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O fim da reeleição – O Livre

A reeleição transformou o mandato em campanha permanente e as instituições em instrumento de permanência
Nas últimas semanas, o país assistiu a um espetáculo que deveria preocupar qualquer pessoa comprometida com a democracia. Em plena disputa eleitoral, decisões se revogaram em cascata, cada uma apoiada na autoridade do cargo de quem a proferia, mas nem sempre na serenidade esperada de quem arbitra o jogo.
O tema era a desinformação. O efeito foi a sensação, cada vez mais difundida, de que as instituições deixaram de funcionar como árbitros e passaram a disputar posições no tabuleiro.
Não se trata de discutir quem tinha razão em cada decisão. O ponto é anterior: quando a autoridade passa a ser percebida pela sociedade como movimento tático, o dano não recai apenas sobre um processo. Recai sobre a confiança pública, único capital real de qualquer instituição republicana.
Esse fenômeno tem causas profundas. Uma delas está no desenho do nosso sistema político e raramente é enfrentada com franqueza: a reeleição para os cargos do Poder Executivo.
A tradição republicana brasileira, da Constituição de 1891 até 1997, vedou a reeleição imediata de presidentes, governadores e prefeitos. A vedação não era um capricho. Refletia a percepção de que, num país de instituições jovens e forte cultura personalista, quem ocupa a máquina estatal não pode disputar em igualdade de condições com quem está fora dela.
A Emenda Constitucional nº 16/1997 rompeu essa tradição ao alterar o art. 14, § 5º, da Constituição. A mudança beneficiou os próprios mandatários em exercício, e o país passou a admitir que o chefe do Executivo dispute a reeleição sem deixar o cargo. O candidato continua, ao mesmo tempo, gestor do orçamento, titular da caneta das nomeações, comandante da comunicação oficial e interlocutor privilegiado dos demais Poderes.
Quase três décadas depois, o saldo permite uma avaliação objetiva. A promessa era premiar boas gestões com continuidade. O resultado foi a transformação do primeiro mandato em uma longa campanha pelo segundo.
Com a possibilidade de reeleição, cada decisão administrativa passa a ser avaliada por seu rendimento eleitoral. Obras são calendarizadas conforme o ciclo das urnas. Programas sociais são ampliados ou rebatizados no ano eleitoral. Alianças são construídas a partir da conveniência do segundo mandato, e não do interesse do primeiro.
Mais grave é o efeito sobre as instituições. Quem pretende permanecer no poder tende a enxergar órgãos de controle, tribunais, agências e estruturas de Estado como aliados a cooptar ou adversários a neutralizar. A lógica da permanência contamina tudo ao redor. Quando o ambiente político inteiro orbita a continuidade de quem governa, as próprias instituições são arrastadas para a disputa, pressionadas a decidir, reagir e se posicionar no ritmo da campanha.
A cena recente de decisões sobrepostas, em matéria eleitoral e em tom de confronto, é sintoma desse ambiente. Um sistema em que o poder é sempre renovável estimula que os atores se comportem como partes interessadas na próxima eleição.
Há ainda um dado cultural que agrava o problema institucional. Estadista é quem governa pensando na próxima geração. O político comum governa pensando na próxima eleição. A reeleição, num ambiente de democracia ainda em amadurecimento, favorece sistematicamente o segundo perfil.
A imaturidade se manifesta na confusão entre o cargo e a pessoa que o ocupa. O mandato passa a ser tratado como patrimônio pessoal, a estrutura pública como extensão do projeto individual e a crítica como ataque ao próprio Estado. Quem pensa assim não enxerga limite ético no uso da posição para se manter nela, porque já não distingue uma coisa da outra.
O estadista age de forma inversa. Sabe que a autoridade é emprestada e temporária, e que sua maior contribuição é entregar instituições mais fortes do que as recebeu. Esse perfil não surge apenas por exortação moral. Surge quando o sistema remove incentivos contrários, e o principal deles é a expectativa de permanência.
O mandato único, preferencialmente com duração ajustada, altera a lógica do exercício do poder em três dimensões. Devolve ao governante liberdade para decisões impopulares e necessárias, já que quem não disputa a recondução pode enfrentar reformas estruturais cujos resultados aparecerão depois dele. Restabelece a igualdade real na disputa, porque nenhum candidato concorre com orçamento, máquina e visibilidade institucional a seu favor. E protege as instituições: tribunais, órgãos de controle e estruturas de Estado deixam de ser peças de um projeto de permanência e voltam a ser o que devem ser, árbitros e garantidores.
O debate não pode ficar restrito à academia ou aos corredores do Congresso. Cabe aos candidatos, especialmente aos que disputam cargos no Executivo e no Legislativo nesta eleição, assumir publicamente o compromisso com o fim da reeleição e com a aprovação de uma reforma constitucional nesse sentido.
Esse compromisso é um teste de espírito público. Quem defende o mandato único abre mão, em nome do país, de uma vantagem que poderia usar em benefício próprio. Quem se recusa a discuti-lo revela, pela própria omissão, qual das duas lógicas o orienta.
A democracia brasileira não precisa de salvadores nem de governantes indispensáveis. Precisa de alternância, instituições respeitadas e homens públicos que compreendam que o cargo passa e o país fica.
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*Dauto Passare é advogado, professor de Direito e sócio-fundador da escritório Passare Advocacia em Cuiabá.
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Família pede ajuda para encontrar jovem desaparecido em Cuiabá

Breno Araújo, de 24 anos, saiu de casa dizendo que voltaria logo e não foi mais visto
O jovem Breno Araújo, de 24 anos, está desaparecido desde a noite de sábado (26). Segundo o irmão, ele passou rapidamente em casa por volta das 20h às 20h30, disse que daria uma saída e que não demoraria, mas não voltou.
A família tentou falar com Breno pelo WhatsApp. O irmão afirma que recebeu respostas vagas, escritas de um jeito diferente do habitual, e passou a desconfiar de que outra pessoa estivesse usando o celular. Após insistir por uma foto ou um áudio, a família recebeu uma imagem de Breno, mas observou que ele já não usava as roupas com que havia saído.
O irmão relatou ainda que uma vizinha da sorveteria que frequentam disse ter visto Breno sair com um capacete nas mãos. Mais tarde, as mensagens pararam de chegar. Segundo a família, o celular está desligado.
Ao sair de casa, Breno usava regata marrom, short preto, capacete branco e uma necessaire preta e vermelha da série Stranger Things.
Quem tiver informações que possam ajudar a encontrá-lo pode entrar em contato pelo telefone (65) 99228-5298.
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Absurdo! Imagem de Nossa Senhora Aparecida é alvo de vandalismo em Cuiabá

A depredação merece repúdio. Além de atingir um espaço visitado pela população, a ação desrespeita uma imagem de profundo significado para milhões de católicos. Divergências religiosas ou políticas não justificam destruir um símbolo de fé.
O caso ocorre em meio a uma discussão eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Católicos e apoiadores do presidente Lula voltaram a compartilhar uma antiga proposta do ex-deputado federal Victório Galli que buscava retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
A repercussão levou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) a reagir. Não há, porém, informação que relacione essa discussão à depredação, nem identificação de quem danificou a imagem.
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Polícia Civil fecha ponto de distribuição de drogas e prende suspeito em Guarantã do Norte

Homem de 23 anos foi preso em flagrante durante a quarta fase da Operação Caçada Urbana, que apreendeu entorpecentes, balança de precisão e anotações relacionadas à venda de drogas
A Polícia Civil realizou, nessa sexta-feira (25.9), a quarta fase da Operação Caçada Urbana, voltada ao enfrentamento do tráfico de drogas e da atuação de facções criminosas em Guarantã do Norte.
Durante diligências de investigação, equipes da Delegacia de Guarantã do Norte identificaram mais um ponto de distribuição de entorpecentes ligado ao mesmo grupo criminoso já investigado nas fases anteriores da operação.
No local, utilizado para guardar as drogas, foi localizado um suspeito, de 23 anos, com porções de entorpecentes já fracionadas, circunstância compatível com a atividade de venda de drogas.
Durante a abordagem e as diligências realizadas no local, foi encontrada grande quantidade de entorpecentes, além de balança de precisão, anotações relacionadas à venda de drogas e outros elementos indicativos de atuação vinculada à estrutura de uma facção criminosa.
As investigações apontaram ainda que o suspeito já responde a outro processo pelo crime de tráfico de drogas.
A investigação realizada pela Delegacia de Guarantã do Norte apontou que criminosos de outras localidades estariam sendo levados para Guarantã do Norte com a finalidade de comercializar drogas em benefício de uma facção criminosa, utilizando imóveis no município como pontos de armazenamento e distribuição de entorpecentes.
A Operação Caçada Urbana tem como objetivo identificar esses pontos, retirar drogas de circulação, responsabilizar os envolvidos e enfraquecer a estrutura operacional e financeira utilizada pelas facções criminosas na região.
A Polícia Civil reforça que denúncias podem ser realizadas de forma anônima e sigilosa pelos canais oficiais da instituição, pelo telefone 197 ou diretamente na Delegacia de Guarantã do Norte.
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