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3 de agosto de 2026

Business

Comida de verdade continua dominando pratos pelo mundo

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Nos últimos tempos, o planeta se deslumbrou com a ideia de que as proteínas inovadoras seriam transformadoras. Carnes criadas em laboratório, hambúrgueres plant-based, fermentação minuciosa… tudo parecia inevitável. O pressuposto era de que o tradicional arroz com feijão estaria com seus dias contados, substituído por opções modernas, impulsionadas por bilhões em investimentos e reportagens otimistas.

Contudo, a realidade de 2025 apresenta um quadro bem distinto. Empresas tidas como referências mundiais perderam valor e fregueses. A Beyond Meat, outrora destaque nas bolsas de valores, hoje tem um valor ínfimo se comparado ao seu lançamento. No Brasil, a Fazenda Futuro, que representava a entrada do país nesse mercado alternativo, desistiu da expansão global e voltou seu foco ao mercado nacional. A fermentação minuciosa, vista como revolução, continua dispendiosa e dependente de energia.

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As dificuldades não acabam aí. Nos Estados Unidos, alguns estados já vetaram a carne cultivada em laboratório. Na União Europeia, a moderação prevalece. Na Ásia, a adesão é variável, com reações distintas conforme a cultura local. O ânimo inicial se transformou em receio, desconfiança dos clientes e dificuldade das empresas em manter modelos de negócio que, na prática, não geram lucro.

O que revelam os consumidores

Uma pesquisa global solicitada pela Ingredient Communications ajuda a elucidar essa situação. Os vegetarianos, que ainda consomem produtos de origem animal, se tornaram os mais rigorosos e os mais insatisfeitos com as opções plant-based. A satisfação geral diminuiu consideravelmente desde 2018.

Os veganos até manifestam alguma aceitação , embora ainda em níveis baixos. No Brasil, o vegetarianismo cresceu 75% em oito anos, atingindo 30 milhões de adeptos. Um dado chama atenção: os vegetarianos já representam cerca de 20% do consumo de feijão no país. Isso demonstra que, mesmo reduzindo a proteína animal, o feijão, alimento essencial da nossa cultura, permanece como base.

A grande questão das carnes vegetais, dos leites e dos ovos produzidos com ingredientes vegetais reside na experiência sensorial. O sabor, a textura e a suculência ainda não correspondem totalmente às expectativas. Os leites vegetais frequentemente deixam um resíduo de sabor de ervilha ou soja. Os ovos à base de plantas ainda não conseguem reproduzir fielmente a experiência de um ovo tradicional. Existem, contudo, previsões otimistas que apontam para um mercado de 162 bilhões de dólares até 2030, o que representaria um aumento de cinco vezes em relação ao tamanho atual. Essa expansão seria impulsionada principalmente pelos flexitarianos, consumidores que diminuem, mas não eliminam completamente o consumo de carne. No Brasil, 52% da população já se identifica com esse perfil. No entanto, entre as projeções e a realidade, existe uma grande distância que ainda não foi superada.

Enquanto uma parte do mundo deposita suas esperanças em promessas futuras, o setor agrícola brasileiro segue um caminho mais concreto: aumentar a produtividade, investir na qualificação dos produtores e fortalecer a pesquisa. O banco suíço Lombard Odier já reconheceu em um relatório recente que as proteínas alternativas deixaram de ser uma prioridade. O foco agora é a agricultura tradicional, realizada no campo, que garante a segurança alimentar.

No Brasil, essa abordagem ganha ainda mais relevância, pois o prato que nos define é o feijão com arroz. É ele que nutre milhões de pessoas diariamente, oferecendo um equilíbrio nutricional a um custo acessível. Enquanto investidores buscam recuperar perdas, os agricultores brasileiros continuam a cumprir sua missão: fornecer comida de verdade para a população.

Orgulho do que produzimos

Cada nação tem seus próprios motivos de orgulho tecnológico. Alguns países  celebram seus feitos como  foguetes dão ré,  carros elétricos e robôs, inteligência artificial e por aí vai.  Todas essas iniciativas são válidas e importantes. Contudo, existe uma verdade inegável: sem alimentação adequada três vezes ao dia, nenhum gênio pode se destacar ou sequer pensar.

É nesse ponto que reside o nosso orgulho. O Brasil não é apenas um exportador de commodities. Somos o país que alimenta aqueles que constroem foguetes, programam inteligência artificial e desenvolvem o carro do futuro. O agroalimento brasileiro fornece energia para a mente e o corpo de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Essa é uma conquista que sustenta sociedades inteiras, embora muitas vezes receba menos atenção do que as novidades tecnológicas.

Um futuro realista para as proteínas

Os cientistas estão certos em preparar alternativas para alimentar os seres humanos.  Isto poderá em algum momento ser a única saída mas até lá o concreto para a inovação,  não está em tentar substituir radicalmente os alimentos que as pessoas consomem, mas sim em aprimorar o que já existe. Um exemplo disso vem da China, que começou a enriquecer macarrão de arroz com proteína de feijão. Essa estratégia não altera a forma do alimento, mas o torna mais nutritivo. É uma abordagem simples, prática e bem aceita pelos consumidores.

Eis uma abordagem promissora: enriquecer alimentos populares com a proteína dos pulses, elevando seu valor nutricional. É algo familiar, bem recebido e facilmente incorporado pelos consumidores. Bem diferente de imaginar que um brasileiro abandonará o tradicional arroz, feijão, bife e salada em favor de uma alternativa vegetal disruptiva. Essa mudança ainda exige tempo, avanços na tecnologia e preços competitivos para se tornar viável.

No coração da alimentação

Embora o futuro possa incluir carnes criadas em laboratório e hambúrgueres tecnológicos, o presente, que garante o sustento da maioria, permanece sendo, para nós o prato básico, saudável e essencial de feijão com arroz.

E para o mundo muito suco de laranja, café, frutas, amendoim, gergelim, linhaça, painço, chia, pipoca, carnes, feijões são a nossa  contribuição: comida autêntica e acessível, que nutre aqueles que impulsionam o mundo.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Colheita de café no Cerrado Mineiro chega a 66%, mas chuva atrasa ritmo

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Foto: Cléverso Beje/Faep

A colheita de café arábica na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro, chegou a 66% até 31 de julho. O índice representa um leve atraso em relação ao mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já alcançavam 70%.

Segundo boletim da cooperativa, 46% do volume colhido já passou pelo beneficiamento, com rendimento médio de 500 litros por saca beneficiada de 60 quilos.

O avanço da colheita perdeu força na última semana por causa das chuvas registradas entre os dias 24 e 25 de julho. Em algumas áreas, os volumes ficaram acima do previsto e interromperam temporariamente parte das operações no campo.

De acordo com os técnicos da Expocacer, a umidade do solo dificultou principalmente a colheita mecanizada, o recolhimento do café de chão e o transporte da produção. Em diversas propriedades, foi necessário suspender o uso de máquinas até que as condições voltassem a ser favoráveis.

Além disso, as rajadas de vento durante as chuvas aumentaram a queda de frutos secos que ainda estavam nas plantas, elevando o volume de café depositado no solo.

Qualidade exige atenção

A cooperativa também aponta aumento no percentual de catação, que segue acima de 15% de forma geral. As cargas continuam apresentando maior presença de grãos verdes e de café de chão, fatores que podem comprometer a qualidade física dos lotes e da bebida.

Por isso, a recomendação é redobrar os cuidados nas etapas de beneficiamento e classificação do café.

Clima deve favorecer retomada

Após a passagem da instabilidade, o tempo voltou a ficar firme no Cerrado Mineiro. As temperaturas mais elevadas ajudaram na secagem dos frutos e na recuperação das condições de tráfego nas lavouras, permitindo a retomada gradual da colheita.

Para os próximos dias, a previsão é de continuidade do tempo seco, sem chuvas significativas até 5 de agosto. Esse cenário deve favorecer o avanço dos trabalhos em toda a região.

Os modelos meteorológicos, no entanto, indicam queda gradual das temperaturas ao longo da semana, com mínimas próximas de 8°C. A orientação da Expocacer é que os produtores acompanhem as atualizações da previsão do tempo para planejar as atividades no campo.

A cooperativa reúne mais de 800 cafeicultores e projeta uma produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua área de atuação em 2026.

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Colheita do algodão segue atrasada ante a média dos últimos cinco anos em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do algodão em Mato Grosso alcançou 28,67% da área cultivada na temporada 2025/26, um progresso de 15,56 pontos percentuais na variação semanal. Apesar do registro, ao se comparar com a média de 31,18% das últimas cinco temporadas os trabalhos apresentam atraso.

O levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) sobre os trabalhos nas lavouras de algodão revela ainda que em relação ao ciclo 2024/25 a colheita está 10,40 pontos percentuais à frente.

Entre as regiões produtoras, o Nordeste mato-grossense já colheu 66,66% da área destinada para a fibra, enquanto o Médio-Norte 32,64% e o Sudeste 31,26%;

Já na região Oeste as máquinas passaram por 23,70% da área semeada e na Noroeste em 23,10%. No Centro-Sul do estado 18,79% do algodão foi colhido.

Até junho Mato Grosso, segundo o Instituto, contava com 73,01% da produção de pluma prevista negociada e 38,01% do caroço de algodão.


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Plantio de trigo no RS avança pouco com solo úmido após chuvas

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O plantio de trigo no Rio Grande do Sul avançou pouco na semana passada por causa da umidade elevada do solo após as chuvas recentes. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater), 97% da área estimada já foi semeada. A projeção para a safra no Estado está mantida em 814.220 hectares.

A Emater informou que 98% das lavouras de trigo no Estado estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% já entraram em floração. O quadro mostra uma safra ainda concentrada nas fases iniciais de desenvolvimento, com parte menor das áreas em estágio mais avançado.

Na primeira metade da semana, as condições meteorológicas foram marcadas por alta umidade, baixa luminosidade, nebulosidade persistente e temperaturas elevadas, em padrão associado ao fenômeno El Niño, conforme a entidade. Esse cenário contribuiu para manter o solo úmido e restringir o avanço das operações de semeadura.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Na segunda metade do período, as chuvas cessaram, mas o céu permaneceu encoberto, com ocorrência de neblina e manutenção da umidade elevada no solo, principalmente no noroeste gaúcho. Nesse contexto, o ritmo do plantio seguiu lento.

No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos do trigo no Rio Grande do Sul subiu 0,52% na semana, para R$ 69,80, considerando produto com pH padrão 78, segundo a Emater. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o valor do produto disponível ficou em R$ 78,00 por saca.

Com 97% da área semeada e a projeção mantida em 814.220 hectares, a safra de trigo no Rio Grande do Sul segue com predomínio de lavouras em desenvolvimento vegetativo, enquanto o excesso de umidade ainda reduz o avanço do plantio em parte do Estado.

Fonte: Estadão Conteúdo

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