Connect with us
17 de setembro de 2026

Featured

Novo Marco das Garantias pode ampliar crédito e reduzir custos de financiamento no campo

Published

on


A execução extrajudicial da hipoteca representa uma das mais profundas mudanças no sistema brasileiro de garantias das últimas décadas e pode contribuir para reduzir os gargalos provocados pela morosidade do Poder Judiciário.

A avaliação foi feita pelo desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Humberto Theodoro Júnior, durante palestra no VIII Congresso de Reestruturação e Recuperação Empresarial de Mato Grosso, ao analisar os impactos da Lei 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. O evento é realizado nesta quinta-feira (17.06) e na sexta-feira (18), em Cuiabá.

Segundo ele, a nova legislação consolida um movimento cada vez mais forte de desjudicialização das execuções e busca oferecer maior segurança para a recuperação de créditos, especialmente em setores dependentes de financiamento, como o agronegócio.

Autor de mais de 40 obras jurídicas, Humberto Theodoro Junior contextualizou a nova legislação dentro de um problema histórico do sistema judicial brasileiro: a incapacidade de dar respostas rápidas às execuções. Para ele, o congestionamento processual afeta diretamente a efetividade da tutela jurisdicional e compromete a confiança dos agentes econômicos nos instrumentos de garantia.

Advertisement

“Mais da metade dos processos em tramitação no Brasil são processos de execução. A garantia constitucional não é apenas obter uma sentença, mas alcançar a satisfação efetiva do direito reconhecido em prazo razoável”, afirmou.

Na avaliação do jurista, a execução é o verdadeiro ponto crítico da prestação jurisdicional contemporânea. Para ele, pouco adianta ao credor obter o reconhecimento judicial de seu direito se o sistema não consegue assegurar a recuperação efetiva do crédito.

Foi justamente para enfrentar essa realidade que, segundo Theodoro, o legislador passou a adotar mecanismos de desjudicialização em diferentes áreas do direito, transferindo determinadas etapas da execução para procedimentos extrajudiciais sem eliminar o controle posterior do Poder Judiciário.

O palestrante lembrou que esse movimento não é novo. Citou como exemplos a alienação fiduciária em garantia e o Sistema Financeiro da Habitação, instrumentos que, ao permitirem a recuperação mais rápida dos créditos, contribuíram para ampliar o financiamento de diversos setores da economia brasileira.

“O que se busca agora é aproximar a hipoteca da eficiência já alcançada pela alienação fiduciária, permitindo que a garantia cumpra efetivamente sua função econômica”, explicou.

Advertisement

Ao abordar os fundamentos teóricos da nova legislação, Theodoro destacou que o Marco Legal das Garantias incorpora conceitos amplamente utilizados em sistemas jurídicos europeus e norte-americanos, nos quais a execução patrimonial não depende necessariamente de uma ação judicial tradicional. Ele apontou que a legislação brasileira passou a admitir mecanismos de autotutela executiva, por meio dos quais as próprias partes convencionam, no momento da contratação, formas de realização da garantia em caso de inadimplência.

“O credor não se apropria livremente do bem. O que a lei permite é a realização da garantia de forma mais eficiente, preservando o controle judicial sempre que houver alegação de abuso ou ilegalidade”, observou.

O jurista destacou que a constitucionalidade desse modelo já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em discussões envolvendo a alienação fiduciária e outros mecanismos de execução extrajudicial. Segundo ele, a atuação judicial não desaparece, mas passa a ocorrer de forma subsidiária, quando houver necessidade de controle ou correção de eventuais irregularidades.

Pela nova legislação, contratos hipotecários poderão prever que, diante da inadimplência, o credor promova diretamente a execução da garantia por meio de procedimento administrativo realizado perante o cartório de registro de imóveis. Após a notificação do devedor e o cumprimento das etapas previstas em lei, o imóvel poderá ser levado à venda sem a necessidade de uma sentença judicial específica.

“Quanto maior a segurança para recuperação do capital emprestado, maior a disposição dos agentes financeiros para conceder crédito e menores tendem a ser os custos dessas operações”, afirmou.

Advertisement

O tema ganha relevância especial para o agronegócio, setor fortemente dependente de financiamento para aquisição de terras, máquinas, insumos e tecnologias de produção. Segundo o jurista, a ampliação da eficiência das garantias pode contribuir para aumentar a oferta de recursos e melhorar as condições de financiamento.

Apesar disso, Theodoro demonstrou preocupação com um ponto específico da legislação: a exclusão de determinadas operações diretamente ligadas ao financiamento da produção rural do alcance da execução extrajudicial hipotecária. Na avaliação dele, a restrição contraria parte da lógica que orientou a criação do próprio Marco Legal das Garantias, concebido justamente para ampliar a segurança das operações e reduzir o custo do crédito.

“O objetivo era proporcionar maior liquidez ao sistema financeiro e, em consequência, ampliar a disponibilidade de recursos para os setores produtivos. A exclusão de parte das operações rurais acaba limitando esse alcance”, afirmou.

Mesmo com a ressalva, o jurista classificou a nova legislação como um avanço importante para o ambiente econômico brasileiro. Segundo ele, a tendência internacional aponta para modelos cada vez mais eficientes de recuperação de garantias, capazes de reduzir a dependência do Judiciário e fortalecer a circulação de crédito.

A palestra foi presidida pela advogada Aline Barini Néspoli e contou com a participação de Vinícius Tanaka e Alexandre Arruda.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Featured

Candidatos a deputado do Novo abandonam Wellinton e oficializam rompimento

Published

on


Partido indicou o vice-governador da chapa, Reinaldo Morais, mas manifestou intenção de rompimento com projetos do PL

Candidatos a deputado estadual e federal do partido Novo, na segunda-feira (14), solicitaram à direção o rompimento do apoio à candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado na eleição deste ano.

Por meio de nota, o presidente estadual do Novo, Rafael Lacovacci, relatou que os candidatos pediram a ruptura porque o PL descumpriu acordos de campanha. Eles também pediram o rompimento da aliança com o projeto ao senado de José Medeiros.

“Em reunião realizada na noite desta segunda-feira (14/09), entre a diretoria e diversos candidatos a deputado federal e estadual do Partido NOVO em Mato Grosso, alguns participantes solicitaram o rompimento da coligação e do apoio às candidaturas de Wellington Fagundes, que concorre ao Governo do Estado, e de José Medeiros, candidato ao Senado, ambos do Partido Liberal (PL). O pedido foi apresentado à diretoria em razão do descumprimento, por parte do PL, de acordos firmados para a campanha”, disse.

Advertisement

Além disso, Lacovacci rechaçou haver possibilidade de o partido apoiar o projeto governista da médica Natasha Slhessarenko (PSD). Ele citou “profundas incompatibilidades ideológicas”. Ele acrescentou que membros do Novo podem ser expulsos caso a apoiem.

“Quanto a um eventual apoio à candidata do PSD ao Governo do Estado, Natasha Slhessarenko, hipótese veiculada por alguns órgãos de imprensa, o partido esclarece que não há qualquer possibilidade de aliança, devido às profundas incompatibilidades ideológicas. Ademais, qualquer candidato do NOVO que adotar essa postura estará sujeito à expulsão por infidelidade partidária”, afirmou.

Por fim, o presidente garantiu avaliar a solicitação e dialogar com o presidente do PL, Ananias Filho, para checar se há alinhamento possível antes de formalizar decisões.

“A direção estadual do NOVO analisará as reclamações apresentadas e dialogará com o presidente estadual do PL, Ananias Filho, e com o candidato a vice-governador, Reinaldo de Morais (NOVO), com o objetivo de alinhar as questões levantadas antes de tomar qualquer decisão definitiva”, completou.

Advertisement
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Margem apertada e custos em alta devem marcar a safra 26/27 em MT

Published

on

Aprosoja MT reforça necessidade de crédito acessível, renegociação efetiva de dívidas, além de previsibilidade tributária, para o produtor mato-grossense enfrentar o próximo ciclo

O produtor mato-grossense começa a plantar a safra de soja 2026/27 gastando mais por hectare e com a perspectiva de ganhar menos. Com a margem cada vez mais estreita, o acesso ao crédito e a renegociação de dívidas ganham ainda mais peso entre as prioridades da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) para a temporada.

O Custo Total (CT) da cultura está projetado em R$ 8.171,41 por hectare, alta de 16,69%, enquanto o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida) deve recuar 35,05% em relação à temporada anterior. As projeções são do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, o cenário é de preocupação. “Estamos vindo de quatro anos de margens pressionadas, juros elevados, insumos em preços históricos e commodities sem valorização equivalente”, afirma. A margem estreita deixa o produtor mais exposto. “Qualquer imprevisto, seja quebra de produtividade, queda no preço da soja ou aumento do custo financeiro, pode transformar rapidamente essa pequena margem em prejuízo”, alerta.

Em Campo Novo do Parecis, a delegada coordenadora, Clarete Brolio Rezende, antecipou a compra de insumos em função da constante oscilação dos preços. Agora, a preocupação está em outras despesas. “A média geral de custos é muito alta. Aqui na região também estamos sofrendo com o diesel, que está muito caro. Toda semana que vamos comprar é um preço novo”, relata.

Cortes no manejo – Entre os itens que mais pesam na conta estão os defensivos agrícolas, com alta próxima de 11%, e os fertilizantes e corretivos, que subiram 5,40%. Segundo Bertuol, a pressão sobre o caixa já aparece nas propriedades, com redução nas doses de fósforo e potássio e busca por alternativas de menor custo. “Não se trata necessariamente da melhor decisão técnica, mas da necessidade de adequar a lavoura ao caixa disponível. Isso cria um ciclo preocupante. A margem diminui, o produtor reduz investimentos para conseguir plantar, a produtividade fica mais vulnerável e a rentabilidade cai novamente”, explica.

Advertisement

A área de soja deve permanecer praticamente estável, em 13,04 milhões de hectares. Já a produtividade média projetada é de 62,44 sacas por hectare, 5,43% abaixo do ciclo anterior, o que leva a produção estimada a 48,88 milhões de toneladas, recuo de 5,19%.

Diante desse quadro, o diretor recomenda priorizar eficiência, rentabilidade e preservação de caixa, com uma ressalva.  “Essa redução de custos no curto prazo não pode comprometer a capacidade produtiva da agricultura mato-grossense no médio e no longo prazo”, diz.

No milho, a tendência se repete. A área deve crescer 0,59%, para 7,48 milhões de hectares, enquanto a produtividade projetada recua 8,05%, para 119,64 sacas por hectare, com produção estimada em 53,68 milhões de toneladas.

Clarete lembra que o resultado do cereal depende do calendário da soja e aponta o clima como principal ponto de atenção. “Nós temos uma renda melhor na segunda safra, mas precisamos colher bem na primeira. Então não podemos atrasar a janela de plantio”, afirma.

Crédito na ponta – Entre as prioridades da Aprosoja MT para a temporada, Bertuol destaca a recuperação da capacidade de financiamento do produtor, uma solução efetiva para o endividamento e a contenção de novos custos e de aumento da carga tributária. “Não basta anunciar bilhões de reais em um Plano Safra se esses recursos não chegam à conta. O produtor enfrenta juros elevados, maior restrição de crédito e exigências cada vez maiores de garantias. Quando não consegue renegociar uma dívida, ele permanece inadimplente, perde capacidade de crédito e acaba empurrado para operações mais caras, justamente quando sua margem não suporta juros maiores”, avalia.

Advertisement

O diretor reconhece o avanço trazido pela Medida Provisória 1.376, que autoriza linhas de crédito para renegociação de dívidas rurais e cria um fundo garantidor para produtores afetados por eventos climáticos adversos, mas observa que a aplicação ainda está lenta. “Já se passaram semanas desde a publicação e ainda não vemos, na velocidade necessária, essas renegociações sendo formalizadas nos contratos das instituições financeiras. Também falta articulação do Congresso Nacional e da Frente Parlamentar da Agropecuária para aperfeiçoar esses instrumentos. Enquanto isso, o acesso ao crédito novo fica mais difícil, e isso compromete o financiamento de uma safra que já está começando”, pontua. Para ele, negociar exige condições reais de pagamento.

“Precisamos de prazos compatíveis com a capacidade de pagamento da atividade, carência adequada e taxas de juros que o produtor consiga pagar. Caso contrário, a dívida é alongada no papel, mas o produtor não se recupera economicamente”, defende.

Na área tributária, Bertuol lembra o congelamento do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) em Mato Grosso e afirma que a entidade acompanha os efeitos da reforma tributária. “A agricultura não se sustenta apenas com anúncios de bilhões ou publicação de normas. O recurso e a renegociação precisam chegar ao produtor, dentro da fazenda”, conclui.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Sorriso cai para 3º no ranking nacional de produção agrícola após criação de Boa Esperança

Published

on

Sorriso perdeu o topo do ranking dos maiores produtores agrícolas do país. A cidade foi desbancada por Sapezal, também mato-grossense, e São Desidério, na Bahia. A explicação passa por uma mudança no mapa do estado de Mato Grosso, com a criação de Boa Esperança do Norte em áreas que pertenciam a Sorriso. Com isso, Sorriso teve diminuição de área plantada em 9,3%, o que impactou as lavouras de soja, algodão e feijão.

A constatação faz parte da Produção Agrícola Municipal, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta também que o valor da produção agrícola de 2025 foi de R$ 927,2 bilhões, um salto de 18,4% na comparação com 2024.

Em 2024, Sorriso tinha ostentado a liderança do ranking de valor de produção, com R$ 7,2 bilhões, imediatamente à frente de São Desidério (R$ 6,6 bilhões) e Sapezal (R$ 5,9 bilhões). No ano seguinte, a produção agrícola de Sorriso cresceu para R$ 8,16 bilhões, mas ficou atrás de Sapezal (R$ 8,59 bilhões) e São Desidério (R$ 8,22 bilhões).

O valor da produção combina o volume físico produzido com os preços praticados na venda. Os valores são em moeda corrente do ano de cada pesquisa, ou seja, não estão corrigidos pela inflação. O IBGE explica que, por um lado, o novo campeão, Sapezal, viu o valor da produção agrícola crescer 46,6%, empurrado por seu principal produto agrícola, o algodão herbáceo. São Desidério presenciou o valor da produção crescer 23,7%.

De acordo com o IBGE, Boa Esperança do Norte tem uma população estimada em 5,9 mil pessoas. Já Sorriso: 124,7 mil. A cidade de Boa Esperança do Norte foi criada por lei estadual em 2000. No entanto, precisou esperar mais de 20 anos para realmente existir. No mesmo ano da lei, uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso apontou a criação como institucional. A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, em outubro de 2023, autorizou a criação do município. A instalação oficial aconteceu em 1º de janeiro do ano passado.

Advertisement

Principal estado em valor da produção agrícola (R$ 165,6 bilhões), Mato Grosso abriga cinco dos dez municípios brasileiros com maior valor de produção.

Confira as dez cidades com maior valor da produção agrícola e o principal produto de cada:

Sapezal (MT): R$ 8,59 bilhões – algodão
São Desidério (BA): R$ 8,22 bilhões – soja
Sorriso (MT): R$ 8,16 bilhões – soja
Campo Novo do Parecis (MT): R$ 7,87 bilhões – soja
Formosa do Rio Preto (BA): R$ 5,89 bilhões – soja
Diamantino (MT): R$ 5,82 bilhões – soja
Rio Verde (GO): R$ 5,69 bilhões – soja
Cristalina (GO): R$ 5,45 bilhões – soja
Nova Mutum (MT): R$ 5,39 bilhões – soja
Jataí (GO): R$ 4,84 bilhões – soja

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT