Sustentabilidade
Rural Clima prevê avanço das chuvas e condições para plantio no Centro-Oeste em outubro – MAIS SOJA

As chuvas devem ganhar amplitude sobre o Centro-Oeste na virada de setembro para outubro, criando condições para o avanço do plantio, embora ainda com distribuição irregular. A avaliação é da agrometeorologista Ludmila Camparotto, da Rural Clima, que também alerta para possibilidade de temporais no Sul entre o fim de semana e o início da próxima semana.
Segundo Ludmila, áreas do oeste da Bahia, Tocantins, Piauí, Maranhão, Pará e norte de Mato Grosso já podem registrar pancadas nesta sexta-feira (25), ainda de forma irregular. No fim de semana, um sistema que avança pela Argentina em direção ao Uruguai e ao Rio Grande do Sul pode provocar chuvas mais intensas e temporais.
O alerta abrange áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Paraguai e sul de Mato Grosso do Sul. “Temos uma atmosfera bastante instável e com potencial para provocar alguns temporais”, afirmou. Há possibilidade de ventos fortes e, pontualmente, outros eventos associados a tempo severo.
Entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, o sistema deve avançar sobre áreas de Rondônia, Mato Grosso, São Paulo, sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e sul de Goiás, levando instabilidades para grande parte da região central.
Para a produção agrícola, Ludmila avalia que, apesar da irregularidade, as chuvas podem ser suficientes para permitir o início e o avanço do plantio em algumas áreas. “Acredito que dando condições ao avanço dos plantios, desenvolvimento, uma condição boa de desenvolvimento inicial das lavouras”, explicou.
Goiás aparece entre as áreas que podem iniciar os trabalhos de campo no começo de outubro. No entanto, a agrometeorologista ressalta que não são esperadas chuvas generalizadas e volumosas em todas as regiões. A irregularidade deve continuar ao longo do mês, com períodos de menor precipitação entre a segunda e a terceira semana de outubro.
No Sul, a tendência é de chuvas mais abrangentes e com maiores volumes. No Sudeste, as precipitações podem beneficiar culturas como café e citros, mas também dificultar a colheita de cana-de-açúcar e afetar hortaliças.
No Nordeste, algumas áreas do Matopiba e a faixa litorânea também podem receber chuvas, inicialmente de forma irregular e com volumes menores. A partir da segunda quinzena de outubro, a expectativa é de aumento gradual da abrangência das precipitações em áreas do norte de Minas Gerais e Bahia.
Fonte: Agência Safras
Autor:Pedro Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Chuva volta com força ao Centro- Oeste, mas calor ameaça disparada da soja; até quando?

As chuvas acima da média registradas nas últimas semanas melhoraram as condições para o início da safra de verão 2026/27 em importantes regiões produtoras do país. A recuperação da umidade do solo favorece o avanço da semeadura e o estabelecimento inicial das lavouras de soja e milho. O cenário ainda é desigual e Mato Grosso permanece como principal ponto de atenção.
De acordo com dados da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola baseada em dados de satélite, Mato Grosso recebeu chuvas acima da média em setembro, mas a umidade do solo ainda permanece baixa. As precipitações não foram suficientes para recompor totalmente o déficit hídrico acumulado anteriormente.
A perspectiva é de melhora no início de outubro. O modelo europeu ECMWF indica aumento das chuvas no estado, o que pode proporcionar uma recuperação mais expressiva da disponibilidade de água no solo.
Em Goiás e áreas próximas, a situação é mais favorável. A umidade do solo apresentou recuperação significativa e, em algumas regiões, está acima da média observada nos últimos anos. Para o início de outubro, o ECMWF prevê intensificação das chuvas, cenário que pode ampliar a disponibilidade hídrica e beneficiar a semeadura, a germinação e o estabelecimento das lavouras de soja e milho.
Calor pode limitar recuperação da umidade
Apesar da melhora nas condições de umidade, as temperaturas também entram no radar. Os modelos climáticos apontam para registros acima da média nas principais regiões produtoras, com o modelo americano GFS indicando anomalias mais intensas no Centro-Oeste.
Segundo Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily, o comportamento das temperaturas será importante para definir a velocidade de recuperação da umidade.
“Caso o calor ocorra associado a menores volumes de chuva, o aumento da demanda evaporativa poderá limitar a recuperação da umidade, principalmente em Mato Grosso”, explica o analista.
A previsão também apresenta divergências entre os modelos para o período de 25 de setembro a 2 de outubro. Enquanto o ECMWF indica precipitação abaixo da média em grande parte do Centro Oeste, o GFS aponta condições mais úmidas, especialmente em Goiás e em partes de Mato Grosso e Minas Gerais.
A combinação entre a incerteza na regularização das chuvas e as temperaturas elevadas mantém Mato Grosso no centro das atenções para o avanço do plantio da soja e do milho de verão.
Chuvas atrapalham colheita da cana no Sudeste
No Sudeste, as chuvas contribuíram para a recuperação da umidade do solo, com melhora mais evidente em São Paulo. Para a agricultura, o excesso de precipitação também traz efeitos negativos.
Na principal zona canavieira paulista, episódios de chuva têm provocado interrupções frequentes na colheita da cana de açúcar.
Desde o início de setembro, vários eventos registraram volumes superiores a 8 milímetros em um único dia, incluindo episódios acima de 20 milímetros. Em situações como essas, as operações podem ser interrompidas no dia da chuva e, dependendo das condições do campo, também no dia seguinte.
Para o início de outubro, novos episódios acima desse patamar são previstos, o que pode provocar interrupções pontuais e reduzir o ritmo de moagem.
Excesso de chuva e frio colocam trigo em alerta
No Sul do país, o cenário é diferente do observado em parte do Centro Oeste. Volumes elevados de chuva foram registrados nos últimos dez dias, principalmente no Rio Grande do Sul e no Paraná.
Desde agosto, os acumulados de precipitação de 2026 estão significativamente acima da média e superam os registrados na maior parte dos últimos anos. Com novas chuvas previstas até o início de outubro, aumentam os riscos de doenças, dificuldades nas operações de campo e perda de qualidade dos grãos conforme o trigo avança para as fases de maturação e colheita.
Temperaturas baixas também exigem atenção
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as mínimas atingiram valores muito baixos nos últimos dias. Caso tenham ocorrido geadas nas regiões produtoras de soja, lavouras em estágios reprodutivos mais avançados podem ter sido afetadas.
No nordeste gaúcho, setembro foi marcado por forte oscilação das temperaturas mínimas, com registros próximos de 0°C no início do mês. Mais recentemente, a média das mínimas voltou a cair e chegou a aproximadamente 4°C.
O episódio mais recente foi menos intenso do que o observado no começo de setembro. Para os próximos dias, o ECMWF prevê elevação das temperaturas, reduzindo o risco associado ao frio no curto prazo.
Enquanto a chuva começa a devolver umidade a áreas importantes do Centro Oeste e abre espaço para o avanço da safra de verão, a distribuição irregular das precipitações e o calor mantêm Mato Grosso sob observação. No Sul, o excesso de água combinado às baixas temperaturas exige maior atenção dos produtores de trigo.
Sustentabilidade
Ceema: Reação nas cotações e ajuste na oferta marcam o mercado do milho – MAIS SOJA

As cotações do milho ensaiaram uma reação neste último mês, saindo de US$ 5,10/bushel no dia 27/08 para US$ 5,43 no dia 21/09. Posteriormente, o mercado cedeu um pouco, com o bushel fechando a quinta-feira (24) em US$ 5,26, contra US$ 5,30 uma semana antes. Por sua vez, a média de agosto fechou em US$ 4,69/bushel, sendo ela 5,6% superior à média de julho.
O mercado externo do milho acusa pouca alteração diante de uma comprovada redução na safra dos EUA, cuja colheita já iniciou. O relatório do USDA, do dia 11/09, apontou uma produção final estadunidense em 401,3 milhões de toneladas, ficando ela 5,4 milhões de toneladas abaixo da projeção de agosto e 31 milhões abaixo da produção registrada no ano anterior. Já os estoques finais estadunidenses, para o ano 2026/27, ficariam em 39,8 milhões de toneladas, perdendo dois milhões em relação ao indicado em agosto.
A produção mundial ficaria em 1,290 bilhão de toneladas, sendo oito milhões de toneladas a menos do que o indicado em agosto. E os estoques finais mundiais atingem 272,1 milhões de toneladas, perdendo 2,5 milhões em relação a agosto.
Dito isso, a colheita do milho, nos EUA, atingia a 13% da área no dia 20/09, contra 11% na média histórica. Já os embarques semanais de milho, por parte dos EUA, na semana encerrada em 17/09, atingiram a 1,9 milhão de toneladas, superando o esperado pelo mercado. Este volume semanal foi o maior para esta semana nos últimos 44 anos. Japão e México responderam, juntos, por 58% do milho embarcado na semana indicada Em tal contexto, e mesmo diante das turbulências externas, é a pressão da colheita estadunidense que vem impedindo de as cotações do milho subirem mais.
O mercado, agora, acompanha se o clima nas regiões produtoras não venha atrapalhar a colheita estadunidense. Isso porque, segundo o USDA, o consumo mundial do cereal poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas em 2026/27.
E no Brasil, os preços internos também melhoraram, com as principais praças gaúchas trabalhando com R$ 61,00/saco, enquanto as demais regiões do país praticaram valores entre R$ 51,00 e R$ 66,00/saco.
Por enquanto, a exportação brasileira ainda enfrenta problemas no ritmo de negócios, pois os preços nacionais são menos competitivos do que os dos correntes. Espera-se que para meados de outubro a situação melhore. Isso porque, assim como no cenário mundial, o quadro nacional é de uma demanda firme, diante de uma oferta em recuo. Mas, a reação, se houver, não será linear, pois o mercado mundial precisa absorver a entrada da safra dos Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro acompanha o ritmo das exportações, o câmbio, a demanda interna e, principalmente, a disposição de venda dos produtores. Mesmo assim, se espera uma melhoria nos preços internos do cereal neste restante do segundo semestre. Tanto é verdade que, na B3, os contratos para o primeiro semestre de 2027 estão rondando os R$ 80,00/saco. Pelo sim ou pelo não, outubro será decisivo para dar uma direção ao mercado mundial e nacional do milho.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Epagri divulga novo levantamento de safras e apresenta boas condições em Santa Catarina – MAIS SOJA

O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) publicou, nesta semana, a edição de setembro do Boletim Agropecuário de Santa Catarina. A publicação reúne dados, análises e informações sobre o desempenho das principais atividades agropecuárias do Estado, abordando aspectos como preços, produção, clima e comportamento dos mercados.
Preço do arroz reage após período de baixa
O mercado de arroz iniciou o segundo semestre de 2026 com recuperação dos preços ao produtor, após os baixos patamares registrados na colheita. Em agosto, a saca de 50 kg subiu 16,03% em Santa Catarina, para R$ 65,07, e 15,65% no Rio Grande do Sul, para R$ 74,24. Nos primeiros dez dias de setembro, os preços médios chegaram a R$ 70,18 em SC e R$ 79,07 no RS. A alta está associada à menor oferta na entressafra, à recomposição dos estoques das indústrias e à resistência dos produtores em comercializar a preços considerados insuficientes para cobrir os custos. Para a safra 2026/27, a estimativa inicial da Epagri/Cepa aponta produção de 1,22 milhão de toneladas em Santa Catarina, queda de cerca de 6% em relação à safra anterior. A produtividade média estimada em 8.501 kg/ha.
Feijão tem comportamentos distintos de preços em agosto
Os preços do feijão apresentaram comportamentos distintos em Santa Catarina. O feijão-carioca recuou 6,3% no mês, para R$ 254,21 por saca, enquanto o feijão-preto teve alta de 0,5%, chegando a R$ 192,89/sc. Na comparação anual, porém, ambos mantiveram forte valorização, 77% para o carioca e 68% para o preto. Para a safra 2026/27, a primeira safra deve registrar redução de quase 18% na área cultivada, estimada em 22 mil hectares. A produtividade, estimada é 2.078 kg/ha, a produção deve recuar 13%, para 45 mil toneladas.
Preço do trigo sobe, enquanto área recua
No mercado brasileiro, os preços do trigo recebidos pelos produtores seguem firmes. Em Santa Catarina, a saca de 60 kg subiu 2,7% em agosto, alcançando R$ 70,98, embora ainda registre queda de 4,2% na comparação anual. Até a última semana do mês, 100% da área destinada ao cultivo já havia sido semeada. Das lavouras avaliadas, 97% apresentavam boas condições e 3% estavam em condição regular. Em 63% da área plantada, as lavouras encontravam-se em desenvolvimento vegetativo, enquanto 37% estavam em fase de floração. Para a safra 2026/27, a expectativa é de redução de 35% na área plantada, que deve chegar a 68 mil hectares. A produtividade média estimada também deve recuar 2,5%, para 3.572 kg/ha. Com isso, a produção estadual está projetada em aproximadamente 243 mil toneladas, volume 37% inferior ao registrado na safra anterior.
Milho tem alta de preço e área maior em 2026/27
O preço médio mensal do milho pago ao produtor catarinense segue em recuperação. Em agosto, a saca subiu 2,7% em relação a julho, alcançando R$ 60,56. A expectativa é de mercado firme em setembro, sustentado pela demanda das indústrias de ração e etanol, pela retenção de oferta pelos produtores e pelas incertezas climáticas globais. No mercado externo, a concorrência argentina e a cautela dos compradores no mercado físico têm limitado a liquidez.
Soja tem alta de preço e leve recuo de área
No mercado catarinense, o preço médio da saca de soja recebido pelos produtores segue em recuperação desde junho de 2026. Em agosto, a cotação chegou a R$ 130,50/sc, alta de 5,8% em relação a julho. Em setembro, houve nova valorização, com o mercado internacional operando em equilíbrio entre a pressão de baixa da safra dos EUA e o suporte vindo da demanda chinesa e alertas do El Niño. No Brasil, o cenário é de baixa liquidez e negócios travados. Para a safra 2026/27, a estimativa inicial da Epagri/Cepa aponta leve recuo de 0,3% na área cultivada com soja em Santa Catarina. O movimento reflete a cautela dos produtores diante das condições climáticas previstas e a migração pontual para o milho, parcialmente compensada pela melhora recente das cotações da oleaginosa. Com o fim do vazio sanitário, a semeadura será liberada a partir de 22 de setembro na maioria das regiões e de 13 de outubro no Sul do Estado.
Fonte: Epagri/Cepa, disponível em Fecoagro
Autor:Epagri/Cepa, disponível em Fecoagro
Site: Fecoagro/SC
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