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4 de julho de 2026

Sustentabilidade

Milho/RS: Colheita avança e chega a 21% da área total semeada – MAIS SOJA

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O tempo estável com precipitação reduzida foi positivo para a colheita, que segue se acelerando em várias regiões. Mesmo em áreas com a umidade elevada dos grãos (acima de 20%), a colheita continua para liberar as áreas ao plantio de soja ainda dentro do calendário da semeadura, que se encerra em 28/01.

Na Campanha, as áreas com irrigação foram beneficiadas pelas chuvas regulares, que ocorreram desde o final de dezembro, permitindo a redução de custos com energia e combustível. Para as lavouras de sequeiro implantadas em setembro, as expectativas não são boas devido à combinação de excesso de chuvas durante seu estabelecimento e estresse hídrico nos períodos críticos de pendoamento e enchimento de grãos.

A cotação do grão se manteve estável no período, sendo ofertados contratos de entrega relativamente curtos, com liquidação em março, garantindo a cotação atual do grão. Em várias localidades, a produtividade está satisfatória. No geral, o aspecto fitossanitário da cultura está muito bom. Estima-se o cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.

O mapa de ocorrência da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) no Rio Grande do Sul, referente ao período de 12 a 18/01/26, evidencia ampla presença do inseto em diferentes regiões do Estado, com destaque para os pontos em vermelho, que indicam locais com alta ocorrência populacional. Esses registros demonstram pressão significativa da praga, o que aumenta o risco de disseminação do complexo de enfezamentos, especialmente em áreas com lavouras em estádios iniciais. Diante desse cenário, alerta-se os produtores que já implantaram ou estão em fase de implantação do milho safrinha para que intensifiquem o monitoramento.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita continua intensa na Fronteira Oeste, beneficiada pela ausência de chuvas significativas e pelas altas temperaturas, que aceleram a perda de umidade nos grãos. Em São Borja, as produtividades nas áreas irrigadas estão muito boas, entre 12.000 e 13.800 kg/ha nos cultivos com maior investimento.

As lavouras de sequeiro implantadas em agosto indicam produtividade entre 4.800 e 8.400 kg/ha, demonstrando satisfatória resposta a maiores níveis de investimento e evidenciando o caráter aleatório da distribuição das chuvas durante a fase reprodutiva. Em São Gabriel, os cultivos implantados na primeira janela de plantio de setembro estão em plena fase de enchimento de grãos, demonstram bom potencial produtivo e espigas com elevado número de grãos por fileira. As lavouras implantadas em novembro e na primeira quinzena de dezembro também foram beneficiadas pelas chuvas das últimas semanas, recuperando o
ritmo de crescimento após o estresse hídrico no início do ciclo e respondendo satisfatoriamente à aplicação da adubação nitrogenada de cobertura.

Na de Caxias do Sul, o plantio está concluído. Muitas áreas estão bem avançadas na formação de espigas, com rápido desenvolvimento após a floração. As plantas se encontram sadias. As chuvas do período favoreceram a incidência de cigarrinhas. Os produtores estão efetuando as adubações de cobertura e realizando tratamentos preventivos de inseticida misturado ao herbicida.

Na de Frederico Westphalen, cerca de 20% da cultura está em fase de enchimento de grãos, 60% em maturação e 20% colhidos. Na de Ijuí, a cultura está em final de ciclo, e aproximadamente 50% em estágio de maturação de grãos. Os produtores têm realizado a colheita mesmo com alta umidade nos grãos para anteciparem a liberação das áreas para a semeadura de outras culturas. Em Santo Augusto, as primeiras lavouras colhidas de sequeiro apresentam rendimento médio de 8.100 kg/ha, com umidade nos grãos de 28%, muito acima do ideal para trilha e debulha, adiando a colheita para a última semana de janeiro. Em Tenente Portela, a produtividade obtida varia entre 6.600 e 7.500 kg/ha. Em Ibirubá, a colheita não foi possível devido à umidade dos grãos estar acima de 30%.

Na de Pelotas, mais de 46.000 hectares foram semeados, ou seja, 86% da área prevista. Na de Santa Rosa, estão cultivados atualmente 150.911 hectares, área superior à do ano passado, devido principalmente a políticas de incentivo, como Milho 100%. A expectativa atual de produtividade está em torno de 7.996 kg/ha. Encontram-se 3% das lavouras em desenvolvimento vegetativo, 1% em floração, 8% em enchimento de grãos, 39% em maturação e 49% colhidos. As condições climáticas de tempo seco e vento constante auxiliaram na perda de umidade dos grãos e na realização da colheita. Em Cerro Largo, os rendimentos variam entre 6.000 e 7.200 kg/ha. Em Garruchos, os produtores relatam boa produtividade das áreas irrigadas, superando 11.000 kg/ha na maior parte das lavouras. As
áreas de sequeiro tiveram rendimentos de cerca de 50% do estimado nas áreas irrigadas evidenciando o resultado do uso dessa tecnologia para a produção do cereal.

Na de Soledade, há registros de produtividade entre 6.120 e 8.400 kg/ha. Os grãos colhidos são de ótima qualidade, mas possuem alta umidade. As lavouras semeadas no período intermediário e tardio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) possuem ótimo desempenho vegetativo e reprodutivo em virtude das chuvas regulares dos últimos períodos. A semeadura já atinge 93% da área planejada. Estão 30% dos cultivos em desenvolvimento vegetativo, 5% em florescimento, 30% em enchimento de grãos e 35% em maturação.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 1,40%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 62,27 para
R$ 61,40.

Fonte: Emater/RS



 

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Sustentabilidade

Senado debate regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e cobra segurança jurídica – MAIS SOJA

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A regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e os desafios para sua implementação foram debatidos, nesta quarta-feira (1º), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal. A audiência pública foi requerida pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente no Senado da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

O debate tratou da aplicação da Lei nº 14.785/2023, alterada pela Lei nº 15.070/2024, que moderniza as regras de pesquisa, registro, produção, comercialização e fiscalização de defensivos agrícolas no país.

Bagattoli afirmou que o novo marco legal reduz a burocracia, amplia a segurança jurídica e dá mais eficiência ao processo regulatório, sem flexibilizar critérios de proteção à saúde e ao meio ambiente.

“O objetivo do Parlamento nunca foi flexibilizar a proteção ambiental ou a saúde humana. Sempre buscamos eficiência regulatória para que a ciência chegue ao campo com a celeridade que a agricultura brasileira exige.”

O senador também criticou a demora na regulamentação da norma e apontou riscos de insegurança jurídica na aplicação da lei. “Não aceitaremos que interpretações administrativas limitem a eficácia da lei. O papel do Parlamento é fiscalizar e garantir que a administração pública observe os princípios da legalidade e da segurança jurídica.”

Bagattoli destacou ainda que o sistema precisa acompanhar a dinâmica da produção agropecuária brasileira. “Não podemos permitir que o processo de registro de um novo insumo leve de cinco a sete anos.”

Participantes defendem regulamentação e apontam impactos da implementação

Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ana Lígia Aranha Lenat afirmou que a lei trouxe mais previsibilidade ao setor, ao estabelecer critérios técnicos mais modernos para o registro de defensivos agrícolas e bioinsumos. Segundo ela, a falta de regulamentação e eventuais interpretações divergentes podem comprometer a competitividade do setor agropecuário.

“Não estamos pedindo menos fiscalização. Estamos pedindo fiscalização eficiente, baseada em prazos claros e respeito aos termos da lei. Não podemos permitir que o arcabouço regulatório se torne um gargalo que freie nosso desenvolvimento.”

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, afirmou que o novo marco torna o sistema mais eficiente sem reduzir os critérios de proteção à saúde e ao meio ambiente. Ele destacou que o Brasil leva, em média, cerca de sete anos para aprovar novas moléculas, enquanto outros países levam aproximadamente quatro anos.

“Não se trata de retrocesso. Trata-se de dar eficiência regulatória que acompanhe a excelência da produção de alimentos. O Ministério da Agricultura tem feito tudo o que é possível para cumprir a lei, nos limites que ela determina.”

A gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cássia de Fátima Rangel Fernandes, defendeu a regulamentação como forma de reduzir divergências entre os órgãos envolvidos e dar mais previsibilidade ao processo. Segundo ela, a agência mantém os prazos legais e vem reduzindo o estoque de análises pendentes.

“A ausência dessa regulamentação tem trazido mais incertezas para o processo. A Anvisa entende que essa lei precisa ser regulamentada o quanto antes para garantir previsibilidade e segurança jurídica.”

Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Grilli Felizardo afirmou que a regulamentação é essencial para garantir estabilidade regulatória e previsibilidade aos investimentos. Ele defendeu maior harmonização entre os órgãos e alinhamento a práticas internacionais.

“Os procedimentos definidos na regulamentação devem traduzir com objetividade as diretrizes da lei, reduzindo ambiguidades, fortalecendo a integração entre os órgãos e garantindo estabilidade regulatória.”

Também presente na audiência, o deputado Rafael Simões (União-MG), integrante da FPA, defendeu a regulamentação para ampliar a competitividade do setor. Produtor rural, ele criticou a demora na liberação de novas moléculas e afirmou que o Brasil perde espaço para outros países.

“Não é possível sermos competitivos enquanto levamos oito anos para aprovar uma molécula que já foi aprovada e utilizada em outros países. Precisamos que os órgãos caminhem juntos para garantir eficiência e segurança jurídica ao produtor rural.”

Fonte: FPA

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Autor:FPA

Site: FPA

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Embrapa alerta para impactos do El Niño – MAIS SOJA

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O aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico conhecido como El Niño está de volta ao radar de produtores rurais, governos e analistas internacionais. Embora ainda seja cedo para classificá-lo como um “super El Niño”, o fenômeno já altera padrões climáticos em todo o planeta e ameaça desencadear uma combinação perigosa de quebra de safras, inflação de alimentos, instabilidade social e conflitos geopolíticos. A avaliação é do professor Daniel Pérez, chefe-geral da Embrapa Solos, em entrevista à Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Segundo Pérez, o El Niño não é apenas um fenômeno climático isolado. Ele funciona como um gatilho que amplifica fragilidades já existentes na produção mundial de alimentos. O pesquisador lembra que, desde 2007, o mundo já atravessou praticamente cinco crises globais que combinam extremos climáticos, insegurança alimentar e conflitos, o que demonstra que essa dinâmica veio para ficar. Na avaliação dele, a variável geopolítica deixou de ser um fator secundário e passou a pesar diretamente nas decisões que agricultores precisam tomar antes mesmo de iniciar o plantio.

Grãos básicos sob pressão

Um dos primeiros efeitos do fenômeno é o calor extremo no Hemisfério Norte, que compromete a produção dos três grãos que sustentam a alimentação mundial: arroz, trigo e milho. Monções irregulares já são esperadas no sul da Ásia, o que deve atingir diretamente Índia e Vietnã, os dois maiores produtores globais de arroz; um mercado que já vem sendo castigado por eventos climáticos extremos ao longo dos últimos anos.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Solos, o trigo enfrenta cenário semelhante. Áreas de seca já afetam a principal região produtora de trigo de inverno nos Estados Unidos, enquanto a Austrália, outro grande exportador, corre risco de quebra de safra. Com a redução dos estoques mundiais, cai também a capacidade de exportação, um problema grave, já que apenas nove países no mundo são grandes exportadores líquidos de alimentos, entre eles o Brasil. Para ele, todos os demais dependem, em algum grau, de importações.

Logística, água e diplomacia

Os impactos do El Niño também atingem a infraestrutura logística e energética global. O Canal do Panamá, cujo funcionamento depende do volume de chuvas na América Central, já opera com fluxo reduzido diante da diminuição das precipitações, encarecendo o transporte internacional de cargas.

Na África Central, na Ásia Central e no Oriente Médio, a alteração nos regimes hídricos intensifica a disputa por recursos compartilhados. Paquistão enfrenta secas prolongadas, enquanto Irã e Afeganistão vivem tensões diplomáticas ligadas ao uso de bacias hidrográficas comuns, fricções que têm potencial de repercussão geopolítica em dois países estratégicos para o comércio mundial.

Brasil: excesso de chuva de um lado, seca do outro

No território brasileiro, de dimensão continental, o El Niño provoca efeitos opostos entre regiões. Enquanto o Sul tende a receber mais chuva e, com ela, o risco de temporais severos, como os observados no Rio Grande do Sul em 2024, o Centro-Oeste e o Nordeste sofrem com a redução das precipitações, afetando culturas como soja e milho, especialmente em áreas de solo arenoso como o Matopiba, mais vulneráveis à falta de água.

Pérez destaca que o momento em que as chuvas ocorrem é decisivo. “Se chegam antes do plantio ou durante a colheita, o prejuízo pode ser enorme; se chegam em outro período do ciclo, o impacto tende a ser menor. Foi o que aconteceu no Rio Grande do Sul em 2024, quando cerca de 70% a 80% da safra de arroz já havia sido colhida antes das chuvas torrenciais que ultrapassaram 700 milímetros. Para este ano, já se estima que ao menos 20% da produção de trigo da região Sul possa ser comprometida.”

Transporte

O transporte de grãos pelas hidrovias amazônicas, essenciais para o escoamento via Arco Norte, também é sensível ao timing das chuvas. Eventos climáticos após a colheita podem travar a logística, já que o país não dispõe de capacidade de armazenamento suficiente para absorver grandes volumes represados.

Contribuições da Embrapa

Diante desse cenário, a Embrapa e parceiros do sistema nacional de pesquisa agropecuária têm investido em soluções para aumentar a resiliência do campo. Entre as iniciativas citadas por Pérez estão o desenvolvimento de cultivares de soja, milho e trigo tolerantes à seca por meio de edição genética CRISPR, e bioinsumos como o Auras, bioestimulante derivado de uma bactéria isolada do mandacaru, capaz de estimular o crescimento das raízes e ajudar as plantas a captar água em camadas mais profundas do solo.

Na área de inteligência climática, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), desenvolvido pela Embrapa, em parceria com o Ministério da Agricultura, orienta produtores sobre as melhores janelas de plantio considerando tipo de solo, ciclo da cultura e riscos climáticos, recomendando o adiantamento ou atraso da semeadura conforme o caso.

Práticas de manejo sustentável, como a integração lavoura-pecuária-floresta e o sistema de plantio direto, também ganham destaque por ajudarem a reter umidade no solo e reduzir o estresse térmico dos animais. Já no semiárido, o aplicativo GuardeÁgua auxilia agricultores e técnicos a identificar locais adequados para a construção de barragens subterrâneas, transformando o próprio solo em reservatório de água.

Alimento como questão de segurança nacional

Para Pérez, que também integra um grupo de pesquisa voluntário na Escola de Guerra Naval dedicado à simulação de cenários, a história mostra que a segurança alimentar sempre esteve por trás dos grandes conflitos da humanidade; deste a migração dos primeiros hominídeos em busca de terras mais férteis até guerras mais recentes. “Enquanto você não tem nada a perder, você não entra em uma guerra. Mas quando você e sua família estão passando fome, a decisão muda”, resume o pesquisador, ao defender que segurança alimentar deve ser tratada como segurança nacional.

Como exemplo recente, ele cita a Ucrânia, que era um dos grandes exportadores mundiais de alimentos antes da guerra e viveu entre 2022 e 2024 uma severa crise de abastecimento interno, mostrando como a condição de um país pode se inverter rapidamente. É esse tipo de risco que reforça, segundo ele, a importância de estoques estratégicos de alimentos e do monitoramento simultâneo de diferentes “celeiros” do mundo, já que choques climáticos concomitantes em várias regiões produtoras, como Ásia e China ao mesmo tempo, no caso do arroz, podem esgotar rapidamente os estoques globais de um grão específico, sem que existam substitutos culturalmente viáveis para consumidores tradicionais daquele alimento.

Pérez pondera que o tom do alerta pode soar apocalíptico, mas defende que a população, especialmente nas cidades, que não produzem seu próprio alimento e por isso são mais vulneráveis, precisa se atentar mais a essas questões e valorizar o papel dos produtores rurais na manutenção da segurança alimentar do país. Segundo ele, a experiência recente da pandemia de Covid-19, quando a insegurança alimentar cresceu de forma acentuada, deveria servir de lembrete permanente de que a prevenção é a principal ferramenta para evitar instabilidade civil, política e militar decorrente da falta de comida.

Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Confira a entrevista na íntegra.

Fonte: SNA

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Autor:SNA

Site: SNA

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Sustentabilidade

El Niño chama a atenção para os cuidados com o solo no agronegócio – MAIS SOJA

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Os efeitos do fenômeno El Niño reforçam os cuidados que o agricultor do Brasil deve ter com o manejo de solo. A aplicação de calcário agrícola, uma das práticas que garantem bons resultados no campo, segue pelo menos 30% abaixo do necessário. A elevação dos custos com insumos também é um fator de risco no cenário.

Conhecida como calagem, a aplicação do calcário está atrasada em boa parte do país, justamente pela expectativa de que os custos diminuam ao longo da safra. A conclusão vem da assembleia da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário (Abracal), realizada no último dia 26 de junho. Representantes da indústria de corretivos de acidez de solo apontam o adiamento dos cuidados com a terra em pelo menos 4 regiões do país – Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

Este cenário preocupa diante das previsões de que o El Niño terá de média a forte intensidade até o final do segundo semestre. Há estimativa de calor extremo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e temporais no Sul. Dependente de clima regular, o agronegócio terá desafios.

Presidente da Abracal, João Bellato Júnior recorda que o consumo de calcário agrícola ficou na casa dos 61,3 milhões no ano passado, ante 59,6 milhões em 2024. “A estimativa hoje é de um recuo no consumo este ano. Porém, esperamos que eventuais mudanças no cenário façam com que pelo menos repitamos os números de 2025”, conta Bellato.

Uma das mudanças seria a queda dos preços dos fertilizantes, que subiram com os conflitos na Ucrânia e no estreito de Ormuz. O calcário corrige a acidez do solo e amplia os efeitos do fertilizante. Eventuais quedas nos preços do óleo diesel também contribuirão para um cenário melhor, tanto no transporte como na aplicação dos insumos.

De forma geral, o cenário financeiro dos agricultores afeta o os passos do agronegócio brasileiro. No Centro-Oeste e Sudeste, os empresários também aguardam preços melhores nos fertilizantes para agir. Em regiões como o Sul, chuvas e calor extremos deixam o produtor rural menos otimista. A boa notícia da aplicação vem de alguns pontos do Nordeste e no Matopiba, com bons números.

Fonte: Abracal

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