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vai ter ou não tarifaço?

Com a proximidade do dia 1º de agosto, quando os Estados Unidos poderão aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, aumentam as dúvidas sobre os impactos dessa medida no agronegócio, especialmente no setor da soja. No entanto, segundo o comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, não há motivo para preocupação.
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“A soja tem uma demanda muito grande. Não é fácil, mas temos que buscar alternativas. O que deve acontecer, se a tarifa for efetivamente aplicada, é uma redução nos prêmios nos portos”, afirmou o analista.
Daoud enfatizou que o Brasil possui vantagens competitivas que asseguram seu espaço no mercado global. “O Brasil tem qualidade, preserva o meio ambiente e, com esses atributos, fortalece sua posição. Precisamos manter a persistência para buscar novos mercados”, completou.
Para ele, o momento exige pragmatismo e visão estratégica. “É fundamental compreender a dimensão da demanda. Quem já está se preparando para a próxima safra possui uma ideia do que esperar. Assim, é possível ajustar a oferta e ficar atento às oportunidades”, disse.
Assista à análise completa:
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Inmet: chuvas irregulares ameaçam plantio de soja no Brasil; saiba quais estados devem ser prejudicados

O início da safra 2026/27 de soja e milho exige atenção dos produtores de Goiás e Mato Grosso diante da previsão de chuvas irregulares e baixos volumes de precipitação nos próximos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições ainda não devem ser suficientes para recuperar de forma significativa a umidade do solo, que permanece reduzida em grande parte da região.
A previsão indica ocorrência de pancadas isoladas, que podem criar condições momentaneamente favoráveis para a semeadura em algumas áreas. No entanto, essas precipitações não garantem a manutenção da disponibilidade de água necessária para a germinação, emergência e estabelecimento inicial das plantas.
Para as lavouras de sequeiro, a distribuição e a continuidade das chuvas são fatores importantes neste momento. Caso a umidade do solo diminua rapidamente após a semeadura, podem ocorrer problemas como germinação desuniforme, falhas de estande e, em situações mais severas, necessidade de replantio.
O cenário também merece atenção devido à expansão da área cultivada com milho primeira safra e à continuidade do crescimento da soja no país. Conforme as perspectivas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o desempenho das culturas ao longo do ciclo dependerá, entre outros fatores, da evolução das condições climáticas.
Com a previsão de volumes pouco expressivos ou ausência de chuva em parte dos estados, as condições para o avanço do plantio podem variar entre municípios e propriedades. A umidade já presente no solo e a ocorrência efetiva das precipitações serão determinantes para definir onde a semeadura poderá avançar com menor risco.
Além disso, eventuais atrasos prolongados no plantio da soja em Goiás e Mato Grosso podem reduzir a janela disponível para a implantação da segunda safra de milho em áreas de sucessão. Por isso, a decisão sobre o momento da semeadura deve considerar as condições locais de umidade, as atualizações da previsão meteorológica e as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
Previsão do tempo para Goiás e Mato Grosso
Para os próximos sete dias, a previsão aponta baixos acumulados de chuva em grande parte de Goiás e Mato Grosso. Os volumes entre 10 e 30 milímetros devem ficar concentrados principalmente na porção sul dos estados.
Ao mesmo tempo, as temperaturas tendem a permanecer elevadas no norte e sudoeste de Mato Grosso e no oeste de Mato Grosso do Sul, com máximas acima de 30 °C.
O cenário mantém extremamente baixos os níveis de armazenamento de água no solo em grande parte da região. De acordo com o Inmet, a condição deve persistir nos próximos cinco dias, refletindo a continuidade do déficit hídrico.
Embora o Centro-Oeste esteja entrando no período chuvoso, os volumes previstos ainda não devem promover uma recuperação significativa da umidade do solo em boa parte de Goiás e Mato Grosso. Com isso, o avanço do plantio continuará dependendo da regularização das precipitações.
Para a soja, a situação é especialmente importante porque a baixa disponibilidade de água pode comprometer a germinação e a emergência caso as primeiras chuvas sejam insuficientes ou mal distribuídas.
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USDA aponta colheita de milho em 13% e de soja em 12% nos Estados Unidos

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na segunda-feira (21) que a colheita do milho 2026/27 no país alcançou 13% até o último domingo, acima dos 10% de um ano antes e dos 11% da média dos cinco anos anteriores. Na soja, os trabalhos chegaram a 12%, ante 8% no mesmo período do ano passado e também na média quinquenal.
Segundo o USDA, o avanço semanal da colheita de milho foi de 5 pontos porcentuais, em meio às chuvas registradas em boa parte do Meio-Oeste. A agência informou ainda que 57% da safra do cereal apresentava condição boa ou excelente, estável em relação à semana anterior. Há um ano, esse índice era de 66%.
O relatório também mostrou que 92% da safra de milho havia formado dentes, ante 90% no mesmo período do ano passado e 91% na média de cinco anos. Já a parcela madura chegou a 58%, acima dos 54% de um ano antes e dos 55% da média.
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Na soja, 58% das lavouras estavam em condição boa ou excelente, sem mudança na semana. Na mesma data de 2025, o percentual era de 61%. O USDA informou ainda que 62% da safra apresentava queda de folhas, contra 58% há um ano e também na média de cinco anos.
No trigo de primavera, a colheita atingiu 96%, em linha com igual período do ano passado e com a média quinquenal. Para o trigo de inverno, o plantio chegou a 17%, abaixo dos 19% observados um ano antes e dos 21% da média de cinco anos. A emergência foi indicada em 2%, contra 4% tanto no ano passado quanto na média.
O USDA também informou que 34% da safra de algodão estava em condição boa ou excelente, recuo de 2 pontos porcentuais na semana. Um ano antes, a parcela era de 47%. A abertura de maçãs alcançou 65%, ante 59% no mesmo período do ano passado e 58% na média de cinco anos. A colheita do algodão avançou para 13%, ante 12% há um ano e 11% na média.
Os dados do USDA mostram avanço da colheita de milho, soja, trigo de primavera e algodão nos Estados Unidos, além do andamento do plantio do trigo de inverno e das condições das principais lavouras de verão no país.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Cotonicultura nacional debate custos e gargalos logísticos em Belo Horizonte

O avanço tecnológico que colocou o Brasil no topo das exportações globais de algodão não livra os produtores rurais de velhos gargalos do agronegócio. A dependência de insumos importados, a alta nos custos de produção e a urgência por infraestrutura logística pautaram a abertura do 15º Congresso Brasileiro do Algodão, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), no Expominas, em Belo Horizonte (MG).
Apesar do tom comemorativo pelos índices de qualidade da fibra — mais de 97% da produção nacional atende a padrões internacionais rígidos —, o cenário macroeconômico e as incertezas geopolíticas impuseram um tom de cautela às discussões. Lideranças do setor e representantes do governo federal alinharam discursos sobre a necessidade de gestão rigorosa nas propriedades e investimentos estruturantes fora da porteira.
A pressão sobre as margens financeiras do cotonicultor foi o principal alerta feito pela representação dos produtores durante o início dos trabalhos técnicos. Em um mercado global oscilante, a eficiência no campo passa a exigir respostas equivalentes do poder público em termos de políticas setoriais e estabilidade jurídica.
Segundo o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o ganho de mercado internacional foi fruto do investimento contínuo dos agricultores em sustentabilidade, mas a manutenção desse posto exige atenção constante aos custos operacionais e às tensões geopolíticas globais.
“O momento é de reflexão e gestão. Nós produtores precisamos fazer a nossa parte, mas precisamos também de segurança jurídica, infraestrutura e política adequada. Precisamos da valorização das fibras naturais. O Brasil tem que valorizar a fibra natural. É o olhar para o futuro”, afirmou Piccoli.
Desafios de gestão e infraestrutura
A consolidação do país na liderança do mercado internacional da pluma foi reconhecida no evento como um marco de transformação produtiva, com impacto direto na ocupação do Cerrado. O crescimento da atividade esteve ancorado na adoção de tecnologias de precisão e na melhoria genética das lavouras.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula Filho, ressaltou o nível de capitalização tecnológica das propriedades e o grau de especialização que caracteriza o segmento no país.
“Os cotonicultores fazem do Brasil o maior produtor de algodão do mundo. É uma das cadeias mais tecnificadas da agricultura brasileira. É uma cadeia que transformou o Cerrado brasileiro e que se antecipa ao futuro”, declarou André de Paula.
Paralelamente aos índices de produtividade, a vulnerabilidade gerada pela importação maciça de matérias-primas essenciais continuou no centro das cobranças do setor produtivo. Sem uma oferta interna consolidada de fertilizantes, os custos de implantação da safra continuam sujeitos a variações do mercado externo.
A reação estatal a esse gargalo estrutural passa pelas diretrizes do Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes), citado pelo Ministério da Agricultura como a estratégia para diminuir a exposição do produtor nacional às crises de abastecimento internacional. O plano governamental prevê medidas de curto e longo prazo para reativar parques fabris paralisados.
A agenda prioriza a recuperação de unidades de fertilizantes nitrogenados, incluindo plantas industriais da Petrobras, como a estrutura sediada em Mato Grosso do Sul, cujos estudos para reabertura foram integrados ao plano de ação do governo.
Com a entrada em operação dessas plantas, a projeção oficial do governo federal é suprir mais de um terço da demanda nacional com fabricação própria, reduzindo o impacto das cotações internacionais nos insumos rurais.
“Quando isso ocorrer, nós vamos ter a capacidade de produzir 35% do que consumimos em nitrogenados. Do ponto de vista dos fertilizantes, importamos mais de 90%. Esse é um desafio que está sendo encarado com profissionalismo, seriedade e planejamento”, afirmou André de Paula.
*A reportagem do Canal Rural Mato Grosso viajou para Belo Horizonte a convite da Abrapa.
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