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18 de setembro de 2026

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Conheça 13 pragas agrícolas que ainda não chegaram ao Brasil

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Foto: Miguel Dita/Embrapa

Um levantamento conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) identificou um conjunto de pragas consideradas de maior risco para a agropecuária brasileira.

O trabalho passou a orientar ações de vigilância, planos de contingência e o direcionamento da pesquisa científica no país, diante de ameaças que ainda não chegaram ao Brasil.

Segundo o pesquisador e chefe-geral Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Ferraz Laranjeira, há uma grande quantidade de pragas registradas em outros países, mas ainda ausentes no território nacional.

“Existe uma lista de centenas de pragas que ocorrem em outros países e não ocorrem no Brasil. Quando você tem uma lista com centenas de pragas, é necessário definir quais dessas pragas exigem mais atenção”, explica o pesquisador e chefe-geral Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Ferraz Laranjeira.

Mal-do-Panamá

O fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense, raça tropical 4 (TR4), que provoca a murcha de fusário da bananeira ou mal-do-Panamá. A doença avançou para a América do Sul, com registros na Colômbia, Venezuela, Peru e, mais recentemente, no Equador.

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“O TR4 recebeu uma avaliação menor. Hoje, digamos assim, ele seria considerado de muito mais risco do que foi naquela época [em 2017]”, afirma Ferraz.

No caso da banana, o Brasil já conta com um diferencial importante variedades comerciais desenvolvidas pela Embrapa com resistência ao TR4, resultado direto do chamado melhoramento preventivo, estimulado pela priorização feito há nove anos.

Mosca-das-frutas-do-caribe

A Anastrepha suspensa também conhecida como a mosca-das-frutas-do-caribe, ataca preferencialmente a goiaba, mas infesta várias outras espécies de importância econômica, como os citros. É originária das ilhas do Caribe, onde está distribuída por toda aquela região, além do sul e centro da Flórida e Guiana Francesa.

Há significativo risco de introdução no Brasil, pela fronteira com o estado do Amapá. Algumas espécies de Anastrepha podem voar até 135 quilômetros.

Mosca-das-frutas

É uma espécie de mosca-das-frutas (Bactrocera dorsalis) com alta capacidade reprodutiva e ataca mais de 300 espécies de plantas, como goiaba, laranja, maçã, manga e pêssego. Está amplamente distribuída na Ásia (onde se originou), em locais como Índia, China, todo o Sudeste Asiático, Nova Guiné, ilhas do Pacífico Sul e Havaí, Filipinas e Palau.

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Sua introdução em novas áreas geralmente ocorre via transporte de frutos infestados, especialmente por passageiros aéreos e encomendas.

Falso-ácaro-vermelho-chileno

Ácaro conhecido como falso-ácaro-vermelho-chileno, tem como principal hospedeiro a uva, mas também ataca kiwi, limão, caqui, cherimoia, ligustro e várias flores e plantas ornamentais.

Os ácaros se desenvolvem na parte de baixo das folhas, principalmente ao longo das nervuras, causando amarelecimento e encarquilhamento de folhas e morte de brotos. Devido ao seu tamanho diminuto, B. chilensis pode ser facilmente transportado em material vegetal vivo ou morto, sendo uma ameaça para cultivos de uvas no sul do Brasil.

Amarelecimento-letal

O amarelecimento-letal (AL) é uma doença causada pelo fitoplasma Candidatus Phytoplasma palmae. A principal planta hospedeira dessa doença é o coqueiro, sendo considerada a mais devastadora doença dessa cultura no mundo. A transmissão desse microrganismo pode ser feita por meio da cigarrinha Haplaxius crudus, sendo possível também haver outros insetos vetores envolvidos em sua disseminação.

A região Norte do Brasil pode ser considerada a área com maior risco de introdução, devido à proximidade com o Caribe e ao intenso trânsito de pessoas nas fronteiras portando material vegetal ou insetos transmissores infectados.

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Cardo-canadense

O cardo-canadense (Cirsium arvense (L.) Scop.) é uma planta infestante extremamente nociva em climas temperados. Afeta lavouras de ervilha, milho, feijões, alfafa, beterraba açucareira, trigo, soja, pastagens e pradarias, entre outras. É de fácil dispersão com sementes minúsculas que podem ser conduzidas pelo vento a distâncias de até mil metros.

A espécie merece atenção nos estados do Sul do Brasil, pois se apresenta morfologicamente semelhante a outros já existentes nessa região, o que dificultaria sua detecção precoce.

Traça-da-uva

Inseto conhecido popularmente como traça-da-uva ou traça-dos-cachos-de-uva. Trata-se de uma pequena mariposa, com menos de um centímetro e meio que ataca as flores e os frutos das videiras. Na cultura da uva, põe seus ovos isoladamente, distribuindo-os no cacho de uvas, o que dificulta sua visualização, e as lagartas alojam-se no interior dos cachos, sendo difícil o seu controle.

Está presente tanto na Argentina quanto no Chile, que exportam uvas para o Brasil, sendo que a Argentina faz fronteira com o país, ou seja, pode ser introduzida na região Sul, que tem áreas de produção de uvas e condições climáticas para que a praga se estabeleça.

Doença de Stewartii

É uma bactéria originária da América e afeta o milho, principalmente o milho doce, causando uma murcha conhecida como a doença de Stewartii. Os sintomas caracterizam-se por listras amarelas, encharcadas ao longo das folhas e pela murcha.

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A bactéria sobrevive em restos culturais e é transmitida por sementes. Uma forma importante de dispersão dá-se, ainda, pelo inseto-vetor, o besouro Chaetocnema pulicaria.

Doença de plum pox

Sharka ou plum pox é uma das doenças mais destrutivas de frutos de plantas do gênero Prunus. É particularmente prejudicial em damasco, ameixa-europeia, pêssego e ameixa-japonesa, porque reduz a qualidade e causa queda prematura de frutos.

A doença foi relatada pela primeira vez em ameixa-europeia na Bulgária em 1917 e descrita como uma doença viral em 1932. Desde então, o vírus se espalhou progressivamente para uma grande parte da Europa.

Erva-de-bruxa

Striga ou witchweed (erva-de-bruxa) é um gênero parasita do sistema radicular que drena nutrientes, carboidratos e água das plantas hospedeiras causando atrofia, murcha e clorose. Mais de 30 espécies de striga são reconhecidas no mundo, 80% das quais são endêmicas na África. Ela é um semiparasita de cereais como milho, sorgo e arroz e de cana-de-açúcar, e é considerada a espécie do gênero mais difundida pelo mundo.

Vírus da mancha anelar do tomate

O Tomato ringspot virus é um vírus que infecta fruteiras de clima temperado, como framboesa, amora, maçã, ameixa, cereja, pêssego, uva e morango, que são propagadas principalmente por mudas e estacas, perpetuando os vírus nos pomares, caso o material esteja infectado.

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Além disso, é transmitido por sementes de framboesa, morango, pelargônio, soja, tabaco e tomate. Também infecta pimenta, pepino, lírio e orquídeas. A disseminação a curta distância dentro do cultivo ocorre principalmente via vetor, que são nematoides. A principal ameaça do vírus ao Brasil está representada por sua ampla gama de hospedeiros.

Queima bacteriana

Trata-se de uma bactéria que causa a queima bacteriana do arroz ou a murcha denominada “Kresek”. O seu potencial de introdução ocorre por meio de sementes, solos e água contaminados e por meio de plantas selvagens.

Representa uma ameaça para o Brasil, pois a bactéria pode ser introduzida pelas sementes e se adaptar em áreas de plantio com temperaturas e umidade elevadas em diferentes biomas.

Doença do mal-de-pierce

A bactéria Xylella fastidiosa subsp. fastidiosa causa a doença conhecida como mal-de-pierce da videira, além de infectar outras espécies vegetais, incluindo a amendoeira e a alfafa. Ela representa grande ameaça por ser altamente agressiva, de difícil controle e por ser disseminada por insetos vetores, as cigarrinhas.

O controle químico dos vetores não traz resultados promissores. A bactéria pode se dispersar por meio de material de propagação vegetativa contaminado e pode causar sérios danos à viticultura do país na circunstância de uma introdução inadvertida.

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Conab levanta custos de produção de mandioca e laranja na Bahia

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou, entre os dias 14 e 18 de setembro, painéis técnicos para levantamento dos custos de produção de mandioca e laranja em municípios da Bahia. A ação ocorreu em Cruz das Almas, Sapeaçu, Conceição do Almeida, Rio Real e Inhambupe e reuniu representantes das cadeias produtivas das duas culturas.

O trabalho teve como objetivo coletar informações que serão usadas no cálculo dos custos de produção, com aplicação em estudos, análises e políticas públicas voltadas ao setor. A programação incluiu visitas técnicas, reuniões locais e articulação com sindicatos, cooperativas, produtores rurais, associações, instituições financeiras, órgãos públicos, entidades de assistência técnica, centros acadêmicos, movimentos sociais e empresas de insumos.

As reuniões de consolidação e coleta de dados foram realizadas em Cruz das Almas, no dia 15, para a mandioca, e em Inhambupe, no dia 17, para a laranja, entre outros municípios. Nos encontros, os participantes contribuíram com o levantamento de coeficientes técnicos e preços de fertilizantes, defensivos, mão de obra, máquinas, equipamentos e outros insumos usados na produção.

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Segundo a Conab, a atualização considera informações apresentadas pelos participantes sobre as condições de produção observadas nas áreas visitadas. A estimativa de participação nas reuniões foi de 15 a 20 pessoas, além de três técnicos responsáveis pela condução das atividades.

Os dados coletados passarão por análise técnica e sistematização antes de serem incorporados aos estudos oficiais de custos agropecuários. O processo integra o monitoramento dos custos de produção de culturas agrícolas realizado no estado.

De acordo com a Conab, as informações levantadas vão subsidiar estudos econômicos, programas governamentais e ações voltadas aos produtores, além de servir de referência para indicadores ligados às cadeias de mandioca e laranja na Bahia.

Fonte: gov.br

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Recuo define o mercado de soja no fim desta semana; saiba os preços no Brasil

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Foto: Pixapay

O mercado brasileiro de soja teve pouca movimentação nesta sexta-feira (18), em uma sessão marcada pela queda das cotações na Bolsa de Chicago. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que o grão acompanhou o recuo do farelo e também sentiu a pressão exercida pelo avanço da colheita americana sobre os preços.

No mercado brasileiro, os recuos foram mais perceptíveis nos portos, acompanhando a paridade. Ainda assim, Silveira ressalta que o mercado permanece bastante nominal e que não houve grandes perdas de valor no grão.

Os vendedores seguem pressionando os compradores, com pedidas elevadas, enquanto as ofertas de compra apresentam pouca alteração, apesar de já estarem em níveis considerados fortes.

“Seguimos com um spread forte no mercado disponível, de até R$ 7,00 por saca, dependendo da praça, mas sem movimentos”, destaca Silveira.

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No mercado físico, as cotações tiveram movimentos distintos entre as principais praças acompanhadas. Confira os preços:

  • Passo Fundo (RS): recuou de R$ 154,50 para R$ 154,00
  • Santa Rosa (RS): recuou de R$ 155,50 para R$ 154,00
  • Cascavel (PR): recuou de R$ 152,00 para R$ 151,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 148,00 para R$ 149,00
  • Paranaguá (PR): recuou de R$ 163,00 para R$ 162,00
  • Rio Grande (RS): recuou de R$ 163,50 para R$ 162,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta sexta-feira, reduzindo os ganhos semanais. A sessão foi marcada por um movimento de realização de lucros e vendas técnicas.

Os agentes aguardam o encontro, em Washington, dos presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, no final da próxima semana. A expectativa é de novos acordos comerciais entre as duas potências, o que poderia resultar em mais vendas de soja americana para o país asiático.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 111.000 toneladas de soja à China, que serão entregues na temporada 2026/27.

A Sinograin, empresa estatal chinesa responsável pelos estoques estratégicos, retomou os leilões de grandes volumes de soja importada após uma pausa de aproximadamente um mês, antes da esperada cúpula entre Xi Jinping e Trump.

O leilão da próxima terça-feira incluirá 543 mil toneladas de soja, produzidas entre 2023 e 2025, informou o Centro Nacional de Comércio de Grãos em um comunicado. Antes desse anúncio, a Sinograin havia realizado cinco leilões de mais de 200 mil toneladas de soja importada desde julho, uma medida que, segundo traders, teria como objetivo liberar espaço de armazenamento para a chegada prevista de soja dos Estados Unidos.

Abiove

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou nesta sexta-feira (18/9) que a produção brasileira de soja deve chegar a 180,4 milhões de toneladas. Não houve mudanças em relação ao dado divulgado no mês passado.

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A entidade revisou para baixo, em 0,3%, sua estimativa para exportação de soja em grão no país, agora calculada em 115 milhões de toneladas. O motivo foi o aumento de compras chinesas por produto norte-americano.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 16,25 centavos de dólar ou 1,23%, a US$ 13,03 1/2 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,20 por bushel, com retração de 17,00 centavos de dólar ou 1,27%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 12,70 ou 3,42% a US$ 358,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 68,22 centavos de dólar, com perda de 0,93 centavo ou 1,34%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,11%, sendo negociado a R$ 5,1452 para venda e a R$ 5,1432 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1232 e a máxima de R$ 5,1657. Na semana, a valorização ficou em 0,42%.

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Da China ao campo: custos, crédito e mercado exigem novas estratégias do produtor brasileiro

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O cenário internacional está cada vez mais conectado às decisões tomadas dentro da porteira. Custos de produção, acesso ao crédito e mudanças no mercado de commodities exigem dos produtores brasileiros um planejamento mais preciso para as próximas safras.

A relação com a China ajuda a mostrar essa conexão. O país asiático importa potássio da Rússia e de Belarus, enquanto o Brasil depende do mercado externo para parte importante dos fertilizantes utilizados na produção agrícola.

A combinação entre custos elevados e dificuldade de financiamento já interfere nas decisões para as próximas safras. Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, aponta o crédito como um dos principais obstáculos enfrentados atualmente pelo produtor.

Considerando fertilizantes, sementes e defensivos, o desembolso à vista chega a cerca de 30,33 sacas por hectare no Cerrado brasileiro. A avaliação é de que a combinação entre custo e dificuldade de financiamento pode levar à redução da adubação, especialmente com impacto sobre os fertilizantes fosfatados.

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“Eu acho bastante complexo você depender 100% do mercado externo, porque isso em alguns casos o produtor vai pagar a conta”, avalia Souza.

O cenário também exige atenção ao momento de compra dos insumos. A China é autossuficiente em nitrogênio e fósforo, mas precisa importar potássio. Assim como acontece com soja, milho e algodão, o planejamento das compras de fertilizantes pode ajudar o produtor a aproveitar momentos mais favoráveis.

“A nossa missão é buscar janelas de oportunidades e uma coisa que eu percebo é de que a janela está cada vez mais curta”, pontua Souza ao Patrulheiro Agro.

soja exportação china foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Gestão do risco entra no planejamento da produção

A preocupação com os custos não termina na compra dos insumos. A formação do preço de venda também precisa estar ligada ao custo de produção, à produtividade e às ferramentas disponíveis para proteger as margens.

Marcos Araújo, sócio-diretor da Agrinvest Commodities, destaca quatro pontos dentro dessa gestão: formação de preço, conhecimento das ferramentas de proteção, estratégias comerciais e o lucro, quarto pilar e considerado o “chefe”. O objetivo final, na avaliação apresentada por ele, é preservar o resultado da atividade.

“O preço de venda da soja, do milho, do algodão é uma consequência do seu custo de produção e da sua produtividade”, resume.

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Entre março e agosto, o custo e o carrego acrescentaram R$ 30,73 por saca de soja, conforme análise apresentada pela consultoria. Considerando uma produtividade de 70 sacas por hectare, o impacto supera R$ 2 mil por hectare em relação às referências de Chicago e Nova York.

Esse ambiente torna ainda mais importante acompanhar as variáveis que interferem na formação dos preços. “Não dá para você navegar no escuro em um mundo globalizado com essa economia tão dinâmica”, observa Araújo.

A comercialização também está diretamente ligada ao fluxo entre os países. Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities, explica que o tempo necessário para a soja sair do Brasil e chegar à China influencia esse processo.

A formação dos preços depende das janelas de oferta e demanda, além da velocidade com que o produtor brasileiro vende e da necessidade de compra dos chineses. Conhecer esse fluxo pode reduzir decisões tomadas apenas com base na expectativa de preços.

“Com isso ele ganha duas coisas, primeiro ele acaba especulando menos e o segundo ele acaba se programando melhor”, destaca Vanin.

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soja exportação china foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

China amplia visão sobre mercado e logística

A aproximação com o mercado chinês também permite aos produtores brasileiros observar como funciona uma das principais pontas da cadeia. Há cinco anos, o programa de consultoria da Agrinvest Commodities reúne produtores de grãos em agendas voltadas ao mercado e ao conhecimento, incluindo visitas técnicas a indústrias processadoras de soja e milho.

Clima, janela de plantio e tamanho da produção brasileira interferem no fluxo de mercadorias e, consequentemente, na formação dos preços. O fenômeno climático El Niño também entra nessa equação, mas como mais um componente entre os fatores que determinam esse movimento.

“O produtor tem que ter a consciência que esse fluxo é sazonal e o impacto do El Niño na formação do preço da soja para o produtor brasileiro vai depender dessas janelas”, explica Vanin.

A experiência também muda a perspectiva de quem produz no Brasil. Victor Hugo Rosseto Beloto cultiva 500 hectares de soja em Toledo, no Oeste do Paraná, e destaca a importância de acompanhar diferentes mercados para tomar decisões de comercialização.

“A gente busca uma tomada de decisão mais assertiva, na hora de comercializar, que é o momento que a gente garante a rentabilidade da nossa propriedade”, diz o agricultor ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da China, ele acompanha o mercado europeu, que também influencia os negócios brasileiros. Esse monitoramento precisa fazer parte da rotina do produtor. “A gente tem que se atentar todo ano em acompanhar o mercado não só o da China, mas também o da Europa que também influencia muito o nosso”.

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As visitas também colocam a logística brasileira em perspectiva. Antônio Ignácio Barbosa Filho, que produz 2,5 mil hectares de soja, 1,5 mil hectares de milho e mantém 600 hectares de pastagens em Pedro Afonso, no Tocantins, chama atenção para a estrutura chinesa para receber produtos.

A infraestrutura e a velocidade de movimentação observadas no país levantam discussões sobre os gargalos brasileiros e sobre a necessidade de preparação para atender uma demanda internacional que pode continuar crescendo.

A experiência também trouxe uma percepção diferente sobre a capacidade brasileira de movimentar produtos, segundo o engenheiro agrônomo Rafael Grimm Marques. Apesar das dificuldades logísticas, o país consegue escoar volumes expressivos de exportação.

O problema está no custo dessa movimentação. A comparação com a China também abre espaço para discutir não apenas logística, mas o processamento da produção dentro do Brasil. “Agregação de valor e faturamento é um componente muito importante que a gente tem que ficar de olho”, avalia Marques.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

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