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Pragas e custos elevam risco da produção no campo e transformam a ciência em estratégia de sobrevivência

A lavoura virou um campo de vigilância permanente. Entre pragas que se multiplicam e custos que não param de subir, o produtor de soja precisa antecipar riscos para proteger a rentabilidade da atividade. Em uma das safras mais caras da história, a ciência passa a ocupar papel central na estratégia de sobrevivência no campo.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o custo médio para implantar a lavoura de soja nesta safra ficou entre R$ 6 mil e R$ 7 mil por hectare. Desse total, cerca de 30% estão concentrados nos defensivos agrícolas, pressionados pela necessidade de controle de insetos já conhecidos e de novas pragas que surgem a cada ciclo.
Para o agricultor Paulo Adriano Gai Cervo, que cultiva 2,1 mil hectares de soja em Comodoro, no oeste de Mato Grosso, o cenário exige atenção constante. “Os fatores de risco são inúmeros. É uma indústria a céu aberto e a gente tem que estar muito atento, procurando se antecipar ao surgimento de pragas. São gargalos que colocam a nossa atividade sempre em alerta. É um bando de escoteiro no campo”.
Nesta safra, a principal preocupação atende pelo nome de mosca-da-larva-minadora, inseto que reduz a área foliar da planta, antecipa o ciclo da soja e compromete o enchimento dos grãos, elevando o risco de perdas produtivas.

Pragas emergentes ampliam o desafio no manejo
O produtor observa que a praga tem mostrado comportamento diferente do registrado em anos anteriores. “É a larva de uma pequena mosca que ataca uma série de cultivares comestíveis no planeta e ataca também a soja. Ela deposita os ovos na folha, a larvinha entra no limbo foliar e vai criando galerias dentro da planta, que depois secam e diminuem a área para fotossíntese”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.
O que mais chama a atenção, conforme ele, é a mudança de posição da praga dentro da lavoura. “A gente identificava sempre no terço inferior, nos baixeiros. Este ano, ela subiu para o terço médio e já aparece nos ponteiros”, conta.
O engenheiro agrônomo Victor Souza Lima aponta que a intensificação da larva-minadora vem sendo observada desde a safra 2023/24 na região. “Estamos em uma região muito baixa, quente e úmida, praticamente uma estufa, o que proporciona um ambiente favorável. Ano após ano ela vem deixando de ser uma praga secundária para se tornar uma praga de importância econômica”, avalia.
A perda de área foliar, conforme destaca o agrônomo, afeta diretamente a eficiência no enchimento de grãos. “Se perde o baixeiro, já há impacto. Quando ela sobe para o terço médio, a eficiência cai ainda mais”, reforça.

A ameaça invisível no solo
Mas, nem todo prejuízo, no entanto, aparece na superfície. Falhas em reboleiras podem indicar um problema que está abaixo do solo: os nematoides, vermes microscópicos que atacam as raízes das plantas e provocam perdas significativas de produtividade e rentabilidade.
Marcelo Batistella, vice-presidente Brasil da BASF, destaca que o impacto econômico é expressivo. “Existe uma estimativa da Associação Brasileira de Nematologia de que, somando todos os cultivos de uma safra no Brasil, o impacto dos nematoides pode chegar a até R$ 36 bilhões. Só na soja, a estimativa é em torno de R$ 16 bilhões por safra”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
Na avaliação de José Gomes, líder de sementes de soja e biotecnologia da empresa, o manejo é um dos grandes desafios do produtor. “Nematoide talvez seja o grande problema hoje. Temos nematoide de cisto, de galha, Rotylenchulus, mas o mais encontrado em Mato Grosso é o Pratylenchus. Ele tira produtividade não só da soja, mas também do algodão e do milho”, detalha.
De acordo com ele, a dificuldade está no fato de o problema não ser visível a olho nu. “É mais difícil de manejar, mais caro e o agricultor tem dificuldade de saber quando e como agir. Acaba sendo uma grande dor de cabeça”, acrescenta.

Pesquisa e inovação como estratégia de sobrevivência
Há sete anos, a multinacional desenvolve uma cultivar de soja inédita com resistência aos principais nematoides da cultura. Já foram realizados 160 testes de campo no Brasil, e a expectativa é que a biotecnologia, ainda em fase de aprovação regulatória, esteja disponível comercialmente nos próximos dois anos.
“É uma biotecnologia resistente ao Pratylenchus e ao nematoide de cisto, que reduz praticamente a zero a população desses nematoides”, explica José Gomes. Conforme o especialista, o benefício vai além da soja. “Ela ajuda também nas culturas subsequentes, como algodão, milho e até trigo, porque o solo fica muito mais limpo”.
A tecnologia, como ele destaca, resulta em plantas com sistema radicular mais agressivo, melhor absorção de nutrientes e maior resistência ao estresse hídrico, além de reduzir a entrada de outras doenças. “É uma grande ferramenta para o agricultor”, resume.
Além da biotecnologia, o portfólio de lançamentos inclui um novo inseticida e um fungicida, ambos em fase final de testes, com foco em ampliar as ferramentas de manejo tanto na soja quanto no algodão.
Patrícia Smirmaul, líder de proteção de cultivos soja da BASF, ressalta que a estratégia busca proteger a lavoura ao longo de todo o ciclo. “O Escudo Verde posiciona tecnologias do início ao fim, com um novo fungicida que traz mais segurança no controle de mancha-alvo e cercospora”, afirma. Conforme ela, os resultados médios apontam ganhos de pelo menos três sacas a mais na soja e de cinco a 15 arrobas no algodão.
Já o novo inseticida, como explica Warley Palota, líder de cultivo algodão da empresa, traz inovação por pertencer a um novo grupo químico. “Entrega mais eficiência no controle das lagartas, em todos os estágios”, observa.
Para Marcelo Batistella, em um sistema de agricultura tropical intensiva como o brasileiro, a inovação se torna ainda mais necessária. “Agricultura não existe sem inovação. Em ciclos desafiadores como o que estamos vivendo, aumenta a nossa responsabilidade de trazer tecnologias que ajudem o produtor a produzir mais”, afirma. Conforme ele, é justamente nos momentos de dificuldade que a ciência se mostra decisiva para atravessar crises e preparar o produtor para os próximos ciclos.
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Dia do Vinho Brasileiro terá programação em Bento Gonçalves e Dom Pedrito neste domingo

O Dia do Vinho Brasileiro será celebrado neste domingo (21), em Bento Gonçalves e Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul, com correalização do Instituto de Gestão, Planejamento, Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) e da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A programação reúne ações abertas ao público e voltadas à divulgação de vinhos, espumantes e sucos de uva.
Em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, a Praça das Rosas receberá o evento das 10h às 19h. Segundo o material divulgado, 11 vinícolas participarão da exposição com comercialização e degustação de vinhos, espumantes e sucos de uva: Amitié, Artisti, Casa Ottone, Cave Bertamoni, Gallon, Nova Aliança, Peterlongo, Piccola Cantina, Sotterrani, Speranza e Rotava. Os 50 primeiros clientes de cada vinícola receberão taças personalizadas.
A programação no município também inclui opções de gastronomia e atrações artísticas. A correalização local é da Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, com apoio da Sicredi Serrana e do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria da Região Uva e Vinho (SEGH).
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Em Dom Pedrito, a ação será realizada das 14h às 18h, na Rua Coberta, junto à Praça General Osório. O evento prevê degustação de vinhos e sucos de uva. De acordo com o texto de divulgação, esta é a primeira vez que a região vitivinícola da Campanha Gaúcha promove uma ação para marcar a data. A correalização é da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com estudantes, servidores e professores do curso de Enologia, e apoio da Prefeitura Municipal de Dom Pedrito.
O Consevitis-RS informou que o Dia do Vinho Brasileiro é comemorado oficialmente no primeiro domingo de junho, com ações ao longo de todo o mês. A data foi instituída a partir do Projeto de Lei 3801/2004. No Rio Grande do Sul, há também uma lei estadual própria, promulgada em dezembro de 2003, que estabelece o período de celebrações do vinho brasileiro.
Segundo Cristina Carniel, gerente de Promoção para o Mercado Interno do Consevitis-RS, as iniciativas buscam aproximar o público dos produtos e homenagear a cultura vitivinícola brasileira. Em caso de chuva, os eventos serão transferidos para domingo (28).
Os dois eventos são abertos ao público e concentram ações de divulgação da cadeia vitivinícola gaúcha. O material fornecido não informa estimativa de público, volume de produtos comercializados ou impactos econômicos diretos para produtores e vinícolas.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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Cecafé apresenta ações socioambientais do café brasileiro em evento da Embaixada da Alemanha

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, nesta quarta-feira (18), do evento “Multilateralidade dos direitos trabalhistas e dos direitos humanos: o exemplo da cadeia produtividade do café”, realizado pela Embaixada da Alemanha no Brasil, no Goethe Institut, em Salvador (BA). No encontro, a entidade apresentou iniciativas voltadas ao monitoramento socioambiental, à rastreabilidade e à capacitação na cafeicultura brasileira.
O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, integrou o painel “Meio Ambiente como Direito Humano”, moderado pela jornalista Georgina Maynart. O debate abordou uso correto do solo na cafeicultura brasileira, questões fundiárias, clima e certificações. Também participaram o gerente de Fornecimento Responsável da JDE Peet’s, Bruno Ribeiro, e o diretor da Rainforest Alliance no Brasil, Yuri Feres.
Na apresentação, Matos detalhou ações conduzidas pelo conselho no ambiente pré-competitivo. Entre elas, citou a “Plataforma de Monitoramento Socioambiental dos Cafés do Brasil”, desenvolvida em parceria com a Serasa Experian. Segundo o material divulgado, a ferramenta busca permitir aos importadores acesso a informações socioambientais do produto com base em bancos de dados públicos e oficiais.
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De acordo com o Cecafé, a iniciativa está inserida em um esforço de adequação às novas regras do comércio mundial. Em sua fala, Matos defendeu um protocolo baseado na legislação brasileira para questões sociais e ambientais e afirmou que a entidade acompanha mudanças regulatórias, fluxo de comércio, geopolítica e temas ligados à soberania dos bancos de dados públicos e oficiais.
O diretor-geral também destacou a importância da União Europeia como um dos principais importadores dos cafés do Brasil. No eixo social, mencionou iniciativas público-privadas como o “Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura” e o Programa Trabalho Sustentável (PTS), ambos em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o texto original, essas ações buscam ampliar o diálogo entre os agentes do setor e o governo, além de promover capacitação no campo em parceria com associados do conselho nas principais regiões produtoras.
O evento ainda contou com boas-vindas da embaixadora Bettina Cadenbach e incluiu debates sobre “Regulação & Direitos Humanos” e responsabilidade por direitos humanos e trabalhistas na cadeia do café.
No encerramento de sua participação, o Cecafé afirmou que a comunicação estruturada e o uso de tecnologia para reunir evidências verificáveis são parte da estratégia da entidade para apresentar informações sobre a produção brasileira. O material divulgado não informa prazos, volume de adesão às iniciativas nem resultados quantitativos das ações mencionadas.
Fonte: cecafe.com.br
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Sustentabilidade é novo diferencial na produção de sementes

O processo de tratamento industrial de sementes não se resume mais a genética, vigor e germinação. Ao lado da qualidade, ganha cada vez mais destaque o quesito sustentabilidade. Reconhecimentos de entidades e empresas nacionais e multinacionais chancelam as boas práticas no segmento como variável e diferencial competitivo entre os produtores e multiplicadores de sementes. O conceito tem a ver com inovação, tecnologia e governança dentro dos pilares do ESG (Environmental Social Governance).
Segundo Rafael Oliveira, head comercial Brasil da Sementes Jotabasso, uma das maiores produtoras de sementes de soja do país, esse é um mercado de alta performance, onde o produtor não quer apenas mais uma semente, mas está em busca de uma solução completa de cultivo. Com mais de 50 anos de mercado, a empresa mostra que o setor também precisou evoluir para chegar a este novo padrão que atende critérios técnicos, bem como de gestão, sociais e ambientais.
Em maio a companhia recebeu certificações relacionadas à qualidade, sustentabilidade e eficiência. Os atestados reforçam a maturidade de práticas ambientais, sociais e de governança, em linha com a evolução e novas condições para atuar nesse mercado, explica o executivo.

Além disso, recebeu o selo Seedcare TSI, uma das principais certificações do setor quando o assunto é excelência em tratamento de sementes industrial. O Seedcare TSI reconhece empresas que mantêm elevados padrões de qualidade em todas as etapas de produção, como rastreabilidade, segurança operacional, conformidade e performance das sementes entregues ao produtor. Em adicional, foi premiada no Concurso Sementeiras Mais, voltado à eficiência de manejo e aos resultados superiores de qualidade das sementes.
Em 2025, a empresa foi pioneira ao se tornar a única sementeira do Cerrado brasileiro reconhecida no Programa de Avaliação Seedcare Sustentável da Syngenta, iniciativa que avalia práticas ESG adotadas pelas empresas participantes.
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