Business
Do café ao etanol: o mapa dos produtos brasileiros afetados pela tarifa de 25% dos EUA

A aplicação da sobretaxa de 25% pelos Estados Unidos a cerca de 3.000 produtos brasileiros, oficializada nesta quinta-feira (16) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sob a Seção 301, redesenhou o mapa das exportações do Brasil para o mercado norte-americano.
Embora a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) estime que a medida impacte duramente US$ 11 bilhões em exportações, a publicação dos anexos oficiais de exceções (HTSUS) trouxe um alívio parcial.
Graças a uma forte pressão de indústrias de ambos os lados, o governo dos EUA poupou matérias-primas e alimentos essenciais para evitar desabastecimento interno e inflação ao consumidor americano, mas puniu severamente setores industriais e o etanol brasileiro.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Quem ficou de fora da taxação
Para mitigar o impacto econômico e evitar o encarecimento de insumos industriais vitais, a Casa Branca e o USTR definiram uma lista robusta de produtos brasileiros isentos das tarifas de 25%:
- Café (Verde, Torrado e Solúvel sem Sabor): O setor cafeeiro garantiu a maior vitória na negociação. Além da isenção dos grãos verdes e torrados, o USTR adicionou à lista de exclusão o café solúvel sem sabor (unflavored instant coffee). Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, a articulação conjunta com a National Coffee Association (NCA) e a Associação Brasileira do Café Solúvel (ABICS) protegeu um mercado que gera de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano para o Brasil.
- Aeronaves e Peças (Embraer): Toda a cadeia de aviação civil — incluindo aeronaves, motores, turbinas de jato, peças de reposição e simuladores de voo — está totalmente isenta de tarifas (segundo as regras da nota 50(a)(iv)).
- Minério de Ferro e Pelotas: Matérias-primas fundamentais para a siderurgia norte-americana não sofrerão nenhum acréscimo tarifário.
- Ferro Gusa (Pig Iron): Isento após pressão direta de fundições e indústrias de aço dos EUA, que alertaram sobre a escassez global do insumo agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
- Celulose Química de Madeira: O principal produto de exportação das gigantes brasileiras de papel e celulose permaneceu intocado na lista de isentos.
- Carne Bovina e Proteínas: Carnes bovinas frescas, congeladas, preservadas e miudezas comestíveis mantiveram a isenção tributária.
- Frutas Tropicais, Nozes e Mel: Laranjas, limões, limas, suco de laranja (congelado ou concentrado), açaí (polpa e preparações alimentares), abacate, manga, mamão, água de coco, castanha-do-Pará, castanha de caju e mel orgânico certificado estão livres da taxa de 25%.
- Metais sob a Seção 232: Aço, alumínio e cobre que já pagam tarifas sob a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA ficaram isentos desta nova cobrança para evitar dupla tributação.
Quem continua taxado em 25%
O USTR utilizou a tarifa aduaneira para mirar cirurgicamente em setores onde buscava maior poder de barganha político ou onde havia forte concorrência com produtores norte-americanos:
- Etanol (Biocombustível): O álcool combustível brasileiro segue taxado em 25%. O produto foi utilizado como retaliação direta às taxas aplicadas pelo Brasil ao etanol de milho americano. Conforme alerta da Amcham, investigações adicionais da Seção 301 sobre trabalho forçado podem fazer com que a sobretaxa acumulada sobre o etanol brasileiro chegue a até 37,5% nos próximos meses.
- Polpa de Dissolução de Alta Pureza: Foi retirada de última hora da lista de isentos propostos. O USTR atendeu a pressões que alegavam que produtores brasileiros desse insumo se beneficiavam de custos reduzidos associados ao desmatamento ilegal.
- Aplicações Industriais de Compostos Químicos: Produtos de grande peso comercial como celulose industrial, preparações comerciais de açaí para fins não alimentares e fosfoaminolipídios comerciais seguem taxados. A isenção só foi mantida quando esses produtos forem importados estritamente para a fabricação de medicamentos (Pharma applications).
- Setor Calçadista e de Vestuário Novo: Calçados novos de couro, partes de sapatos e vestuário novo em geral tiveram seus pedidos de isenção negados e enfrentarão a barreira de 25%.
- Maquinários e Equipamentos: Tratores agrícolas, colheitadeiras, compressores de ar, ferramentas de jardinagem e máquinas voltadas à construção civil sofrerão a taxação integral.
- Açúcar Orgânico: Segue taxado devido à produção concorrente nos EUA.
- Pedras Ornamentais: O mercado de mármores, ardósias e granitos brasileiros (brutos ou trabalhados) continuará sofrendo o impacto da barreira tarifária de 25%.
A busca por canais de diálogo
A Amcham Brasil classificou a medida do governo dos Estados Unidos como um “resultado muito negativo” para a relação bilateral, com potencial para encarecer processos industriais na própria economia norte-americana.
A entidade alertou ainda que a sobretaxa vai elevar os custos de indústrias dos EUA que dependem de insumos brasileiros, ampliando a dependência do país norte-americano em relação a fornecedores da Ásia e limitando parcerias em minerais críticos e energia digital.
De acordo com o presidente-executivo da Amcham Brasil, Abrão Neto, as negociações bilaterais de bastidores que se intensificaram nos últimos meses seguem sendo o caminho mais eficaz para reverter as taxas.
Ele destacou, contudo, que o cenário exige pressa dos dois governos para evitar novos aumentos tarifários decorrentes de investigações em andamento da Seção 301 sobre trabalho forçado, sob o risco de a taxação acumulada sobre produtos brasileiros chegar a 37,5%.
Por outro lado, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) celebrou a vitória conquistada com a isenção de 100% dos tipos de café exportados do Brasil para o mercado americano.
Para o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, o sucesso é fruto de uma intensa articulação que envolveu mais de 100 reuniões coordenadas com departamentos americanos de Estado, Tesouro e Agricultura desde julho do ano passado, além de uma sólida parceria de atuação com a National Coffee Association (NCA).
Matos explicou que a força-tarefa conseguiu comprovar o papel do Brasil como parceiro técnico “insubstituível” na segurança do abastecimento e na estabilização dos preços ao consumidor final norte-americano.
“São parceiros insubstituíveis, é uma relação de ganha-ganha, uma relação de via de mão dupla”, afirmou o executivo, assegurando a manutenção de um comércio anual de café estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões.
O post Do café ao etanol: o mapa dos produtos brasileiros afetados pela tarifa de 25% dos EUA apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Combate ao excesso de NPK gera R$ 62,47 mi de economia em SC

Há 20 anos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) identificou um uso excessivo (e prejudicial) de fertilizantes pelos produtores de cebola, motivados pela pressão da concorrência internacional. Na última segunda-feira (26), foram divulgados os resultados da campanha que auxilia os agricultores a ajustar as doses.
A Empresa explica que a competição com a cebola argentina no início dos anos 2000 fez com que produtores catarinenses exagerassem no uso de fertilizantes para tentar alcançar a produtividade do país vizinho. Mas a medida acarretou em um problema maior: o excesso de nitrogênio provocou o aparecimento de doenças foliares, prejudicando a qualidade da cebola e aumentando as perdas em pós-colheita.
A partir disso, os pesquisadores elaboraram a recomendação adequada de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) para obter o máximo rendimento e qualidade e ainda diminuir os custos de produção. Já faz 10 anos que são promovidos materiais de divulgação, eventos e visitas de extensionistas a propriedades.
Os resultados
“Observando também as curvas de crescimento e absorção de nutrientes dos principais cultivares, definimos a melhor época de adubação e de forma parcelada. Os problemas com bacterioses e as perdas em pós colheita foram minimizados e hoje quase 90% dos produtores seguem as recomendações”, afirma Claudinei Kurtz, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga (EEItu).
Segundo o Relatório de avaliação dos impactos das tecnologias/ações geradas pela Epagri de 2025, em 20 anos, verificou-se uma redução de 40% no uso de fertilizante, diminuindo o custo de produção médio da cebola no Estado em 10%, e as perdas no pós-colheita em 21,4%.
Em todo o estado, os benefícios econômicos trazidos pela adoção da tecnologia, impulsionados pela redução de custos, incremento da produtividade e diminuição das perdas em pós-colheita, chegaram a R$62,47 milhões, segundo o Balanço Social 2025.
A Epagri destaca o caso de Vanderlei Schmitt, 42 anos, de Aurora. Ele planta cebola em quatro hectares e passou a seguir as recomendações de adubação em 2021, após assistir a uma palestra do Claudinei. O resultado foi tão positivo que, na safra seguinte, seu irmão Leandro, 35, aderiu ao manejo adequado de NPK em sua lavoura.
“A gente fazia do nosso jeito, comprando tudo que a agropecuária oferecia, jogando mais produto na hora de ‘encabeçar’ a cebola. Mas, depois de seguir as recomendações da Epagri, percebi que a planta ficou mais forte e não sofre tanto com o herbicida. Sem falar que a qualidade da cebola no galpão continua boa até maio, quando o preço de venda dobra, já que não tem mais tanto produto no mercado”, explica.
O produtor conta que a boa relação com extensionistas e pesquisadores da Epagri tem relação direta com os bons resultados obtidos em sua propriedade, que na safra 2025/26 alcançou 176 toneladas. “Sempre que surge algum problema na roça, faço uma foto e mando para o Claudinei analisar, como da última vez que ele recomendou corrigir com dose adicional de ureia e deu certo”, relata.
Qual era o tamanho do problema?
“Os produtores estavam utilizando quase 300% a mais de fertilizante em relação aos anos 1990. Essa adubação descontrolada acarretou em doenças bacterianas e fúngicas, além de prejudicar o solo; por isso concentramos esforços para estabelecer parâmetros em relação à dose, épocas e forma de aplicação de macro e micronutrientes e difundir o conhecimento entre os produtores”, revela Claudinei
O pesquisador trabalhou na elaboração do “Manual de Adubação e Calagem” para a cultura da cebola em SC e RS (2016) e, dois anos depois, lançou o boletim técnico “Fertilidade do solo, Adubação e Nutrição da Cultura da Cebola” (2018), se tornando uma referência no assunto.
A Epagri destaca que o trabalho de pesquisa e difusão das recomendações técnicas é um processo contínuo e, muitas vezes, leva tempo até o agricultor se convencer a mudar a forma de produção. Foi o caso de Renato da Silva, 45, produtor de Ituporanga. Ele planta sete hectares de cebola na localidade de Chapadão Santana, a 600m de altitude.
Produtor de Ituporanga aderiu às recomendações técnicas quando o custo de produção saiu do controle (Foto: Aquivo Pessoal/Divulgação)
“Eu já nasci plantando cebola, e mesmo quando os irmãos foram trabalhar na cidade, eu fiquei, nunca fiz outra coisa na vida”, revela. Por causa da experiência de décadas na roça, ele via com ceticismo as orientações de extensionistas e pesquisadores, mas quando o preço dos fertilizantes disparou, ele percebeu que estava na hora de ouvir a ciência.
“Antigamente, nem análise de solo a gente fazia. E para adubar se usava uma mistura de esterco com NPK, mas que acabava dando muita podridão. Aí apareceram os vendedores de agropecuária dizendo que o produto deles era melhor que as recomendações da Epagri. Fiquei nessa até 2022, quando o gasto com fertilizante saiu do controle”, relata.
Após adotar as recomendações, a quantidade de fertilizante utilizada em sua lavoura caiu de 150 sacas (50kg) para 90. Na última safra, ele colheu 273 toneladas, uma produtividade de 39 ton/ha, bem acima da média estadual (28,841 ton/ha) na safra 2024/25.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
Business
Projeto de Lei estabelece critérios para sucessão rural

Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados estabelece critérios para a participação de filhos de trabalhadores e de produtores rurais nas atividades da família. A ideia é preparar jovens para a sucessão no campo de forma qualificada, evitando trabalho exploratório.
O PL 3448/26 permite a colaboração de jovens a partir de 14 anos nas tarefas produtivas, mediante condições como compatibilidade com a frequência escolar, garantia de repouso, lazer e tempo para estudo, além de supervisão dos pais.
Pelo projeto, essas atividades terão natureza formativa, colaborativa e de apoio à economia familiar, sem a configuração de vínculo empregatício de qualquer espécie. Poderão ser criados programas de incentivo e capacitação técnica.
A proposta também proíbe expressamente a realização de tarefas noturnas, perigosas ou insalubres, bem como de atividades incluídas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), regulamentada pelo Decreto 6.481/08.
Sucessão no campo
Segundo o autor, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), o projeto define um marco regulatório claro e protetivo. “A realidade do meio rural demonstra um cenário desafiador no que se refere à permanência das novas gerações no campo”, afirma.
“Ao preparar tecnicamente o jovem para a gestão e a sucessão no campo, a proposta atua como vetor de desenvolvimento regional, fixando o homem na terra com dignidade, renda e sustentabilidade”, acrescenta o parlamentar.
Segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, houve uma redução, em termos absolutos e relativos, nos estabelecimentos dirigidos por produtores com menos de 45 anos de idade, enquanto que as faixas etárias mais elevadas registraram aumento. Os dados mostram que apenas 2% dos produtores rurais têm menos de 25 anos, e 9,3% têm entre 25 e 35, enquanto a faixa etária mais presente é a dos 45 aos 55 (24,2%).
As comissões que analisam o PL 3448/26 são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF) e a de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ).
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
Business
Soja pode perder 55% da produtividade sem controle de pragas e doenças, aponta estudo

Estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a Croplife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas, mostrou que as lavouras de soja no país teriam perdas de até 55% na produtividade, caso não fossem protegidas contra pragas, doenças e ervas daninhas.
De acordo com a pesquisa, uma redução da produção poderia causar impactos negativos na economia brasileira e nos preços de produtos ao consumidor.
A soja, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responde, junto com o milho e a cana-de-açúcar, por 76% do consumo de defensivos no Brasil.
Doenças nas lavouras
O estudo feito pela Universidade Federal de Viçosa trabalhou com simulações envolvendo quatro doenças (entre elas a ferrugem-asiática e a mancha-alvo), cinco pragas (como a mosca-branca) e nove plantas daninhas.
Os pesquisadores analisaram três cenários, lavouras sem qualquer controle de pragas, com controle parcial (que garantiria até 40% de proteção da plantação) e com controle ótimo (80% de proteção).
A universidade estimou que, com controle ótimo, a produtividade por hectare pode chegar a 72 sacas. O controle parcial garantiria uma produtividade de 52 sacas, ou seja, 28% a menos que o controle ótimo. Sem qualquer controle, seria de apenas 32 sacas, o que significa uma perda de 55%.
Com isso, de acordo com o estudo, para compensar as perdas com a falta de controle fitossanitário, seria necessário plantar uma área adicional de 33,5 milhões de hectares, ou seja, quase do tamanho do estado de Goiás. A perda média, em cenário sem manejo (na comparação), chegaria a 121,3 milhões de toneladas, com um valor estimado de R$ 223,5 bilhões.
Com o cenário de controle ótimo, a receita brasileira simulada com exportações de soja chega a US$ 44,2 bilhões. Sem controle, recua para US$ 26,6 bilhões, uma diferença potencial de US$ 17,6 bilhões por safra, segundo o estudo.
A redução da oferta poderia gerar uma alta estimada no preço da soja de até 49%. Haveria, com isso, um aumento de cerca de 0,26 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo IPCA, uma vez que a alta da soja teria impactos nos preços de produtos como óleo, leite e ovos.
“Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final, por exemplo, de óleo de soja e do farelo, que é um subproduto da soja. Consequentemente, ia ter uma mudança no preço da carnes, carnes de porco, de frango, porque tudo isso está na cadeia de produção da soja”, destaca a pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho.
O estudo considera quatro métodos de controle fitossanitário, que podem ser usados para evitar perdas nas lavouras: a biotecnologia (como os organismos geneticamente modificados), o melhoramento genético, os bioinsumos e os defensivos químicos, além do manejo integrado, que mistura dois ou mais desses métodos.
Featured11 horas agoJovem de 19 anos é preso em flagrante após assaltar farmácia na Avenida do CPA em Cuiabá
Featured8 horas agoTrabalhador de 25 anos morre após possível descarga elétrica em Barra do Garças
Sustentabilidade6 horas agoSoja fecha outubro em queda no Brasil; o que esperar do mercado em novembro?
Agro Mato Grosso10 horas agoNovembro começa com chuva e trovoadas em MT; veja previsão para Finados
Featured9 horas agoPivetta rebate deputado e promete endurecer combate às facções criminosas em MT
Featured14 horas agoConsulta on-line da Carteira de Identidade registra mais de 316 mil acessos em MT
Featured12 horas agoSeduc-MT destina R$ 150 mil para projetos pedagógicos em comunidades quilombolas
Featured9 horas agoRessaca das urnas: após perder quase metade dos votos, Galvan some dos bastidores políticos















