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19 de setembro de 2026

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Comida de verdade continua dominando pratos pelo mundo

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Nos últimos tempos, o planeta se deslumbrou com a ideia de que as proteínas inovadoras seriam transformadoras. Carnes criadas em laboratório, hambúrgueres plant-based, fermentação minuciosa… tudo parecia inevitável. O pressuposto era de que o tradicional arroz com feijão estaria com seus dias contados, substituído por opções modernas, impulsionadas por bilhões em investimentos e reportagens otimistas.

Contudo, a realidade de 2025 apresenta um quadro bem distinto. Empresas tidas como referências mundiais perderam valor e fregueses. A Beyond Meat, outrora destaque nas bolsas de valores, hoje tem um valor ínfimo se comparado ao seu lançamento. No Brasil, a Fazenda Futuro, que representava a entrada do país nesse mercado alternativo, desistiu da expansão global e voltou seu foco ao mercado nacional. A fermentação minuciosa, vista como revolução, continua dispendiosa e dependente de energia.

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As dificuldades não acabam aí. Nos Estados Unidos, alguns estados já vetaram a carne cultivada em laboratório. Na União Europeia, a moderação prevalece. Na Ásia, a adesão é variável, com reações distintas conforme a cultura local. O ânimo inicial se transformou em receio, desconfiança dos clientes e dificuldade das empresas em manter modelos de negócio que, na prática, não geram lucro.

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O que revelam os consumidores

Uma pesquisa global solicitada pela Ingredient Communications ajuda a elucidar essa situação. Os vegetarianos, que ainda consomem produtos de origem animal, se tornaram os mais rigorosos e os mais insatisfeitos com as opções plant-based. A satisfação geral diminuiu consideravelmente desde 2018.

Os veganos até manifestam alguma aceitação , embora ainda em níveis baixos. No Brasil, o vegetarianismo cresceu 75% em oito anos, atingindo 30 milhões de adeptos. Um dado chama atenção: os vegetarianos já representam cerca de 20% do consumo de feijão no país. Isso demonstra que, mesmo reduzindo a proteína animal, o feijão, alimento essencial da nossa cultura, permanece como base.

A grande questão das carnes vegetais, dos leites e dos ovos produzidos com ingredientes vegetais reside na experiência sensorial. O sabor, a textura e a suculência ainda não correspondem totalmente às expectativas. Os leites vegetais frequentemente deixam um resíduo de sabor de ervilha ou soja. Os ovos à base de plantas ainda não conseguem reproduzir fielmente a experiência de um ovo tradicional. Existem, contudo, previsões otimistas que apontam para um mercado de 162 bilhões de dólares até 2030, o que representaria um aumento de cinco vezes em relação ao tamanho atual. Essa expansão seria impulsionada principalmente pelos flexitarianos, consumidores que diminuem, mas não eliminam completamente o consumo de carne. No Brasil, 52% da população já se identifica com esse perfil. No entanto, entre as projeções e a realidade, existe uma grande distância que ainda não foi superada.

Enquanto uma parte do mundo deposita suas esperanças em promessas futuras, o setor agrícola brasileiro segue um caminho mais concreto: aumentar a produtividade, investir na qualificação dos produtores e fortalecer a pesquisa. O banco suíço Lombard Odier já reconheceu em um relatório recente que as proteínas alternativas deixaram de ser uma prioridade. O foco agora é a agricultura tradicional, realizada no campo, que garante a segurança alimentar.

No Brasil, essa abordagem ganha ainda mais relevância, pois o prato que nos define é o feijão com arroz. É ele que nutre milhões de pessoas diariamente, oferecendo um equilíbrio nutricional a um custo acessível. Enquanto investidores buscam recuperar perdas, os agricultores brasileiros continuam a cumprir sua missão: fornecer comida de verdade para a população.

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Orgulho do que produzimos

Cada nação tem seus próprios motivos de orgulho tecnológico. Alguns países  celebram seus feitos como  foguetes dão ré,  carros elétricos e robôs, inteligência artificial e por aí vai.  Todas essas iniciativas são válidas e importantes. Contudo, existe uma verdade inegável: sem alimentação adequada três vezes ao dia, nenhum gênio pode se destacar ou sequer pensar.

É nesse ponto que reside o nosso orgulho. O Brasil não é apenas um exportador de commodities. Somos o país que alimenta aqueles que constroem foguetes, programam inteligência artificial e desenvolvem o carro do futuro. O agroalimento brasileiro fornece energia para a mente e o corpo de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Essa é uma conquista que sustenta sociedades inteiras, embora muitas vezes receba menos atenção do que as novidades tecnológicas.

Um futuro realista para as proteínas

Os cientistas estão certos em preparar alternativas para alimentar os seres humanos.  Isto poderá em algum momento ser a única saída mas até lá o concreto para a inovação,  não está em tentar substituir radicalmente os alimentos que as pessoas consomem, mas sim em aprimorar o que já existe. Um exemplo disso vem da China, que começou a enriquecer macarrão de arroz com proteína de feijão. Essa estratégia não altera a forma do alimento, mas o torna mais nutritivo. É uma abordagem simples, prática e bem aceita pelos consumidores.

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Eis uma abordagem promissora: enriquecer alimentos populares com a proteína dos pulses, elevando seu valor nutricional. É algo familiar, bem recebido e facilmente incorporado pelos consumidores. Bem diferente de imaginar que um brasileiro abandonará o tradicional arroz, feijão, bife e salada em favor de uma alternativa vegetal disruptiva. Essa mudança ainda exige tempo, avanços na tecnologia e preços competitivos para se tornar viável.

No coração da alimentação

Embora o futuro possa incluir carnes criadas em laboratório e hambúrgueres tecnológicos, o presente, que garante o sustento da maioria, permanece sendo, para nós o prato básico, saudável e essencial de feijão com arroz.

E para o mundo muito suco de laranja, café, frutas, amendoim, gergelim, linhaça, painço, chia, pipoca, carnes, feijões são a nossa  contribuição: comida autêntica e acessível, que nutre aqueles que impulsionam o mundo.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional

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Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Queda de avião em área rural de Poxoréu (MT) deixa dois mortos e provoca incêndio

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Foto: Corpo de Bombeiros

Um avião caiu na tarde desta sexta-feira (18), em uma área rural de Poxoréu, a 259 km de Cuiabá, e deixou duas pessoas mortas. O acidente aconteceu na região da MT-130 e provocou um incêndio em uma área de pastagem da propriedade.

As informações iniciais foram divulgadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT). Equipes da 6ª Companhia Independente de Bombeiros Militar (6ª CIBM) e uma Unidade de Suporte Avançado (USA) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para atender à ocorrência de acidente aeronáutico.

Ao chegarem ao local, os militares localizaram a aeronave, controlaram as chamas e encontraram os corpos das duas vítimas. Um médico do Samu esteve na propriedade e confirmou os óbitos.

Com a queda da aeronave, um incêndio teve início na região de pastagem. Os bombeiros realizaram o combate às chamas e, após o controle do fogo, fizeram o trabalho de rescaldo para evitar novos focos.

Confira o vídeo abaixo:

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A Polícia Civil de Poxoréu e a Politec de Primavera do Leste foram acionadas para realizar os procedimentos necessários.

Também não foi possível confirmar oficialmente, até o momento, o modelo da aeronave. Conforme informações repassadas por funcionários da empresa Soma aos bombeiros, o avião seria um modelo Comp Air 7SL.

As circunstâncias e as causas da queda ainda não foram informadas.

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O que o produtor brasileiro pode aprender com a agricultura chinesa?

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A agricultura chinesa mostra ao produtor brasileiro que tecnologia, logística e ganho de produtividade podem ser determinantes para ampliar a eficiência no campo. Uma expedição com agricultores de diferentes regiões do Brasil percorreu áreas de produção, indústrias, centros de pesquisa e estruturas logísticas para conhecer de perto como funciona a cadeia agrícola do país que é o principal comprador de produtos brasileiros.

Em pouco mais de sete décadas, a China passou por uma transformação econômica que também ampliou sua influência sobre os mercados globais. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês chegou a 140,2 trilhões de yuans, alta de cerca de 5% em relação ao ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China.

A aproximação entre os dois países é especialmente forte no agronegócio. A soja brasileira percorre milhares de quilômetros até chegar ao mercado chinês, onde deixa de ser apenas uma commodity e passa a integrar cadeias de produção de farelo, óleo e proteína animal.

“Tem uma coisa só que separa. É o Oceano. 50 dias de viagem. Ponto. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, resume Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities. Para ele, compreender o que acontece do outro lado da cadeia ajuda o produtor brasileiro a enxergar melhor as transformações desse mercado.

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A relação também vai além da comercialização da produção. A China é uma importante fornecedora de insumos utilizados pelo campo brasileiro, como defensivos agrícolas, sulfato de amônio e produtos à base de fósforo. Na avaliação de Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest, as políticas adotadas pelo país asiático podem influenciar diretamente a oferta e os preços desses produtos.

“Para nós, a China, no insumo, é uma protagonista”, afirma Souza, ao destacar a dependência brasileira das importações de fertilizantes. Segundo ele, o Brasil produz menos de 20% do adubo que consome, o que torna o acompanhamento das decisões chinesas relevante para os custos de produção no país.

China exportação soja foto pedro silvestre Canal Rural mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Da soja brasileira à alimentação chinesa

A importância da soja brasileira fica evidente quando o grão chega às indústrias chinesas. No ano passado, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume que representou 80% das exportações totais brasileiras da oleaginosa, conforme os dados apresentados durante a expedição realizada pela Agrinvest Commodities, acompanhada pelo Canal Rural Mato Grosso.

Boa parte desse produto segue para o processamento. O farelo é utilizado principalmente na alimentação de suínos e frangos, além da produção de carne e leite. Já o óleo entra na indústria alimentícia.

A soja produzida dentro da China também tem uma destinação específica. A produção local fica em torno de 20 milhões a 21 milhões de toneladas, com cultivo totalmente não transgênico. Cerca de 14 milhões de toneladas são destinadas ao consumo interno, principalmente para produtos como tofu e shoyu, além da utilização do óleo pela indústria alimentícia.

A dimensão desse mercado ajuda a explicar a importância da relação comercial. Yin Ruifeng, vice-presidente de Dados e representante do Ministério da Agricultura da China, afirmou à reportagem que o Brasil é importante para o desenvolvimento agrícola chinês e que a expectativa é manter a parceria nos próximos anos.

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“A China ainda espera importar muitos produtos do Brasil, principalmente soja, algodão e açúcar”, disse. Ela também destacou a necessidade de os produtores brasileiros manterem a qualidade da produção, além de práticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável e à proteção ambiental.

Para os produtores que participaram da viagem, conhecer o destino da produção permite observar uma etapa que normalmente fica distante da propriedade. Adelar José Marafon conta que chegou à China justamente para confrontar as informações que havia recebido sobre o país com o que encontraria durante a expedição.

“A China, na verdade, é um tabu muito grande, quando se fala de China, porque muita coisa é fechada. Então, a gente ouve muitas versões daqui dentro da China. Vim para cá para realmente tirar as minhas conclusões e ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”.

China exportação soja foto Canal Rural mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Logística muda o custo da produção

A escala da indústria também chama atenção. Uma das unidades visitadas possui capacidade de processamento de em torno de 10 milhões de toneladas de soja por ano, considerando suas três plantas. Aproximadamente 80% da soja processada na estrutura vem do Brasil.

A operação depende de um fluxo constante de matéria-prima. São cerca de 7 milhões de toneladas processadas por ano na unidade visitada, com recebimento de aproximadamente 3 mil toneladas de soja por dia. A capacidade de armazenagem chega a 800 mil toneladas.

Depois de chegar ao porto, a soja percorre cerca de 150 a 160 quilômetros até a indústria por ferrovia. A estrutura logística chinesa foi um dos pontos que mais chamaram a atenção dos produtores brasileiros durante a viagem.

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De acordo com Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, a comparação ajuda a dimensionar o impacto do transporte sobre a competitividade. Ele cita como exemplo o custo estimado para levar uma tonelada de soja de Sorriso, em Mato Grosso, até o porto, de cerca de US$ 100. Nos Estados Unidos, uma distância semelhante ficaria próxima de US$ 40 por tonelada.

“Essa economia, boa parte desse dinheiro entraria no bolso do produtor rural brasileiro”, afirma Araújo. Para ele, o uso mais amplo de ferrovias e hidrovias poderia reduzir o custo logístico e aumentar a eficiência da cadeia.

A estrutura encontrada na China também foi destacada pelos produtores que participaram da expedição. Moacir Smaniotto Junior classificou a infraestrutura logística como um dos pontos de maior impacto da viagem. “Quem sabe um dia o Brasil chega lá também, precisamos disso”, comentou ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da infraestrutura, a visita às indústrias trouxe outro ponto de atenção: à qualidade da soja entregue. Li Changxin, gerente executivo da Hopeful Grain & Oil Group, apontou a presença de impurezas e questões relacionadas ao transporte e ao processamento como dificuldades da operação.

Na comparação feita por ele, a soja importada dos Estados Unidos apresenta desempenho melhor nesses aspectos. A observação coloca a qualidade do grão como outro fator que pode ganhar importância para o produtor brasileiro na relação com o mercado chinês.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtividade é desafio em um país com pouca terra

A expedição também chegou a Harbin, na província de Heilongjiang, uma das principais regiões agrícolas da China e maior produtora de soja do país. O local reúne uma condição particular: invernos rigorosos, com temperaturas que podem chegar a 30 graus negativos, e uma curta janela de verão para o desenvolvimento das lavouras.

Com pouca terra disponível por habitante, aumentar a produtividade se tornou uma necessidade. A área agricultável per capita na China é estimada em apenas 900 metros quadrados por pessoa.

A soja ocupa cerca de 10 milhões de hectares no país, com produtividade média nacional de aproximadamente 2 mil quilos por hectare. A produção chega a cerca de 20 milhões de toneladas por ano. O grão chinês, porém, apresenta teor de proteína próximo de 40%, enquanto as novas variedades cultivadas no Brasil ficam em torno de 33%, segundo os dados apresentados durante a viagem.

O solo negro encontrado no nordeste chinês é outro diferencial. Rico em matéria orgânica e com capacidade de reter nutrientes, fertilizantes e água, ele oferece condições favoráveis ao cultivo de soja, milho e arroz.

Na Academia de Ciências Agrícolas de Harbin, os produtores brasileiros conheceram pesquisas voltadas ao aproveitamento dessa condição natural. Zhou Meng, pesquisadora chinesa, explicou que o melhoramento genético e a rotação de culturas estão entre as tecnologias consideradas fundamentais para elevar a produtividade.

“Nos próximos anos, duas tecnologias serão fundamentais para aumentar ainda mais a produtividade, o melhoramento genético e a rotação de culturas”, afirmou ao Canal Rural Mato Grosso.

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A genética também chamou a atenção dos produtores brasileiros. Durante uma visita, César Paulo observou uma variedade de soja com grande quantidade de vagens com quatro grãos por planta, característica que, segundo ele, é menos comum na região brasileira onde produz.

O avanço tecnológico não está restrito à soja. No milho, a China cultiva cerca de 44 milhões de hectares, com produtividade média de 6,5 mil quilos por hectare. A produção chega a aproximadamente 307 milhões de toneladas, enquanto o consumo é estimado em 325 milhões de toneladas.

Conforme Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, um ganho de 2 mil quilos por hectare na produtividade chinesa poderia acrescentar 88 milhões de toneladas à produção anual de milho. O movimento ajuda a explicar a redução das importações chinesas, que já chegaram a 30 milhões de toneladas e, nas últimas temporadas, ficaram abaixo de 2 milhões.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Tecnologia e dados ganham espaço no campo

A tecnologia aparece como uma das ferramentas usadas pela China para produzir mais em áreas limitadas. Empresas visitadas pelos produtores brasileiros desenvolvem soluções de Internet das Coisas (IoT) aplicadas ao campo, com uso de conexões 4G e 5G.

Uma dessas empresas está presente em mais de 30 países e utiliza os dados para aumentar a precisão das operações agrícolas. Entre os resultados apresentados durante a visita está um ganho de produtividade de cerca de 10%, especialmente em frutas e hortaliças.

Para João Paulo Schaffer, diretor e analista de derivados e grãos da Agrinvest, a principal lição está na integração entre produção e informação.

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“O campo e a tecnologia no Brasil estão realmente ainda muito distantes. A gente tem que buscar mais a integração e a disponibilidade de dados”. De acordo com ele, as empresas chinesas utilizam dados para alimentar sistemas de inteligência artificial, fazer previsões e apoiar decisões de produtores e indústrias.

A integração também aparece fora das lavouras. Em Shuangcheng, no nordeste da China, a expedição conheceu uma indústria com aproximadamente 380 mil metros quadrados e 700 funcionários, com capacidade para processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano.

O modelo mostra como produção agrícola, indústria e mercado consumidor são conectados. A escala industrial encontrada pelos brasileiros reforça a dimensão do mercado chinês e a necessidade de acompanhar não apenas a produção no campo, mas também as transformações que acontecem depois da porteira.

Para Gabriel Kirnev, conhecer esse processo permite visualizar o destino da produção brasileira. “É sempre muito bom a gente conhecer os nossos clientes, visualizar aqui em loco, principalmente vendo as esteiras, a produção e tudo isso acontecendo e chegando ao destino final”, afirma.

A percepção dos produtores, no entanto, não foi de simplesmente copiar o modelo chinês. As realidades dos dois países são diferentes, e as soluções desenvolvidas na China respondem a condições específicas de disponibilidade de terra, clima, logística e mercado.

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Rafael Grimm Marques destacou justamente uma dessas diferenças ao conhecer o solo negro da região. Já Gabriel Kirnev vê a experiência como uma referência para buscar ganhos no Brasil. “É possível crescer na produtividade, é possível melhorar na execução do operacional, então a gente está aprendendo muito aqui com eles”.

A expedição terminou com uma visão que vai além das lavouras e das indústrias. Para os produtores brasileiros, conhecer a China também significou observar a infraestrutura construída para conectar produção e consumo.

Adelar Marafon resume a diferença entre os dois sistemas pela relação entre o que acontece dentro e fora da propriedade. “O produtor brasileiro da porteira para dentro, ele está melhor do que a China. Mas quando sai da porteira para fora a China dá show. Logística, infraestrutura, está industrializada, menos burocrática”.

A produtora rural Marisa Brunetta também destaca a dimensão tecnológica encontrada durante a viagem. Para ela, a China representa uma referência para o produtor brasileiro em inovação e, ao mesmo tempo, ocupa uma posição estratégica na relação comercial entre os dois países.

“A China está crescendo em proporções imensas a nível mundial. É um celeiro em termos de tecnologia pra gente tá aqui aprendendo”, afirma.

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Marisa também resume a complementaridade entre as duas economias no agronegócio. “A China, um parceiro fornecedor de insumos, a parte de químicos e fertilizantes e nós a matéria-prima principal para eles aqui, que é a soja”.

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Conab levanta custos de produção de mandioca e laranja na Bahia

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou, entre os dias 14 e 18 de setembro, painéis técnicos para levantamento dos custos de produção de mandioca e laranja em municípios da Bahia. A ação ocorreu em Cruz das Almas, Sapeaçu, Conceição do Almeida, Rio Real e Inhambupe e reuniu representantes das cadeias produtivas das duas culturas.

O trabalho teve como objetivo coletar informações que serão usadas no cálculo dos custos de produção, com aplicação em estudos, análises e políticas públicas voltadas ao setor. A programação incluiu visitas técnicas, reuniões locais e articulação com sindicatos, cooperativas, produtores rurais, associações, instituições financeiras, órgãos públicos, entidades de assistência técnica, centros acadêmicos, movimentos sociais e empresas de insumos.

As reuniões de consolidação e coleta de dados foram realizadas em Cruz das Almas, no dia 15, para a mandioca, e em Inhambupe, no dia 17, para a laranja, entre outros municípios. Nos encontros, os participantes contribuíram com o levantamento de coeficientes técnicos e preços de fertilizantes, defensivos, mão de obra, máquinas, equipamentos e outros insumos usados na produção.

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Segundo a Conab, a atualização considera informações apresentadas pelos participantes sobre as condições de produção observadas nas áreas visitadas. A estimativa de participação nas reuniões foi de 15 a 20 pessoas, além de três técnicos responsáveis pela condução das atividades.

Os dados coletados passarão por análise técnica e sistematização antes de serem incorporados aos estudos oficiais de custos agropecuários. O processo integra o monitoramento dos custos de produção de culturas agrícolas realizado no estado.

De acordo com a Conab, as informações levantadas vão subsidiar estudos econômicos, programas governamentais e ações voltadas aos produtores, além de servir de referência para indicadores ligados às cadeias de mandioca e laranja na Bahia.

Fonte: gov.br

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