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22 de setembro de 2026

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procuram-se influenciadores fora da bolha

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Nos últimos anos, o Brasil viu crescer uma divisão preocupante entre o campo e a cidade. A palavra agronegócio, que por tanto tempo simbolizou desenvolvimento, segurança alimentar e orgulho nacional, passou a ser interpretada por muitos brasileiros como algo distante, ganancioso e impessoal. Em certos círculos urbanos, tornou-se sinônimo de exclusão social, desigualdade e até destruição ambiental.

Mas o problema não está na essência do setor. O agro brasileiro é produtivo, tecnológico e resiliente. Enfrenta adversidades climáticas, logísticas e econômicas. E, mesmo assim, garante diariamente comida no prato de mais de 200 milhões de brasileiros. Em meio a crises, inflação e instabilidade global, é o produtor rural brasileiro que sustenta a base da nossa alimentação e da nossa economia.

O verdadeiro desafio está na forma como o agro se comunica. Quem falou por nós contribuiu para a polarização. Durante muito tempo, o setor falou apenas para dentro, criou o nós e eles. As campanhas, os discursos e até os influenciadores voltaram-se quase exclusivamente ao público do campo. A cidade ficou de fora da conversa — e quando ouve, muitas vezes ouve mal. Falta contexto, falta conexão, falta tradução. Resultado: o que poderia gerar orgulho, muitas vezes gera ressentimento.

Essa distância aumentou com o comportamento de alguns dos chamados “influenciadores do agro”. Em vez de abrir diálogo com o público urbano, adotaram um tom confrontador, por vezes arrogante. Passaram a tratar o consumidor brasileiro como inimigo, como alguém mal informado ou contrário ao progresso. Mas não é atacando quem está na cidade que vamos melhorar a imagem do agro brasileiro. É explicando, com empatia e paciência.

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O brasileiro urbano médio, que talvez nunca tenha pisado numa lavoura, muitas vezes não tem ideia do impacto direto que as exportações agrícolas têm em sua própria vida. Ao ver que o Brasil lidera a exportação global de sojacafé ou suco de laranja, sua reação imediata é pensar que o agro está apenas ganhando dinheiro enquanto ele paga mais caro no supermercado. Falta a compreensão de que, ao exportar, o agro traz dólares para o país, fortalece o real, garante superávit comercial, equilibra a economia e evita inflação. Exportar também é uma forma de alimentar o Brasil.

Por isso, proponho algo simples e simbólico: substituir a palavra agronegócio por agroalimento. Porque é isso que o agro produz: alimento de verdade. É arroz com feijão, é café com leite, é pão com manteiga, é salada na feira, é comida na merenda escolar. É o prato do trabalhador, da criança, da dona de casa. É o que nos une.

A palavra agroalimento aproxima. Tira o agro da esfera fria dos números e o devolve ao calor humano da cozinha. Alimento tem cheiro, tem história, tem memória, tem afeto. Ao falarmos de agroalimento, lembramos que tudo começa com o produtor, mas termina no garfo do cidadão.

Não se trata de maquiagem. Trata-se de reconexão. O agro não precisa de aplauso. Precisa de compreensão. E, para isso, precisa mudar o tom.

Também é urgente orientar quem inflencia em nome do setor. Chega de vozes que gritam para os convertidos e atacam quem deveria ser acolhido. Precisamos de comunicadores que saibam explicar com clareza e escutar com respeito. Que falem com quem consome e não apenas com quem produz. Que saibam que, do outro lado da tela, há uma família que compra arroz, feijão, carne e verdura — e quer apenas entender de onde vem o que está no seu prato.

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O agro alimenta. O agro sustenta. Mas o agro também precisa escutar.

É hora de criar uma Frente Brasil pelo Agroalimento. Um movimento nacional por uma comunicação mais inclusiva, mais humana, mais eficaz. Um movimento que una produtores, entidades, empresas e jornalistas  e todos os consumidores em numa nova narrativa. Uma narrativa onde o agro entra na mesa do consumidor não pela imposição, mas pela verdade e pela empatia.

Quanto mais o Brasil urbano entender o agro como alimento e não como inimigo, mais respeito o setor conquistará. O campo não é distante. Está na nossa rotina mais íntima. Está no prato de todo dia. E quando o consumidor enxergar isso, talvez, além de respeito, o agro conquiste de volta algo ainda mais importante: o orgulho nacional.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Negócios com a soja? Saiba se preços subiram ou caíram no mercado em dia de poucas negociações

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja teve poucas mudanças nesta terça-feira (22), com cotações praticamente estáveis e baixo ritmo de negócios. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, muitas das ofertas observadas ao longo do dia foram apenas nominais.

No mercado disponível, o cenário permaneceu travado e com poucas ofertas, diante do volume já negociado. “Não houve grande ímpeto de negócios ao longo do dia”, observa Silveira.

Para a safra nova, também não houve reporte de negócios firmes. Os prêmios tiveram poucas alterações, assim como o dólar e a Bolsa de Chicago, mantendo as cotações praticamente estabilizadas.

No mercado físico, as principais praças brasileiras apresentaram poucas mudanças nesta terça-feira.

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Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 155,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 156,00
  • Cascavel (PR): recuou de R$ 152,00 para R$ 151,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 149,00
  • Paranaguá (PR): caiu de R$ 163,00 para R$ 162,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 163,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta terça-feira (22). Após operar em alta no meio do pregão, o mercado reverteu o movimento, em meio à cautela antes da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, prevista para quinta-feira (24), na Casa Branca.

Os operadores esperam que o encontro possa resultar em novas compras chinesas da oleaginosa norte-americana, mas mantêm uma postura cautelosa diante da possibilidade de poucos avanços concretos nas negociações comerciais. O mercado também espera possíveis mudanças nas tarifas de importação aplicadas pela China à soja dos Estados Unidos.

As expectativas foram reforçadas na segunda-feira (21), após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmar que teve conversas bem-sucedidas com autoridades chinesas durante o fim de semana.

Além disso, os agentes refletiram o discurso de Trump na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante o pronunciamento, o presidente afirmou que os Estados Unidos poderão chegar a um acordo com o Irã após as eleições de meio de mandato, previstas para 3 de novembro.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 2,50 centavos de dólar ou 0,18%, a US$ 13,25 1/2 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,41 1/4 por bushel, com retração de 2,75 centavos de dólar ou 0,20%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,30 ou 0,62%, a US$ 370,70 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,92 centavos de dólar, com perda de 0,93 centavo ou 1,35%.

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Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,08%, negociado a R$ 5,1027 para venda e a R$ 5,1007 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0972 e a máxima de R$ 5,1357.

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Inmet: chuvas irregulares ameaçam plantio de soja no Brasil; saiba quais estados devem ser prejudicados

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Freepik

O início da safra 2026/27 de soja e milho exige atenção dos produtores de Goiás e Mato Grosso diante da previsão de chuvas irregulares e baixos volumes de precipitação nos próximos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições ainda não devem ser suficientes para recuperar de forma significativa a umidade do solo, que permanece reduzida em grande parte da região.

A previsão indica ocorrência de pancadas isoladas, que podem criar condições momentaneamente favoráveis para a semeadura em algumas áreas. No entanto, essas precipitações não garantem a manutenção da disponibilidade de água necessária para a germinação, emergência e estabelecimento inicial das plantas.

Para as lavouras de sequeiro, a distribuição e a continuidade das chuvas são fatores importantes neste momento. Caso a umidade do solo diminua rapidamente após a semeadura, podem ocorrer problemas como germinação desuniforme, falhas de estande e, em situações mais severas, necessidade de replantio.

O cenário também merece atenção devido à expansão da área cultivada com milho primeira safra e à continuidade do crescimento da soja no país. Conforme as perspectivas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o desempenho das culturas ao longo do ciclo dependerá, entre outros fatores, da evolução das condições climáticas.

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Com a previsão de volumes pouco expressivos ou ausência de chuva em parte dos estados, as condições para o avanço do plantio podem variar entre municípios e propriedades. A umidade já presente no solo e a ocorrência efetiva das precipitações serão determinantes para definir onde a semeadura poderá avançar com menor risco.

Além disso, eventuais atrasos prolongados no plantio da soja em Goiás e Mato Grosso podem reduzir a janela disponível para a implantação da segunda safra de milho em áreas de sucessão. Por isso, a decisão sobre o momento da semeadura deve considerar as condições locais de umidade, as atualizações da previsão meteorológica e as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Previsão do tempo para Goiás e Mato Grosso

Para os próximos sete dias, a previsão aponta baixos acumulados de chuva em grande parte de Goiás e Mato Grosso. Os volumes entre 10 e 30 milímetros devem ficar concentrados principalmente na porção sul dos estados.

Ao mesmo tempo, as temperaturas tendem a permanecer elevadas no norte e sudoeste de Mato Grosso e no oeste de Mato Grosso do Sul, com máximas acima de 30 °C.

O cenário mantém extremamente baixos os níveis de armazenamento de água no solo em grande parte da região. De acordo com o Inmet, a condição deve persistir nos próximos cinco dias, refletindo a continuidade do déficit hídrico.

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Embora o Centro-Oeste esteja entrando no período chuvoso, os volumes previstos ainda não devem promover uma recuperação significativa da umidade do solo em boa parte de Goiás e Mato Grosso. Com isso, o avanço do plantio continuará dependendo da regularização das precipitações.

Para a soja, a situação é especialmente importante porque a baixa disponibilidade de água pode comprometer a germinação e a emergência caso as primeiras chuvas sejam insuficientes ou mal distribuídas.

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USDA aponta colheita de milho em 13% e de soja em 12% nos Estados Unidos

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na segunda-feira (21) que a colheita do milho 2026/27 no país alcançou 13% até o último domingo, acima dos 10% de um ano antes e dos 11% da média dos cinco anos anteriores. Na soja, os trabalhos chegaram a 12%, ante 8% no mesmo período do ano passado e também na média quinquenal.

Segundo o USDA, o avanço semanal da colheita de milho foi de 5 pontos porcentuais, em meio às chuvas registradas em boa parte do Meio-Oeste. A agência informou ainda que 57% da safra do cereal apresentava condição boa ou excelente, estável em relação à semana anterior. Há um ano, esse índice era de 66%.

O relatório também mostrou que 92% da safra de milho havia formado dentes, ante 90% no mesmo período do ano passado e 91% na média de cinco anos. Já a parcela madura chegou a 58%, acima dos 54% de um ano antes e dos 55% da média.

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Na soja, 58% das lavouras estavam em condição boa ou excelente, sem mudança na semana. Na mesma data de 2025, o percentual era de 61%. O USDA informou ainda que 62% da safra apresentava queda de folhas, contra 58% há um ano e também na média de cinco anos.

No trigo de primavera, a colheita atingiu 96%, em linha com igual período do ano passado e com a média quinquenal. Para o trigo de inverno, o plantio chegou a 17%, abaixo dos 19% observados um ano antes e dos 21% da média de cinco anos. A emergência foi indicada em 2%, contra 4% tanto no ano passado quanto na média.

O USDA também informou que 34% da safra de algodão estava em condição boa ou excelente, recuo de 2 pontos porcentuais na semana. Um ano antes, a parcela era de 47%. A abertura de maçãs alcançou 65%, ante 59% no mesmo período do ano passado e 58% na média de cinco anos. A colheita do algodão avançou para 13%, ante 12% há um ano e 11% na média.

Os dados do USDA mostram avanço da colheita de milho, soja, trigo de primavera e algodão nos Estados Unidos, além do andamento do plantio do trigo de inverno e das condições das principais lavouras de verão no país.

Fonte: Estadão Conteúdo

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