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Produção de soja no Paraná atingirá 22 milhões de t, aponta Deral

O Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, divulgou seu relatório mensal de agosto estimando que a produção de soja do estado na safra 2025/26 deve atingir 22,048 milhões de toneladas, alta de 4% em relação às 21,153 milhões de toneladas produzidas na safra anterior (2024/25).
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Segundo informações divulgadas pela Safras & Mercado, a área plantada deve alcançar 5,798 milhões de hectares, ligeiramente acima dos 5,763 milhões de hectares da safra passada. Já a produtividade média está estimada em 3.803 quilos por hectare, crescimento frente aos 3.670 quilos por hectare registrados na safra 2024/25.
Plantio de soja no Paraná
Os trabalhos em campo com a soja começarão em breve no estado. O período do vazio sanitário começa no final de agosto e tem como objetivo combater a ferrugem asiática, uma das doenças mais severas que afetam a soja, podendo atingir a planta em qualquer estágio de desenvolvimento. Em regiões onde a praga se manifestou de forma epidêmica, os danos à produção variaram entre 10% e 90%.
No Paraná, os prazos do vazio sanitário variam de acordo com a região. Na Região I, o período termina em 19 de setembro de 2025, permitindo o plantio de 20 de setembro de 2025 a 20 de janeiro de 2026. Na Região II, o vazio sanitário se encerra em 30 de agosto, com a semeadura liberada de 31 de agosto a 31 de dezembro de 2025. Já na Região III, o período termina em 10 de setembro, com plantio permitido de 11 de setembro de 2025 a 10 de janeiro de 2026.
Agro Mato Grosso
Resistência de Diabrotica virgifera reduz eficácia do refúgio no milho Bt

Estudo aponta herança não recessiva da resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 e custos de aptidão na praga
A resistência de Diabrotica virgifera virgifera ao milho Bt que expressa as proteínas Gpp34/Tpp35Ab1 é herdada de forma não recessiva. Segundo os autores, isso provavelmente reduz a capacidade da estratégia de refúgio de retardar a evolução da resistência e aumenta o risco de que ela ocorra. Pesquisadores da Iowa State University e do USDA-ARS avaliaram duas linhagens de laboratório, DBQ e WAT, derivadas de populações de campo com resistência evoluída e comparadas com uma linhagem suscetível de fundo genético semelhante.
Os valores de dominância genética (h) foram de 0,76 na DBQ e de 0,72 na WAT. Em ambas as linhagens, os heterozigotos sobreviveram no milho Bt significativamente mais que os suscetíveis, embora menos que no milho não Bt. A WAT apresentou resistência completa, sem diferença significativa de sobrevivência entre milho Bt e não Bt, enquanto a DBQ apresentou resistência incompleta. As razões de resistência foram de 124 para a WAT e de 38 para a DBQ.
O trabalho também identificou custos de aptidão associados à resistência, medidos em milho não Bt e em indivíduos homozigotos resistentes. Os percentuais abaixo são reduções relativas em comparação com a linhagem suscetível. Na DBQ, as fêmeas produziram 44,4% menos ovos viáveis (efeito significativo, mas de margem estreita: P = 0,044 em teste unicaudal), e nenhum outro custo foi detectado.
Na WAT, a sobrevivência até a fase adulta foi 17,1% menor, o desenvolvimento durou 2,81% mais e a largura da cápsula cefálica (indicador de tamanho corporal) foi 0,81% menor. Esses custos podem contrabalançar em parte o efeito da herança não recessiva, ao selecionar contra os alelos de resistência na ausência de pressão do milho Bt. Os autores ressalvam, porém, que os custos, sozinhos, podem não garantir um atraso duradouro da resistência sem refúgios maiores e manejo integrado.
Para reduzir o risco de evolução da resistência, os autores apontam refúgios maiores e abordagens de manejo mais diversificadas. Em locais onde a resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 ainda não está amplamente disseminada, a rotação de culturas e o plantio de milho não Bt também podem aumentar a proporção de insetos suscetíveis na população e retardar a evolução da resistência (doi 10.1002/ps.71301).
Agro Mato Grosso
Persistência da família Ceni construiu parte da história de Santa Carmem

Rudimar Ceni conta sobre a trajetória iniciada pelo pai, os desafios enfrentados, o trabalho que hoje divide com o filho e a fé na próxima geração, sua netinha
Na década de 70, um agricultor paranaense decidiu conhecer Sinop e encontrou uma cidade que ainda era pouco mais que uma promessa aberta na floresta. Não tinha nada por ali, mas ele se encantou com o que viu. Quatro anos depois comprou a área de terra em Santa Carmem que a família cultiva até hoje.
“Eu tenho muito orgulho do meu pai, porque ele foi um visionário. Ele veio conhecer Sinop em 1977, não tinha nada em Sinop, e ele se encantou com isso aqui. E daí em 1981 adquiriu essa área de terra. Tinha que desbravar tudo. Mas mesmo assim ele teve essa visão e veio”, conta Rudimar Ceni, produtor rural do Núcleo de Sinop da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).
Naquele mesmo ano, Rudimar cursava faculdade em Curitiba e veio ao norte de Mato Grosso passar as férias de julho e conhecer a terra recém-comprada pelo pai. Voltou para a sala de aula sem conseguir tirar a região da cabeça. No ano seguinte, trancou a matrícula e resolveu criar raízes em Mato Grosso. “Eu vim conhecer aqui em 1981, em julho. Fiquei apaixonado por isso aqui e já queria até ficar. Só que não me deixaram, queriam que eu terminasse a faculdade. Mas no ano seguinte eu não aguentei, tranquei a faculdade e em 1982 vim pra cá”, lembra. O cenário que encontrou exigia mais teimosia do que planejamento.
Não havia estrutura, e o trajeto entre Sinop e a fazenda era um obstáculo em qualquer época do ano. Os anos seguintes trouxeram um desafio: a mãe faleceu em 1993 e a família perdeu o eixo. O pai desanimou e chegou a considerar vender a propriedade. Rudimar, que mantinha um beneficiamento de madeira em Sinop, decidiu recomeçar longe dali.
“Não, eu já desisti, inclusive. Em 1993 minha mãe faleceu e o pai também deu uma boa desanimada, pretendia vender a fazenda e ir embora. Vendi o beneficiamento e fui embora para o Paraná”, afirma.
A saída durou pouco. Em 1998, o pai mudou de ideia e decidiu entrar na agricultura. Bastou isso para que o filho refizesse o caminho de volta.“Aí eu fiquei louco e voltei pra cá de novo. E daí começamos na agricultura que está hoje”, diz.
A esposa Rudimar conheceu ainda no Paraná, onde se casaram antes de ela vir para Mato Grosso. Dessa união veio Felipe, hoje responsável por toda a parte financeira da propriedade. Ele acompanhava o avô no escritório e assumiu a função quando ele se aposentou.
A divisão de tarefas entre pai e filho funciona por afinidade.“Ele fica lá no escritório, na cidade, e eu fico mais aqui na fazenda. Eu gosto mais de ficar aqui”, revela. A sucessão já está no horizonte e ganhou uma personagem a mais. “Estou com esperança na minha neta. Estou com bastante esperança na minha neta. Ela é um espetáculo”, conta.
Aos 63 anos, Rudimar avalia que a escolha feita aos 19, segue valendo a pena em todos os ciclos que vieram depois e que ainda estão por vir. “A agricultura é uma coisa essencial no mundo, é o que leva a comida à mesa de cada um. É uma coisa que a gente tem orgulho de fazer. É cheia de riscos, a gente sabe que os riscos são enormes, mas a gente se acostumou. Vai passando um ano, vai entrando o outro e quando vê, está plantando de novo, está colhendo de novo. Eu tenho muito orgulho, sim”, finaliza.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT acompanha missão ao Marrocos e reforça segurança no fertilizantes

Entidade integrou comitiva brasileira, destacou a importância de ampliar a oferta de fosfatados e defendeu o fortalecimento da relação comercial entre Mato Grosso e Marrocos
Diretores da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participaram da missão oficial brasileira ao Reino do Marrocos, integrando a comitiva liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.
A agenda contou ainda com a participação do embaixador do Brasil no Marrocos, Alexandre Guido Lopes Parola, e de representantes de entidades do setor agropecuário brasileiro.
Representaram a Aprosoja MT na missão o diretor administrativo Diego Bertuol, o 2º diretor administrativo Jorge Giacomelli e o vice-presidente da Região Norte de Mato Grosso, Ilson Redivo. A agenda no Marrocos incluiu o Seminário Empresarial Brasil-Marrocos, em Casablanca, reuniões institucionais em Rabat e visita ao complexo industrial da OCP Nutricrops, em Jorf Lasfar, uma das principais produtoras mundiais de fertilizantes fosfatados.
A participação da Aprosoja MT teve como objetivo colocar Mato Grosso no centro das discussões sobre segurança de abastecimento e competitividade dos fertilizantes. O estado é líder nacional na produção de soja e milho segunda safra, além de liderar o consumo brasileiro de fertilizantes e possuir elevada demanda por fontes fosfatadas, fundamentais para a construção e manutenção da fertilidade dos solos do Cerrado.
“Para Mato Grosso, essa discussão é estratégica. Somos líderes nacionais na produção de soja e milho segunda safra e temos uma enorme demanda por fósforo para manter a fertilidade e a produtividade dos nossos solos. A presença da Aprosoja MT nesta missão teve justamente o objetivo de demonstrar a dimensão dessa demanda e aproximar quem produz de quem possui capacidade para fornecer um insumo tão importante para a agricultura brasileira”, destaca o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.
Memorando amplia perspectiva de segurança no abastecimento
Um dos principais resultados da missão foi a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a OCP Nutricrops.
O documento estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao mercado brasileiro no período 2026/2027, ampliando a perspectiva de disponibilidade do insumo em um momento de incertezas no mercado internacional.
Para a Aprosoja MT, o avanço é relevante diante da elevada dependência brasileira de fertilizantes importados. A diversificação de fornecedores e a construção de relações comerciais de longo prazo podem trazer maior previsibilidade ao abastecimento e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.
O entendimento também abre possibilidades de cooperação que vão além do fornecimento de fertilizantes, envolvendo pesquisa, caracterização e saúde dos solos, soluções de nutrição vegetal, inovação, agricultura de baixo carbono, capacitação técnica, logística e armazenamento.
Relação de troca ainda pressiona o produtor
A maior segurança de abastecimento ocorre, entretanto, em um momento no qual a capacidade de investimento do produtor rural está pressionada.
Apesar do recente movimento de recuo dos preços dos fosfatados no mercado brasileiro, a relação de troca continua desfavorável ao agricultor. Em Sorriso (MT), uma das principais referências da produção de grãos do estado, a relação de troca do MAP permanece 22,4% acima da média histórica.
O cenário contrasta com o cloreto de potássio (KCl), cuja relação de troca está atualmente 4,5% melhor que a média dos últimos quatro anos. A condição mais favorável já começou a estimular em Mato Grosso as primeiras negociações antecipadas de KCl para a safra 2027/28.
“Isso demonstra que não podemos analisar apenas o preço nominal do fertilizante. Precisamos olhar para o poder de compra do produtor. O MAP pode estar recuando, mas ainda exige uma quantidade de soja superior ao padrão histórico para sua aquisição. Ao mesmo tempo, o crédito está caro e mais difícil de acessar e os preços da soja e do milho ainda não proporcionam margens que deem segurança para manter o mesmo nível de investimento”, afirma Bertuol.
A Aprosoja MT já observa entre seus associados maior cautela na aquisição de fertilizantes e redução dos investimentos em fertilidade diante das dificuldades econômicas acumuladas nas últimas safras.
“Temos produtores reduzindo investimentos em fósforo para adequar o custo da lavoura à capacidade financeira da propriedade. Isso nos preocupa porque, quando se reduz fósforo por uma limitação financeira, não estamos discutindo somente o custo de uma safra. Estamos falando da construção da fertilidade do solo e do potencial produtivo dos próximos ciclos. Mato Grosso levou décadas investindo em correção de solo, fertilidade, tecnologia e manejo para alcançar os níveis de produtividade que temos hoje”, ressalta.
Maior oferta pode contribuir para equilíbrio do mercado
Para a Aprosoja MT, a diferença observada atualmente entre os mercados de MAP e KCl demonstra como uma relação de troca mais favorável pode mudar as decisões de investimento dentro das propriedades.
“É um exemplo claro do que buscamos. Quando existe oferta, previsibilidade e uma relação de troca economicamente viável, o produtor volta a antecipar compras e consegue planejar melhor as próximas safras. É justamente esse um dos resultados que esperamos do memorando firmado entre o Governo do Brasil e a OCP: uma sinalização de maior disponibilidade de fertilizantes fosfatados para o mercado brasileiro, trazendo mais segurança ao abastecimento e maior previsibilidade para o produtor”, destaca Bertuol.
Segundo o diretor, a perspectiva de maior disponibilidade ocorre justamente em um momento em que o mercado sinaliza uma demanda mais cautelosa por fósforo no próximo ciclo.
“Estamos diante de um cenário que indica uma demanda mais retraída por fósforo, justamente pela perda de poder de compra e pela redução dos investimentos que já observamos no campo. Se tivermos, de um lado, uma perspectiva de maior oferta e, de outro, uma demanda mais cautelosa, podemos caminhar para um mercado mais equilibrado e para uma melhora na relação de troca. Isso é importante porque não queremos que o produtor deixe de aplicar fósforo; queremos que ele volte a ter condições econômicas de investir. Segurança de abastecimento é fundamental, mas precisa vir acompanhada de competitividade e preços que tornem viável a retomada dos investimentos em fertilidade nas próximas culturas”, conclui Bertuol.
Missão fortalece diálogo entre Aprosoja MT e Mapa
Além dos avanços comerciais, a participação na missão reforçou a aproximação institucional entre a Aprosoja MT e o Ministério da Agricultura e Pecuária.
A entidade avalia positivamente o espaço de diálogo construído com o Mapa, sob a liderança do ministro André de Paula, especialmente diante do momento de dificuldades econômicas e financeiras enfrentadas pelo setor produtivo.
Para a Aprosoja MT, manter um canal direto entre o Ministério e as entidades representativas dos produtores é fundamental para que a realidade dentro das propriedades seja considerada na formulação das políticas agrícolas nacionais.
“A agricultura brasileira atravessa um momento que exige muito diálogo. Temos produtores enfrentando margens apertadas, crédito caro e restrito, custos elevados e dificuldades para manter o nível de investimento dentro das propriedades. Encontrar no Ministério da Agricultura abertura para ouvir quem está na ponta é muito importante. Temos conseguido construir com o ministro André de Paula um diálogo saudável, levando as preocupações dos produtores e buscando soluções para o setor”, destaca Bertuol.
Segundo o diretor, essa aproximação contribui para fortalecer a interlocução entre a política agrícola nacional e a realidade econômica enfrentada pelo produtor.
“O Ministério da Agricultura carrega uma enorme responsabilidade na representação de um setor fundamental para o país. Neste momento de dificuldade, precisamos de uma Pasta presente, com capacidade de diálogo e comprometida em compreender a realidade do campo. É essa representatividade e esse compromisso que esperamos fortalecer junto ao Mapa”, completa.
Aprosoja MT defende comércio de mão dupla com Marrocos
Durante o Seminário Empresarial Brasil-Marrocos, em Casablanca, a Aprosoja MT também defendeu o aprofundamento de uma relação comercial de mão dupla entre Mato Grosso e o mercado marroquino.
Enquanto o Marrocos possui grandes reservas de rocha fosfática e uma indústria de fertilizantes de escala mundial, Mato Grosso reúne capacidade produtiva para ampliar sua participação no fornecimento de alimentos e matérias-primas ao país.
O milho demonstra a importância dessa complementaridade. No último ano, Mato Grosso exportou aproximadamente 1,37 milhão de toneladas de milho para o Marrocos. A cada quatro toneladas do cereal brasileiro destinadas ao mercado marroquino, aproximadamente três tiveram origem em Mato Grosso, demonstrando a relevância do estado para o abastecimento daquele mercado.
A entidade também chamou atenção durante o seminário para o potencial do farelo de soja. Diferentemente do milho, que já possui participação expressiva nas exportações mato-grossenses ao Marrocos, as compras de farelo de soja vêm apresentando redução ano após ano, cenário que demonstra espaço para trabalhar a recuperação e ampliação desse mercado.
“Defendemos no seminário uma relação de complementaridade. Mato Grosso já é um grande fornecedor de milho para o Marrocos e temos capacidade para avançar também no farelo de soja e em outros produtos. Ao mesmo tempo, o Marrocos é estratégico para nós no fornecimento de fosfatados. Queremos construir uma relação de longo prazo, na qual possamos ampliar mercados para aquilo que produzimos e, do outro lado, aumentar a segurança e a competitividade dos MISSÃO MARROCOS – MAPA | 3insumos de que precisamos para produzir”, afirma Bertuol.
Para a Aprosoja MT, essa complementaridade pode construir uma relação comercial duradoura entre Mato Grosso e Marrocos, combinando abertura de mercados para a produção agropecuária brasileira com maior segurança no acesso a um dos insumos mais estratégicos para a agricultura do estado.
A missão também reforça a importância de Mato Grosso participar diretamente das discussões internacionais relacionadas aos insumos e mercados estratégicos para o agronegócio. Para a entidade, diversificar fornecedores, ampliar destinos para a produção, melhorar a relação de troca e fortalecer o diálogo institucional são caminhos fundamentais para devolver previsibilidade ao produtor e criar condições para a retomada dos investimentos em fertilidade, tecnologia e produtividade.
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