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Defesa de Bolsonaro entra com nova revisão criminal e aponta falha em provas digitais

Advogados alegam comprometimento na cadeia de custódia de dados celulares e pedem suspensão imediata da pena ao ministro Nunes Marques
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro citou novos fatos e ingressou com pedido de revisão criminal, na tentativa de anular a sentença de 27 anos e três meses de prisão à qual ele foi condenado, por liderar uma tentativa de golpe de Estado. 
No pedido, os advogados requerem a suspensão imediata do cumprimento da pena, enquanto a revisão criminal não é julgada pelo Supremo. A solicitação foi encaminhada ao ministro Kassio Nunes Marques, relator de uma primeira revisão criminal sobre o caso.
Atualmente, Bolsonaro cumpre pena em casa, após ter concedido o benefício de prisão domiciliar humanitária em razão de uma série de patologias crônicas e de difícil tratamento dentro de uma unidade prisional.
O pedido por nova revisão foi protocolado em 25 de setembro, um dia após a defesa de Bolsonaro ter ingressado e desistido de outro pedido de suspensão da pena, protocolado no âmbito do primeiro processo de revisão, aberto em maio.
A revisão criminal é um tipo de processo que permite nova análise do caso, mas somente se houver o surgimento de novos fatos ou provas capazes de modificar o resultado final, entre outras hipóteses previstas em lei.
No processo de revisão, os advogados alegam o surgimento de nova prova e apontam para o parecer técnico que identificou problemas na chamada cadeia de custódia das provas digitais utilizadas no julgamento.
Em outras palavras, a defesa alega ter identificado falhas na proteção das provas desde sua obtenção até a utilização no julgamento, o que abriria brechas para modificações nos dados.
Os advogados afirmam que não tiveram tempo o bastante para fazer a análise técnica da cadeia de custódia das provas digitais na ocasião julgamento, e que tal análise só pode ser concluída agora, revelando nulidades nas provas utilizadas.
“Verificou-se agora. Um parecer técnico deixa assentado que há comprometimento da cadeia de custódia, que, como é verdadeiramente óbvio, não poderia ser conferida no tempo que foi dado à defesa.”
Os advogados destacam, por exemplo, que alguns ministros do Supremo manifestaram ser fundamental ter acesso à íntegra do material extraído de telefones celulares pela Polícia Federal. Tais manifestações se deram durante o julgamento de um pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O ponto foi discutido em plenário no último dia 15 de setembro.
Durante o julgamento de Bolsonaro, continua a defesa, foram feitos sucessivos pedidos de acesso à íntegra do material digital utilizado no julgamento, e não apenas aos recortes feitos pela PF, mas tal acesso sempre foi negado. O entendimento recente do plenário deve agora ser levado em consideração para revisar o julgamento da trama golpista, sustenta a defesa.
A nova revisão criminal foi distribuída a Nunes Marques por prevenção, por ele já ser o relator do primeiro processo aberto pela defesa. Prevenção é quando um processo é distribuído a um ministro que já é relator de um outro processo sobre o mesmo caso ou tema. O procedimento tem objetivo de prevenir decisões conflitantes, de relatores diferentes, sobre um mesmo assunto.
Os dois processos seguem em tramitação. O ministro pode decidir sobre os pedidos da defesa de forma monocrática (individual), com posterior referendo dos demais ministros, ou levá-los diretamente para votação colegiada.
Não há previsão para que os pedidos da defesa sejam julgados.
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Morre Lito Sousa, a voz que aproximou o público da aviação

Criador do Aviões e Músicas tinha 59 anos e dedicou décadas a compartilhar seu conhecimento sobre aeronaves.
Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas, morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos. A morte foi anunciada pela família, menos de dois meses após o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e degenerativa. Ele deixa a esposa, Mila Seidl, e o filho Malone, de 7 anos.
Com mais de 36 anos de experiência na aviação, Joselito Geraldo de Sousa transformou o conhecimento sobre aeronaves em explicações acessíveis para o público. Formado em manutenção de aviões e com passagem pela United Airlines, encontrou na internet uma maneira de compartilhar sua paixão pelo setor.
No Aviões e Músicas, abordava desde turbulências e procedimentos de segurança até acidentes de grande repercussão. A linguagem leve ajudou a aproximar os espectadores de assuntos técnicos e conquistou admiradores em diferentes países. Lito também era responsável pela Lito Academy.
Após o diagnóstico, recebeu um tratamento experimental autorizado excepcionalmente pela Anvisa. Em um vídeo de despedida, Mila homenageou a trajetória do marido: “Mas olhando pra vida que você viveu, eu sei que você cumpriu a sua missão”.
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China sobretaxa carne bovina do Brasil em 67% após limite de cota exportadora

Alíquota adicional de 55% atinge principal comprador do país; frigoríficos avaliam antecipar abates e embarques para usar volume de 2027
A carne bovina brasileira pagará uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês a partir desta quinta-feira (1º). Uma cobrança adicional de 55% se somará à tarifa regular de 12%, uma vez que o Brasil esgotou a cota anual de exportações estipulada pelo país asiático.
A medida preocupa frigoríficos e pecuaristas, que já avaliam antecipar abates e embarques para aproveitar a cota de 2027.
O Brasil atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026. Para o próximo ano, a cota sobe para 1,128 milhão de toneladas, mas representantes do setor estimam que o novo limite possa ser alcançado em março ou abril de 2027.
Impacto imediato
O país asiático é o principal destino da carne bovina brasileira e ganhou espaço significativo nas exportações do setor na última década.
De 2016 a 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina à China, movimentando US$ 42,3 bilhões. O volume saltou de 164,9 mil toneladas, em 2016, para 1,6 milhão de toneladas, em 2025.
A concentração das vendas no mercado chinês aumenta a preocupação do setor com os efeitos da sobretaxa sobre o fluxo de caixa dos frigoríficos.
Estratégia para 2027
Diante da perspectiva de esgotamento rápido da próxima cota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) discute a possibilidade de que as empresas antecipem a produção e os embarques:
- abates podem ser realizados ainda em outubro;
- embarques estão previstos para novembro;
- a viagem marítima entre os dois países leva de 40 a 45 dias;
- a expectativa é que a carne chegue à China em janeiro de 2027.
A estratégia permitiria utilizar a cota do próximo ano logo no início de sua vigência. O ritmo das compras chinesas, porém, também será determinante para os negócios.
Pressão sobre frigoríficos
Segundo a Abiec, os efeitos da restrição começaram antes do esgotamento oficial da cota. Nos últimos meses, frigoríficos reduziram as vendas para a China e precisaram buscar compradores em outros mercados.
A entidade também voltou a discutir com o governo uma divisão da cota de 2027 entre os frigoríficos. A proposta busca distribuir os embarques ao longo do ano e evitar que poucas empresas concentrem o volume disponível.
Na terça-feira (29), a China autorizou mais duas unidades brasileiras a exportar carne bovina: uma de Minas Gerais e outra de Pernambuco.
Protecionismo chinês
A China adotou o sistema de cotas como medida de proteção ao mercado interno diante do aumento das importações. A sobretaxa não é exclusiva ao Brasil e afeta outros fornecedores.
O mercado chinês enfrenta ainda um cenário de preços mais baixos da carne bovina e aumento da oferta doméstica. As importações chinesas do produto cresceram de menos de 1,5 milhão de toneladas, em 2018, para cerca de 2,8 milhões de toneladas nos anos recentes.
O Brasil passou a responder por mais de 40% do volume importado pela China.
A mudança ocorre em um momento de maior atenção do setor brasileiro às condições de acesso ao mercado chinês. A Abiec estima que as exportações totais de carne bovina do Brasil em 2026 recuem cerca de 10% em relação a 2025, num cenário que também inclui restrições adotadas pela União Europeia.
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Várzea Grande garante ônibus de graça no domingo de eleição com frota de dia útil

Tarifa zero vale para todas as linhas municipais das 6h às 18h30; passe livre exige apenas o uso do cartão de transporte
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana (SSPMU), determinou a gratuidade do transporte coletivo público municipal neste domingo (04.10), data do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. A medida será válida das 6h às 18h30.
A gratuidade foi estabelecida pela Portaria GAB/SMSPMU nº 042/2026 e será aplicada de forma universal a todos os usuários do transporte coletivo municipal, independentemente de serem eleitores, do local de votação, domicílio eleitoral ou condição socioeconômica. Durante o período determinado, não será cobrada tarifa dos passageiros.
Para utilizar o transporte gratuitamente, não será necessário apresentar título de eleitor, comprovante de votação, comprovante de endereço ou qualquer outro documento que comprove a condição de eleitor. A portaria estabelece, contudo, que o usuário deverá utilizar o cartão de transporte para acesso ao benefício.
A medida contempla todas as linhas municipais regulares de transporte coletivo urbano em operação em Várzea Grande, mantendo os respectivos itinerários e a operação do sistema. As linhas deverão funcionar conforme os horários e escalas previamente estabelecidos, com frequência compatível com a demanda e com a oferta dos dias úteis.
A Prefeitura também determinou que a empresa responsável pela operação mantenha em circulação a frota necessária para o cumprimento das escalas e que sejam adotados ajustes operacionais ou reforço de veículos, caso seja identificada necessidade para garantir a continuidade e a adequada prestação do serviço.
A gratuidade tem como objetivo garantir a mobilidade da população durante o processo eleitoral e não poderá ser condicionada à comprovação de que o passageiro está se deslocando para votar. A portaria também determina atendimento igualitário aos usuários e manutenção das condições de acessibilidade e atendimento prioritário às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
A norma prevê ainda que não poderá haver propaganda eleitoral ou partidária nos veículos, pontos de parada, terminais ou demais equipamentos vinculados ao sistema de transporte coletivo durante a operação gratuita.
A medida também está prevista para o dia 25 de outubro, caso haja segundo turno das eleições em Mato Grosso e/ou para o cargo de presidente da República, conforme o calendário eleitoral e as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A Portaria nº 042/2026 foi assinada em 30 de setembro de 2026 e entrou em vigor na data de sua publicação.
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