Sustentabilidade
Milho/RS: Colheita avança e chega a 21% da área total semeada – MAIS SOJA

O tempo estável com precipitação reduzida foi positivo para a colheita, que segue se acelerando em várias regiões. Mesmo em áreas com a umidade elevada dos grãos (acima de 20%), a colheita continua para liberar as áreas ao plantio de soja ainda dentro do calendário da semeadura, que se encerra em 28/01.
Na Campanha, as áreas com irrigação foram beneficiadas pelas chuvas regulares, que ocorreram desde o final de dezembro, permitindo a redução de custos com energia e combustível. Para as lavouras de sequeiro implantadas em setembro, as expectativas não são boas devido à combinação de excesso de chuvas durante seu estabelecimento e estresse hídrico nos períodos críticos de pendoamento e enchimento de grãos.
A cotação do grão se manteve estável no período, sendo ofertados contratos de entrega relativamente curtos, com liquidação em março, garantindo a cotação atual do grão. Em várias localidades, a produtividade está satisfatória. No geral, o aspecto fitossanitário da cultura está muito bom. Estima-se o cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.
O mapa de ocorrência da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) no Rio Grande do Sul, referente ao período de 12 a 18/01/26, evidencia ampla presença do inseto em diferentes regiões do Estado, com destaque para os pontos em vermelho, que indicam locais com alta ocorrência populacional. Esses registros demonstram pressão significativa da praga, o que aumenta o risco de disseminação do complexo de enfezamentos, especialmente em áreas com lavouras em estádios iniciais. Diante desse cenário, alerta-se os produtores que já implantaram ou estão em fase de implantação do milho safrinha para que intensifiquem o monitoramento.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita continua intensa na Fronteira Oeste, beneficiada pela ausência de chuvas significativas e pelas altas temperaturas, que aceleram a perda de umidade nos grãos. Em São Borja, as produtividades nas áreas irrigadas estão muito boas, entre 12.000 e 13.800 kg/ha nos cultivos com maior investimento.
As lavouras de sequeiro implantadas em agosto indicam produtividade entre 4.800 e 8.400 kg/ha, demonstrando satisfatória resposta a maiores níveis de investimento e evidenciando o caráter aleatório da distribuição das chuvas durante a fase reprodutiva. Em São Gabriel, os cultivos implantados na primeira janela de plantio de setembro estão em plena fase de enchimento de grãos, demonstram bom potencial produtivo e espigas com elevado número de grãos por fileira. As lavouras implantadas em novembro e na primeira quinzena de dezembro também foram beneficiadas pelas chuvas das últimas semanas, recuperando o
ritmo de crescimento após o estresse hídrico no início do ciclo e respondendo satisfatoriamente à aplicação da adubação nitrogenada de cobertura.
Na de Caxias do Sul, o plantio está concluído. Muitas áreas estão bem avançadas na formação de espigas, com rápido desenvolvimento após a floração. As plantas se encontram sadias. As chuvas do período favoreceram a incidência de cigarrinhas. Os produtores estão efetuando as adubações de cobertura e realizando tratamentos preventivos de inseticida misturado ao herbicida.
Na de Frederico Westphalen, cerca de 20% da cultura está em fase de enchimento de grãos, 60% em maturação e 20% colhidos. Na de Ijuí, a cultura está em final de ciclo, e aproximadamente 50% em estágio de maturação de grãos. Os produtores têm realizado a colheita mesmo com alta umidade nos grãos para anteciparem a liberação das áreas para a semeadura de outras culturas. Em Santo Augusto, as primeiras lavouras colhidas de sequeiro apresentam rendimento médio de 8.100 kg/ha, com umidade nos grãos de 28%, muito acima do ideal para trilha e debulha, adiando a colheita para a última semana de janeiro. Em Tenente Portela, a produtividade obtida varia entre 6.600 e 7.500 kg/ha. Em Ibirubá, a colheita não foi possível devido à umidade dos grãos estar acima de 30%.
Na de Pelotas, mais de 46.000 hectares foram semeados, ou seja, 86% da área prevista. Na de Santa Rosa, estão cultivados atualmente 150.911 hectares, área superior à do ano passado, devido principalmente a políticas de incentivo, como Milho 100%. A expectativa atual de produtividade está em torno de 7.996 kg/ha. Encontram-se 3% das lavouras em desenvolvimento vegetativo, 1% em floração, 8% em enchimento de grãos, 39% em maturação e 49% colhidos. As condições climáticas de tempo seco e vento constante auxiliaram na perda de umidade dos grãos e na realização da colheita. Em Cerro Largo, os rendimentos variam entre 6.000 e 7.200 kg/ha. Em Garruchos, os produtores relatam boa produtividade das áreas irrigadas, superando 11.000 kg/ha na maior parte das lavouras. As
áreas de sequeiro tiveram rendimentos de cerca de 50% do estimado nas áreas irrigadas evidenciando o resultado do uso dessa tecnologia para a produção do cereal.
Na de Soledade, há registros de produtividade entre 6.120 e 8.400 kg/ha. Os grãos colhidos são de ótima qualidade, mas possuem alta umidade. As lavouras semeadas no período intermediário e tardio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) possuem ótimo desempenho vegetativo e reprodutivo em virtude das chuvas regulares dos últimos períodos. A semeadura já atinge 93% da área planejada. Estão 30% dos cultivos em desenvolvimento vegetativo, 5% em florescimento, 30% em enchimento de grãos e 35% em maturação.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 1,40%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 62,27 para
R$ 61,40.
Fonte: Emater/RS

Sustentabilidade
Setor da soja lidera pedidos de recuperação judicial

O Brasil encerrou 2025 com recorde no número de recuperações judiciais. Ao todo, cerca de 5.600 empresas terminaram o ano nesse regime, uma alta de quase 25% na comparação anual. Entre 6% e 7% dos casos registrados estão ligados ao agro, incluindo produtores rurais e empresas da cadeia produtiva.
Segundo a advogada Lívia Paiva, o avanço é reflexo da combinação de juros elevados, que dificultam ou até inviabilizam a renegociação de dívidas, e da maior restrição na oferta de crédito.
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“Segmentos que antes sustentavam o crescimento do setor agora enfrentam um ambiente mais adverso. O cultivo de soja é o exemplo mais expressivo, liderando o número de pedidos de recuperação judicial no campo”, afirma.
Os produtores de soja vivem uma conjuntura desafiadora. Os preços das commodities recuaram, enquanto os custos de produção permanecem elevados, especialmente pela dependência de insumos dolarizados. Com margens comprimidas e crédito mais caro, a capacidade de honrar compromissos financeiros fica severamente comprometida.
O aumento das disputas contratuais e do endividamento operacional também tem impulsionado a busca por soluções extrajudiciais, na tentativa de evitar processos longos e preservar relações comerciais.
Uma dessas alternativas é a arbitragem. “Trata-se de um método privado de resolução de conflitos em que as partes, de comum acordo, escolhem um ou mais especialistas, os árbitros, para decidir sobre a disputa”, explica a advogada. Segundo ela, a decisão arbitral tem a mesma força de uma sentença judicial, mas o procedimento tende a ser mais rápido, flexível e confidencial, características que vêm atraindo empresas do agronegócio em meio ao ambiente de maior insegurança financeira.
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Sustentabilidade
Negociações travadas para o milho em boa parte do país, com foco do mercado na soja – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de milho teve uma semana com ritmo de negócios travado em vários estados. Em algumas regiões as cotações do cereal subiram com uma disponibilidade de produto mais restrita, com produtores retraídos na fixação de ofertas e com a necessidade de aquisições por parte dos compradores, como observado em São Paulo e Paraná.
No Centro-Oeste e Sudeste as colheitas estão atrasadas devido às chuvas ocorridas ao longo das últimas semanas. Como destaca Safras & Mercado, em alguns pontos, como em São Paulo, consumidores estão buscando lotes para avanço de estoques, estudando pedidas mais altas dos produtores.
Muitos agentes do mercado estão focados na soja, tanto na colheita como escoamento, e o milho está ficando de lado. Isso oferece sustentação às cotações do milho. A evolução do clima, o atraso da colheita da soja, o plantio da safrinha e o encarecimento dos fretes são pontos de especulação no momento.
O dólar comercial na semana, entre as quintas-feiras 05 e 12 de fevereiro, caiu de R$ 5,253 para R$ 5,1933, acumulando baixa de 1,1% no período. O dólar fraco deixa mais lento o movimento de exportação no porto.
No balanço desta semana, entre as quintas-feiras 05 e 12 de fevereiro, o milho na base de venda em Cascavel, Paraná, subiu de R$ 62,00 a saca para R$ 63,00, alta de 1,6%. Em Campinas/CIF, o milho avançou de R$ 68,00 para R$ 71,50 a saca na base de venda neste intervalo, elevação de 5,1%. Na região Mogiana paulista, o cereal passou de R$ 65,00 para R$ 66,00 a saca, avanço de 1,5%.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação ficou estável na base de venda na semana em R$ 55,00 a saca. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço caiu de R$ 65,00 para R$ 64,00 a saca (-1,5%).
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda na semana desceu de R$ 63,00 para R$ 62,00 a saca (-1,6%). E em Rio Verde, Goiás, o preço na venda ficou estável no comparativo semanal em R$ 60,00.
No Porto de Paranaguá/Paraná, preço estável na base de venda na semana em R$ 69,00. No Porto de Santos/São Paulo, cotação inalterada no comparativo semanal em R$ 70,00.
Fonte/Autor: Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
Sustentabilidade
Ceema: Trigo sobe em Chicago e atinge maior valor desde novembro – MAIS SOJA

Comentários referentes ao período entre 19/12/2025 e 12/02/2026
Em Chicago, as cotações do trigo subiram no período dos últimos dois meses. O primeiro mês cotado saiu de US$ 5,07/bushel no dia 18/12 para US$ 5,36 no início da segunda semana de janeiro. Posteriormente, a mesma voltou a recuar, voltando aos US$ 5,07 no dia 21/01. Desta data em diante a mesma subiu para níveis de US$ 5,30 a US$ 5,40, sendo que o fechamento desta quinta-feira (12/02) avançou mais, ficando em US$ 5,52/bushel, o valor mais alto desde o dia 05 de novembro passado.
O relatório do USDA, deste dia 10/02, pouco trouxe de novidades para o ano 2025/26. O mesmo apontou uma safra mundial de 841,8 milhões de toneladas e estoques finais globais em 277,5 milhões, neste caso com recuo de cerca de 700.000 toneladas sobre janeiro. A produção e os estoques finais estadunidenses permaneceram em 54 e 25,3 milhões de toneladas respectivamente. A produção brasileira seria de 8 milhões de toneladas e a da Argentina um recorde de 27,8 milhões. Enquanto os argentinos exportariam 18 milhões de toneladas, o Brasil importará 7,3 milhões.
Dito isso, no Brasil os preços se mantiveram relativamente estáveis nestes dois meses. No Rio Grande do Sul as principais praças permaneceram em R$ 55,00/saco, enquanto no Paraná elas recuaram um pouco, ficando agora entre R$ 61,00 e R$ 65,00/saco. Isso tudo para o produto de qualidade superior.
A forte desvalorização do Real deixa o trigo importado mais barato, segurando os preços internos. Pelo lado das exportações, segundo a Secex, o Brasil exportou, em janeiro/26, um total de 370.600 toneladas, com trigo praticamente todo gaúcho. Em 12 meses, os embarques somam 2,1 milhões de toneladas, contra 2,45 milhões entre fevereiro/24 e janeiro/25. Por sua vez, o país importou, em janeiro, um total de 504.200 toneladas de trigo. Em 12 meses (fev/25-jan/26) o total importado chegou a 6,68 milhões de toneladas, contra 6,75 milhões importadas no ano anterior.
Já a produção final brasileira de trigo teria ficado em 7,87 milhões de toneladas em 2025, sendo, deste total, 3,58 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul e 2,77 milhões no Paraná.
Enfim, de forma geral, as negociações estão lentas, diante da pouca demanda interna. No Rio Grande do Sul, as negociações seguem travadas, com os vendedores pedindo em torno de R$ 1.100,00/tonelada no interior, enquanto os compradores buscam negócios para entregas em março, com pagamento em abril, entre R$ 1.050,00 e R$ 1.070,00/tonelada. A concorrência do trigo paraguaio e uruguaio é forte, com o paraguaio mostrando-se mais competitivo no noroeste gaúcho (com diferença próxima de R$ 120,00/tonelada em relação ao produto argentino). Por outro lado, em Santa Catarina, o trigo oriundo do Rio Grande do Sul chega aos moinhos do Leste do estado com valores entre R$ 1.230,00 e R$ 1.250,00/tonelada CIF, abaixo das ofertas locais, que variam de R$ 1.250,00 a R$ 1.300,00/tonelada FOB.
E no Paraná, os moinhos estão abastecidos até fins de fevereiro e demonstram interesse apenas em entregas para março, com pagamento em abril. Os preços ficam entre R$ 1.200,00 e R$ 1.280,00/tonelada CIF, dependendo da região. O trigo gaúcho e o paraguaio continuam sendo opções competitivas (cf. TF Agronômica).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Site: Ceema/Unijuí
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