produtor e aos agentes ligados à assistência e ao acompanhamento das lavouras.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Pelo conteúdo disponível, a informação central está na exposição da cultivar a participantes do setor, dentro de uma agenda técnica de campo. Esse tipo de evento costuma ser utilizado para apresentar materiais genéticos, manejo e desempenho agronômico, mas o texto original não detalha quais características da BRS Savana foram mostradas aos participantes.
A fonte também não informa o local exato do encontro, a data completa do Dia de Campo, o nome completo da cooperativa organizadora, nem dados técnicos como produtividade, ciclo, tolerância climática, adaptação regional ou área recomendada para cultivo. Também não há, no material fornecido, comparação com outras cultivares ou detalhamento dos impactos esperados para produtores.
Com as informações disponíveis, o fato confirmado é a apresentação da BRS Savana a produtores e técnicos em um evento técnico sobre trigo safrinha no Distrito Federal. O material divulgado não informa indicadores agronômicos, prazos de adoção ou resultados produtivos da cultivar.
Fonte: embrapa.br
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