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22 de outubro de 2026

Business

Apesar de rotas fechadas, setor de frango redireciona cargas e mantém abastecimento

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Foto: Paola Cuenca/Canal Rural

O fechamento de rotas estratégicas no Oriente Médio, em meio à guerra na região, obrigou o setor brasileiro de proteína animal a redesenhar sua logística para manter o abastecimento, especialmente em relação à carne de frango.

A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, durante entrevista ao Mercado & Companhia nesta quarta-feira (8).

Segundo ele, cerca de 70 mil toneladas mensais de carne de frango que passavam pelo Estreito de Ormuz tiveram de ser redirecionadas. “A gente conseguiu colocar mais da metade disso através de alternativas”, afirmou. Os custos, contudo, tiveram que ser revistos.

Rotas alternativas e aumento de custos

Santin explicou que para contornar o bloqueio, empresas passaram a utilizar caminhos mais longos e complexos, com desembarque em países como Arábia Saudita e Omã, além de portos nos Emirados Árabes Unidos antes do estreito.

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Também houve uso de rotas via Turquia, com acesso ao Iraque por transporte terrestre.

Setor de proteína animal teve que usar rotas alternativas para contornar prejuízos com o fechamento do Estreito de Ormuz

Além do transporte marítimo, a logística passou a incluir etapas adicionais por terra. Em alguns casos, a carga chega à Arábia Saudita e segue de caminhão para outros destinos da região, como Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait.

“Você descarrega em um país e depois precisa transportar por terra para outros mercados. Isso encarece muito a operação”, explicou.

O aumento dos custos é pressionado ainda pelo preço do combustível e pela chamada taxa de risco de guerra cobrada pelas companhias marítimas. “Tem o encarecimento do diesel dos navios, a taxa de guerra e toda essa logística alternativa. Foi muito custoso”, afirmou.

Apesar disso, Santin ressaltou que o foco do setor tem sido garantir o fornecimento. “O mais importante neste momento é manter o abastecimento. A população não pode enfrentar mais essa dificuldade em meio à guerra”, concluiu.

Divisão de custos e foco no abastecimento

De acordo com o presidente da ABPA, o impacto financeiro tem sido compartilhado com os importadores. Mesmo com contratos já firmados, compradores no Oriente Médio têm colaborado para absorver parte dos custos adicionais.

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“O custo está sendo dividido com os importadores”, afirmou. Segundo ele, o foco neste momento não é apenas preço, mas garantir o fornecimento. “Muita gente não está olhando custo, e sim em manter o abastecimento”, completou.

Ele destacou ainda que há uma preocupação em evitar desabastecimento e pressão inflacionária sobre alimentos durante o conflito. “A gente está fazendo todos os esforços para que essas pessoas não tenham mais uma dificuldade, que é a falta de alimento”, pontuou.

Estratégia para manter o fluxo

Apesar das dificuldades, o setor conseguiu reduzir parcialmente o impacto logístico causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

Segundo Santin, a redução foi limitada graças a estratégias como redirecionamento de cargas e uso de armazenagem. “Conseguimos fazer com que a redução de fornecimento ficasse em torno de 18% a 22%”, disse.

Ele destacou ainda que empresas concorrentes passaram a atuar de forma colaborativa. “Há um processo de colaboração, com troca de informações entre as empresas para enfrentar esse período”, afirmou.

Incerteza segue no radar

Além disso, o setor trabalha com diferentes cenários diante da instabilidade no Oriente Médio. Santin afirmou que a estratégia é manter o uso das rotas alternativas e adaptar rapidamente a operação conforme a evolução da guerra.

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“Vamos continuar exercendo essas possibilidades alternativas”, disse.

Segundo ele, mesmo em caso de prolongamento do conflito, o setor tem conseguido manter o fluxo de produção e exportação. “A gente consegue manter o setor girando, sem prejudicar o mercado interno”, concluiu.

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Contratações na citricultura crescem quase 10% no Brasil

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A citricultura brasileira registrou 11.460 contratações entre julho e agosto de 2026, primeiro bimestre da safra 2026/2027. O número representa um crescimento de 9,9% em relação às 10.427 admissões contabilizadas no mesmo período da temporada anterior.

Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), com base em informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Na comparação anual, o setor realizou 1.033 contratações a mais, com destaque para o aumento das admissões em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Os números representam o total de admissões no período, não necessariamente o saldo de empregos gerados, que considera também os desligamentos.

São Paulo concentra 78% das contratações

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São Paulo liderou as admissões na citricultura brasileira, com 8.953 trabalhadores contratados entre julho e agosto deste ano. O volume corresponde a 78,1% do total nacional.

Na comparação com o mesmo período da safra 2025/2026, quando foram registradas 8.084 contratações, o estado apresentou crescimento de 10,7%.

Minas Gerais aparece na segunda posição, com 1.585 admissões, avanço de 17% em relação às 1.355 contratações registradas no primeiro bimestre da temporada anterior.

Com esse desempenho, o estado mineiro respondeu por 13,8% das admissões nacionais na citricultura.

Mato Grosso do Sul registra alta de 146% nas admissões

Entre os estados analisados, Mato Grosso do Sul apresentou o maior crescimento percentual nas contratações.

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O número de admissões passou de 115, no primeiro bimestre da safra passada, para 283 entre julho e agosto de 2026, uma alta de 146,1%.

Com isso, o estado respondeu por 2,5% das contratações nacionais do setor.

Em contrapartida, o Paraná registrou queda de 49,6% nas admissões. Foram 205 contratações no primeiro bimestre da safra atual, contra 407 no mesmo período de 2025.

O estado paranaense representou 1,8% das admissões da citricultura brasileira.

  • Contratações na citricultura por estado:
  • São Paulo 8.084 8.953 +10,7%
  • Minas Gerais 1.355 1.585 +17,0%
  • Mato Grosso do Sul 115 283 +146,1%
  • Paraná 407 205 -49,6%
  • Brasil 10.427 11.460 +9,9%

Os valores representam admissões registradas em julho e agosto de cada safra. Segundo o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, o crescimento das contratações demonstra a participação da citricultura na atividade econômica dos municípios produtores.

“O avanço em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul mostra como a citricultura cria oportunidades de trabalho em diferentes regiões produtoras e amplia sua contribuição para as economias locais”, afirmou.

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Mel de Capanema conquista Indicação Geográfica e Paraná chega a 29 produtos certificados

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O Paraná segue conquistando reconhecimentos com produtos e manufaturas tradicionais e especiais. O mel de Capanema é o mais novo produto paranaense a conquistar uma Indicação Geográfica (IG) concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) nesta terça-feira (20). Com o registro, o instituto passa a contar com 183 IGs, um total de 29 estão no Paraná (líder nacional).

O mel produzido no sudoeste do estado foi reconhecido na modalidade Denominação de Origem (DO), que garante qualidade e que características especiais do produto têm origem exclusivamente de fatores naturais e humanos específicos daquela região.

A apicultura na região de Capanema tem base na agricultura familiar e conta com mais de 50 anos de atividade. O pedido de reconhecimento foi apresentado pela Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic). A distinção dessa produção é fruto da interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica, preservada no Parque Nacional do Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. 

Atualmente, os produtores vinculados à associação mantêm cerca de 5 mil colmeias e produzem 60 toneladas de mel por ano. Além de abastecer o mercado regional e a rede de serviços do entorno do Parque Nacional do Iguaçu, a produção é comercializada para estados como São Paulo e Rio Grande do Sul. 

“A Indicação Geográfica tem tudo a ver com o turismo, porque ela representa o senso de pertencimento regional e traz visibilidade aos produtos típicos dos nossos municípios”, afirma o diretor-presidente do Viaje Paraná, Irapuan Cortes.

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Turismo

Em Capanema, diferentes apiários produzem o mel como fonte de renda familiar e alguns já observam, inclusive, o turismo envolvendo a produção como mais uma possibilidade de sustento e divulgação do produto. Exemplo disso é que algumas visitas guiadas com turistas já têm sido feitas e organizadas pela associação.

“Durante as visitações proporcionamos acompanhamento técnico aos visitantes em apiários locais. As pessoas podem conhecer como é feito o processo de extração do mel, conhecer as colmeias, e o tratamento do produto”, explica o presidente da Associação de Apicultores de Capanema e Região, Cleiton Lagemann.

“É uma atividade que pode ajudar na renda de muitas famílias e produtores, então vale a pena investir no turismo. No nosso caso, estamos nos preparando para ampliar essa oferta turística, porque é um passeio diferente, que transmite conhecimento através de uma produção local”, conta a proprietária do Apiário Manchini, Salete Manchini.

Quantidade x qualidade

Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), o Paraná foi o segundo maior produtor do país em 2025, com 10,7 mil toneladas, alta de 7,1%. Em valor da produção, o estado ficou em primeiro, com R$ 217,7 milhões (alta de 17,1%), o equivalente a 17,9% do valor nacional. 

Quando se trata de mel com qualidade, o Paraná é uma referência perante o Inpi. Agora, são 4 méis com Indicação Geográfica: o mel de Ortigueira foi certificado em 2015; o mel do Oeste do Paraná, que abrange 48 municípios, em 2017; o mel de melato da Bracatinga do Planalto Sul do Brasil, foi concedido a Santa Catarina em 2021 e inclui 12 municípios paranaenses; e, agora, o mel de Capanema.

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O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apoia produtores de diversas atividades produtivas na obtenção da IG, um diferencial de qualidade que amplia oportunidades dos produtos no mercado nacional e internacional.

Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, explica que o reconhecimento da Denominação de Origem valida o padrão técnico e a identidade do Mel de Capanema. 

“Para os pequenos produtores e para a agricultura familiar da região, esse registro fortalece a organização produtiva, protege a procedência no mercado e abre canais comerciais com compradores que exigem conformidade e diferenciação comprovadas”, diz.

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Brasil colhe maior safra de maçã da história e quase quadruplica exportações

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O Brasil colheu, na safra 2025/26, a maior produção de maçã de sua história, alcançando aproximadamente 1,6 milhão de toneladas, conforme balanço da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).

O volume é quase o dobro do registrado nas duas temporadas anteriores, que ficaram em torno de 850 mil toneladas, e supera o recorde anterior, de 1,3 milhão de toneladas, alcançado em 2017.

“A safra 2025/26 foi a maior da nossa história, com um volume expressivo de produção e frutos de excelente qualidade. Esse resultado demonstra o potencial da cadeia brasileira da maçã, que reúne tecnologia de ponta, elevado conhecimento técnico e capacidade de produzir frutos de alta qualidade”, afirma o diretor executivo da entidade, Moisés Lopes de Albuquerque.

Santa Catarina permanece na liderança em volume, com aproximadamente 830 mil toneladas e 52% da área cultivada. Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul, com cerca de 710 mil toneladas, em cerca de 44% da área plantada no país, e o Paraná, com produção estimada em 50 mil toneladas e 3% da área. São Paulo e Minas Gerais respondem pelo restante.

Exportações quase quadruplicam

As exportações brasileiras de maçã alcançaram 48,6 mil toneladas em 2026, ante 13 mil toneladas em 2025. As vendas externas somaram US$ 49,6 milhões. De acordo com a ABPM, o Rio Grande do Sul embarcou 38,7 mil toneladas, seguido por Santa Catarina, com 9,6 mil toneladas, e pelo Paraná, com 56 toneladas.

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Em 2026, a maçã brasileira chegou a mais de 25 países. A Índia foi o principal destino, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, com 10,1 mil toneladas. Rússia, Portugal e Irlanda também figuraram entre os principais mercados compradores.

Ainda que o volume embarcado tenha sido expressivo, a ABPM projetava exportações de 100 mil toneladas neste ciclo. De acordo com a entidade, o volume efetivamente embarcado ficou abaixo da expectativa em razão de obstáculos comerciais e logísticos associados ao conflito no Oriente Médio.

“Tínhamos um potencial para alcançar um volume muito maior de exportação, mas o conflito no Oriente Médio limitou as vendas para aquela região, provocou uma sobreoferta em outros mercados e dificultou a logística para praticamente todos os destinos”, contextualiza Albuquerque.

Maior oferta torna a maçã mais acessível

A supersafra ampliou a disponibilidade da fruta no mercado nacional e contribuiu para a redução dos preços ao consumidor. De acordo com o diretor executivo da ABPM, o cenário reforça a importância da produção nacional para o abastecimento interno, garantindo aos brasileiros maior acesso à fruta.

Ao mesmo tempo, diante do atual panorama de elevada capacidade produtiva, a ampliação das exportações torna-se ainda mais necessária. Nesse contexto, a entidade considera que a abertura de novos mercados estratégicos, como México e Malásia, é fundamental para ampliar as oportunidades comerciais, diversificar os destinos da maçã brasileira e contribuir para o equilíbrio do mercado nacional.

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Perspectivas para a próxima safra

Para o ciclo 2026/27, a ABPM ressalta que as condições observadas até agora são positivas, mas o resultado dependerá da evolução das próximas etapas do ciclo produtivo.

“O inverno foi de ótima qualidade e a florada foi abundante, o que trouxe uma perspectiva positiva para a próxima safra. Ainda temos etapas importantes pela frente até o início da colheita das variedades Gala e Fuji, previsto para o começo de 2027. Estamos confiantes na perspectiva de uma safra equilibrada em volume e de excelente qualidade”, afirma Albuquerque.

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