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13 de agosto de 2026

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Fruta da esperança: o casal que aposta na pitaya para prosperar

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A história do seu Gerson e da dona Bia, um casal de fruticultores do município de Santa Carmem, no norte de Mato Grosso, é um testemunho de persistência e fé. Juntos há 35 anos, eles encontraram na pitaya a “fruta da esperança”, uma cultura que está transformando a Chácara Três Irmãs, onde vivem, em um negócio próspero.

A trajetória deles, no entanto, é marcada por desafios e por uma busca incansável por um futuro melhor, agora com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) por meio do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

A vontade de viver do campo é um desejo antigo, como conta o fruticultor Gerson Ferreira Santos. “A gente sempre teve vontade, mas não tinha uma regalia para ter um pé de terra”, relembra. Sua história em Mato Grosso começou cedo, aos 14 anos, quando se mudou com os pais. A família começou com o plantio de café, mas a cultura não prosperou. Tentaram a mandioca, mas também não deu certo. “Aí depois fui mexer com lasca de madeira”, conta ao Senar Transforma desta semana.

Essa fase durou muitos anos, até que um acidente o levou a um novo caminho. Ele se tornou vigia da Câmara Municipal, um trabalho que mantém até hoje, há 23 anos. Mas o sonho de voltar à terra nunca se apagou. A oportunidade veio há sete anos, quando ele e a esposa, Laurides Mauricio da Costa Ferreira, a dona Bia, conseguiram comprar a chácara. A decisão de plantar pitaya veio de uma sugestão de seu genro, que viu na internet o potencial da fruta.

Foto: Arquivo Pessoal

“Nós tínhamos uns pezinhos, né? Só que eu não sabia plantar. Aí eu plantei. Foi dando certo. Porque para começar basta ter boa vontade”, afirma seu Gerson.

Sua esposa, dona Bia, tem uma história de vida semelhante à do marido. Vinda do Paraná ainda bebê, com cerca de nove meses, ela chegou à região com a família para o plantio de café. A cultura não prosperou, e a vida era uma luta diária. “Foi no plantio de lavoura de café também. Aí não conseguiram realizar o sonho deles, aí foi onde eles começaram a trabalhar também, na busca para sobreviver, de lasca, serraria. E quando surgiu algum outro emprego, para outros lugares mais longe, tinham que deixar a mãe e buscar o recurso em outras cidades”, recorda dona Bia.

A compra da chácara, uma decisão conjunta do casal, foi a realização de um sonho. “Surgiu essa área de chácara e foi onde os desejos se juntaram e nós compramos essa área”, diz ela.

A primeira florada da pitaya foi um momento de grande emoção. Para dona Bia, foi um sinal divino. “Foi tudo. Nossa, foi uma maravilha. Ali parece que Deus estava junto, porque é muito bonito. É muito bonito, porque a gente viu que a riqueza que Deus dá para a gente é grandiosa”, relata emocionada.

Apoio técnico transforma a produção

Apesar da paixão e da dedicação, o casal tinha dúvidas sobre o manejo e a produção. Foi aí que o programa ATeG Fruticultura do Senar-MT entrou em cena. O engenheiro agrônomo e técnico de campo Francisco Nunes de Oliveira Junior, responsável pelo atendimento à propriedade, começou a orientar o casal em dezembro de 2024. “Quando comecei a atender os produtores aqui, eles já sabiam produzir, porque eles já estão há muitos anos, mas faltava um pouco de técnica”, explica o técnico.

Francisco aponta que os principais desafios eram a falta de um cronograma de adubação, poda e irrigação, além da ausência de anotações e controle gerencial.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

“A parte gerencial eles não tinham o costume de fazer anotação nenhuma. Só ia indo e não tinham noção do quanto que estavam gastando para produzir, quanto que rendia e com as anotações a gente conseguiu fazer esse acompanhamento da safra”, detalha.

Com a chegada do técnico, o manejo da plantação de pitaya de 360 palanques — que ocupa uma boa parte dos sete mil metros quadrados da propriedade, cerca de meio hectare — passou por mudanças significativas. As orientações incluíram um cronograma de adubação mensal, focado em nitrogênio e potássio, que são essenciais para o vigor da planta e o aumento do peso e sabor do fruto.

Outra recomendação importante foi a instalação de sombrites para proteger as plantas do sol excessivo, que pode causar podridões e abrir portas para doenças. “Apesar de ser uma cactácea, ela é uma planta que requer um cuidado com sombra. Muito sol também acaba sendo prejudicial. Acaba passando um pouco da conta. No caso dela, acaba dando podridões e vira porta de entrada para fungos, bactérias e acaba afetando bastante na produtividade da planta”, explica Francisco.

Para as áreas ainda sem cobertura, o técnico ensinou uma solução caseira: uma calda de cal e água que serve como um “protetor solar” para as plantas. Além disso, o casal aprendeu a fazer a poda correta, removendo partes doentes e o excesso de galhos para dar mais vigor à planta. O material podado é triturado e reutilizado como adubo orgânico, um exemplo de aproveitamento total dos recursos.

Gestão, retorno e a realização de um sonho

Com o gerenciamento mais eficiente, o casal conseguiu ter uma visão clara dos custos e das receitas. “Era meio que nos olhos. Não sabia o que tinha gastado. Agora já sabemos, porque o Senar faz tudinho”, comemora Gerson.

Essa organização financeira permitiu que o casal começasse a investir em melhorias. “Graças a Deus nós estamos construindo  nossa casinha. Saiu do papel, conseguimos colocar a placa solar agora. E assim a gente vai indo”, conta dona Bia, demonstrando a alegria de ver o sonho da casa se concretizando.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Além do retorno financeiro, a pitaya da Chácara Três Irmãs tem demanda garantida. Uma parte da produção é vendida para a prefeitura para a merenda escolar, a um preço de R$ 18 o quilo. “É bom. O restante coloca no mercado e o povo aqui também [compra]”, diz seu Gerson.

A propriedade também se tornou um ponto de visitação. Estudantes e turistas vão ao local para ver a florada e a beleza da plantação. “É muito bom, porque as crianças vêm e ficam todos admirados, querendo saber. E a gente fica feliz, né?”, frisa dona Bia.

A supervisora de campo do Senar-MT, Franciele Rodrigues, expressa sua satisfação em ver a evolução da propriedade. “É extremamente gratificante visitar uma propriedade assim como essa, em que a gente consegue ver uma evolução desde do início dos atendimentos até hoje. A gente consegue ver exatamente o que o técnico recomendou ao produtor, que o produtor seguiu as recomendações, que ele está fazendo agora a gestão da sua propriedade, coisa que antes da ATeG não fazia”, ressalta.

O futuro, segundo Francisco, é promissor. “Eu vejo assim daqui 10 anos, se Deus quiser, muitas toneladas de pitaya colhidas. Vai ser uma produção bem consistente”.

Seu Gerson concorda e já planeja aumentar a produção. “Aumentar um pouco”, diz ele, com um sorriso de quem sabe que a “fruta da esperança” está no caminho certo para continuar a prosperar.

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SLC Agrícola registra receita recorde de R$ 2,2 bilhões e amplia lucro líquido em 75%

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Foto: Divulgação/SLC Agrícola

A SLC Agrícola divulgou nesta quarta-feira (12) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026. A companhia encerrou o período com receita líquida recorde de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 16,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido também avançou, com expressiva alta de 75,3% sobre o segundo trimestre de 2025, para R$ 245,1 milhões.

A perspectiva positiva também alcança o desempenho das lavouras. A safra de soja foi encerrada com produtividade recorde, enquanto o algodão caminha para o que pode ser a melhor safra da história da companhia em termos de produtividade.

O resultado bruto da SLC Agrícola somou R$ 941,2 milhões, avanço de 43,5% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações de algodão e soja, culturas que representam importantes vetores de geração de valor para a empresa.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre e totalizou R$ 580,6 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 4,3% e margem de 26,7%. Os indicadores refletiram o acréscimo de R$ 111,3 milhões no resultado bruto das culturas.

No trimestre, a companhia faturou 806,1 mil toneladas de produtos agrícolas, volume recorde para o período e 14,4% superior ao registrado entre abril e junho de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento dos volumes faturados de algodão, soja, milho e rebanho bovino, além de preços mais favoráveis em algumas dessas atividades.

“Os números do trimestre refletem um trabalho que começa muito antes da colheita. O planejamento das culturas, o cuidado diário nas fazendas, a gestão comercial e a disciplina na alocação de capital permitiram ampliar a operação e entregar resultados consistentes. Crescemos em escala, mas seguimos atentos à eficiência e à qualidade da execução”, destaca o diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.

Recorde de produtividade

A soja ocupou 424,6 mil hectares, equivalentes a 51% de toda a área plantada pela companhia na safra 2025/26. A colheita foi concluída com produtividade recorde de 4.146 quilos por hectare, resultado 4,7% superior ao ciclo anterior e 2,7% acima do projeto inicialmente. O rendimento também ficou 11,7% acima da média nacional indicada pela Conab em julho deste ano.

No segundo trimestre, a soja apresentou resultado bruto de R$ 301,3 milhões, com resultado unitário de R$ 530 por tonelada.

No algodão, cultivado em 191,3 mil hectares, os resultados registrados até o momento reforçam a expectativa de uma das melhores safras da história da SLC Agrícola em produtividade.

Para a primeira safra, a companhia projeta 2.220 quilos de pluma por hectare, rendimento 20,6% superior ao ciclo anterior e 7,5% acima do projeto inicial. Na segunda safra, a estimativa é de 2.072 quilos de pluma por hectare, produtividade 4,5% superior ao planejado.

Maior volume comercializado

No segundo trimestre, a SLC Agrícola faturou 93,1 mil toneladas de algodão em pluma, aumento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na soja, o volume chegou a 568,3 mil toneladas, alta de 9,8%.

O volume faturado de milho alcançou 103,5 mil toneladas, uma variação de 69,5%. Na pecuária, foram comercializadas 12,8 mil cabeças, crescimento de 52,3%.

Além da soja e do algodão, o milho registrou aumento expressivo tanto em volume quanto em receita. A receita líquida da cultura avançou 56,6%, para R$ 77,7 milhões, enquanto o resultado bruto cresceu 5,7%.

Na pecuária, a receita líquida atingiu R$ 93,5 milhões, alta de 74,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado bruto totalizou R$ 15,7 milhões, avanço de 82,4%. Por cabeça, o resultado ficou em R$ 1.225, valor 19,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Com a colheita da safra 2025/26 avançando para a reta final, a SLC Agrícola já concluiu 100% da colheita da soja, 90,6% do milho segunda safra e 61,2% do algodão.

Em relação ao custeio, a maior parte das despesas referentes à safra 2025/26 já foi paga. Ao mesmo tempo, 100% da produção de algodão e 99% da produção de milho ainda serão faturados e entregues. Segundo a companhia, esses volumes devem contribuir para a redução da alavancagem ao longo do segundo semestre.

Investimentos em irrigação

No segundo trimestre, a SLC Agrícola destinou R$ 81,7 milhões a projetos de irrigação. No acumulado do primeiro semestre de 2026, os investimentos chegaram a R$ 155 milhões.

A Fazenda Piratini concentrou a maior parte dos desembolsos, direcionados principalmente à implantação de estruturas de pivôs, à perfuração de poços e reservatórios, além da execução de obras de infraestrutura elétrica e hidráulica.

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Profert ajudará Brasil a combater o protecionismo dos concorrentes, diz Tirso Meirelles

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Foto: Reprodução

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) o Projeto de Lei 699/23, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e libera, em cinco anos, até R$ 10 bilhões em subsídios para novas plantas de fábricas de fertilizantes ou expansão e modernização das atuais.

O benefício será concedido por meio de créditos fiscais de tributos federais e foi comemorado por grande parte das entidades do agronegócio. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a iniciativa ajudará o Brasil a reduzir a dependência de insumos importados. Cálculos do setor mostram que cerca de 85% do adubo utilizado nas lavouras brasileiras vem de fora.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, caberá ao Poder Executivo definir quais iniciativas serão selecionadas para receber os benefícios fiscais do Profert. O montante anual total será limitado a R$ 2 bilhões, que poderão passar para o ano seguinte quando não forem utilizados no ano anterior. O período de implementação do programa será de 2027 a 2031.

Meirelles acredita que a iniciativa será fundamental para que o Brasil possa ampliar e diversificar mercados. “O mundo hoje joga US$ 1,5 bilhão contra a agricultura brasileira porque usam subsídios para que os produtores de seus países possam produzir porque não têm como concorrer com o Brasil, um país que tem três safras na mesma área por ano, então impõem subsídios contra nós. No nosso caso, temos de ter nossos fertilizantes, criando as condições efetivas de produzi-los e termos a segurança desses produtos para que possamos ter segurança alimentar”, ressalta.

O presidente da Faesp ainda criticou o fato de um programa de fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes ter demorado tanto para ser aprovado. “Infelizmente não temos um governo que pense o Brasil para [os próximos] 20 ou 30 anos. A própria China está fazendo um programa agrícola de 30 anos”, compara.

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USDA eleva produção de soja dos EUA e ajusta projeções para o Brasil; analista comenta

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Foto: Agência Brasil

O novo relatório do USDA foi divulgado nesta quarta-feira (21). Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o documento trouxe mudanças importantes nas principais projeções para o mercado de soja.

No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para a safra 2025/26, passando de 180 milhões para 180,5 milhões de toneladas. A estimativa ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, o destaque foi o aumento da produção. O USDA projetou uma safra de 123 milhões de toneladas em agosto, acima dos 121,8 milhões de toneladas estimados em julho e também da expectativa média do mercado, de 121,6 milhões de toneladas.

Para Silveira, o aumento está relacionado principalmente à expansão da área plantada. Apesar de o USDA ter reduzido a produtividade americana de 53 para 52,7 bushels por acre, o aumento da área mais do que compensou a revisão e elevou o potencial produtivo da safra.

O cenário também teve reflexos nos estoques. Para a safra 2025/26, os estoques americanos foram projetados em 8,84 milhões de toneladas, próximos da expectativa do mercado, de 8,8 milhões, e abaixo dos quase 9 milhões de toneladas previstos em julho.

Para 2026/27, o USDA estimou estoques americanos em 8,7 milhões de toneladas, acima da média esperada pelo mercado, de 8,2 milhões, e dos 8,44 milhões de toneladas projetados no relatório anterior.

Na avaliação do analista, porém, a demanda americana ainda pode ser revisada nos próximos relatórios. Segundo Silveira, as exportações da safra velha já indicavam a necessidade de um ajuste para cima, enquanto o esmagamento interno segue sustentado pela forte demanda por óleo de soja.

Além disso, as vendas da nova safra americana vêm ganhando velocidade, com a China entre os principais compradores. Esse avanço da demanda pode pressionar os estoques para baixo nos próximos meses.

No cenário global, os estoques de soja foram projetados em 125,1 milhões de toneladas para 2025/26, abaixo da expectativa média do mercado, de 125,6 milhões, e dos 125,3 milhões de toneladas de julho. Para 2026/27, a estimativa ficou em 124,2 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mês anterior.

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