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21 de setembro de 2026

Business

Pragas e custos elevam risco da produção no campo e transformam a ciência em estratégia de sobrevivência

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A lavoura virou um campo de vigilância permanente. Entre pragas que se multiplicam e custos que não param de subir, o produtor de soja precisa antecipar riscos para proteger a rentabilidade da atividade. Em uma das safras mais caras da história, a ciência passa a ocupar papel central na estratégia de sobrevivência no campo.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o custo médio para implantar a lavoura de soja nesta safra ficou entre R$ 6 mil e R$ 7 mil por hectare. Desse total, cerca de 30% estão concentrados nos defensivos agrícolas, pressionados pela necessidade de controle de insetos já conhecidos e de novas pragas que surgem a cada ciclo.

Para o agricultor Paulo Adriano Gai Cervo, que cultiva 2,1 mil hectares de soja em Comodoro, no oeste de Mato Grosso, o cenário exige atenção constante. “Os fatores de risco são inúmeros. É uma indústria a céu aberto e a gente tem que estar muito atento, procurando se antecipar ao surgimento de pragas. São gargalos que colocam a nossa atividade sempre em alerta. É um bando de escoteiro no campo”.

Nesta safra, a principal preocupação atende pelo nome de mosca-da-larva-minadora, inseto que reduz a área foliar da planta, antecipa o ciclo da soja e compromete o enchimento dos grãos, elevando o risco de perdas produtivas.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Pragas emergentes ampliam o desafio no manejo

O produtor observa que a praga tem mostrado comportamento diferente do registrado em anos anteriores. “É a larva de uma pequena mosca que ataca uma série de cultivares comestíveis no planeta e ataca também a soja. Ela deposita os ovos na folha, a larvinha entra no limbo foliar e vai criando galerias dentro da planta, que depois secam e diminuem a área para fotossíntese”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.

O que mais chama a atenção, conforme ele, é a mudança de posição da praga dentro da lavoura. “A gente identificava sempre no terço inferior, nos baixeiros. Este ano, ela subiu para o terço médio e já aparece nos ponteiros”, conta.

O engenheiro agrônomo Victor Souza Lima aponta que a intensificação da larva-minadora vem sendo observada desde a safra 2023/24 na região. “Estamos em uma região muito baixa, quente e úmida, praticamente uma estufa, o que proporciona um ambiente favorável. Ano após ano ela vem deixando de ser uma praga secundária para se tornar uma praga de importância econômica”, avalia.

A perda de área foliar, conforme destaca o agrônomo, afeta diretamente a eficiência no enchimento de grãos. “Se perde o baixeiro, já há impacto. Quando ela sobe para o terço médio, a eficiência cai ainda mais”, reforça.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A ameaça invisível no solo

Mas, nem todo prejuízo, no entanto, aparece na superfície. Falhas em reboleiras podem indicar um problema que está abaixo do solo: os nematoides, vermes microscópicos que atacam as raízes das plantas e provocam perdas significativas de produtividade e rentabilidade.

Marcelo Batistella, vice-presidente Brasil da BASF, destaca que o impacto econômico é expressivo. “Existe uma estimativa da Associação Brasileira de Nematologia de que, somando todos os cultivos de uma safra no Brasil, o impacto dos nematoides pode chegar a até R$ 36 bilhões. Só na soja, a estimativa é em torno de R$ 16 bilhões por safra”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

Na avaliação de José Gomes, líder de sementes de soja e biotecnologia da empresa, o manejo é um dos grandes desafios do produtor. “Nematoide talvez seja o grande problema hoje. Temos nematoide de cisto, de galha, Rotylenchulus, mas o mais encontrado em Mato Grosso é o Pratylenchus. Ele tira produtividade não só da soja, mas também do algodão e do milho”, detalha.

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De acordo com ele, a dificuldade está no fato de o problema não ser visível a olho nu. “É mais difícil de manejar, mais caro e o agricultor tem dificuldade de saber quando e como agir. Acaba sendo uma grande dor de cabeça”, acrescenta.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Pesquisa e inovação como estratégia de sobrevivência

Há sete anos, a multinacional desenvolve uma cultivar de soja inédita com resistência aos principais nematoides da cultura. Já foram realizados 160 testes de campo no Brasil, e a expectativa é que a biotecnologia, ainda em fase de aprovação regulatória, esteja disponível comercialmente nos próximos dois anos.

“É uma biotecnologia resistente ao Pratylenchus e ao nematoide de cisto, que reduz praticamente a zero a população desses nematoides”, explica José Gomes. Conforme o especialista, o benefício vai além da soja. “Ela ajuda também nas culturas subsequentes, como algodão, milho e até trigo, porque o solo fica muito mais limpo”.

A tecnologia, como ele destaca, resulta em plantas com sistema radicular mais agressivo, melhor absorção de nutrientes e maior resistência ao estresse hídrico, além de reduzir a entrada de outras doenças. “É uma grande ferramenta para o agricultor”, resume.

Além da biotecnologia, o portfólio de lançamentos inclui um novo inseticida e um fungicida, ambos em fase final de testes, com foco em ampliar as ferramentas de manejo tanto na soja quanto no algodão.

Patrícia Smirmaul, líder de proteção de cultivos soja da BASF, ressalta que a estratégia busca proteger a lavoura ao longo de todo o ciclo. “O Escudo Verde posiciona tecnologias do início ao fim, com um novo fungicida que traz mais segurança no controle de mancha-alvo e cercospora”, afirma. Conforme ela, os resultados médios apontam ganhos de pelo menos três sacas a mais na soja e de cinco a 15 arrobas no algodão.

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Já o novo inseticida, como explica Warley Palota, líder de cultivo algodão da empresa, traz inovação por pertencer a um novo grupo químico. “Entrega mais eficiência no controle das lagartas, em todos os estágios”, observa.

Para Marcelo Batistella, em um sistema de agricultura tropical intensiva como o brasileiro, a inovação se torna ainda mais necessária. “Agricultura não existe sem inovação. Em ciclos desafiadores como o que estamos vivendo, aumenta a nossa responsabilidade de trazer tecnologias que ajudem o produtor a produzir mais”, afirma. Conforme ele, é justamente nos momentos de dificuldade que a ciência se mostra decisiva para atravessar crises e preparar o produtor para os próximos ciclos.


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Conab fará coletiva sobre leilões de milho e safra 2026/2027

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza nesta terça-feira (22), às 10h, uma coletiva de imprensa em Brasília para apresentar os resultados dos recentes leilões públicos de compra de milho. Segundo a estatal, a medida está relacionada à prevenção de possíveis impactos do El Niño no abastecimento de grãos e à oferta do produto pelo Programa de Vendas em Balcão (ProVB).

Durante o encontro, a Conab também vai detalhar o cenário atual dos preços da cesta básica nas capitais do país e apresentar as projeções para a agropecuária na safra 2026/2027.

A coletiva contará com a presença do presidente da Conab, Silvio Porto, e da ministra do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.

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O evento será realizado na matriz da Conab, localizada no SGAS 901, Lote 69, em Brasília (DF), às 10h, no horário de Brasília. A agenda reúne temas ligados ao mercado de milho, à política de abastecimento e às estimativas para o próximo ciclo agropecuário.

A apresentação desta terça-feira (22) concentrará os dados dos leilões públicos de milho, o comportamento dos preços da cesta básica e as projeções da Conab para a safra 2026/2027.

Fonte: gov.br

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Preço do milho recua em São Paulo com compradores fora do mercado

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Foto: Sandra Brito/Embrapa

Os preços do milho apresentam movimentos distintos entre as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Enquanto as cotações recuaram em São Paulo, algumas regiões produtoras registraram valorização nos últimos dias.

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No mercado paulista, as negociações seguem limitadas. Segundo pesquisadores do Cepea, compradores têm priorizado o consumo dos estoques disponíveis, reduzindo a necessidade de novas aquisições no mercado spot.

O enfraquecimento da demanda, porém, encontra uma oferta também restrita. Parte dos produtores tem limitado os lotes disponibilizados para negociação, evitando pressionar ainda mais as cotações.

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Clima deixa produtores atentos

Além do comportamento dos preços, os trabalhos de campo e as condições meteorológicas influenciam a decisão dos vendedores.

De acordo com o Cepea, parte dos produtores está concentrada nas atividades nas lavouras e acompanha atentamente as previsões climáticas e a possibilidade de condições adversas afetarem a produtividade.

Esse cenário contribui para reduzir a disponibilidade de milho no mercado spot mesmo diante da menor presença de compradores.

Com compradores e vendedores cautelosos, o mercado apresenta baixa liquidez em algumas praças e comportamentos diferentes nos preços entre as regiões acompanhadas pelo Cepea.

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Agro Mato Grosso

MT responde por 15,6% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do país

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Estimativa do Mapa aponta VBP de R$ 218,2 bilhões para Mato Grosso; soja, milho e pecuária estão entre os principais componentes do resultado nacional

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Agro MT