Sustentabilidade
CEPEA: Produtividade sustentou a agropecuária no século XXI, mas crédito mais caro e de nova composição deixou o setor exposto após a pandemia – MAIS SOJA

Em novo TOD, o coordenador científico do Cepea Geraldo Barros e o pesquisador Lucilio Alves reconstroem o período de 2000 a 2025 e mostram como mudou o financiamento do setor
A produção agropecuária brasileira cresceu quase 150% entre 2000 e 2025, ou 3,7% ao ano, contra 2,3% ao ano do PIB do País. O novo Texto Ocasional para Discussão (TOD) “Contexto do setor agropecuário e seu financiamento e endividamento: 2013 a 2025”, divulgado hoje pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostra que esse desempenho veio da produtividade, e não dos preços: a produtividade total dos fatores cresceu 92% de 2000 a 2024 e explica 82% da expansão do volume, enquanto a relação de preços entre insumos e produtos piorou 35% no período.
Segundo o estudo dos pesquisadores do Cepea, o quadro mudou com a pandemia. Os preços reais da agropecuária subiram 72% de 2019 a 2021, e a renda do setor, 84%. Em seguida, os preços recuaram 24% até 2025 e a renda caiu 14% de 2021 a 2024, enquanto os insumos, que subiram 60% de 2019 a 2022, seguiram caros. E o crédito encareceu: a taxa média do crédito rural a pessoas físicas passou de 6,2% ao ano em 2020 para 11,2% em 2023 e 12,2% em 2025, acompanhando a Selic. O estudo destaca quatro pontos:
1. A dívida voltou à faixa histórica – O passivo do setor no sistema financeiro, que havia caído para 61% da renda em 2020, chegou a 106% em 2024 e a 94% em 2025, dentro da faixa de 86% a 109% observada entre 2013 e 2019.
2. O crédito cresceu e mudou de fonte – O crédito rural concedido passou de R$ 251 bilhões em 2019 para R$ 446 bilhões em 2023 (+78%, a preços de 2025). As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) somaram R$ 125 bilhões em 2025, quase sete vezes o valor de 2016 e 35% do crédito rural; entre as fontes privadas, a parcela contratada a taxas livres passou de 7% em 2013 para 52% em 2025.
3. O investimento depende cada vez menos do crédito rural – O investimento agropecuário passou de R$ 152 bilhões em 2019 para R$ 260 bilhões em 2025 (estimativa do Cepea) e o crédito rural financiou apenas 36% dele em 2025. Os outros 64% vieram de recursos próprios, de Cédulas de Produto Rural, de fornecedores e de leasing; a parte que é dívida não aparece nas estatísticas do Banco Central.
4. A inadimplência depende de quem se observa – Entre as empresas do setor agropecuário, ela chegou a 3,5% em agosto de 2026, abaixo da média do sistema financeiro (5,2%). Entre as pessoas físicas (cerca de 80% da carteira), a inadimplência do crédito rural passou de 0,8% em dezembro de 2022 para 9,7% em agosto de 2026, recorde da série do Banco Central.
Para os autores, decisões tomadas antes da pandemia perderam rentabilidade no cenário seguinte, e o crédito, mais caro, não veio em socorro: “o cenário de problemas de liquidez e de aumento da inadimplência na agropecuária estava desenhado”. Este estudo complementa o Texto Ocasional para Discussão n.4, “Endividamento rural no Brasil, 2013–2026”, que documenta esse cenário em 2025 e 2026, com carteira problemática de R$ 205 bilhões (23,8% do crédito rural).
Acesse material compelo aqui!
BARROS, G. S.A. C.; ALVES, L. R. A. Contexto do setor agropecuário e seu financiamento e endividamento: 2013 a 2025. Piracicaba: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ESALQ/USP), 2026 (Texto Ocasional para Discussão n.5).
Fonte: CEPEA
Autor:Geraldo Barros e Lucilio Alves
Site: Cepea
Sustentabilidade
Brasil deve importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027 – MAIS SOJA

A redução da produção brasileira de trigo e a maior dependência das importações estão entre os principais desafios para o abastecimento nacional no fechamento de 2026 e ao longo de 2027. O cenário foi discutido por especialistas no último dia da 33ª edição do Congresso Internacional da Indústria do Trigo, no Rio de Janeiro (RJ). Promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a programação também debateu a importância da atuação regulatória de forma estratégica no setor.
No que se refere ao cenário externo, o diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge Alimentos, Tito Marquetti Martinho estimou que o Brasil poderá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de trigo no próximo ano.
“A combinação de menor volume produzido internamente e pior qualidade do cereal amplia a dependência do mercado externo e deve colocar à prova a capacidade portuária brasileira”, analisou.
Para esse crescente abastecimento interno, a Argentina permanecerá como principal fornecedora e, no cenário global, o conflito na região do Mar Negro continua como um dos principais fatores de incerteza para o mercado.
Produção nacional e abastecimento
O especialista em mercado de trigo Elcio Bento alertou para os efeitos da queda da produção brasileira sobre o abastecimento, diante da redução da oferta doméstica e da maior necessidade de importação. A produção nacional está estimada em 5,12 milhões de toneladas, recuo de 37% em relação ao período de referência apresentado, volume suficiente para atender a cerca de 36% do consumo brasileiro, exigindo mais aquisição externa.
“A disponibilidade de trigo de melhor qualidade também preocupa. Em São Paulo, a estimativa é de que apenas 70 mil a 80 mil toneladas da produção correspondam ao Tipo 1. No Paraná, onde cerca de 70% da colheita havia sido realizada no momento da análise, o volume de trigo Tipo 1 foi estimado em 500 mil a 600 mil toneladas”, ponderou.
A redução da oferta altera, de acordo com o especialista, o papel tradicional dos estados do Sul no abastecimento nacional. Nesse cenário, o Paraná passa de um excedente de 100 mil toneladas para um déficit de 1,85 milhão de toneladas. No Rio Grande do Sul, o excedente estimado em 4,07 milhões de toneladas se aproxima do equilíbrio entre oferta e demanda.
Contudo, a logística e a eficiência industrial ganham relevância na operação dos moinhos. “A logística favorecerá os moinhos bem-posicionados e preparados para receber o trigo importado. Já a moagem de trigos nacionais heterogêneos exigirá maior eficiência”, afirmou.
Safra gaúcha
Ao detalhar a situação do Rio Grande do Sul, o sócio da Solo Corretora de Cereais, Índio Brasil dos Santos relacionou o desempenho da safra de 2026 a fatores que limitaram o desenvolvimento das lavouras, como menor investimento, perfilhamento reduzido — associado às condições de adubação e luminosidade — e dificuldades nos tratos culturais.
“As condições climáticas impuseram desafios durante o ciclo. Julho foi marcado por chuvas e umidade, com muitos dias encobertos. Em agosto, frio e precipitações ocorreram no início e no fim do mês. Setembro registrou chuva acima da média, poucos dias de sol e geada em 7 de setembro. Em outubro, as precipitações acima da média se alternaram com períodos de abertura de sol”, detalhou.
A safra regional tem como meta 1,85 milhão de toneladas, com rendimento informado de 2,5 mil quilos por hectare. Até agora, 27% da área foi colhida e a comercialização corresponde a aproximadamente 30% do volume previsto.
Atuação regulatória estratégica deve ter início antes das mudanças normativas
A programação do terceiro e último dia do evento também contou com o painel “O processo regulatório como resultado para as empresas”, que reuniu especialistas para discutir a importância da atuação regulatória nas decisões estratégicas das companhias. Mediado pelo conselheiro da Abitrigo e CEO do Grande Moinho Cearense, Carlos Augusto Neves da Rocha, o debate reuniu a gerente de Assuntos Regulatórios da M. Dias Branco, Bruna Mourão Mesquita, e a CEO da NutraLíder Consultoria Regulatória, Luiza Zanatta.
Os participantes debateram como o acompanhamento das propostas e a participação em consultas públicas ajudam as empresas a se preparar para novas exigências e destacaram a importância de envolver a área regulatória desde as primeiras etapas dos projetos para permitir identificar oportunidades e antecipar possíveis entraves.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Farsul lança painel que acompanha a renegociação de dívidas rurais da MP 1.376 – MAIS SOJA

A Farsul disponibiliza um painel interativo que acompanha a renegociação de dívidas rurais prevista na Medida Provisória 1.376/2026. A ferramenta reúne os dados do Banco Central (SICOR) sobre as operações contratadas para quitar ou amortizar dívidas de produtores atingidos por eventos climáticos e pela queda de preços.
Os números mostram o peso do Rio Grande do Sul na medida. Até 30 de setembro, foram contratadas no Brasil 16,7 mil operações, que somam R$ 5,56 bilhões. Dessas, 15 mil foram no Rio Grande do Sul, com R$ 4,59 bilhões: 83% do valor e 90% das operações do país. No Estado, a taxa média ficou em 8,57% ao ano, com prazo médio de 9,6 anos. Sicredi e Banrisul respondem pela maior parte do volume gaúcho.
O painel permite filtrar os dados por estado, instituição financeira e programa de crédito. Também mostra a evolução mensal das contratações e a origem das dívidas renegociadas, e as consultas podem ser baixadas em Excel ou como imagem. Os dados serão atualizados semanalmente, conforme a publicação do Banco Central.
O prazo para contratar a renegociação termina em 12 de novembro.
O painel pode ser acessado aqui.
Fonte: Farsul
Autor:Farsul
Site: Farsul
Sustentabilidade
Supremo Tribunal Federal reconhece isenção de ITBI na transferência de imóveis para empresas familiares – MAIS SOJA

O produtor rural que pretende organizar os bens da família, e planejar a sucessão das propriedades pode ter um custo a menos nesse processo. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a transferência de imóveis para uma empresa familiar pode ter imunidade do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), mesmo quando a empresa trabalha com compra, venda ou aluguel de imóveis.
A decisão trata de uma situação comum no planejamento patrimonial: a criação de uma empresa para administrar os bens da família, conhecida como holding familiar. O produtor pode, por exemplo, transferir uma fazenda para essa empresa como parte do capital social.
Antes, alguns municípios negavam a imunidade do ITBI quando a empresa que recebia o imóvel tinha atividade ligada ao mercado imobiliário. Com o julgamento do Tema 1.348, o STF entendeu que essa atividade, por si só, não é motivo para cobrar o imposto nesse tipo de transferência.
Para a advogada Mariana de Mello Vieira, do escritório Brenner e Associados, a decisão traz mais segurança para produtores que desejam organizar o patrimônio rural.
“Essa decisão é importante porque impede que o município negue a imunidade do ITBI apenas porque a empresa que recebe o imóvel tem atividade imobiliária. Isso pode facilitar a organização do patrimônio familiar do produtor rural”, explica.
O que muda para o produtor?
O produtor que pretende transferir uma fazenda para uma empresa familiar poderá avaliar se tem direito à imunidade do ITBI. O benefício pode representar uma economia, já que o imposto incide sobre determinadas transferências de imóveis.
Esse tipo de empresa também pode ajudar a organizar a administração dos bens e planejar como o patrimônio será transmitido aos filhos e demais herdeiros. A criação de uma holding, porém, não é necessária para todos os produtores. A decisão deve considerar os objetivos da família e os custos envolvidos.
A imunidade também tem limites. O STF já havia definido que o benefício não cobre valores dos imóveis que ultrapassem o montante destinado à formação do capital social da empresa. Além disso, operações simuladas ou feitas para obter indevidamente a vantagem tributária podem ser questionadas.
Por isso, antes de transferir uma propriedade, o produtor deve buscar orientação jurídica e contábil para avaliar a documentação e as condições da operação.
Quem já pagou ITBI pode receber o dinheiro de volta?
Produtores que já pagaram o imposto ao transferir imóveis para uma empresa também podem verificar se têm direito à restituição. Isso pode ser relevante, por exemplo, quando o município cobrou o ITBI somente porque a empresa tinha atividade imobiliária.
Mas a devolução não é automática. É preciso analisar por que o imposto foi cobrado, quando o pagamento ocorreu e se ainda há prazo para pedir a restituição. Em regra, pedidos desse tipo estão sujeitos ao prazo de cinco anos, conforme as regras aplicáveis a cada caso.
“É possível avaliar a restituição de valores pagos anteriormente, mas cada situação precisa ser analisada. É necessário verificar os documentos, o motivo da cobrança e os prazos legais”, orienta Mariana.
A recomendação é que o produtor que esteja planejando transferir uma fazenda para uma empresa familiar, ou que já tenha pago ITBI nessa situação, procure orientação para verificar se a decisão do STF se aplica ao seu caso.
Featured15 horas agoJovem é preso após gravar o próprio voto em escola de Várzea Grande
Business21 horas agoo que muda para o agro e quem paga a conta?
Business15 horas agoPressão em Chicago e câmbio perto de R$ 5 retraem negócios da soja no Brasil; qual perspectiva para o mercado?
Featured21 horas agoÚltimas pesquisas antes da eleição mostram disputa apertada, mas com Flávio à frente
Featured16 horas agoUrgente! Decisão do STF estende horário de votação em todos os estados
Featured15 horas agoConfusão total! Cuiabá tem relatos de votação prorrogada enquanto outras seções já haviam fechado
Featured20 horas agoLula vota em São Bernardo e agradece militância pelo apoio
Featured19 horas agoFlávio é o mais votado no exterior e vence em seis países

















