A seca histórica em Roraima já provoca prejuízos ao agronegócio, com queda de 42% na produtividade da soja e dificuldades para escoar a produção. A redução do nível do Rio Branco comprometeu a logística de transporte no estado, enquanto a irregularidade das chuvas aumenta a preocupação com o abastecimento de combustíveis e o custo dos insumos para a safra 2026/27.
O presidente da Aprosoja Roraima, Murilo Ferrari, afirmou que a estiagem começou de forma precoce, entre o fim de junho e o início de julho, e desde então não houve chuvas expressivas suficientes para reverter o cenário.
Segundo Ferrari, a produção colhida registrou uma queda de 42% na produtividade em relação ao ano passado. Além das perdas nas lavouras, o baixo nível do Rio Branco impediu a operação de escoamento da soja pelo município de Caracaraí, utilizada para a exportação da produção.
A operação havia começado no ano passado, mas não pôde ser realizada neste ano devido às condições de navegação. O problema compromete a logística do setor e gera impactos para a empresa responsável pela exportação.
“É uma seca histórica. Nós nunca vivenciamos essa seca tão precoce, que se configurou já no final de junho, começo de julho, e até o momento não tivemos mais chuvas expressivas”, afirmou o presidente da Aprosoja-RR.
Transporte de diesel preocupa e pode elevar custos da próxima safra
Os efeitos da estiagem também começam a atingir o transporte de combustíveis. Conforme Ferrari, as dificuldades de navegação na região amazônica já interferem na chegada de embarcações a Manaus, no Amazonas. Parte da logística passou a ser realizada por Itacoatiara, também no estado, o que contribuiu para o aumento dos preços do diesel.
A situação acende um alerta para os produtores rurais, que devem iniciar em maio o planejamento das compras de insumos para o próximo plantio. Fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes podem ficar mais caros caso a seca persista e continue pressionando o transporte fluvial e o valor dos fretes.
O período entre dezembro e fevereiro costuma ser marcado pelo retorno das chuvas na região amazônica e pela elevação natural do nível dos rios. No entanto, a irregularidade climática mantém a incerteza sobre a recuperação das condições de navegação.
De acordo com Ferrari, empresários do setor logístico já relatam aumento no frete de contêineres. Se as chuvas não forem suficientes para recuperar os níveis dos rios, os custos adicionais poderão chegar ao produtor rural.
“Se continuar e não chover agora nesses próximos meses, a gente vai, sim, impactar nos preços dos insumos que aqui vêm, fertilizantes, produtos químicos, sementes. E aí a conta vai ser repassada para o produtor”, alertou.
A previsão de chuvas abaixo da média até dezembro aumenta a preocupação com a continuidade dos impactos da estiagem. Além de prejudicar o escoamento da soja já colhida, a seca pode dificultar o transporte de insumos necessários para a próxima temporada agrícola.
O comportamento das chuvas nos próximos meses será decisivo para a recuperação dos rios e para a redução dos custos logísticos. Até lá, o setor produtivo acompanha as condições climáticas diante do risco de novos prejuízos e de uma safra 2026/27 com custos de produção mais elevados.