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3 de outubro de 2026

Business

Biocombustíveis já somam R$ 289 bilhões em investimentos registrados no Brasil

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O Brasil já soma R$ 289 bilhões em investimentos já cadastrados em projetos relacionados a biocombustíveis e transição energética. O dado foi trazido em painel orgaizado pela consultoria Datagro durante o GAFFFF 2026, em São Paulo, nesta sexta-feira (2).

De acordo com os partipantes, como o deputado federal e presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde, Arnaldo Jardim, o movimento ocorre em paralelo ao aumento da demanda global por energia e à abertura de novos mercados para combustíveis de menor intensidade de carbono.

O parlamentar defende que o Brasil tem uma oportunidade de integrar duas de suas principais vocações, as produções de alimentos e energia. Para ele, os biocombustíveis deixaram de ser apenas uma alternativa aos combustíveis fósseis e passaram a representar uma cadeia industrial mais ampla. “O biocombustível é mais do que um case isolado. É um eixo de industrialização do Brasil”, afirma.

Jardim também destacou a expansão do etanol de milho e o aproveitamento de seus coprodutos na cadeia de proteínas animais. Conforme os dados apresentados por ele, cerca de 23% do milho produzido no Brasil já é destinado à produção do biocombustível. “Não se trata só de um insumo, se trata de algo que pode ser decisivo como uma cadeia de valor para a economia brasileira.”

Já o presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil, Mário Campos, também presente no evento da Datagro, salientou que os biocombustíveis já ultrapassam o mercado tradicional dos veículos leves, visto que o setor trabalha com possibilidades para combustível sustentável de aviação (SAF), transporte marítimo, máquinas agrícolas, biogás e biometano, além do próprio etanol.

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“Depois de políticas públicas que levaram a gente a conseguir contar carbono, através do RenovaBio, hoje a gente pensa dessa forma dentro do nosso processo produtivo e está expandindo essa estrutura para outras áreas”, pontua.

No transporte marítimo, o executivo cita o primeiro carregamento de um navio de longo curso com uma mistura envolvendo etanol realizado em julho como um exemplo da busca por novas aplicações. De acordo com ele, a perspectiva é mostrar às empresas que buscam reduzir a intensidade de carbono que o Brasil já possui produtos capazes de participar dessa transição.

O biometano também começa a ganhar espaço dentro da própria cadeia sucroenergética. Campos menciona empresas que já utilizam o combustível no transporte de açúcar, no deslocamento da cana entre o campo e as unidades industriais e em equipamentos agrícolas.

Outro movimento destacado foi a expansão geográfica do etanol de milho. O executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil lembra que a produção, praticamente inexistente no país há cerca de uma década, já representa 30% do etanol brasileiro. Esse avanço tem levado investimentos para o Centro-Oeste e para estados do Sul.

Quem também contribuiu para o debate foi o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy. Ele defendeu que no cenário global, o conceito de transição energética não deve ser entendido necessariamente como substituição imediata das fontes de energia. “Mais do que transição, é uma evolução, onde todas as energias estão entrando na matriz energética mundial”, acredita.

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Para ele, o aumento da demanda mundial torna necessário ampliar a oferta de diferentes fontes. “Nós teremos um aumento brutal no consumo de energia nas próximas décadas”, prevê. Nesse cenário, destacou o papel do Brasil como produtor simultaneamente de alimentos e energia e a possibilidade de combinar diferentes tecnologias e fontes para reduzir emissões.

Por fim, o presidente da Datagro, Plínio Nastari, ressaltou que o Brasil construiu, ao longo das últimas décadas, mecanismos para medir a intensidade de carbono dos combustíveis e transformar esse indicador em parte da estratégia de mercado. Ele citou a evolução do RenovaBio, dos CBIOs e de iniciativas mais recentes voltadas à descarbonização dos transportes.

A discussão aponta ainda para um desafio imediato do setor: equilibrar o crescimento da oferta com a abertura de novos mercados. Para Campos, embora possa haver pressão de oferta no curto prazo, a demanda potencial em segmentos como aviação e transporte marítimo pode mudar esse cenário.

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Setembro termina morno para a soja brasileira; mercado travado pode reagir em outubro?

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O mês de setembro terminou com pouca movimentação para a soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago. A posição novembro/26 acumulou alta de apenas 0,38% no mês, em um cenário marcado pela escassez de novas vendas da oleaginosa dos Estados Unidos para a China e pela pressão sazonal da colheita norte-americana.

Um dos principais pontos de atenção para o mercado está justamente na relação comercial entre Estados Unidos e China. O país asiático deve reduzir as tarifas sobre uma ampla variedade de produtos agrícolas norte-americanos, incluindo milho, trigo, carnes e laticínios. A soja, no entanto, ficou de fora da lista de produtos contemplados pela redução tarifária divulgada conjuntamente pelo Ministério do Comércio da China e pela Casa Branca.

Colheita nos EUA

A evolução da colheita nos Estados Unidos também limita uma reação mais consistente das cotações. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 27 de setembro, 17% da área de soja havia sido colhida. O percentual está próximo do registrado no mesmo período do ano passado, de 18%, e coincide com a média dos últimos cinco anos. Na semana anterior, em 20 de setembro, a colheita alcançava 12%.

Nas exportações, os Estados Unidos registraram vendas líquidas de 1,033 milhão de toneladas de soja da temporada 2026/27 na semana encerrada em 24 de setembro. A China foi o principal destino, com 589,4 mil toneladas. As estimativas dos analistas para o período variavam entre 500 mil e 1,4 milhão de toneladas.

Outro dado observado pelo mercado foi o nível dos estoques norte-americanos. Em 1º de setembro, os estoques trimestrais de soja em grão somaram 315,133 milhões de bushels, abaixo da expectativa de 323 milhões de bushels. Desse total, 90,4 milhões de bushels estavam armazenados nas propriedades rurais, enquanto 224,7 milhões de bushels estavam fora das fazendas.

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Soja no Brasil

No Brasil, o cenário segue de pouca negociação. O produtor permanece praticamente fora do mercado, aguardando uma melhora nas condições de preço antes de avançar com novas vendas.

Em Rondonópolis (MT), os preços indicativos em 30 de setembro ficaram em R$ 148 por saca, com referência FOB para setembro. Já em Lucas do Rio Verde (MT), as ofertas de compra estavam na faixa de R$ 141 por saca, também com pagamento previsto para o mesmo período.

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Você viu? Crédito para compra de terras dispara e atrai jovens agricultores

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Comprar a própria terra e permanecer no campo é o projeto de muitos jovens agricultores. O acesso à propriedade, porém, esbarra no preço dos imóveis rurais, na documentação exigida e na burocracia para conseguir financiamento. Essa matéria, originalmente escrita por Andressa Tavares, foi uma das mais lidas da semana no site do Canal Rural.

Nesse cenário, o crédito fundiário tem ganhado espaço como alternativa para viabilizar a compra de propriedades rurais. Na região Sul, o número de contratos praticamente dobrou entre 2024 e 2025, passando de 191 para 383 operações.

O volume de recursos liberados cresceu ainda mais. Saltou de R$ 32,2 milhões em 2024 para R$ 89,8 milhões no ano passado, avanço de aproximadamente 179%.

O Rio Grande do Sul liderou o número de contratos em 2025, com 193 operações, seguido pelo Paraná, com 124, e Santa Catarina, com 66.

Crédito pode ajudar na sucessão familiar

Para jovens agricultores, o financiamento pode representar a possibilidade de construir o próprio patrimônio sem abandonar a atividade rural.

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É o caso de Diego Samuel de Souza, de 21 anos, morador de Cantagalo, no Paraná. Ele tenta financiar a compra de uma área que pertenceu à avó para continuar trabalhando junto à família.

O pedido ainda está em análise na esfera federal. Antes de chegar a essa etapa, foi necessário reunir documentos e cumprir uma série de requisitos.

“O crédito fundiário tem uma burocracia bastante grande. O meu ainda não saiu. Estamos ainda nos trâmites para que possa sair. Agora já está na análise federal. Acredito que logo vai sair”, relata.

A dificuldade de acesso à terra também é apontada por entidades ligadas aos trabalhadores rurais como um dos obstáculos à sucessão familiar. Sem condições de adquirir uma propriedade e gerar renda, parte dos jovens acaba deixando o campo em busca de oportunidades nos centros urbanos.

“O crédito fundiário é um instrumento fundamental porque garante que esse jovem terá acesso à terra, à propriedade”, afirma um dos representantes ouvidos pela reportagem.

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Centenas de propostas aguardam contratação

Apesar do crescimento das operações, a demanda ainda supera o número de contratos efetivamente realizados.

Segundo representantes do setor, haveria condições para contratar mais de 500 propostas que permanecem na fila. No Paraná, a plataforma da federação responsável pelo acompanhamento dos projetos registra cerca de 500 demandas.

A meta apresentada pela entidade é alcançar mil famílias beneficiadas pelo crédito fundiário no estado em um curto período.

A documentação dos imóveis aparece como um dos principais gargalos. Para a contratação do financiamento, a propriedade precisa estar regularizada e georreferenciada, exigências que podem ampliar o tempo necessário para concluir a operação.

Preço da terra também dificulta acesso

Outro desafio é o valor das propriedades. No Paraná, o valor médio por operação chegou a R$ 265,6 mil em 2025, o maior entre os três estados da região Sul.

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Por outro lado, a estrutura fundiária da região pode favorecer operações envolvendo áreas menores. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem forte presença de pequenas propriedades, o que transforma o crédito fundiário em uma alternativa para filhos de agricultores adquirirem suas próprias áreas.

No Paraná, os jovens já representam parcela expressiva dos beneficiários. Cerca de 45% das operações realizadas em 2025 foram enquadradas na modalidade destinada a esse público.

“Decidimos acessar o crédito fundiário porque é um crédito com uma taxa de juros muito mais baixa, muito acessível para nós, para que eu possa continuar aqui ajudando e trabalhando junto com a minha família”, afirma um dos jovens agricultores entrevistados.

Acesso à terra não encerra o desafio

Representantes da agricultura familiar defendem que o financiamento para aquisição da propriedade seja articulado com outras políticas públicas.

Após comprar a terra, o produtor ainda precisa de recursos para produzir, assistência técnica e extensão rural, além de condições para agregar valor e comercializar a produção.

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“O jovem, a família, consegue sua propriedade, sua terra, e depois precisa acessar o crédito, a assistência técnica e extensão rural, acessar a agroindústria familiar para conseguir permanecer naquele território produzindo seus alimentos”, destaca um dos entrevistados.

Para representantes do setor, ampliar essas condições pode fazer com que o crédito fundiário deixe de representar apenas a compra de uma propriedade e se torne também um instrumento para estimular a permanência de uma nova geração de produtores no campo.

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Portaria que obrigava o monitoramento diário do uso da água no meio rural é suspensa

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O Instituto Água e Terra do Paraná (IAT) revogou temporariamente, nesta sexta-feira (2), a Portaria 707, publicada em 17 de setembro deste ano, que estabelecia para o produtor rural maior frequência na coleta dos dados de automonitoramento das captações superficiais e subterrâneas de água.

A suspensão momentânea ocorreu após pedido do Sistema Faep em conjunto com a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), com a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).

Da maneira apresentada, as entidades reforçaram que a norma exigia medições horárias e diárias, o que tornava a tarefa inviável, haja vista a grande variedade de atividades a que o produtor está submetido na rotina rural.

“Não somos contra o automonitoramento. Aliás, o produtor rural é o maior interessado em usar a água de forma responsável e sustentável”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “O que defendemos é que as regras considerem as peculiaridades de cada captação e a realidade de quem está no campo”, complementa.

As entidades que fizeram o pedido pela suspensão temporária da Portaria 707 defenderam a adoção da frequência mensal como regra geral, mantendo a possibilidade de o IAT exigir monitoramento mais intensivo, mediante justificativa técnica, em bacias críticas e/ou áreas de conflito pelo uso da água.

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A portaria valia para as captações cujas outorgas de uso da água não definiam a frequência de coleta e envio dos dados. Pela norma, captações superficiais acima de 30 metros cúbicos por hora com hidrômetro e horímetro teriam de registrar dados diariamente.

Já quando houvesse apenas hidrômetro, a leitura passaria a ser horária. Nas captações subterrâneas, a exigência de leitura diária ou horária valeria para vazões acima de 10 metros cúbicos por hora.

‘Monitoramento deve ser proporcional’

A Nota Técnica enviada ao IAT, junto com o ofício, sustenta que a intensidade do monitoramento deve ser proporcional à variabilidade da captação e ao risco hídrico.

Para os técnicos das entidades do setor, a vazão de sistemas de bombeamento tende a ser estável quando a configuração do equipamento não muda. Nesses casos, o volume captado e o tempo de funcionamento, registrados por hidrômetro e horímetro, seriam mais representativos do que leituras sucessivas da vazão.

O documento enviado pelas entidades também considera que a exigência de leitura horária, em sistemas sem aquisição automática de dados, obrigaria o produtor a fazer medições manuais, inclusive à noite e em pontos distantes da sede da propriedade. “Isso aumentaria a carga de trabalho e a chance de erros de leitura, além da perda de registros”, destaca o ofício.

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Como referência, as entidades citaram a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), cuja Resolução 188/2024 trabalha com registros mensais. Por isso, pregam a convergência de critérios entre os regimes federal e estadual para garantir a segurança jurídica e proporcionalidade à regulamentação.

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